terça-feira, 21 de março de 2017

Norival Reis (Portelenses de Outrora)

Norival Reis

Norival Torquato Reis
*  24/3/1924 Angra dos Reis, RJ 
+  2001 Rio de Janeiro, RJ

 Biografia
 
Compositor. Cavaquinista. Nasceu em Angra dos Reis (RJ), mas foi criado nos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, subúrbios carioca.
 
Desde menino freqüentava as escolas de samba Portela e Império Serrano.
 
Trabalhou para as gravadoras Continental e Columbia, nas quais exerceu a função de Engenheiro de Som.
 
É considerado um dos grandes especialistas em gravação, acústica e amplificação do som, ficando conhecido por ter personalizado o som do cavaquinho de Waldir Azevedo, para o qual inventou um sistema especial de câmaras de eco improvisadas, quando não havia esse recurso no Brasil. Chegou a gravar em banheiros da gravadora para conseguir efeitos que, na época, eram impossíveis.
 
Faleceu aos 77 anos de idade, de parada cardíaca proveniente de problemas decorrentes do diabetes.
 
Foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
 
Seu filho, Luiz Carlos T. Reis, é engenheiro de som conceituado no mercado fonográfico, preferido de vários produtores como Rildo Hora e intérpretes como Beth Carvalho e por várias vezes atuou como jurado de bateria da Liga das Escolas de Samba (LIESA).
 
Dados artísticos
 
Começou trabalhando na gravadora Continental na década de 1940, quando resolveu começar a compor, influenciado pelo convívio com outros compositores.

Em 1945, compôs sua primeira marcha, "Até vestida" e logo depois, "O barão".

No ano de 1951, a dupla Joel e Gaúcho lançou pela Todamérica seu samba "Hoje ou amanhã", parceria com Ruthinaldo Silva.

Em 1953 Elizeth Cardoso interpretou "Nem resta a saudade", parceria com Irani Oliveira. Dois anos depois, a mesma cantora gravou também de sua autoria "Amanhã será tarde" (c/ Dunga) e ainda, em seu primeiro LP pela Continental com o título de "Canção à meia-luz", a Divina interpretou "Pra que me iludir?", de Norival Reis e Radamés Gnatalli.

Outras músicas suas foram gravadas por Ruy Rey ('A lua se escondeu', parceria com Alcebíades Nogueira) e Ângela Maria ('A saudade não foi leal', coimposta com Jorge Duarte).

Em 1965, teve sua composição "Nunca mais" (c/ Bezerra da Silva) intrepretada por Marlene, pela Continental.

Venceu por três vezes o concurso de samba-enredo da Escola União de Jacarepaguá e uma vez na Escola Rosa de Ouro, de São Paulo.

A partir de 1969 passou a integrar a Ala dos Compositores da Portela.

Compôs sambas antológicos para a escola: "Ilu-ayê - Terra da vida", em 1972, parceria com Silvestre Davi da Silva, conhecido na Portela como Cabana, que classificou a escola em 3º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano, gravado por Clara Nunes com grande sucesso. Outro samba-enredo de sua autoria e importante para a Portela foi "Macunaíma, herói da nossa gente" (c/ David Antônio Correia) que classificou a escola em 5º lugar do Grupo 1 no ano de 1975.

Em 1976, Zedi gravou pela Tapecar o LP "Meu recado", no qual interpretou "Alegria" (Norival Reis e Vicente Mattos).

Compôs ainda para a Portela "Hoje tem marmelada", com Jorge Macedo e Davi Antônio Correia, em 1980, classificando a escola em 1º lugar do Grupo 1.

Em 1984, compôs com Dedé da Portela "Contos de areia", samba-enredo com o qual a Portela desfilou naquele ano classificando-se em 1º lugar do Grupo 1.

Conhecido também como Vavá da Portela, foi homenageado por Paulinho da Viola no samba "O pagode do Vavá". O samba remete ao famoso Pagode do Vavá, que acontecia aos domingos em sua casa, no subúrbio de Madureira.

Sua composição mais conhecida é "Ilú Ayê", considerado um dos mais belos sambas-enredos de todos os tempos e foi gravado por Elza Soares ainda na década de 1970.

No ano 2000 participou da gravação do CD "Ala de Compositores da Portela", disco produzido por Franco Cava e no qual declamou versos de seu samba-enredo "Contos de areia", composto em parceria com Dedé da Portela. Deste mesmo disco participaram Eliane Faria, Paulinho da Viola, Monarco, João Nogueira, Cristina Buarque, Simone Moreno, Wilson Moreira, Dorina, Ary do Cavaco, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Fraco Cava, Anderson da Portela e Waldir 59.

Em 2001, Mônica Salmaso no CD "Voadeira" incluiu "Ilú Ayê - terra da vida".

No ano de 2002, Eliane Faria, com arranjo de Jotinha Moraes, interpretou "Ilu Ayê" no disco "Clássicos do samba", lançado pela gravadora Eldorado e distribuído pela Sony Music. Neste mesmo ano, Elza Soares no disco "Do cóccix até o pescoço" interpretou de sua autoria "O samba é bom assim" (c/ Hélio Nascimento). Ainda em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.

Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu "Conto de areia". Ainda em 2003, Bezerra da Silva, no disco "Meu bom juiz", incluiu de sua autoria "Em seu lar". Neste mesmo ano, a Tradição, ao lado da Portela, Império Serrano e Viradouro, foi uma das Escolas de Samba que optaram em comemorar o 20º aniversário do Sambódromo, quando foi construída a "Passarela do Samba", levando para a avenida sambas-enredo anteriores a 1984. A Tradição resolveu homenagear a Portela (de quem se separou em 1984) e escolheu o samba-enredo "Contos de areia", de Dedé da Portela e Norival Reis. Para a gravação do samba a escola convidou Alcione. O samba, de sua autoria, foi cantado na avenida no carnaval de 2004. Neste mesmo ano Carmem Queiroz regravou "Ilú Ayê".

Obra

A lua se escondeu (c/ Alcebíades Nogueira, marcha)
A saudade não foi leal (c/ Jorge Duarte, samba)
ABC dos orixás (c/ Dedé da Portela, samba)
Alegria (c/ Vicente Mattos)
Amanhã será tarde (c/ Dunga)
Amigo do rei (c/ Adalberto Rego, marcha)
Até vestida (marcha)
Barra da Tijuca (c/ Irani de Oliveira, samba)
Contos de areia (c/ Dedé da Portela)
Em seu lar
Hoje ou amanhã (c/ Rutthinaldo Silva, samba)
Hoje tem marmelada (c/ Jorge Macedo e Davi Antônio Correa)
Iaiá da Bahia (c/ José Batista, batucada)
Ilu-ayê (Terra da vida) (c/ Cabana, samba-enredo)
Império dos Aruãs (c/ David Correa e Joel Meneses)
Macunaíma, o herói das nossa gente (c/ Davi Antônio Correia, samba-enredo)
Nem resta a saudade (c/ Irani Oliveira)
O barão
O morro canta assim (c/ José Batista, samba)
O que esquenta é mulher (c/ João de Barro)
O samba é bom assim (c/ Hélio Nascimento, samba)
Pra que me iludir? (c/ Radamés Gnattali)
Salve a Brotolândia (c/ Jorge Duarte e Braguinha)
Sua mulher vai ao baile comigo (c/ João de Barro)

Discografia

(2000) Ala de Compositores da Portela • CD

Bibliografia crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.

CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.

CARISE, Iracy. A arte negra na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Editora Artenova, S/D.ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.

COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mijinha (Portelenses de Outrora)



Mijinha

Bonifácio José de Andrade
* Rio de Janeiro, RJ 

Biografia
Cantor. Compositor. Irmão dos compositores Aniceto da Portela e Manacéia. Integrou a Ala de Compositores da Portela.

A partir do ano de 1970 passou a integrar a Velha-Guarda da Portela, fundada por Paulinho da Viola, ao lado de seus irmãos Aniceto da Portela e Manacéia, e ainda por Alberto Lonato, Ventura, Alvaiade, Francisco Santana, Antônio Rufino dos Reis, Alcides Dias Lopes (mais conhecido por Alcides Malandro Histórico), Monarco, Surica, Tia Vicentina, Tia Doca, Armando Santos e Antônio Caetano. Neste mesmo ano de fundação da Velha-Guarda, Paulinho da Viola produziu o primeiro disco do grupo. O LP "Portela, passado de glória" foi lançado pela gravadora RGE, no qual foi incluída a sua composição "Chega de padecer". 

No ano de 1973, no LP "Nervos de aço", de Paulinho da Viola, foi incluído o samba de sua autoria "Sentimentos", um dos grandes sucessos da época. 

Em 1980 Monarco lançou o LP "Terreiro", no qual interpretou "Sofres porque queres liberdade", e "Falsa recompensa", as duas composições parcerias de ambos. 

No ano de 1986, produzido por Katsunori Tanaka para o mercado japonês, foi lançado o disco "Doce recordação", da Velha-Guarda da Portela, sendo incluído o samba "Fui condenado" (Monarco e Mijinha). 

Em 1994, Cristina Buarque lançou pela gravadora Saci o CD "Resgate". Este disco contou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela nas faixas "Amor perdido" (Manacéia), "Eu perdi você" (Aniceto J. de Andrade, mais conhecido como Aniceto da Portela) e "Adeus, eu vou partir" (Mijinha e Chico Santana). 

No ano 2000 a gravadora Nikita Music, do japonês Katsunori Tanaka, relançou em CD "Doce recordação".

Obras

Adeus, eu vou partir (c/ Chico Santana)
Chega de padecer
Falsa recompensa (c/ Monarco)
Fui condenado (c/ Monarco)
Sentimentos
Sofres porque queres liberdade (c/ Monarco)

Discografia
Portela, passado de glória • RGE • LP (1970)

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
FERNANDES, Vagner. Clara Nunes: Guerreira da utopia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati. 2001.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Marçal (Portelenses de Outrora)

Marçal

Nilton Delfino Marçal
* 1930 Rio de Janeiro, RJ 
+  9/4/1994 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Instrumentista. Ritmista. Mestre de Bateria. Filho do compositor Armando Marçal. Pai do também percussionista Marçalzinho.

Dados Artísticos 
 
Iniciou a carreira artística aos nove anos de idade tocando tamborim na escola de Samba Recreio de Ramos, da qual seu pai, Armando Marçal, era presidente. Pouco depois, ingressou na Escola de Samba Unidos da Capela, e, posteriormente, no Império Serrano. Em seguida, foi para a Portela onde ficou por mais de 20 anos tendo assumido o posto de Mestre de Bateria daquela agremiação. Realizou gravações como instrumentista e também como cantor. 

Em 1971, integrou uma verdadeira seleção de instrumentistas brasileiros que incluiu, sob o título de Os Chorões, os instrumentistas Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, José Menezes, Juquinha, Luna, Netinho "Clarinete", Radamés Gnattali, Raul de Barros, Tião Marinho e Zé Bodega, que, sob o comando do maestro Nelsinho, gravaram, pela Odeon, o LP "Chorinhos da Pesada", no qual foram interpretados os choros " Pé na Tábua", de Altamiro Carrilho; "Bate Papo", de Radamés Gnattali; "Na Glória", de Raul de Barros e Ari dos Santos; "Doce Melodia", de Abel Ferreira; "Linda Érika", de Luiz Americano; "Peguei a Reta", de Porfírio Costa; "Bem-Te-Vi Atrevido", de Lina Pesce; "Teclas Pretas", de Pascoal Barros; "Chorinho de Gafieira", de Astor Silva; "Sonoroso", de K-Ximbinho e Del Loro; "Haroldo no Choro", de Abel Ferreira, e "Limoeiro do Norte", de Porfírio Costa. Em 1973, gravou seu primeiro trabalho solo, um compacto duplo, pela Odeon, interpretando os sambas "Meu Sofrer" e "Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal"; "Voltei", de Wilson Bombeiro e Anézio, e "Menino do Morro", de Guga, Cosme e Damião. 
 
Em 1974, participou do LP "A Música de Donga", lançado pelo selo Marcus Pereira, no qual, ao lado da cantora Leci Brandão interpretou o samba "Seu Mané Luiz", de Donga e Cícero De Almeida, o "Baiano". 
 
Em 1975, participou do LP da Portela, na série "História das Escolas de Samba", lançada pelo selo Marcus Pereira, interpretando com a bateria da Escola de Samba Portela o samba-enredo "Macunaíma (Heróis de Nossa Gente)", de David Correia e Norival Reis. 
 
Em 1976, juntamente com os instrumentistas Eliseu, Luna, Dotô, Marçalzinho e Toninho, integrou o Conjunto Os Baluartes, que gravou, pelo selo Okeh/CBS, o LP "Nira Gongo", com a interpretação das músicas "Por Favor", de J. Ananias de Marcelos e José Bispo, o ''Jamelão''; "Sai Encosto", de J. Canseira e Marimbondo; "Nira Gongo", composição coletiva do grupo Os Baluartes; "Quando Eu Me Lembro", de Hélio Nascimento; "Andarilho", de Padeirinho; "Não É Não É", de W. Rosa e Redvaldo; "Ausência de Paz", de Pequeno Tony e Gugu; "Tiradentes", de Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva; "Samba do Trabalhador" e "Chegou Mais Um", de Darcy da Mangueira; "Conflito", de Pedro Santos, e "A Nova Mangueira", de Padeirinho. 
 
Em 1978, gravou seu primeiro LP solo, "Marçal Interpreta Bide e Marçal", lançado pela EMI-Odeon, no qual interpretou os sambas "Agora É Cinza"; "Meu Primeiro Amor"; "A Primeira Vez"; "A Carta"; "Barão das Cabrochas"; "Que Bate Fundo É Esse", "Tua Beleza"; "Não Diga a Minha Residência"; "Foi Você"; "Tu Não Sabes Mais o Que Há de Querer"; "Velho Estácio"; "Sorrir"; "Louca Pela Boemia"; "Nunca Mais"; "Meu Sofrer"; "Violão Amigo"; "Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu"; "Madalena"; "Olha a Sua Vida" e "Você Foi Embora", todos da dupla Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal". Um detalhe deste disco é que ele contou com a participação especial no coro dos seguintes artistas: Chico Buarque, Clara Nunes, Cristina Buarque, Dona Ivone Lara, Élton Medeiros, Gisa Nogueira, Gonzaguinha, João Nogueira, Martinho da Vila, Milton Nascimento, Miúcha, Nosso Samba, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro e Roberto Ribeiro. 
 
Em 1979, participou do fascículo "Nova História da Música Popular Brasileira - Bide/ Marçal e o Estácio", lançado pela Abril Cultural, interpretando o samba "Barão das Cabrochas", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal". 
 
Em 1980, gravou o samba " Acabou a Sopa", de Geraldo Pereira e Augusto Garcez, para o LP "Geraldo Pereira - Evocação V", do selo Eldorado. Nesse ano, por desentendimentos com o presidente, deixou a Escola de Samba Portela. Passou alguns meses na Viradouro e desfilou pela Mangueira. Em 1982, foi escolhido como "Cidadão Samba". 
 
Em 1984, sua interpretação para o samba "Barão das Cabrochas", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal", foi incluída no fascículo "História da Música Popular Brasileira - Séria Grandes Compositores - Bide / Marçal / Paulo da Portela", da Abril Cultural. 
 
Em 1985, lançou pela Barclay/Ariola, seu segundo LP solo, intitulado "Recompensa" no qual interpretou os sambas "É Lá Que Moro", de Joel Silva e Sergio Fernandes, e "Como Era Verde o Meu Xingú", de Dico da Viola, Paulinho Mocidade, Tiãozinho da Mocidade e Adil, Samba-enredo de 1983 da Mocidade Independente, ambos com a participação da Bateria da Portela; "Outra Alegria", de Délcio Carvalho e Alceu Maia; "A Janela do Coração", de Dida e Dedé da Portela; "Ando na Orgia", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal"; "Samba do Avião", de Tom Jobim; "Peço A Deus", de Dida e Dedé da Portela, com participação especial de Caetano Veloso; "Recompensa", de Jorge Aragão e Jotabê, e "O Bicho Vai Pegar", faixa instrumental de sua autoria. 
 
Em 1986, gravou o LP "Senti Firmeza" interpretando os sambas "Contos de Areia", de Dedé da Portela e Norival Reis, samba-enredo da Portela de 1984; "Canto Sublime", de Adilson Bispo e Zé Roberto; "Aos Novos Compositores"; de Arlindo Cruz, Chiquinho e Acyr Marques; "Não Faz Assim", de Arlindo Cruz, Franco e Luiz Carlos da Vila; "Gamação", de Candeia; "Solidão Tem Cura", de Arlindo Cruz, Franco e Sombrinha; "Facho de Esperança", de Sereno, Julinho e Moysés Sant'Anna; "Nega Cascavel", de Arlindo Cruz e Franco; "Que Caia Sobre Mim (Juro)", de Nelson Cavaquinho e Amado Régis; "O Que Houve Entre Nós", de Arlindo Cruz e Sombrinha, e "Agora É Tarde", de Mauro do Cavaco, Cabelo Branco e Argemiro da Portela. No mesmo ano, sua interpretação para o samba "Facho de Esperança", de Sereno, Julinho e Moysés Sant'Anna, foi incluída na trilha sonora da novela "Roda de Fogo", da Rede Globo, lançada pela Som Livre. 
 
Transferiu-se em seguida para a gravadora Polydor, e lançou, em 1987, o LP "Sem Meu Tamborim Não Vou" com os sambas "Canto Forte", de Ronaldo Camargo, Vaguinho e Preto Jóia; "Sem Meu Tamborim Não Vou", de Armando "Marçal" e J. Portela; "Ouço Uma Voz", de Candeia e Nelson Amorim; "Inconsequência", de Franco e Paulinho Mocidade; "Só Você", de Arnô Canegal e Ari Monteiro; "Olha Amor", de Moysés Sant'Anna e Julinho; "Os Malês", de Adalto Magalha e Wilson Moreira; "Me Mata de Amor", de Franco e Paulinho Mocidade, faixa que contou com a participação do cantor e compositor Paulinho Mocidade; "Arte de Perdoar", de Almir Guineto, Adalto Magalha e Adilson Gavião, "Vaidade Pra Quê", de Arlindo Cruz e Franco, e "Palco", de Efson e Nei Lopes. 
 
Em 1988, lançou o LP "A Incrível Bateria do Mestre Marçal" no qual interpretou o samba "A Incrível Bateria", parceira sua com Durval Ferreira, e os sambas-enredo, todos eles clásicos, "Festa Para Um Rei Negro", de Zuzuca (Salgueiro - 1971); "O Mundo Melhor de Pixinguinha (Pizindin)", de Jair Amorim, Evaldo Gouveia e Velha (Portela - 1974); "Os Sertões", de Edeor de Paula (Em Cima da Hora - 1976); "Contos de Areia", de Dedé da Portela e Norival Reis (Portela - 1984); "Ilu Ayê Terra da Vida", de Cabana e Norival Reis (Portela - 1972); "No Reino da Mãe do Ouro", de Tolito e Rubens da Mangueira (Mangueira - 1976), e "Bum Bum Paticumbum Prugurundum" de Beto Sem Braço e Aloísio Machado (Império Serrano - 1982). No mesmo ano, participou do LP "15 Anos de Carreira", do cantor e compositor Carlinhos Vergueiro, lançado pelo selo Idéia Livre, com um retrospecto da carreira de Vergueiro em diferentes duetos. Neste LP, interpretou com Carlinhos Vergueiro o samba "Torresmo À Milanesa", parceria de Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro. 

Em 1989, pela BMG-Ariola, lançou o LP "Pela Sombra" no qual interpretou os sambas "Juntar as Mágoas", de Sereno e Mauro Diniz; "Desalento", de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, faixa que contou com a participação de Chico Buarque; "Pela Sombra", de Nei Lopes e Nelson Sargento; "Até de Avião", de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Luiz Carlos da Vila; "Mocotó Com Pimenta", de Geraldo Babão e Zardino; "Imagens Poéticas de Jorge Lima", samba-enredo da Mangueira, de 1975, de Tolito, Mosar e Delson; "Impossível Recomeçar", de Anézio, Vera Lúcia e Wilson Bombeiro, que contou com a participação de Alcione; "Quem Dera", de Zeca Pagodinho; "Povo de Aruanda", de Cezinha do Pagode, Maurição e Wagner Bastos; "Fiz o Que Pude", de Geraldo Babão, e "Não Diga a Minha Residência", de Alcebíades Barcelos, o "Bide" e Armando "Marçal", além do ''Pot-pourri de Pagodes'', com "Sofrimento", de Chimbica; "O Remorso Me Condena", de Monarco e Ratinho; "Menino do Morro", de Guga, Cosme e Damião, e "Saudade Colorida", de Silvinho do Pandeiro. No mesmo ano participou de duas coletâneas da gravadora Som Livre. A primeira foi o LP "Cais", com diferentes artistas, alguns em duetos, fizeram interpretações da obra do compositor Ronaldo Bôscoli, especialmente para este disco. Interpretou então, com Chico Buarque, "Circo Marimbondo", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. A outra participação foi no LP com a trilha sonora da novela "Pacto de Sangue", da Rede Globo, que incluiu sua interpretação para o samba "Desalento", de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, feita em dueto com Chico Buarque. Ainda em 1989, participou do "Projeto Brahma Extra - Grandes Músicos", uma produçaõ independente que reuniu diferentes artistas e no qual, cantando com Alceu Maia e Manoel da Conceição, gravou o samba "Vê Se Gostas". Nesse ano, tocou cuíca nas gravações do LP "Okolofé", de Wilson Moreira, com produção executiva do japonês Katsunori Tanaka, sendo lançado no Japão em 1991. No ano 2000 o mesmo disco foi lançado no Brasil. Também cantou o samba "Abrolhos Da Vida", de Wilson Moreira e Ratinho. 
 
Em 1990, participou de quatro LPs, com diferentes artistas e em diversificadas gravadoras. Foram eles: "Ao Vivo Paris - Le Zenith", que o cantor e compositor Chico Buarque lançou pela BMG-Ariola. Neste disco, além de tocar percussão, interpretou com Chico Buarque o samba " Sem Compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro. Na gravadora CID, participou do LP "Brasilidade - Noca Da Portela e Roberto Serrão", interpretando o samba "Dupla Genial", de Monarco e Délcio Carvalho. Na gravadora EMI-Odeon participou do LP "Tem Que Arrebentar!", gravado pelo cantor Júnior, interpretado o samba "Amigo É Pra Essas Coisas", de Silvio da Silva Júnior e Aldir Blanc. Finalmente, sua gravação para o samba "Dona Invocada", de Moacyr Luz e Aldir Blanc, incluída na trilha sonora da novela "Mico Preto", da TV Globo. Ainda em 1990, lançou pela BMG-Ariola o LP "Entre Amigos" cantando os sambas "Dona Invocada", de Moacyr Luz e Aldir Blanc; "Três Palavras", de Mauro Diniz e Mestre Marçal; "Perdão e Paz", de Sereno e Sérgio Fonseca; "Canto Pra Não Ver Você Chorar", de Mauro Diniz e Ratinho; "Leviana", de Zé Keti; "O Meu Amor Tem Preço", de Dona Ivone Lara; "Contentamento", de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro; "Olhando-me no Espelho", de Adilson Magrinho; "Doce Mistura", de Sereno e João do Cavaco; "Bainha de Punhal", de Romildo Bastos e Sérgio Fonseca; "Vara de Marmelo", de Romildo e Paulinho Resende; "Amor Não É Brinquedo", de Candeia e Martinho da Vila, e "Temporal", de Pinga e Pedro Butina. 
 
Em 1991, participou do LP "Nada Além", um tributo ao compositor Mário Lago, em gravações exclusivas. Lançado pela Som Livre, interpretou o samba "Atire A Primeira Pedra", de Ataulfo Alves e Mário Lago, e, em coro com Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Élton Medeiros, Mário Lago e Neguinho da Beija-Flor, a marcha carnavalesca "Aurora", de Roberto Roberti e Mário Lago. 
 
Em 1993, suas gravações para os sambas "Tua Beleza" e "Não Diga a Minha Residência", ambos de Alcebíades Barcelos, o "Bide", e Armando "Marçal", foram incluídos na coletânea "Rio By Night", da EMI-Odeon. No mesmo ano, cantando em coro com Alcione, Beth Carvalho e Pery Ribeiro, em montagem com a voz de Herivelto Martins, participou da gravação dos sambas "Mangueira, Não", de Herivelto Martins e Grande Otelo; "Saudosa Mangueira", de Herivelto Martins, e " Lá Em Mangueira", de Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres. Também em 1993, lançaria aquele que seria seu último trabalho, o LP "Sambas-Enredo de Todos os Tempos", pela gravadora Velas, no qual interpretou quinze sambas-enredo clássicos: "Lendas E Mistérios da Amazônia", de Catoni, Jabolô e Valtenir, (Portela - 1970); "Tiradentes",de Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva, (Império Serrano - 1949); "A Festa do Divino", de Tatu, Nezinho e Campo, (Mocidade Independente - 1974); "Os Sertões", de Edeor de Paula (Em Cima da Hora - 1976); "Heróis da Liberdade", de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira, (Império Serrano - 1969); "Seca do Nordeste", de Waldir de Oliveira e Gilberto de Andrade, (Tupi de Brás de Pina - 1961); "Iaiá do Cais Dourado", de Martinho da Vila e Rodolpho, (Unidos de Vila Isabel - 1969); "Os Cinco Bailes da História do Rio", de Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara e Bacalhau, (Império Serrano - 1965); "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato", de Darcy da Mangueira, Batista da Mangueira e Luis, (Mangueira - 1968); "Sublime Pergaminho", de Carlinhos Madrugada, Zeca Melodia e Nilton Russo, (Unidos de Lucas - 1968); "Ilu Ayê Terra da Vida", de Cabana e Norival Reis, (Portela - 1972); "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, (Império Serrano - 1964); "Chica da Silva", de Anescar do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira, (Salgueiro - 1963); "O Grande Presidente", de Padeirinho, (Mangueira - 1956), e "Liberdade Liberdade Abra as Asas Sobre Nós", de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir, (Imperatriz Leopoldinense - 1989). Atuou como comentarista dos desfiles de Escolas de Samba, pela Rede Manchete. Considerado um dos maiores mestres de bateria de todos os tempos, era quase uma unanimidade entre os músicos. Faleceu precocemente aos 64 anos de idade.

Obra

- A Incrível Bateria - com Durval Ferreira
- O Bicho Vai Pegar

Discografia

(1993) Sambas-Enredo de Todos os Tempos • Velas • LP
(1990) Entre Amigos • BMG • LP
(1989) Pela Sombra • BMG-Ariola • LP
(1988) A Incrível Bateria do Mestre Marçal • Polydor • LP
(1987) Sem Meu Tamborim Não Vou • Polydor • LP
(1986) Senti Firmeza • Barclay/Ariola • LP
(1985) Recompensa • Barclay/Ariola • LP
(1978) Marçal Interpreta Bide e Marçal • EMI-Odeon • LP
(1976) Conjunto Os Baluartes - Participação - • Okeh/CBS • LP
(1973) Meu Sofrer/Voltei/Menino do Morro/Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu • Odeon • Compacto Duplo
(1971) Os Chorões - Chorinhos da Pesada - Participação - • Odeon • LP

Crítica

Mestre Marçal: Glória e Memória do Samba Na mesma década em que ainda era perseguido pela polícia, o samba, síntese, talvez, da musicalidade negra no Brasil, tornava-se música nacional. A contribuição do samba na construção do que hoje em dia se conceitua como "música popular brasileira" é inestimável. Apesar disso, ainda hoje, meados da segunda década do século XXI, a memória da música popular, em que pese seu avanço substancial nas últimas décadas, ainda não contempla devidamente aqueles pioneiros, em especial os artistas negros, que continuam, de modo geral, principalmente ao se observar sua contribuição musical, contemplados com notas de roda pé. Quantos mestres e bambas jazem na poeira do esquecimento? É o que acontece, incrivelmente, com o Mestre Marçal. Foi Diretor de bateria da Escola de Samba Portela durante vinte e cinco anos. Seu trabalho à frente da Escola de Samba azul e branco de Madureira foi uma síntese entre a tradição herdada de seu pai, Armando Marçal, um dos formatadores do samba, tal qual este seria reconhecido a partir dos anos 1930, e integrante do grupo de fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, para muitos, a primeira escola de samba a ser criada. Mestre Marçal deu seguimento a essa herança, atuando à frente da bateria da Portela. Multiinstrumentista, dominava os segredos de todos os instrumentos de percussão. Aos 9 anos de idade, começou a participar ativamente do mundo do samba, tocando tamborim na Escola de Samba Recreio de Ramos, da qual seu pai era vice- presidente. Em data imprecisa, possivelmente após a morte do pai, em 1945, passou pela Escola de Samba Unidos da Capela, e, posteriormente, pelo Império Serrano, até fixar-se na Portela. Seu instrumento preferido era o surdo centrador, elemento central da sessão rítmica.

Em 1987, gravou o LP "A Incrível Bateria de Mestre Marçal", no qual apresentou um por um e depois todos juntos, os instrumentos que compões a bateria de uma Escola de Samba, além de interpretar 7 sambas-enredo que se tornaram clássicos. Mestre Marçal fez também a difícil ponte entre o samba em suas mais profundas raízes e a chamada MPB, linha da música popular brasileira formada e consolidada na virada das décadas de 1960 e 1970. Tocou com quase todos os grandes astros: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e outros. Gravou diferentes discos nos quais cantava e estava à frente de sua "Incrível bateria"; também registrou diversos sambas-enredo clássicos, ao quais deu sua interpretação privilegiada, seja na força de sua voz, ou na cadência de sua bateria. Vinte e um anos depois de sua morte, já quase não se fala em Mestre Marçal e seus discos não foram reeditados. Para ter acesso a suas gravações é preciso uma atenta e dedicada pesquisa. Quando, na verdade, seus discos deveriam estar sendo tocados constantemente em emissoras de Rádio e Televisão, e seu nome reverenciado a cada carnaval, assim como os nomes de tantos outros sambistas relegados ao esquecimento. Mestre Marçal é uma lenda a ser contada e recontada por todos até o dia em que sua obra brilhe e seja cultuada na intensidade que merece. Paulo Luna - Pesquisador/Professor de História.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Mauro Duarte (Portelenses de Outrora)

Mauro Duarte

Mauro Duarte de Oliveira
 
*  2/6/1930 Matias Barbosa, MG
+  26/8/1989 Rio de Janeiro, RJ
 
Biografia

Compositor. Cantor. Ator.

Em 1933, mudou-se com a família para o bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Trabalhou como bancário e ourives.

Desde cedo frequentou os blocos carnavalescos de Botafogo e adjacências, como compositor e ritmista, fazendo parte do núcleo de sambista do bairro.

Em 1947 conheceu Walter Alfaiate (Walter Nunes) no campo do Fluminense, após uma partida de futebol no qual os dois, Botafoguistas, presenciaram a derrota do alvinegro. Por essa época, conheceu também outros compositores do bairro e fez parte da geração que incluía, além de Walter Alfaiate, Mical, Zorba Devagar, Niltinho Tristeza, geração que viria a influenciar outro jovem compositor, também de Botafogo, Paulinho da Viola.

Aos 15 pertencia à Ala de Compositores do Bloco Mocidade Alegre de Botafogo, no qual atuava também como ritimista. Por essa época, Walter Alfaiate o levou também para participar de outros blocos: Bloco do Funil e Foliões de Botafogo.

Tinha o apelido de Mauro Bolacha, devido a seu rosto arredondado.

Integrou a Ala de Compositores da Escola de Samba Império Serrano, Portela e da Tradição.

Como ator, participou dos filmes "Coração de Ouro", baseado na composição homônima de Elton Medeiros e Joacyr Santana e do filme "O Homem Nu", baseado na crônica de Fernando Sabino.

Em dezembro de 1998, por iniciativa do vereador Eliomar Coelho, fo criada a praça Mauro Duarte, em Botafogo. A praça situa na confluência das ruas São Manuel e Fernandes Guimarães com decreto nº 20856 de 11 de dezembro de 2001 por César Maia, prefeito da cidade do Rio de Janeiro na época. 

Dados Artísticos

Em 1960 Miltinho interpretou "Palavra", sua primeira música gravada. Por essa época, ao lado de Jair do Cavaquinho, entre outros, participou do show "A hora e a vez do samba".
Com a composição "Culpas e desenganos" (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) participou do "1º Festival de Juiz de Fora", em 1966.

 
Participou também do grupo de samba Os Autênticos, entre os anos de 1966 e 1968, integrado ainda por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Walter Alfaiate.
 
Em 1967, substituindo Paulinho da Viola, passou a integrar o conjunto Os Cinco Crioulos, ao lado de Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Nelson Sargento e Jair do Cavaquinho. O grupo gravou três LPs pela Odeon entre os anos de 1967 e 1969, fazendo shows de lançamento por vários estados.
 
No ano de 1968, no LP "Samba na madrugada", de Paulinho da Viola e Elton Medeiros, foi incluída "A maioria sem nenhum", de sua autoria em parceria com Elton Medeiros. Neste mesmo ano de 1968 participou como convidado do show "Mudando de conversa" (Conjunto Rosa de Ouro, Clementina de Jesus, Cyro Monteiro e Nora Ney) do qual foi gerado o LP ao vivo. No disco, ao lado de Elton Medeiros e Cyro Monteiro, interpretou "Se o carnaval acabar", parceria com Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho.
 
Em 1970, Elizete Cardoso gravou "Lamentação", de sua autoria, para ser lançada no carnaval. Neste mesmo ano, Paulinho da Viola regravou a composição. Ainda em 1970, conheceu Clara Nunes que viria a ser a principal intérprete. No ano seguinte, Paulinho da Viola gravou "Reclamação", parceria de ambos e "Cuidado, teu orgulho te mata", parceria com Walter Nunes, depois conhecido como Walter Alfaiatte.
 
No ano de 1972 entrou para a Ala de Compositores da Portela.
 
A cantora Eliana Pittman, em 1974, gravou "Motivação", (c/ Noca da Portela). No mesmo ano, o grupo MPB 4 interpretou "A alegria continua", também em parceria com Noca da Portela. Ataulpho Alves Júnior gravou "Isso tem que acabar" (c/ Noca da Portela) e Clara Nunes interpretou duas composições suas: "Meu sapato já furou" (c/ Elton Medeiros) e "Menino Deus" (c/ Paulo César Pinheiro), ambas, sucessos imediatos da cantora. Ainda em 1974, Elizete Cardoso interpretou "Pra quê, afinal?" (c/ Adélson Carvalho) no LP "Mulata maior".
 
No ano de 1976 Clara Nunes, no LP "Clara" interpretou "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Lama". Sobre a composição "Lama" Paulo César Pinheiro escreveu um comentário no encarte do mesmo LP: "Há muitos anos o Mauro cruzou com o Ataulfo Alves num botequim de Botafogo e mostrou esse samba ao mestre a fim de uma gravação sua. Ataulfo botou aquela mão enorme que ele tinha no ombro do malandro e disse: - ô mulato, o samba é grande. Mas vou te ser honesto. Se eu gravar, vão dizer que é meu. E ninguém vai falar de você. Mas garanto que um dia você grava. Ninguém vai desperdiçar uma maravilha dessa".
 
Em 1977, no LP "As forças da natureza", Clara Nunes interpretou "Perdão" (c/ Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, no LP "Espelho", João Nogueira incluiu "Desengano", parceria de ambos, e "Samba do amor", esta última em parceria com João Nogueira e Gisa Nogueira. No ano seguinte, Vania Carvalho (irmã de Beth Carvalho) regravou "Lamentação" e João Nogueira gravou "Bate boca" (c/ Walter Nunes), no disco "Vida boemia".
 
No ano de 1979, no disco "Esperança", Clara Nunes gravou "Contentamento" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, no LP "Zumbido", Paulinho da Viola interpretou "Foi demais", parceria de ambos.
 
Em 1980, foi a vez de Noca da Portela no disco "Mãos dadas", regravar "A alegria continua". No mesmo ano, Clara Nunes incluiu no LP "Brasil mestiço" as composições "Coração em chamas" (c/ Elton Medeiros) e "Brasil mestiço, santuário da fé" (c/ Paulo César Pinheiro). A mesma cantora, em 1981, gravou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela, a composição "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Coroa de areia" (c/ Paulo César Pinheiro). Ainda neste ano, Paulinho da Viola gravou "A M O R amor", parceria com Walter Nunes.
 
Em 1982, Clara Nunes gravou "Serrinha" (c/ Paulo César Pinheiro), no LP "Nação". No ano seguinte, Alcione, no disco "Alma & corações", interpretou, de sua autoria com Paulo César Pinheiro e João Nogueira, "Um ser de luz", e em 1984, "Mangueira Estação Primeira" (c/ Paulo César Pinheiro).
 
No ano de 1985, gravou com Cristina Buarque um LP independente, "Cristina e Mauro Duarte", pelo Selo Coomusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro), que contou várias músicas suas em parceria com Carlinhos Vergueiro, além de "A alegria continua", com Noca da Portela e outras em parceria com Maurício Tapajós, Walter Nunes e Paulo César Pinheiro. Também foi registrada nesse LP a única música de Paulo César Pinheiro em que a letra não é do poeta, e sim de Mauro Duarte, "Reserva de domínio". Constou ainda, neste disco, uma parceria com Cristina Buarque, interpretada por ela, "Deixa eu viver na orgia". No mesmo ano, a cantora Alcione gravou o LP "Fogo da vida", no qual incluiu "Academia do Salgueiro" (c/ Paulo César Pinheiro). Ainda em 1985, ao lado de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco, Toquinho e Cristina Buarque, entre outros, participou do disco "Flores em vida", produzido por Carlinhos Vergueiro em homenagem a Nelson Cavaquinho, com lançamento na quadra da Mangueira. Por essa época, fez turnê nacional para lançamento do disco com Cristina Buarque e internacional, na qual a dupla apresentou-se em Moçambique e Nicaragua, neste último país, a dupla apresentou-se também com a cantora Miúcha.
 
Em 1987, gravou um compacto duplo ao lado de Cristina Buarque, no qual interpretaram "Resgate" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro). No mesmo ano, Alcione interpretou "Imperatriz Leopoldinense" (c/ Paulo César Pinheiro) e, no ano seguinte, "União da Ilha do Governador", da mesma dupla. Ainda em 1988, em parceria com Paulo César Pinheiro, compôs o samba-enredo que a Tradição desfilou naquele ano.
 
Em 1989, a gravadora EMI/Odeon produziu uma coletânea de sucessos da cantora Clara Nunes, na qual foram incluídas Canto das três raças" e "Portela na avenida", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro. Naquele ano, a gravadora Idéia Livre produziu um LP em homenagem a Paulo da Portela, no qual interpretou em dueto com Cristina Buarque a faixa "Quem espera sempre alcança".
 
Em 1990, Cristina Buarque gravou "Marcha da saideira" (Mauro Duarte, Cristina Buarque e Lefê) para o disco "Bloco Carnavalesco Simpatia É Quase Amor - 5 anos de samba em Ipanema", e, em 1994, Cristina Buarque relançou o LP "Resgate", originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês. Foram incluídas neste LP as músicas "Volta para a minha companhia", "Violão amigo" (c/ Walter Nunes), "Eu pensei" (Délcio de Carvalho) e "Eu vou embora", as quatro músicas cantadas por Cristina Buarque e Walter Alfaiate. No mesmo disco, Cristina e Paulo César Pinheiro interpretaram "Carioca da gema" (c/ Paulo César Pinheiro).
 
Em 1994, foi lançado pela gravadora Saci o CD "Homenagem a Mauro Duarte", reunindo gravações suas e de outros cantores interpretando suas músicas, entre eles Paulinho da Viola que cantou de autoria do homenageado as faixas "Cuidado, teu orgulho te mata", "Foi demais", "Lamentação" e "Reclamação", esta última um dueto de Paulinho da Viola e Mauro Duarte. No ano seguinte, Paulo César Pinheiro produziu um disco-homenagem a Clara Nunes, "Clara Nunes Com vida", no qual foi incluída a música "Menino Deus", acrescida da voz de Emílio Santiago.
 
No ano 2000, Alcione interpretou de sua autoria "Menino Deus" e "Canto das três raças", ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, no disco "Claridade", homenagem à Clara Nunes. No ano posterior, Elton Medeiros interpretou "A maioria sem nenhum", parceria de ambos, no disco "1º Compasso", coletânea de vários artistas lançada pelo selo Biscoito Fino.
 
No ano de 2002 foi lançado o disco "Clássicos do samba" (Elaine Faria, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e Jamelão). No CD Eliane Faria interpretou "Portela na avenida" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano, Renato Braz lançou o CD "Quixote", no qual interpretou de sua autoria "Canto das três raças" (c/ Paulo César Pinheiro).
 
Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu "A paixão e a jura" (c/ Paulo César Pinheiro) e "Isso um dia tem que se acabar" (c/ Noca da Portela) e Noca da Portela incluiu "Alegria continua" e "Sonho de criança", parceria de ambos, no disco "Noca da Portela - 51 anos de samba". Ainda em 2003, Walter Alfaiate, Noca da Portela e Elton Medeiros, prestaram homenagem ao amigo sambista em show no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, centro do Rio de Janeiro e Eliane Faria, no disco "Alma feminina", regravou "Menino Deus". Neste mesmo ano, Renato Braz regravou "Menino Deus" e Elton Medeiros "Lama", ambas no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".
 
No ano de 2005 Walter Alfaiate lançou, pelo selo paulista CPC-Umes, um CD em sua homenagem, somente com composições do sambista. No CD o parceiro incluiu várias composições inéditas cedidas por Cristina Buarque e Paulo César Pinheiro, além de seis parcerias de Walter e Mauro. Entre as músicas incluídas destancam-se "Nossos esforços" (c/ Paulo César Pinheiro), "Fonte dos amores" (c/ Walter Alfaiate e Wilson Moreira), "Lenha na fogueira" (c/ Paulo César Pinheiro), "Arroz e feijão" (c/ Walter Alfaiate), "Vila" (c/ Paulo César Pinheiro) e ainda "Vem ver, João" e "Jeito do cacimbo", além da única não inédita, "Falsa euforia", anteriormente gravada pelo grupo Família Roitman.

Em 2008 Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato (Pedro Amorim: Bandolim; Alfredo Del Penho: Violão de 7; Paulinho Dias e Pedro Miranda; pecussão e vozes) lhe prestaram homenagem lançando o CD "O samba informal de Mauro Duarte" (Deckdisc). No disco foram incluídas "Falou demais" (c/ João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e várias parcerias com Paulo César Pinheiro, entre elas "Lenha na fogueira", "Reza, meu bem", "Samba de botequim" e "Sublime primavera" (interpretada por Paulo César Pinheiro no CD). Também foram incluídas no disco, parcerias de Mauro Duarte com Élton Medeiros, Walter Alfaiate e Maurício Tapajós.

 
Lançado no ano de 2011 pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gravações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Elza Soares participou do CD volume 8 interpretando de sua autoria "A infelicidade" (c/ Niltinho Tristeza) e Paulinho da Viola, no mesmo CD, gravou "Eu sabia" (Mauro Duarte).
 
Dentre suas composições gravadas por Clara Nunes, que se tornaram sucessos da cantora, constam ainda "Brasil mestiço", "Serrinha", "Menino Deus", "Meu sapato já furou", "Tributo aos Orixás", "Perdão" e "Portela na avenida".
 
Entre seus parceiros estão Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Noca da Portela, Maurício Tapajós, Hermínio Bello de Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Rubem Tavares, Lefê e Cristina Buarque.
 
Suas músicas foram gravadas por vários artistas da MPB: "Maria das Dores" (MPB4); "A maioria sem nenhum" (Elton Medeiros); "Se o carnaval chegar" (Cyro Monteiro, Doris Monteiro, Os Cinco Crioulos); "Quanta dor" (Os Cinco Crioulos); "Lamentação" (Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Germano Batista) e "Sons de mim" (Elza Soares), "Falsa euforia" (Família Roitman), "Sapato mole" (Quarteto em Cy), "Nunca mais" (Roberto Ribeiro), entre outros. 

Obras
 
A alegria continua (c/ Noca da Portela)
A M O R Amor (c/ Walter Alfaiate)
A maioria sem nenhum (c/ Elton Medeiros)
A paixão e a jura (c/ Paulo César Pinheiro)
Academia do Salgueiro (c/ Paulo César Pinheiro)
Arroz e feijão (c/ Walter Alfaiate)
Artifício (c/ Paulo César Pinheiro)
Aventura (c/ Paulo César Pinheiro)
Barba de molho
Bate-boca (c/ Walter Nunes)
Brasil mestiço, santuário da fé (c/ Paulo César Pinheiro)
Canto das três raças (c/ Paulo César Pinheiro)
Carioca da gema (c/ Paulo César Pinheiro)
Contentamento (c/ Paulo César Pinheiro)
Coração em chamas (c/ Elton Medeiros)
Coroa de areia (c/ Paulo César Pinheiro)
Cuidado, teu orgulho te mata (c/ Walter Nunes)
Culpas e desenganos (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho)
Deixa eu viver na orgia (c/ Cristina Buarque)
Desengano (c/ João Nogueira)
Estado de coisas (c/ Noca da Portela)
Eu pensei (c/ Délcio de Carvalho)
Eu vou embora
Foi demais (c/ Paulinho da Viola)
Fonte dos amores (c/ Walter Alfaiate e Wilson Moreira)
Imperatriz Leopoldinense (c/ Paulo César Pinheiro)
Isso um dia tem que se acabar (c/ Noca da Portela)
Jogo de Angola (c/ Paulo César Pinheiro)
Lá se foi (c/ Carlinhos Vergueiro)
Lamentação
Lenha na fogueira (c/ Paulo César Pinheiro)
Mangueira Estação Primeira (c/ Paulo César Pinheiro)
Marcha da saideira (c/ Lefê e Cristina Buarque)
Menino Deus (c/ Paulo César Pinheiro)
Meu sapato já furou (c/ Elton Medeiros)
Mocidade Independente (c/ Paulo César Pinheiro)
Motivação (c/ Noca da Portela)
Nossos esforços (c/ Paulo César Pinheiro)
Nunca mais (c/ Paulo César Pinheiro)
Palavra
Perdão (c/ Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)
Portela na avenida (c/ Paulo César Pinheiro)
Pra quê, afinal? (c/ Adélson Carvalho)
Reclamação (c/ Paulinho da Viola)
Reserva de domínio (c/ Paulo César Pinheiro)
Sacrifício (c/ Maurício Tapajós)
Samba do amor (c/ João Nogueira e Gisa Nogueira)
Sapato mole (c/ Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)
Se o carnaval acabar (c/ Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)
Serrinha (c/ Paulo César Pinheiro)
Sonho de criança (c/ Noca da Portela)
Sorri de mim (c/ Walter Nunes)
Timidez (c/ Noca da Portela)
Um ser de luz (c/ João Nogueira e Paulo César Pinheiro)
União da Ilha do Governador (c/ Paulo César Pinheiro)
Vila (c/ Paulo César Pinheiro)
Violão amigo (c/ Walter Alfaiate e Zorba Devagar)
Volta para a minha companhia

Discografia
 
(1994) Homenagem a Mauro Duarte • Saci • CD
(1989) Homenagem a Paulo da Portela • Idéia Livre • LP
(1987) Resgate/Deixa eu viver na orgia • Independente • Compacto Duplo
(1985) Cristina Buarque e Mauro Duarte • Coomusa • LP
(1985) As flores em vida • Gravadora Eldorado • LP
(1969) Samba... no duro • (c/ Os Cinco Crioulos) • LP
(1968) Samba... no duro • (c/ Os Cinco Crioulos) • LP
(1968) Mudando de conversa • (participação) • LP
(1967) Samba... no duro • Odeon • LP

Shows

Mudando de conversa. Com Cyro Monteiro, Clementina de Jesus e Nora Ney. Teatro Jovem do Rio de Janeiro, RJ.

Bibliografia Crítica
 
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Manacéia (Portelenses de Outrora)

Manacéia

Manacéia José de Andrade
* 26/8/1921 Rio de Janeiro, RJ 
+ 10/11/1995 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor. Instrumentista.

Irmão dos também compositores Mijinha (Bonifácio Andrade) e Aniceto da Portela (Aniceto José de Andrade) autor de "Desengano", música gravada por Beth Carvalho e quase sempre atribuída erradamente a Aniceto do Império.

Desde criança freqüentou os blocos carnavalescos "Quem Fala de Nós Come Mosca", "Quem Nos Faz é o Capricho" e "Vai como Pode", que mais tarde iriam originar o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela.

Com a fundação da Portela, começou a tocar tamborim nesta Escola.

Em 1939, começou a compor. Neste mesmo ano, a Portela desfilou, cantando um samba de sua autoria.

Foi apresentado à Ala de Compositores da Portela por Alvaide, então presidente desta ala e responsável pelo lançamento de diversos outros compositores, como Francisco Santana e Candeia.

Dados Artísticos

Em 1942, começou a compor sambas-enredos para a Portela.

No ano de 1948, a Escola classificou-se em terceiro lugar com um samba-enredo de sua autoria, "Princesa Isabel". No ano seguinte, "O despertar do gigante", samba de sua autoria, classificou a escola em terceiro lugar.

No ano de 1950, compôs o samba-enredo "Riquezas do Brasil", classificando a escola em segundo lugar. Dois anos depois, compôs "Brasil de ontem", mas o desfile foi anulado e a escola não obteve classificação.

Em 1957, gravou sua primeira música, "Minha querida".

No ano de 1970, participou (fazendo parte da Velha-Guarda da Portela) do disco "Portela, passado de glória". O LP foi produzido por Paulinho da Viola produziu para a gravadora RGE. Neste disco, interpretou várias composições e Paulinho da Viola e gravou "Quantas lágrimas", de sua autoria.

Em 1974, Cristina Buarque regravou "Quantas lágrimas", que logo se tornou o maior sucesso do compositor e da cantora. Dois anos depois, Cristina Buarque em seu segundo disco, gravou mais duas composições de sua autoria: "Carro de boi" e "Sempre teu olhar". Ainda em 1976, Luiza Maura lançou pela gravadora Beverly o disco "Recado de samba", no qual incluiu de sua autoria "Minha rainha" e "Vem amor".

No ano de 1977, Beth Carvalho regravou "Carro de boi" no LP "Nos botequins da vida", lançado pela RCA Victor. Neste mesmo ano, Luiza Maura, no disco "Samba pé no chão" interpretou de sua autoria "Manhã brasileira". Ainda em 1977 Jacyr da Portela interpretou de sua autoria "Portela, você me trouxe paz" (c/ César Saraiva) no LP-coletânea "Primeiro botequim - Os partideiros".

Em 1979, Beth Carvalho no disco "No pagode", incluiu "Obrigado pelas flores", em parceria com Monarco.

No ano de 1983, novamente Beth Carvalho, em seu LP ao vivo, regravou uma de suas composições, "Carro de boi". Dois anos depois, em 1985, Cristina Buarque regravou "Quantas lágrimas", no disco "Cristina e Mauro Duarte", lançado pela Comusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro).

No ano de 1986 o produtor japonês Katsunori Tanaka produziu para o mercado japonês (selo Office Sambinha) o LP "Doce recordação" da Velha Guarda da Portela. Neste LP, interpretou diversas composições e ainda de sua autoria "Flor do interior", composição em homenagem à Clara Nunes falecida em 1983.

Em 1988, Beth Carvalho gravou "Sempre teu amor", no disco "Alma do Brasil", pela gravadora Philips.

Cristina Buarque, em 1990, o convidou a participar da gravação do CD "Resgate". Neste disco, feito para o mercado japonês, o compositor participou da faixa "Amor perdido", de sua autoria.

Em 1994, o CD "Resgate" foi editado no Brasil pela gravadora Saci.

No ano de 1997, a gravadora RGE relançou em CD "Portela, passado de glória".

No ano 2000, a cantora e compositora Marisa Monte produziu o CD "Tudo azul", da Velha-Guarda da Portela. Neste disco, com arranjos de Paulão Sete Cordas, a cantora interpretou "Volta meu amor", de Manacéia em parceria com sua filha Áurea Maria, pastora da Velha-Guarda. Ainda neste disco, apareceu outra composição de sua autoria, "Sempre o teu amor". Neste mesmo ano, Marquinhos de Oswaldo Cruz, no disco "Uma geografia popular", lançado pela gravadora Rob Digital, interpretou de sua autoria "Minha querida" e "Manhã brasileira". Ainda neste ano, o disco "Doce recordação" (Velha Guarda da Portela) foi relançado no Brasil pela gravadora Nikita Music.

Em 2001, Carlos Monte (ex-diretor da Portela e pai da cantora Marisa Monte) e João Baptista M. Vargens lançaram o livro "A Velha-Guarda da Portela", no qual fizeram bastante referências ao compositor.

Em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz algumas referências ao compositor.

Em 2003, sua composição "Quantas lágrimas" foi incluída no CD "Alma feminina", de Eliane Faria, lançado pelo selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin).

Obra

A natureza
Amor perdido
Amor proibido
Brasil de ontem
Carro de boi
Eu bem sei
Flor do interior
Inesquecível amor
Manhã brasileira
Minha querida
Nascer e florescer
O despertar do gigante
Obrigado pelas flores (c/ Monarco)
Pagode do Lima
Portela, você me trouxe a paz
Princesa Isabel
Quando quiseres
Quantas lágrimas
Riquezas do Brasil
Sem o teu amor
Sempre teu amor
Vem, amor
Volta meu amor (c/ Áurea Maria)


Discografia

(2000) Doce recordação • Nikita Music • CD
(1994) Resgate • Saci • CD
(1990) Resgate • Mercado japonês • CD
(1986) Doce recordação • Selo Office Sambinha (Japão) • LP
(1981) Cristina • LP
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP


Bibliografia crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. O ABC de Sérgio Cabral - Um Desfile de Craques da MPB. Rio de Janeiro: Editora Pasquim/Codecri, 1979.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
ISNARD & CANDEIA. Escola de samba - árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Editora Lidador/SEECRJ, 1978.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 3ª ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. A Velha-Guarda da Portela. Rio de Janeiro. Editora Manati, 2001.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Joãozinho da Pecadora (Portelenses de Outrora)

Joãozinho da Pecadora

 Rio de Janeiro, RJ 
Biografia

Cantor e Compositor. Seu pseudônimo "Da Pecadora" deve-se ao fato de sua parceria com Jair do Cavaquinho na composição "Pecadora", música de grande sucesso na década de 1960.

Dados Artísticos

Em 1965, sua composição "Pecadora" (c/ Jair do Cavaquinho), foi incluída no LP "Elizete sobe o morro", de Elizete Cardoso, lançado pela gravadora Copacabana. Neste mesmo ano o grupo A Voz do Morro (Jair do Cavaquinho, Zé Kéti, Oscar Bigode, José Cruz, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro e Elton Medeiros), incluiu "Pecadora" no primeiro LP intitulado "Roda de samba".

Em 1975, ao lado de Casquinha da Portela, Anézio, Velha e Candeia, participou do LP "Partido em 5 volume 1".

No ano de 1977, ao lado de Luiz Grande, Anézio do Cavaco, Roque do Plá, Velha da Portela e Casquinha da Portela, participou do disco "Partido em 5 volume 3", no qual interpretou de sua autoria "Perereca quando canta é sinal que vai chover" e "Carrapato do meu cachorro". Neste mesmo ano, com o parceiro Luiz Grande, interpretou de autoria de ambos "Sururu no bate bufo" no LP "Olé do partido alto volume 3". No ano seguinte sua composição "Casório mal sucedido" foi interpretada pelo parceiro Luiz Grande no disco "Os bambas do partido alto", lançado pela gravadora Soma/Sigla. 

Em 2000 a música "Pecadora" foi incluída no CD "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos".

Obra

Carrapato do meu cachorro
Casório mal sucedido (c/ Luiz Grande)
Pecadora (c/ Jair do Cavaquinho)
Perereca quando canta é sinal que vai chover
Sururu no bate bufo (c/ Luiz Grande)

Discografia

(1977) Partido em 5 volume 3 • Tapecar • LP
(1977) Olé do partido alto volume 3 • Tapecar • LP
(1975) Partido em 5 volume 1 • Tapecar • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Jair do Cavaquinho (Portelenses de Outrora)

 

Jair do Cavaquinho

Jair de Araújo Costa

 *  26/4/1922 Rio de Janeiro, RJ 
+  6/4/2006 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor. Cantor. Instrumentista.

Nascido e criado no subúrbio de Madureira, desde criança frequentava a Escola de Samba Portela, chegando a ser o seu primeiro mascote e sócio número 1 da escola.

Aos sete anos participava dos ensaios da escola, levado pela mãe, ou pelas irmãs mais velhas, que saíam na Ala das Baianas.

Autodidata, aprendeu a tocar em um instrumento fabricado por ele mesmo, enfileirando quatro cordas de arame em um pedaço de pau. Quando a mãe pedia para comprar pão, Jair esquecia-se de voltar e ficava observando os mais velhos tocando na antiga quadra da Portela.

Jogador de futebol, chegou a ser reserva de Jair da Rosa, na época famoso jogador do Madureira Atlético Clube.

Paulinho da Viola refere-se a ele como um dos melhores cozinheiros e um exímio sapateador, de espírito dos mais irreverentes.  Trabalhou como contínuo na Secretaria de Viação e Obras, tendo como chefe o avô de Marisa Monte.

Uma de suas paixões é a  Escola Portela, da qual faz parte da Velha-Guarda, criada em 1970 por Paulinho da Viola. Durante algum tempo ficou conhecido como Jair do Tamborim, por tocar o instrumento na bateria da escola. Quando começou a compor com o cavaquinho, seu nome ficou relacionado a este instrumento.

Jacob do Bandolim o considerava "a maior paleta de cavaco no samba, melhor centrista".

Nelson Cavaquinho, além de parceiro, no sucesso "Vou partir" criado por Elizeth Cardoso no LP "Elizeth sobe o morro", era também um grande amigo, e dele disse certa vez: "O Nelson chegava e pedia pra eu fazer a 2º parte do samba, o casamento de muitas dessas letras e músicas resultou em nossos peitos aliviados, na volta por cima. No fundo todos ganhamos o orvalho e a madrugada de presente".

Em 2005 participou do documentário "Da terra", de Janaína Diniz Guerra, trabalho sobre o sapateado brasileiro que incluiu também o "miudinho" dança na qual Jair do Cavaquinho é considerado mestre desde a infância. 

Dados Artísticos

 
No início da década de 1960 era freqüentador assíduo do Zicartola -  bar de Cartola e Dona Zica, reduto do samba tipicamente carioca, que recebia artistas, pesquisadores, intelectuais e principalmente sambistas novos e antigos. 
 
Em 1962, "Barracão de zinco" foi gravada por Jamelão. Sobre esta música o próprio Jair afirmou em depoimento à Revista Música Brasileira nº 9, de janeiro de 1998, editada por Luís Pimentel: "Na primeira vez em que fui receber os direitos autorais desta música, entrei em casa com TV, geladeira, saco de feijão, saco de arroz, aí eu disse: o negócio é fazer samba". Por essa época, ao lado de Mauro Duarte, entre outros, participou do espetáculo "A hora e a vez do samba". 
 
Em 1965, suas composições "Vou partir" (c/ Nelson Cavaquinho), "Meu viver" (c/ Elton Medeiros e Kléber Santos), "Ela deixou" (c/ Nelson Sargento) e "Pecadora" (c/ Joãozinho), foram incluídas no LP "Elizete sobe o morro", de Elizete Cardoso, lançado pela gravadora Copacabana. Neste mesmo ano participou com Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento e Anescarzinho do Salgueiro, do Musical "Rosa de ouro", no Teatro Jovem do Rio de Janeiro, organizado por Hermínio Bello de Carvalho e Kléber Santos que, na ocasião, relançou Araci Cortes e apresentou Clementina de Jesus. No mesmo ano, a Odeon lançou o LP "Rosa de ouro", disco no qual figurou sua música "Sonho triste", responsável pelo primeiro registro da voz de Paulinho da Viola, que cantava a 2º parte deste samba no LP. Participou do conjunto A Voz do Morro ao lado de Zé Kéti, Oscar Bigode, José Cruz, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro e Elton Medeiros, gravando o LP "Roda de samba", que incluíu sua música "Pecadora", em parceria com Joãozinho - mais tarde conhecido como Joãozinho da Pecadora. No ano de 1966 a Musidisc lançou o LP "Roda de samba 2", do grupo A Voz do Morro, no qual foram incluídas outras composições de sua autoria. Foi homenageado, juntamente com Elizeth Cardoso, como os 10 melhores daquele ano, em solenidade e show no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No ano de 1967, sua composição "E a Rosa voltou" foi gravada no LP "Rosa de ouro -  volume II". Neste mesmo ano, passou a integrar o grupo Os Cinco Crioulos, ao lado de Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro e Nelson Sargento. Com a saída de Paulinho da Viola, o grupo ganhou um novo integrante, Mauro Duarte (O Bolacha). 
 
Entre os anos de 1967 e 1969, o grupo lançou três discos pela gravadora Odeon. No ano de 1968, ao lado de Zuzuca do Salgueiro, Wilson Moreira, Zito e Velha, formou o grupo Os Cinco Só. Neste mesmo ano, integrando o conjunto Rosa de Ouro, participou do show "Mudando de conversa" (c/ Clementina de Jesus, Cyro Monteiro e Nora Ney), para o qual foi produzido o disco homônimo. Em 1969, seu samba-enredo "Treze naus" classificou a Portela em 3º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano. Ainda em 1969, "Vou partir" (c/ Nelson Cavaquinho) foi incluída no LP "Elizete e Zimbo Trio balançam na Sucata", lançado pela gravadora Copacabana. No ano seguinte, Elizete Cardoso no LP "Falou e disse", lançado pela gravadora Copacabana, incluiu de sua autoria "Você foi um atraso em meu caminho", parceria com Picolino da Portela. 
 
Em 1971, integrando o grupo Os Cinco Só, lançou um LP pela gravadora CBS. Ainda na década de 1970, ao lado de Osvaldinho da Cuíca e Osmar do Cavaco, formou o Trio Canela. 
 
Em 1977 foi lançado o disco "Elizete Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro - Fragmentos inéditos do histórico recital realizado no teatro João Caetano em 19 de fevereiro de 1968". Neste LP foi incluída sua composição "Vou partir". Neste mesmo ano sua composição "Deus dá a farinha e o diabo rasga o saco" (c/ Velha), foi interpretada pelo parceiro no disco "Partido em 5 volume 3". Em 1988 o japonês Katsonuri Tanaka produziu o disco "Velha-Guarda da Portela: Homenagem a Paulo da Portela", do qual também participou como integrante da Velha-Guarda da Portela. Entrevistado por Maysa Machado para a Revista Música Brasileira nº 9, sobre o processo de criação, afirmou: "A música é trato de momento, vem entrando na mente, tem que bancar o bicheiro, sempre ter um papelzinho no bolso. Vem o início, dar continuidade é mais fácil. Viajando de ônibus ou avião, pela janela olhando a paisagem, vem aquela iluminação". Sobre ele, Tárik de Souza deu um depoimento ao Jornal do Brasil por  ocasião do show "Jair do Cavaquinho 80 anos", apresentado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro: "Jair do Cavaquinho é desses sambistas muito discretos.Tem músicas importantes que fez em parceria com Nelson Cavaquinho, como "Vou partir" e "Eu e as flores", que viraram sucessos de Nelson. Nelson Cavaquinho foi muito famoso e muitas vezes seus parceiros ficavam na obscuridade. Jair do Cavaquinho foi um deles. Jacob do Bandolim, que sempre foi muito rígido, rasgava elogios à forma como ele tocava o instrumento. Puro talento. Engraxate, Jair aprendeu a tocar cavaquinho vendo os outros tocarem. Trata-se de um músico e um compositor muito importante". O show contou com a participação da cantora Teresa Cristina e do Grupo Semente, tendo a direção musical de Pedro Amorim e a participação de nomes importantes como a Velha-Guarda da Portela, Elton Medeiros e Nelson Sargento. 
 
No ano 2000, participou (integrando a Velha-Guarda da Portela) do CD "Tudo azul" produzido por Marisa Monte para o selo Phonomotor. Neste mesmo ano, Marquinhos de Oswaldo Cruz, no disco "Uma geografia popular", interpretou de sua autoria "Enquanto a cidade dorme", parceria com Nelson Cavaquinho. Ainda em 2000, participou do disco "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos", CD no qual foram reunidos os integrantes do grupo Os Cinco Crioulos em show gravado em julho de 1990 no programa "Ensaio", quando na época teve como convidado Paulinho da Viola, que para sua surpresa, foram também convidados os outros integrantes (Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros e Nelson Sargento), em uma homenagem aos 25 anos do antológico show "Rosa de Ouro". O disco foi gravado ao vivo, com conversas e ainda execução de composições da época, entre elas "Quatro crioulos" (Joacir Santana e Elton Medeiros), "Água de rio" (Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira), "O sol nascerá" (Cartola e Elton Medeiros), "No meu barraco de zinco" (Jair do Cavaquinho e Jamelão), "Agoniza mas não morre" (Nelson Sargento), "Cântico à natureza" (Alfredo Português, Jamelão e Nelson Sargento), "Pecadora" (Jair do Cavaquinho e Joãozinho da Pecadora) e "Rosa de ouro", de Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho. 
 
Em 2001, ao lado de Dauro do Salgueiro, Nei Lopes, Nélson Sargento, Dona Ivone Lara, Baianinho, Niltinho Tristeza, Casquinha, Zé Luiz, Nilton Campolino, Monarco, Elton Medeiros, Luiz Grande, Jurandir da Mangueira e Aluízio Machado, participou do show "Meninos do Rio", apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, foi lançado o CD homônimo pela gravadora Carioca Discos. Ainda em 2001, Beth Carvalho no disco "Nome sagrado - Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho", pela gravadora Jam Music, interpretou de sua autoria "Vou partir", parceria com Nelson Cavaquinho e que anteriormente havia sido interpretada por Leny Andrade no disco "Luz negra - Nelson Cavaquinho por Leny Andrade". 
 
No ano de 2002, pelo selo Phonomotor, de Marisa Monte, lançou o CD "Seu Jair do Cavaquinho", disco no qual contou com a participação especial de Argemiro da Portela. Neste CD, produzido por Pedro Amorim, interpretou de sua autoria "Doce de feira" (c/ Altayr Costa), "Eu e as rosas", "Cabelos brancos", "Acorda, negro velho", "Soltaram minha boiada" e "Adeus palhaço", entre outras. O CD foi lançado em maio de 2002 no Teatro Clara Nunes, em show em parceria com Argemiro e com as participações especiais de Teresa Cristina e Marisa Monte. 
 
Em 2003, ao lado de Argemiro Patrocínio, Teresa Cristina e Grupo Semente, apresentou-se no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. No ano de 2004 apresentou-se no Bar, Restaurante e Casa de Shows Feitiço Mineiro, no projeto "Gente do Samba", acompanhado do grupo Samba Choro integrado por Evandro Barcellos (violão de sete cordas), Valerinho (cavaquinho), Chico Lopes (sax e flauta), Kunka (surdo) e Makley (pandeiro e vocais). Entre seus parceiros estão Nelson Cavaquinho, com quem compôs "Vou partir" e "Enquanto a cidade não dorme", esta gravada por Haroldo Santos. 
 
Em 2005 foi um dos convidados do programa "Dorina.Samba", apresentando-se no auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Apresentou-se no bar Carioca da Gema, no Rio de Janeiro, comemorando o aniversário de 85 anos. Fez show no Teatro Rival BR, no qual recebeu diversos convidados, entre os quais Teresa Cristina, Marisa Monte e Velha-Guarda da Portela. Neste mesmo ano de 2005 fez o último show de sua carreira no Bardasterças, em Belo Horizonte.  Entre suas composições mais conhecidas estão "Tudo em vão", gravada por Nara Leão e "Fim do nosso amor", gravada por Norimar. Compôs com Zé Kéti a música "Maria". Em 2016 o cantor paulistano Rômulo Fróes lançou em homenagem ao compositor Nelson Cavaquinho, pelo Selo Sesc, o CD "Rei Vadio", no qual interpretou 14 composições, destacando-se as faixas "Eu e as flores" (c/ Nelson Cavaquinho),com participação especial de Dona Inah; "Vou partir" (c/ Nelson Cavaquinho), com participação especial da Velha da Nenê da Vila Matilde. Entre suas composições preferidas está "Ana", gravada por Zuzuca do Salgueiro.

 

Obra

  • A Rosa voltou
  • Acorda negro
  • Adeus palhaço
  • Ana
  • Antigamente
  • Barracão de zinco
  • Conversa de malandro (c/ Paulinho da Viola)
  • Defensor do samba
  • Deus dá a farinha e o diabo rasga o saco (c/ Velha)
  • Doce de feira (c/ Altayr Costa)
  • E a Rosa Voltou
  • Ela deixou (c/ Nelson Sargento)
  • Enquanto a cidade dorme (c/ Nelson Cavaquinho)
  • Espetáculo deslumbrante (c/ Mundinho e Zózimo)
  • Eu e as flores (c/ Nelson Cavaquinho)
  • Eu te quero ainda
  • Fim do nosso amor
  • Maria
  • Maria (c/ Zé Kéti)
  • Meu barracão de zinco (c/ Jamelão)
  • Meu viver (c/ Elton Medeiros e Kléber Santos)
  • Noite de esplendor
  • Olinda (c/ Alcides Malandro Histórico)
  • Pecadora (c/ Joãozinho da Pecadora)
  • Roda se samba
  • Sonho triste
  • Treze naus
  • Tudo em vão
  • Vai dizer a ela (c/ Nelson Sargento)
  • Você foi um atraso em meu caminho (c/ Picolino da Portela)
  • Você não soube ser mulher
  • Voltei
  • Vou partir (c/ Nelson Cavaquinho)

Discografia

  • (2002) Seu Jair do Cavaquinho • Selo Phonomotor/EMI • CD
  • (2001) Meninos do Rio • Carioca Discos • CD
  • (2000) A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos • SESC-SP • CD
  • (1971) Os Cinco Só • CBS • LP
  • (1969) Samba... no duro • (c/ Os Cinco Crioulos) • LP
  • (1968) Samba... no duro • (c/ Os Cinco Crioulos) • LP
  • (1968) Mudando de conversa • Odeon • LP
  • (1967) Os sambistas • Musidisc • LP
  • (1967) Rosa de ouro • Odeon • LP
  • (1967) Samba... no duro • Odeon • LP
  • (1966) Roda de samba 2 • Musidisc • LP
  • (1965) Rosa de ouro • Odeon • LP
  • (1965) Roda de samba • Musidisc • LP

Shows

  • Projeto Gente do Samba. Bar, Restaurante e Casa de Shows Feitiço Mineiro. Brasília, DF, (2004)
  • Programa Dorina.Samba. Auditório da Rádio Nacional, RJ.
  • Meninos do Rio. (Vários). Centro Cultural Banco do Brasil, RJ.
  • Show Rosa de Ouro (c/ vários). Teatro Jovem, RJ,
  • Jair do Cavaquinho 80 Anos. Teatro Rival, RJ,
  • Jair do Cavaquinho, Grupo Semente e Teresa Cristina. Teatro Miguel Falabella, RJ,
  • Velha-Guarda da Portela. Projeto Rio Velha-Guarda. Espaço Sérgio Porto, RJ,
  • Tudo azul (c/ Velha Guarda da Portela e Marisa Monte). Canecão, RJ,
  • Homenagem a Walter Rosa. (c/ Monarco, Argemiro da Portela, Nelson Sargento, Velha Guarda da Portela, Paulão Sete Cordas, Mauro Diniz e Paulinho da Viola). Teatro João Caetano, RJ,
  • Jair do Cavaquinho e Argemiro da Portela. (Participações especiais de Marisa Monte e Teresa Cristina). Teatro Clara Nunes, RJ,
  • Teresa Cristina, Argemiro Patrocínio Seu Jair do Cavaquinho e Grupo Semente. Centro Cultural Carioca, RJ.

Bibliografia Crítica

  • ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
  • AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
  • ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000.
  • CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
  • COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
  • MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Manati Produções Editoriais, 2001.