quinta-feira, 8 de junho de 2017

Walter Alfaiate (Portelenses de Outrora)


WALTER ALFAIATE
Walter Nunes de Abreu
 7/6/1930, Rio de Janeiro, RJ 
 27/2/2010



Biografia


Compositor. Cantor.  Nascido e criado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, desde criança gostava de cantar. Começou no coral do Colégio Mendes Viana, também em Botafogo, e aos 13 anos iniciou seus trabalhos de alfaiataria, profissão que exerceu por muitos anos.

Desde cedo frequentou os blocos carnavalescos de Botafogo e adjacências, como compositor e fazendo parte do núcleo de sambista do bairro.

Em 1947 conheceu Mauro Duarte no campo do Fluminense, após uma partida de futebol no qual os dois, Botafoguenses, presenciaram a derrota do alvinegro. Por essa época, conheceu também outros compositores do bairro e fez parte da geração que incluía, além de Mauro Duarte, Micau, Miúdo, Zorba Devagar, Niltinho Tristeza, geração que viria a influenciar outro jovem compositor, também de Botafogo, Paulinho da Viola. Logo tornou-se o primeiro parceiro de Mauro Duarte e vice-versa. Foi um dos idealizadores da Praça Mauro Duarte, em Botafogo.

Pertenceu Ala de Compositores do Bloco Mocidade Alegre de Botafogo, Bloco do Funil, São Clemente e Foliões de Botafogo.  Teve sete filhos com quatro esposas diferentes.  

No ano 2000, foi o anfitrião de uma roda de samba no bar Far Up, em Botafogo, que reuniu sambistas como Rildo Hora, Guilherme de Brito, Nei Lopes, Elton Medeiros, Beth Carvalho e Cristóvão Bastos, entre outros.

Integrante da Ala dos Compositores da Portela, frequentador da Escola desde o tempo em que ela ensaiava no Mourisco, sede do Botafogo Futebol Clube.

Faleceu logo após o carnaval, sendo seu corpo velado na sede do Botafogo Futebol Clube.

Em 2010 foi contemplado com a exposição "Em Nome do Pai", organizada em sua homenagem por sua filha Claudia Nunes, no Centro Referência Municipal da Música Carioca Artur da Távola, no Rio de Janeiro.

Dados artísticos

Surgiu no cenário artístico, ainda como Walter Nunes, em 1960, participando das rodas de samba do Teatro Opinião e dos grupos Reais do Samba (1968) e Os Autênticos, entre os anos de 1966 e 1968, integrado também por Noca da Portela, Adélcio Carvalho, Eli Campos e Mauro Duarte. Ficou conhecido mais tarde como Walter Sacode, por cantar com êxito o samba "Sacode Carola", de Hélio Nascimento e Alfredo Marques, na boate Bolero, em Copacabana. O samba havia sido gravado anteriomente, na década de 1950, por Ciro Monteiro obtendo grande sucesso.

Na década de 1970, Paulinho da Viola passou a gravar algumas composições suas. Em 1971 Paulinho da Viola interpretou "Cuidado, teu orgulho te mata" (c/ Mauro Duarte).

No ano de 1978 João Nogueira no LP "Vida boêmia", gravou "Bate-boca" (c/ Mauro Duarte). Neste mesmo ano integrou (tocando tamborim e cantando) o conjunto Os Reais do Samba, que acompanhava Xangô da Mangueira todas terças-feiras no recém inaugurado Forró Forrodo (Casa na qual o diretor artístico era João do Vale). 

Em 1979, no LP "Zumbido", Paulinho da Viola incluiu de sua autoria "Coração oprimido", em parceria com Zorba Devagar. Dois anos depois, Paulinho da Viola voltou a gravar outra composição de sua autoria, "AMOR amor" (c/ Mauro Duarte).

Em 1993 apresentou-se com Paulinho da Viola no show "Paulinho da Viola, Walter Alfaiate e os sambas de Botafogo", no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro.

Em 1996, participou da gravação do disco "50 anos", de Aldir Blanc, CD no qual ao lado de Nei Lopes, Wilson Moreira e Aldir Blanc, interpretou "Mastruço e catuaba" (Cláudio Cartier e Aldir Blanc).

No ano de 1998, aos 68 anos, lançou o primeiro CD, "Olha aí", com faixa-título de autoria de Mical e Miúdo, dois sambistas do bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. No repertório do disco constaram outras músicas de destaque, como "Botafogo, chão de estrelas" (Paulinho da Viola e Aldir Blanc), e "Falso amor sincero", de Nelson Sargento. Participou também do disco "O samba sabe o que quer", de Guilherme Godoy e Sérgio Botto. Neste mesmo ano, a convite do produtor Rildo Hora, participou do disco "Casa de samba 3", interpretando em dueto com Leila Pinheiro a faixa "Sacode Carola". 

Em 1999, além de realizar shows do próprio disco, apresentou-se durante um mês no Mistura Fina, ao lado de Wilson das Neves, Nelson Sargento, Noca da Portela e Augusto Martins. Em abril do mesmo ano, fez temporada de shows acompanhado do conjunto Água de Moringa, em São Paulo.

Em 2000, realizou o show "Roda de bamba", no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, em homenagem aos sambistas Paulinho da Viola, Manacéia e Mauro Duarte, com a presença dos filhos dos homenageados. Na ocasião, foi acompanhado por Galotti e seu conjunto. Neste mesmo ano, comemorou seus 70 anos em show no Teatro Municipal de Niterói, no qual contou com a presença de amigos como Aldir Blanc e Jayme Vignolli, entre outros. Ainda em 2000, interpretou em dueto com Dorina "Falso amor sincero" de Nelson Sargento, no disco "Casa de samba 4", produzido por Rildo Hora. Participou do CD "Pirajá esquina carioca - uma noite com a raiz do samba", ao lado de Beth Carvalho, Luiz Carlos da Vila, João Nogueira, Dona Ivone Lara e Moacyr Luz.

No ano de 2002 o cineasta Vital Filho começou a filmagem do documentário "Walter Alfaiate: A elegância do samba". De acordo com os produtores Emiliano Leal e Vítor Fraga e o diretor: "O filme se inicia com o Walter riscando um terno em seu ateliê. Nós o levamos a Botafogo. Hoje está tudo transformado. Filmaremos depoimentos de amigos, como Aldir Blanc, e reunimos outros sambistas. A idéia é fazer um Buena Vista Social Clube do samba. Quermos encerrar o documentário em um grande show no Teatro Rival com o Walter vestindo o terno que riscou no início do filme". Neste mesmo ano percorreu diversas capitais brasileiras com o show "Botafogo e Paulinho da Viola, uma história carioca" e se apresentou toda quarta-feira, acompanhado pelo grupo Dobrando a Esquina, no Carioca da Gema, casa noturna situada na Lapa, centro boêmio do Rio de Janeiro e ainda se apresentou no Largo do Machado, no evento idealizado pelo Instituto Ambiental Biofesra. Neste mesmo ano, ao lado de outros artistas, participou do documentário sobre o samba "Moro no Brasil", do cineasta finlandês radicado no Brasil, Mika Kaurismaki.

Em 2003, lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu "A paixão e a jura" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), "Conto de areia", samba-enredo de Norival Reis e Dedé da Portela, defendido pela Portela em 1984, "Prato do dia" (Felipão do Quilombo), "Isso um dia tem que se acabar" (Mauro Duarte e Noca da Portela) e "Mastruço e catuaba" (Cláudio Cartier e Aldir Blanc), entre outras. O CD, com arranjos de Ruy Quaresma e Jayme Vignoli, foi lançado em show no Bar Pirajá, em São Paulo. Neste mesmo ano fez show de lançamento do CD no Centro Cultural Carioca, centro do Rio de Janeiro. Ainda em 2003, ao lado de Nei Lopes, Paulo César Pinheiro, Cláudio Jorge, Dorina, Teresa Cristina, Tia Surica, Mart'nália, Felipão do Quilombo, Carlos Sapato e Zé Renato, entre outros, participou do show "Samba de Jorge/Festa em homenagem a São Jorge", no Centro Cultural Carioca, no centro do Rio de Janeiro. Ao lado de Nelson Sargento, Xangô da Mangueira, Beth Carvalho, Diogo Nogueira, Dalmo Castelo, Wilson Moreira, Nei Lopes e Áurea Martins, foi um dos convidados de Vó Maria para o show de lançamento do disco "Maxixe não é samba", de Vó Maria, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, ao lado de Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Elton Medeiros, Cristina Buarque, Monarco, Velha-Guarda da Portela, Elza Soares, Teresa Cristina, Mar'tnália, Cristina Buarque, Nilze Carvalho, Seu Jorge e Renato Braz, entre outros, participou do CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", lançado pela gravadora Deckdisc.

No ano de 2004 apresentou-se no Bar, Restaurante e Casa de Shows Feitiço Mineiro, no projeto "Gente do Samba", acompanhado do grupo Samba Choro integrado por Evandro Barcellos (violão de sete cordas), Valerinho (cavaquinho), Chico Lopes (sax e flauta), Kunka (surdo) e Makley (pandeiro e vocais).

Em 2005, ao lado de de outros convidados como Toninhos Gerais, Noca da Portela, Luiz Carlos da Vila, Rico Doriléu, Darcy da Mangueira e Roberto Serrão, foi um dos convidados de Chico Salles no "Projeto sambando no forró", apresentado no Espaço Armazém Enseada, no Rio de Janeiro. Com Wilson das Neves e Wanderley Monteiro, apresentou o show "WWW.Samba", no Centro Cultural Carioca. Apresentou-se também no projeto "Samba de raiz", da Gafieira Elite, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano lançou o CD "Tributo a Mauro Duarte", em homenagem ao parceiro e amigo Mauro Duarte, no qual incluiu várias composições inéditas cedidas por Cristina Buarque e Paulo César Pinheiro, além de seis parcerias de Walter e Mauro: "Arroz e feijão", "Constantemente", "Falsa euforia", "Derrotado" e "Bom jardineiro", além de "Fonte dos amores" (c/ Wilson Moreira e Mauro Duarte). Entre as músicas incluídas destancaram-se "Nossos esforços" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), "Lenha na fogueira" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), "Arroz e feijão" (c/ Mauro Duarte), "Vila" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e ainda "Vem ver, João", "Ainda precisarás de mim" e "Jeito do cacimbo", as três de Mauro Duarte e além da única não inédita, "Falsa euforia", também do homenageado e anteriormente gravada pelo grupo Família Roitman.

Em 2009 apresentou-se no palco do teatro do Ôi Futuro, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, em show com direção musical de João Hermeto.

Em 2010 foi hospitalizado em decorrência de um grave problema de saúde. Na ocasião, vários amigos artistas fizeram diversos shows coletivos em sua homenagem em casas noturnas do Rio de Janeiro, entre os quais o show "Homenagem a Walter Alfaiate & seu samba" com Moacyr Luz, Edu Krieger, Casuarina, Elisa Addor, Thais Vilela, Claudia Nunes, Alfredo Del-Penho, Aline Calixto, Roberta Nistra, Alex Ribeiro, Nicolas Krassik, Janaína Moreno, Renato Santos, Leandro Fregonesi, Luisinho Barcelos & Banda, no Clube dos Democráticos.

Obra

A mulher que eu adoro (c/ Mauro Duarte)
A. M. O. R. amor (c/ Mauro Duarte)
Arroz e feijão (c/ Mauro Duarte)
Bate-boca (c/ Mauro Duarte)
Caranguejada (c/ Mário Lago Filho)
Contraste (c/ Délcio de Carvalho)
Coração oprimido (c/ Zorba Devagar)
Cuidado, teu orgulho te mata (c/ Mauro Duarte)
É de madrugada
Fonte dos amores (c/ Mauro Duarte e Wilson Moreira)
Já te esqueci
Me entrego sem querer (c/ Martinho da Vila)
Sorri de mim (c/ Mauro Duarte)
Violão amigo (c/ Mauro Duarte e Zorba Devagar)


Discografia

(2005) Tributo a Mauro Duarte • Gravadora CPC-Umes • CD
(2003) Samba na medida • CPC-Umes • CD
(2003) Um ser de luz - saudação à Clara Nunes • Deckdisc • CD
(2000) Casa de samba 4 • Universal Music • CD
(2000) Pirajá esquina carioca - uma noite com a raiz do samba • Dabliu/Eldorado • CD
(1998) O samba sabe o que quer • Independente • CD
(1998) Olha aí • Alma Produções • CD
(1998) Casa de samba 3 • Universal Music • CD
(1996) Aldir Blanc - 50 anos • Alma Produções • CD


Shows


Walter Alfaiate no Ôi Futuro (2009) Teatro Ôi Futuro, RJ - (direção musical de João Hermeto)

Tributo a Mauro Duarte (2005) Centro Cultural Carioca. RJ
Projeto Gente do Samba. Bar, Restaurante e Casa de Shows Feitiço Mineiro. Brasília, DF. (2004)
Show Samba na medida. Centro Cultural Carioca, RJ, (2003)
Show Samba de Jorge/Festa em Homenagem a São Jorge. (vários). Centro Cultural Carioca, RJ, (2003)
Walter Alfaiate, Eduardo Neves e Gafieira de Bolso. Bar-Antiquário Rio-Scenarium, RJ, (2003)
Eliane Faria convida Noca da Portela, Nelson Sargento, Tia Surica, Walter Alfaiate e Rico Doriléo. Projeto Encontro Notáveis. Teatro do Sesi da Graça Aranha, RJ, (2003)
Show Por dentro do figurino. Projeto Samba Falado (c/ Roberto M. Moura). Sesc de Madureira, RJ, (2003)
Walter Alfaiate. Sala Funarte Sidney Miller, RJ, (2002)
Show Botafogo e Paulino da Viola - Uma história carioca. Auditório do BNDES, RJ, (2002)
Show Botafogo e Paulino da Viola - Uma história carioca. Brasília, DF., (2002)
Walter Alfaiate e grupo Dobrando a Esquina. Carioca da Gema, RJ, (2002)
Evento Instituto Ambiental Biosfera. Largo do Machado, RJ, (2002)
Walter Alfaiate e Diogo Nogueira. Projeto As Novas Caras do Velho Samba. Sesc da Tijuca, RJ, (2001)
Show Walter Alfaiate. Olha Aí. Teatro Municipal de Niterói, RJ, (2000)
Roda de Bamba. MIS, RJ, (2000)
Paulinho da Viola, Walter Alfaiate e os sambas de Botafogo. Teatro Clara Nunes, RJ, (1993)
Xangô da Mangueira e grupo Os Reais do Samba. Forró Forrado, Catete, RJ, (1978)

Bibliografia crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
ALBIN, Ricardo Cravo. O Livro de Ouro da MPB. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2003.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.
PASCHOAL, Marcio. Pisa na fulô mas não maltrata o carcará - Vida e obra do compositor João do Vale, o poeta do povo. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 2000.

sábado, 27 de maio de 2017

Picolino (Portelenses de Outrora)


PICOLINO
Claudemiro José Rodrigues
 
* 13/5/1930 Rio de Janeiro, RJ 

Biografia
 
Compositor. Cantor. Instrumentista. Ritmista. Funcionário aposentado do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis. Apresentou-se em vários clubes e rodas de samba do Rio de Janeiro. Compôs a primeira música aos 16 anos de idade. Pertenceu à Ala dos Compositores da Portela até o seu falecimento.


Dados Artísticos

Em 1946 já compunha para o Bloco Unidos da Tamarineira, de Oswaldo Cruz.

Com Candeia e Valdir 59, entrou para a Portela, passando a integrar a Ala dos Compositores, na época presidida pelo compositor Wanderley.

Compôs os sambas-enredos da Portela "Samba do gigante", feito em homenagem ao "IV Centenário da Cidade de São Paulo", em 1954 e "São Paulo Quatrocentão", que classificou a escola em 4º lugar do Grupo 1, no desfile daquele ano.

Integrando a Ala de compositores da Portela, fez apresentações entre 1955 e 1956 no Clube High-Life, juntamente com a Orquestra Tabajara e a Orquestra do Maestro Cipó. Mais tarde, fundou a Ala dos Malabaristas, a qual liderou durante cinco anos, transferindo-se para a Ala dos Compositores, da qual exerceu a presidência por dois anos.

Compôs "Legados de D. João VI", em 1957, samba-enredo com o qual a Portela foi campeã no desfile daquele ano.

Em 1963, ao lado de Casquinha, Candeia, Casemiro, Arlindo, Jorge do Violão e Davi do Pandeiro, formou o grupo Os Mensageiros do Samba, que fez parte do Movimento de Revitalização do Samba de Raiz, promovido pelo Centro de Cultura Popular (CPC) em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE). Com esse grupo, gravou o LP "Mensageiros do samba", pela gravadora Philips. O disco contou com músicas compostas pelos integrantes do grupo, como "Se eu conseguir" (c/ Casquinha e Picolino) e "Lenço Branco", esta última, somente de sua autoria.

Formou o Trio ABC da Portela, juntamente com Noca da Portela e Colombo. Com o Trio, participou de vários espetáculos de samba e alguns festivais, como o "II Concurso de Música de Carnaval", organizado pelo Presidente do Conselho Superior de Música Popular Brasileira do Museu da Imagem e do Som, Ricardo Cravo Albin, em 1968, quando inscreveu duas composições do trio. A primeira composição inscrita foi "Portela Querida", que foi classificada em quinto lugar, sendo interpretada, com grande sucesso, por Elza Soares, que a gravou na Odeon, e a segunda, "É bom assim", interpretada pelo cantor Gasolina.

No ano de 1969 sua composição "Chorei, sofri, penei", classificou-se em primeiro lugar no Concurso de Carnaval do Teatro Municipal de São Paulo.

No ano de 1970 Elizeth Cardoso no LP "Falou e disse", lançado pela gravadora Copacabana, incluiu de sua autoria "Você foi um atraso em meu caminho", parceria com Jair do Cavaquinho.

Foi autor ainda de "Atrás do meu caminho", gravada por Elizeth Cardoso. Ainda fazendo parte do Trio ABC da Portela, compôs "A dor que vem do Brás", gravada por Eliana Pittman, que anteriormente já tinha gravado de sua autoria em parceria com Caipira "Tô chegando, já cheguei" .

Entre outras músicas lançou ainda "Puxa, que luxo" (c/ Luiz Ayrão), gravada por Luiz Ayrão.
Em 1978 Martinho da Vila gravou "Querer é poder" (c/ Colombo e Noca da Portela) e, em 1997, "Nem ela, nem tu, nem eu", também de sua autoria.

Em 2003 sua composição "Portela querida" foi regravada no CD "Noca da Portela - 51 anos de samba".

Entre seus intérpretes destacam-se, além de Martinho da Vila e Elza Soares, Eliana Pittman na regravação de "Lenços brancos", Pastoras da Velha Guarda da Portela "Lenços brancos" (LP 'Samba no chão, 1962) e "Secretário da Escola" (Picolino e Monarco) Tuco e seu Batalhão de Sambistas.

Obra

A dor que vem do Brás (c/ Noca da Portela e Colombo)
Atrás do meu caminho
Chorei, sofri, penei (c/ Noca da Portela)
De amigo pra amigo (c/ Luiz Ayrão)
É bom assim (c/ Noca da Portela e Colombo)
Legados de D. João VI (c/ Candeia e Valdir 59)
Lenço branco
Nem ela, nem tu, nem eu (c/ Walter Rosa)
Portela querida (c/ Noca da Portela e Colombo)
Puxa, que luxo (c/ Luiz Ayrão)
Querer é poder (c/ Colombo e Noca da Portela)
Samba do gigante (c/ Valdir 59)
São Paulo quatrocentão
Se eu conseguir (c/ Casquinha)
Tô chegando, já cheguei (c/ Caipira)
Você foi um atraso em meu caminho (c/ Jair do Cavaquinho)

Discografia

(1964) Mensageiros do Samba • Philips • LP

 
Bibliografia crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
ALBIN, Ricardo Cravo. O livro de ouro da MPB. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha-Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Paulo da PORTELA (Portelenses de Outrora)


PAULO DA PORTELA

Paulo Benjamin de Oliveira


* 18/6/1901 Rio de Janeiro, RJ 
+ 30/1/1949 Rio de Janeiro

Biografia

Compositor. Cantor. Filho de Joana Baptista da Conceição e Mário Benjamin de Oliveira, passou a infância no bairro da Saúde e Estácio de Sá, criado pela mãe junto com um irmão mais velho e uma irmã mais nova. O pai sempre foi figura ausente. 

Começou a trabalhar bem cedo em uma pensão para ajudar a mãe. Também entregava marmitas em domicílio. Mais tarde, passou a trabalhar como lustrador de móveis. 

Em 1920 a família mudou-se para Osvaldo Cruz, indo morar numa casinha de vila que hoje corresponde ao 338 da Estrada da Portela. Nessa época, iniciou suas atividades carnavalescas, no Bloco Moreninhas de Bangu.

Em junho de 1939 casou-se com Maria Elisa dos Santos. Faleceu em 1949 em consequência de um ataque cardíaco, na mesma cidade, no dia 30 janeiro de 1949.

Dados Artísticos

Fundou, no início da década de 1920 o "Ouro Sobre Azul", o primeiro bloco de Osvaldo Cruz, mais no estilo dos ranchos do que do samba. Foi na casa de seu Napoleão (pai de Natal da Portela), um dos grandes festeiros do bairro, na qual começou a conviver com sambistas como Ismael Silva, Baiaco, Brancura, Aurélio, trazidos do Estácio pela irmã de seu Napoleão, D. Benedita. Nestas festas, tocava-se e dançava-se jongo e caxambu. Mais tarde, passou a frequentar as festas de D. Esther Maria Rodrigues, organizadora do bloco "Quem Fala de Nós Come Mosca", que recebia tanto pessoas do bairro como também da classe alta, e ainda artistas como Pixinguinha, Cartola, Roberto Silva, Augusto Calheiros, Donga, Gilberto Alves, entre outros.   

Em 1922 fundou o bloco "Baianinhas de Oswaldo Cruz", juntamente com Antônio Rufino dos Reis e Antônio da Silva Caetano, futuros fundadores da Portela. Em 11 de abril de 1926 surgiu o Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de Osvaldo Cruz, em cuja organização teve papel importantíssimo de líder, produtor, relações públicas, organizava os eventos, discursava, lutando para que o samba e as escolas de samba tivessem o seu devido reconhecimento. A participação pública de Paulo da Portela logo fez dele um líder classista muito considerado por seus pares e por alguns jornalistas, que nele via despontar uma estrela do proletariado. 

Em 1931 Mário Reis gravou seu samba "Quem espera sempre alcança", pela Odeon. No ano seguinte, em 1932, participou da fundação da UES (União das Escolas de Samba). No ano de 1935 a Vai Como Pode (futura Portela) ganhou o desfile das escolas de samba com "Linda Guanabara", de sua autoria. No mesmo ano, a escola passou a chamar-se G.R.E.S. Portela, e Paulo da Portela foi eleito pelo voto popular como o maior compositor das escolas de samba, em um concurso promovido pelo jornal "A Nação". No ano seguinte, 1936, foi eleito "Cidadão-Momo" e, em 1937, "Cidadão-Samba". Esses títulos lhe deram status na sociedade carioca e geraram algumas inimizades. Carlos Galhardo gravou nesse ano "Cantar para não chorar", (c/ Heitor dos Prazeres), pela Victor. 

De dezembro de 1937 a janeiro de 1938, participou da Embaixada do Samba, grupo que viajou em turnê de shows no Uruguai, do qual faziam parte Heitor dos Prazeres, Marília Batista, a violonista Ivone Rabelo, o maestro Júlio de Souza e os Turunas Cariocas. Ainda em 1938, participou da Embaixada da Favela que, chefiada por Francisco Alves, fez apresentações em São Paulo. Compôs "Teste de samba", com o qual a Portela foi campeã em 1939, apontado como o primeiro samba-enredo, já que conseguiu estruturar toda a escola em função do seu samba, ao contrário dos outros compositores, que criavam a música a partir de um enredo determinado. 

No ano de 1940 criou o programa "A voz do morro", na Rádio Cruzeiro do Sul, junto com Cartola, no qual apresentavam sambas inéditos. 

No ano posterior, em 1941, formando o Conjunto Carioca juntamente com Cartola e Heitor dos Prazeres, fez temporada em São Paulo. Nesse ano, a Portela foi campeã com seu samba "Dez anos de glória", em parceria com Antônio Caetano, que contava todos os temas já apresentados pela escola desde 1932. Brigado com a diretoria, deixou a escola logo após o carnaval. Entrou então para a Escola de Samba Lira do Amor, de Bento Ribeiro. Mas, apesar disso, em agosto de 1941 recebeu, na Portela, Walt Disney e enorme comitiva. Inspirado nesta grande festa, Disney criou o personagem Zé Carioca. Participou como figurante de três longas-metragens: "Favela de meus amores", de Humberto Mauro; "O bobo do rei" e "Pureza". 

Em 1965 sua composição "Pam-pam-pam-pam" foi incluída no LP "Rosa de ouro", da Odeon. Seu partido-alto "Cocorocó" foi interpretado pela Velha-Guarda da Portela no LP "Portela, passado de glória", da RGE, em 1970, disco produzido por Paulinho da Viola. No ano de 1972 Elza Soares e Roberto Ribeiro incluiram "Cocorocó" no disco "Sangue, suor e raça", de Elza Soares e Roberto Ribeiro lançado pela gravadora Odeon. 

Em 1974 Alvaiade gravou o samba inédito "Quitandeiro" (c/ Monarco), no LP "Portela", da Marcus Pereira. Monarco havia terminado o samba com a permissão da família do compositor. Foi homenageado em sambas como "De Paulo da Portela a Paulinho da Viola", de Monarco e Francisco Santana, e "Passado de glória", de Monarco. No ano de 1976 Roberto Ribeiro regravou "Quintandeiro" (c/ Monarco) no LP "Arrasta povo". Neste mesmo ano sua composição "Olhar assim" foi interpretada por Clementina de Jesus no disco "Clementina de Jesus - Convidado especial: Carlos Cachaça", lançado pela gravadora EMI-Odeon. 

Em 1979 Clementina de Jesus regravou "Cocorocó" no LP "Clementina e Convidados". 

Em 1984 através do selo Funarte foi lançado o LP "Cartola entre amigos", disco no qual foi incluída a faixa "Deus te ouça", parceria com Cartola e interpretada pela dupla Monarco e Doca da Portela. 

No ano de 1986 pelo selo Bomba Records e com produção de Katsunori Tanaka foi lançado o LP "Doce recordação - Velha-Guarda da Portela" somente para o mercado japonês, disco no qual foi incluída de sua autoria "Cidade mulher", interpretada por Monarco. 

No ano seguinte, em 1987, novamente o produtor japonês Katsounori Tanaka lançou (para o mercado japonês) o LP "Homenagem a Paulo da Portela". Neste LP participaram vários integrantes da Velha-Guarda da Portela e outros admiradores de Paulo da Portela: Chico Santana em "Linda Guanabara"; Manaceia "Teste ao samba"; Cristina Buarque e Mauro Duarte em "Quem espera sempre alcança", Monarco e Tia Doca em "Deus te ouça"; Monarco em "Este mundo é uma roleta" e "O meu nome já caiu no esquecimento"; Argemiro da Portela em "Cocorocó"; Casquinha da Portela em "Conselho". O disco foi relançado no Brasil em 1988 pelo selo Ideia Livre, do produtor Aluízio Falcão. 

Na década de 1990 a gravadora Nikita Music relançou em CD "Cartola entre amigos". No ano 2000 a gravadora Nikita Music relançou "Doce recordação - Velha-Guarda da Portela", desta vez para o mercado brasileiro. 

Neste mesmo ano de 2000 a gravadora Nikita Music relançou em CD o disco "Homenagem a Paulo da Portela".   

No ano seguinte, em 2001, foi homenageado pelo bloco "MIS a MIS", quando o Museu da Imagem e do Som apresentou o enredo "Paulo da Portela", bloco que tinha como padrinhos Dona Zica e Ricardo Cravo Albin. O samba em sua homenagem, criado para o desfile do bloco, foi composto por Jorge de Paula, Ricardo Mello e Marcelo Menezes, sendo gravado por Monarco e a Velha-Guarda da Portela. O desfile do bloco, também animado pelo Bloco Carnavalesco Cordão da Bola Preta, aconteceu no bairro da Lapa, centro do Rio de Janeiro. Neste dia foram feitas imagens para um documentário sobre a vida e obra do sambista, dirigido e escrito por Marília Barboza, Luís Carlos Magalhães, Carlos Monte e João Batista Vargens, que incluiria também cenas com depoimentos de familiares do compositor. 

Em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras", de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz várias referências ao compositor.

Em 2015, foi homenageado no espetáculo "A História de Paulo Benjamin de Oliveira - Paulo da Portela", de autoria de Wilson Machado e direção de Adun Benton, encenado por uma companhia de atores negros tendo como estrela maior a cantora Zezé Mota, e apresentado na Sala Baden Powel, no bairro carioca de Copacabana. 

Em 2016, por ocasião dos 115 anos de seu nascimento foi homenageado pela Escola de Samba que ajudou a criar, a Portela, com um show da cantora Teresa Cristina, na quadra da Escola em Oswaldo Cruz, no qual foram interpretados clássicos de sua autoria tais como "Deus te ouça", com Cartola; "Quitandeiro" e "Cidade mulher".

Obras


Arma perigosa (c/ Paquito)
Cantar do rouxinol
Cantar para não chorar (c/ Heitor dos Prazeres)
Cidade mulher
Cocorocó
Coleção de passarinhos (c/ Clementina de Jesus e Hermínio Bello de Carvalho)
Deus te ouça (c/ Cartola)
Dez anos de glória (c/ Antônio Caetano)
Linda borboleta (c/ Monarco)
Linda Guanabara
Olhar assim
Orgulho, hipocrisia (c/ Clementina de Jesus e Hermínio Bello de Carvalho)
Orgulho, hipocrisia
Ouro, desça do seu trono
Pam-pam-pam-pam
Quem espera sempre alcança
Quitandeiro (c/ Monarco)
Serei teu Ioiô
Teste de samba
Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
ALBIN, Ricardo Cravo. O livro de ouro da MPB. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha-Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.
MUNIZ, Jr., J. Sambistas Imortais.
SILVA, Marília T. Barbosa da, e SANTOS, Lygia. Paulo da Portela, traço de união entre duas culturas. Rio de Janeiro: Editora Funarte, S/D.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Silvinho da PORTELA (Portelenses de Outrora)

 

Silvinho da PORTELA

Sílvio Pereira da Silva
* 1935 Rio de Janeiro, RJ
+ 8/2/2001 Rio de Janeiro, RJ

Biografia
 
Cantor. Compositor.
 
Também assinou em alguns discos somente Silvinho, sendo conhecido ainda como Silvinho do Pandeiro. Com apenas 16 anos desfilava pela Portela. Durante 17 anos foi o puxador oficial da Portela, da qual foi integrante da Ala de Compositores.
 
Fez parte do Bloco Carnavalesco Boêmios de Irajá, no qual atuava como ritimista e compositor. Também integrou a Ala de Compositores da Unidos da Viradouro, em Niterói.
 
Faleceu às vésperas do carnaval de 2001, em decorrência de um câncer na próstata. Foi sepultado no Cemitério de Inhaúma, subúrbio do Rio de Janeiro.
 
Dados Artísticos
 
Ao lado dos ritmistas Elizeu e Jorginho Pessanha, fez parte da Delegação Brasileira que se apresentou no "1º Festival de Arte Negra", em Dakar, no Senegal, em 1966. Na ocasião, integrou o grupo de músicos que acompanhava Clementina de Jesus, Elton Medeiros, Ataulfo Alves, Heitor dos Prazeres e Paulinho da Viola, entre outros.
 
Em 1973, ao lado de Martinho da Vila, Darcy da Mangueira, Noel Rosa de Oliveira e Walter Rosa, participou do disco "A voz do samba", no qual interpretou de sua autoria "Amor de raiz" (c/ Jorge Barbosa) e "Escrevi" (c/ Jorge José), além de "Caso de amor", de autoria de Luiz Carlos e Miro.
 
Em 1975 "Macunaíma, herói da nossa gente" (Norival Reis e Davi Antônio Correia), com sua interpretação deu à escola o 5º lugar do Grupo 1.
 
No ano de 1978, gravou seu único disco solo, "Silvinho e suas cabrochas".
 
Em 1982, Neguinho da Beija-Flor, no disco "É melhor sorrir", pela gravadora Top Tape, interpretou de sua autoria "Um grande amor se acaba" (c/ Xavier e Onofre do Catete).
 
Como puxador da Portela, conquistou três estandartes de ouro, um deles em 1983, com o samba-enredo "A ressurreição da coroa, reisado, reino e reinado" e que conseguiu o 3º lugar do Grupo 1 para a Escola.
 
No ano de 1999, participou de um show coletivo na casa noturna Rio Sampa, em Nova Iguaçu. 
 
No ano de 2001, pouco antes de falecer, participou da escolha do samba-enredo para o carnaval daquele ano, concorrendo com um samba de sua autoria. 
 
Entre os sambas-enredos que interpretou, marcando época não só na Portela, mas na MPB como um todo, destacam-se "Lapa em três tempos" (Ary do Cavaco e Rubens Alves de Sousa), com o qual a escola se classificou em 2º lugar do Grupo 1, em 1971. No ano seguinte, a Portela classificou-se em 3º lugar do Grupo 1com o samba-enredo "Ilu Ayê" (Terra da vida) (Norival Reis e Cabana).
 
Obra

Amor de raiz (c/ Jorge Barbosa)
Escrevi (c/ Jorge José)
Um grande amor se acaba (c/ Xavier e Onofre do Catete)
 
Discografia
 
(1978) Silvinho e suas cabrochas • LP
(1973) A voz do samba • Selo Musicolor • LP
 
Shows

Show de samba (c/ vários). Rio Sampa, RJ.
 
Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Doca (Portelenses de Outrora)

Doca

Jilçária Cruz Costa

*  20/12/1932 Rio de Janeiro, RJ
 +  25/1/2009 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantora. Compositora e Pastora da Velha-Guarda da Portela. 

De família oriunda do Morro da Serrinha, sua mãe, Dona Albertinha, foi a primeira porta-bandeira da Escola Prazer da Serrinha. Prima de Dona Ivone Lara, em sua casa aconteceram as reuniões que deram início à fundação da Escola Império Serrano no na de 1947. 

Trabalhou como empregada doméstica e tecelã. Aos 14 anos já atuava como porta-bandeira da Unidos da Congonha, escola de samba do bairro de Vaz Lobo, subúrbio do Rio de Janeiro. Foi casada com Altair Costa, filho do compositor Alvarenga, um dos principais da Ala de Compositores da Portela. 

No ano de 1953 ingressou na Portela. Integrou a Ala das Baiana da Escola de Samba Portela. Sua roda de samba "Pagode da Tia Doca", em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, era sempre frequentada por artistas como Clara Nunes, Paulo César Pinheiro, Zeca Pagodinho, Monarco, Beth Carvalho e João Nogueira, entre muitos outros, além da nova geração como Teresa Cristina, Dorina, Dudu Nobre e Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Dados Artísticos

Em 1970 entrou para a Velha Guarda por sugestão de Alberto Lonato, tendo como examinadores Alvaiade e Armando Santos, vindo a substituir Tia Vicentina. Fazendo parte da Velha-Guarda da Portela gravou em vários disocs (LPs e CDs) entre os anos de 1970 e 2007, além de participar como pastora da Velha-Guarda da Portela de vários outros discos de artistas, principalmente do samba. 

Em 1980 interpretou, em dueto com Monarco, seu partido-alto "Temporal" no LP "Terreiro", de Monarco, lançado pela gravadora Eldorado. 

No ano de 1989 Jovelina Pérola Negra incluiu no CD "Amigos chegados" lançado pela gravadora RGE, sua composição "Orgulho negro", feita em parceria com o Jadilson Costa. 

No ano 2000 foi lançado o CD "Pagode da Tia Doca", com alguns dos artistas que se apresentaram ao longo dos mais de 30 anos na roda de samba. Gravou participações especiais nos discos de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Teresa Cristina e Marisa Monte, entre outros. 

Em 2008 foi lançado o documentário "O Mistério do Samba", produzido por Marisa Monte, com direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda. O documentário começou a ser produzido em 1998 e registrou várias fases da Velha-Guarda da Portela e apresentações por diversos estados e países. O filme foi lançado em show no Circo Voador, com a Velha-Guarda da Portela e convidados, entre os quais Diogo Nogueira, Teresa Cristina e Mauro Diniz. Sobre o filme destacamos o seguinte trecho de matérias dem Arnaldo Jabor - Segundo Caderno 26/08/2008 O Globo: "Não é um filme sobre o passado; é sobre um presente que nascia. Não é um filme de lamento sobre alguma coisa acabada, mas sobre a vitalidade que tem de continuar, que resiste nos subúrbios apear da violência da indústria cultural de massas e da boçalidade dos pagodes de jabás e de boquinhas de garrafa ou axés de multidões burras. No filme estão todos os grandes artistas: o espírito de Manacéa, Jair do Cavaquinho, Argemiro Patrocínio, Casquinha, Monarco, o filho mais moço Paulinho da Viola, protegido por Tia Surica e Tia Doca. Nele está Zeca Pagodinho, preservando em corpo e alma o espírito desse tempo, hoje. A Portela aparece nas pequenas coisas: sapatos brancos e pretos, as mãos gastas, os rostos comidos pelo tempo, mas vivos de alegria, os pés descalços, os retratos na parede, a comida, a cerveja, os cavaquinhos e pandeiros". 

Faleceu no dia 25 de janeiro do ano de 2009, tendo recebido várias homenagens em várias midias impressas e eletrônicas. Sobre sua importância para o samba carioca, declarou a compositora mangueirense Leci Brandão: "Uma das matriarcas do samba... Uma celebridade de verdade, simples e humilde". Seu corpo foi velado na quadra da Portela, em Madureira e o sepultamento ocorreu no Cemitério de Irajá.

Obra

Orgulho negro (c/ Jadilson Costa)
Temporal

Discografia
() 1970 Portela, passado de glória RGE LP
() 1974 Portela Selo Marcos Pereira LP() 1980 Monarco e Velha-Guarda da Portela Gravadora Eldorado LP
() 1980 Terreiro (participação) Gravadora Eldorado LP
() 1981 Cristina, de Cristina Buarque (participação) LP
() 1984 Histórias do céu e da terra infantil (participação) Philips/PolyGram LP
() 1986 Doce recordação - Velha-Guarda da Portela (Japão) Selo Office Sambinha LP
() 1990 Homenagem a Paulo da Portela Selo Tanaka CD
() 1994 Resgate, de Cristina Buarque (participação) Gravadora Saci CD
() 1995 Cilico Amigos = Parceria (participação) Niterói Discos CD
() 1999 Velhas companheiras. (com a Velha Guarda da Mangueira) Selo Sambinha CD
() 2000 Tudo azul Selo Phonomotor e EMI/Music CD
() 2000 Doce recordação. Velha-Guarda da Portela Nikita Music CD
() 2000 Casa de Samba 4 (vários) Universal Music CD
() 2001 Casquinha da Portela (participação) Lua Discos CD
() 2002 Deixa a vida me levar, de Zeca Pagodinho (participação) Universal Music CD
() 2002 A Música de Paulinho da Viola (participação) Deck Disc CD
() 2003 Um ser de luz - saudação à Clara Nunes (vários) Deckdisc CD
() 2005 À vera (participação) Universal CD
() 2007 Cidade do samba (vários) Selo ZecaPagodiscos/Universal Music CD/DVD


Bibliografia Crítica
 
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

ALBIN, Ricardo Cravo. MPB - A História de Um Século. 2ª ed. Revista e ampliada, Rio de Janeiro: MEC/Funarte/Instituto Cultural Cravo Albin, 2012.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
FERNANDES, Vagner. Clara Nunes: Guerreira da utopia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista. (Ilustrações Lan). A Velha-Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Noite Ilustrada (Portelenses de Outrora)

NOITE ILUSTRADA

Mário de Souza Marques Filho


 10/4/1928 Pirapetinga, MG 
 28/7/2003 Atibaia, SP


Biografia



Cantor. Compositor. Violonista. 


Nascido no interior de Minas Gerais, transferiu-se para o Rio de Janeiro nos anos 1940. Na capital federal, passou dificuldades e chegou a dormir em abrigos para menores. Integrou a Escola de Samba Portela com a qual excursionou para São Paulo onde cabou por radicar-se em 1955. Entre os anos de 1984 e 1994, fixou residência na cidade de Recife em Pernambuco. Faleceu de câncer pulmonar e foi enterrado na cidade paulista de Atibaia, onde havia se radicado nos últimos anos de vida.

Dados Artísticos

Começou sua carreira como violonista em um "show" comandado por Zé Trindade na cidade de Além Paraíba (MG). Na noite de estréia, o comediante esqueceu seu nome na hora da apresentação e, pondo a mão no bolso, encontrou um exemplar da revista "Noite Ilustrada". Na mesma hora decidiu apresentá-lo: "E agora com vocês a grande revelação...Noite Ilustrada!" O apelido pegou, e até até sua esposa passou a chama-lo dessa maneira. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em meados dos anos 1950, ingressando na Escola de Samba Portela, atuando como sambista em "shows" na capital paulista. Em São Paulo trabalhou nas boates Captain's e Meninão. 

Em 1958, foi contratado pela Rádio Nacional e pela TV Paulista. No mesmo ano, estrou em disco, pela gravadora Mocambo, com os sambas "Cara de boboca", de Jaime Silva e Edmundo Andrade, e "Castiguei", de Venâncio e Jorge Costa. Ainda no mesmo ano gravou as primeiras composições de sua autoria, o samba "Quem faltava no samba" e a batucada "Sereno", esta em parceria com Ferreira Maia. 

Em 1960, ainda pela Mocambo, lançou seu primeiro LP "Cara de boboca" interpretando os sambas "Cara de boboca", de Jaime Silva e Edmundo Andrade; "Playboy", de José Henrique; "Diabo de saia"; "Escureceu" e "Danada Cegonha", as três de Edmundo Andrade; "Cadê Cidinha" e "Ai Lourinha", de sua autoria; "Compreensão", com Jeny Santos; "Castiguei", de Jorge Costa e Venâncio; "Nada me embaraça", de Rômulo Paes; "É doloroso", de H. Nogueira, e "Conselho", de Lupicínio Rodrigues. 

Em 1962, gravou a marcha "Maria Tereza", de Donga e Valfrido Silva, e o "Samba em Mangueira", de sua autoria e Jorge Costa. No mesmo ano, transferiu-se para a Philips e gravou seu primeiro grande sucesso, o samba "Volta por cima", de Paulo Vanzolini, que se tranformaria num clássico da MPB. Por essa época, atuou na boate Moleque, em São Paulo, onde costumava cantar "Volta por cima" acompanhado em coro pelos assistentes, antes mesmo de gravar a música. Ainda em 1962, gravou seu primeiro LP, "O ilustre". 

Em 1963, gravou "Dedo de luva", de Humberto Carvalho e Afonso Teixeira, e "Bolas de papel", de Valdemar Ressurreição. Gravou também os sambas "Volte pra casa", de Sérgio Malta, "Andorinha", de sua autoria e Antonio Mota, e "Toalha de mesa", de Carminha Mascarenhas, Dora Lopes e Wilson Chumbo. No mesmo ano, lançou o LP "Noite Ilustrada", registrando "Pra machucar meu coração", de Ary Barroso; "Botões de laranjeira", de Pedro Caetano; "Boneca de pano", de Ataulfo Alves, e "Louco", de Henrique de Almeida e Wilson Batista, além do sucesso "Volta por cima". 

No ano seguinte lançou o LP "Noite no Rio", com "A flor e o espinho", de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha. Também em 1964, gravou os sambas "Rei dos cabritos", de Popó, e "Não ataque de índio", de Alfredo Borba, incluídos no LP "Carnaval - VOL" coletânea carnavalesca da gravadora Philips. 

Em 1965, fez sucesso com o samba "O neguinho e a senhorita", do compositor do morro do Salgueiro Noel Rosa de Oliveira, lançado no LP "Caminhando". 

Em 1966, lançou o LP "Depois do carnaval", com a faixa título, de Jorge Costa e Paulo Roberto. 

Em 1969, estreou na Continental com o LP "Revivendo o mestre Ataulfo", no qual registrou composições do compositor Ataulfo Alves, entre as quais "Meus tempos de criança", "Vida da minha vida", "Vassalo do samba", "Fim de comédia", "Laranja madura" e "Pois é". 

Em 1970, lançou com Isaura Garcia o LP "Papo furado", com destaque para "Meu choro pra você", de Torquato Neto e Gilberto Gil, "Pra você", de Sílvio César, "Quem te viu quem te vê", de Chico Buarque, e "Nega manhosa", de Herivelto Martins. No mesmo ano, lançou o LP "Samba sem problemas", que trazia "Barracão", de Oldemar Magalhães e Luiz Antônio, "Crioulo sambista", de Sinval Silva e Nelson Trigueiro, "Terra seca", de Ary Barroso, e "Nervos de aço", de Lupicínio Rodrigues. 

Em 1971, gravou o LP "Noite Ilustrada", no qual se destacou a "Balada nº 7 - Mané Garrincha", de Alberto Luís. 

Em 1972, lançou o LP "Samba é comigo mesmo", no qual registrou "Preconceito", de Cartola, "Orgulho e agonia", de Fernando Mauro e Nelson Cavaquinho, e "Atraso em meu caminho", de Jair do Cavaquinho e Picolino. No mesmo ano, lançou o LP "Noite Ilustrada interpreta Marques Filho", cantando composições de sua autoria uma vez que Marques Filho vinha a ser ele mesmo, que utilizava parte de seu sobrenome como autor. Ainda em 1972, participou da coletânea "Carnaval - 73", da Musicolor/Continental, que contou com a participação de diferentes artistas, entre os quais, Gilberto Alves, Jamelão, Alcides Gerardi e Titulares do Ritmo. Nesse LP, interpretou a "A marcha do cara batuta" e o samba "Agonia", ambas em parceria com B. de Almeida. 

Em 1975, transferiu-se para a Tapecar e lançou o LP "Noite Ilustrada" que tinha em destaque "Eu nasci no morro", de Ary Barroso, "Laurindo", de Herivelto Martins, "Pra esquecer", de Noel Rosa, "Cravo vermelho", de Geraldo Filme, e "Chora viola", de Paulo Rogério e Adauto Santos. 

Em 1976, lançou o segundo LP pela Tapecar que incluía, entre outras, "Cadeira de bar", de sua autoria, "Não posso parar de cantar", de Zé Pretinho da Bahia, "Sambista apaixonado", de Gracia e Mano Décio da Viola, e "Copo da saudade", de Clayton e Dora Lopes. 

Em 1978, retornou para a Continental e lançou o LP "Não me deixe só" no qual gravou "Atalhos", de Everaldo Cruz e Nei Lopes, "Mensagem", de Aldo Cabral e Cícero Nunes, "Abri a porta", de Jorge Costa, e a música título de sua autoria e Antônio Motta. 

Em 1979, lançou pela Continetal o LP "À vontade" com as músicas "Chica", de Raimundo Prates; "Barraquinho", de João Roberto Kelly; "Velho amigo", de Armando Nunes e Paulo Gesta; "Estupidez de cupido", de Nicéas Drumont; "Companheiro de quarto", de Chico Xavier e Tito Mendes; "Casa antiga", de Raul Sampaio; "Cabeça fria", de Luis de França e Armando Nunes; "Eh pau-de-arara", de Armando Nunes e João de Oliveira; "Crise no morro", de Armando Nunes e Roberto Medeiros, e "Moldura", de Gerson Alves, além de "Ressentimento" e "Canto de despedida", de sua autoria. 

Em 1981, foi para o selo Cristal da WEA e lançou o LP "O fino do samba" no qual registrou clássicos do samba como "Antonico", de Ismael Silva, "Prece ao sol", de Candeira, "A flor e o espinho", de Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, "Pedro do Pedregulho", de Geraldo Pereira, e "Madrugada", de Zé Kéti. 

Em 1982, lançou o LP "Profecia", considerado um clássico do samba no qual interpretou "Juramento", de Zé Kéti, "Proteção", de Nelson Cavaquinho, e "Itamaracá", de sua autoria, uma homenagem ao Recife onde viveu por dez anos. 

Em 1986, gravou pela Polydisc o LP "Cada vez melhor", no qual apresentou um pot-pourri com seus grandes sucessos e um outro com composições de Nelson Cavaquinho. 

Em 1998, lançou pelo selo Camerati o CD "Eu sou o samba", que trazia "Perfil de um sambista" que o compositor Adauto Santos fez em sua homenagem, "Cadeira de bar", de sua autoria, "Sorriso antigo", de Aldecy e Candeia, "Pra machucar meu coração", de Ary Barroso, e "Aos pés da cruz", de Zé da Zilda e Marino Pinto. Este CD foi relançado três anos depois pelo selo Trama com o título de "Perfil de um sambista". Percorreu o Brasil com o show "Eu sou o samba". Manteve-se em atividade até o fim da vida tendo voltado aos estúdios dois meses antes de falecer. 

Em 2003, gravou o CD "Noite Ilustrada canta Lupicínio Rodrigues", pelo selo Atração Fonográfica, lançado após a sua morte, no qual interpretou os sambas canção "Nervos de aço"; "Ela disse-me assim"; "Paciência (Vou brigar com ela)"; "Nunca"; "Vingança"; "Volta" e "Sozinha", todas apenas de Lupicínio Rodrigues, além de "Meu barraco", com Leduvy de Pina; "Castigo"; "Quem há de dizer" e "Cadeira Vazia", com Alcides Gonçalves, e "Se acaso você chegasse" e "Brasa", com Felisberto Martins. Deixou o CDs inédito: "Noite Ilustrada canta Ataulfo Alves - Ao mestre com carinho".

Obras


A marcha do cara batuta - com B. de Almeida 
Agonia (com B. de Almeida)
Água bebida 
Andorinha (c/ Antonio Mota) 
Cadeira de bar 
Canto de despedida 
Encontro 
Itamaracá 
Não me deixe só (c/ Antônio Motta) 
Passista regra 3 
Quem faltava no samba 
Ressentimento 
Samba em Mangueira (c/ Jorge Costa) 
Sereno (c/ Ferreira Maia) 
Zombou de mim (c/ Jorge Costa)

Discografia

(2003) Noite Ilustrada canta Ataulfo Alves - Ao mestre com carinho • Atração • CD
(2003) Noite Ilustrada canta Lupicínio Rodrigues • Atração Fonográfica • CD
(2001) Perfil de um sambista • Trama • CD
(1998) Eu sou o samba • Camerati • CD
(1997) 20 Super sucessos • Polydisc • CD
(1986) Cada vez melhor • Polydisc • LP
(1982) A Profecia • Fermata • LP
(1981) O Fino do samba-vol. 2 • Cristal/WEA • LP
(1979) À Vontade • Continental • LP
(1978) Não me deixe só • Continental • LP
(1976) Noite Ilustrada • Tapecar • LP
(1975) Noite Ilustrada • Tapecar • LP
(1974) Samba sem hora marcada • Continental • LP
(1972) Noite Ilustrada interpreta Marques Filho • Continental • LP
(1972) Samba é comigo mesmo • Continental • LP
(1971) Noite Ilustrada • Continental • LP
(1970) Samba sem problemas • Continental • LP
(1970) Papo furado • Continental • LP
(1969) Noite Ilustrada • Continental • LP
(1969) Revivendo o mestre Ataulfo • Continental • LP
(1966) Depois do carnaval • Odeon • LP
(1965) Caminhando • Philips • LP
(1964) Noite no Rio • Philips • LP
(1963) Dedo de luva/Bolas de papel • Philips • 78
(1963) Volta por cima/Sim ou não • Philips • 78
(1963) Volte pra casa/Andorinha • Philips • 78
(1963) Pensei que não/Toalha de mesa • Philips • 78
(1963) Noite Ilustrada • Philips • LP
(1962) Maria Tereza/Samba em Mangueira • Mocambo • 78
(1962) Volta por cima/Lua triste • Philips • 78
(1960) Cara de boboca • Mocambo • LP
(1959) É doloroso/Danada cegonha • Mocambo • 78
(1958) Cara de boboca/Castiguei • Mocambo • 78
(1958) Sereno/Quem faltava no samba • Mocambo • 78 

Bibliografia Crítica


AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário Biográfico da música Popular. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1965.

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 2. São Paulo: Editora: 34, 1999.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Bandeira Brasil (Portelenses de Outrora)

 
BANDEIRA BRASIL
Alcemir Gomes Bastos

* Rio de Janeiro, RJ 
+ 30/5/2013 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Violonista.

Filho de empregada doméstica e marcineiro nasceu em Marechal Hermes e criado em Pilares, subúrbios do Rio de Janeiro. O pai tocava cavaquinho.

Ainda criança desfilava na Escola Caprichosos de Pilares.

Cursou até o sexto período de Letras na UFRJ. Por essa época, como era aluno, fazia um pagode no campus da Universidade. 

Começou como compositor dos blocos Embalo do Morro do Urubu, Q70, e O Suspiro da Cobra, de Pilares.

Passou a frequentar o bloco Cacique de Ramos e mostrando seus sambas na roda embaixo da tamarineira, fundada por Bira Presidente, Jorge Aragão, Almir Guineto, Jelsereno, Ubirany (que formariam o grupo Fundo de Quintal).

Integrou a Ala de Compositores da Portela. Escola de Artes Negras Quilombo e da Caprichosos de Pilares.

Dados Artísticos

Uma de suas primeiras composições gravadas foi "Ópio", (c/ Cléber Augusto), interpretada pelo grupo Fundo de Quintal no disco "Divina luz", lançado em 1985 pela gravadora RGE.

Em 1987, Jovelina Pérola Negra, no disco "Luz do repente", incluiu de sua autoria "Feira de São Cristóvão" (c/ Beto Sem Braço). No ano seguinte, Elza Soares incluiu no disco "Voltei", "Erê" (c/ Beto Sem Braço). Nesse mesmo ano, sua composição "Lotação", parceria com Arlindo Cruz, foi gravada por Reinaldo em LP na Continental.

Em 1999 o grupo Revelação gravou de sua autoria "Casal perfeito" (c/ Luiz Cláudio Picolé). No ano seguinte, Zeca Pagodinho gravou "Perfeita harmonia" (c/ Almir Guineto e Bidubi), no CD "Água da minha sede". Neste mesmo ano, Ernesto Píres no CD "Novos quilombos", pela Rob Digital, gravou sua composição "Novos quilombos", parceria com Alcino Correa (Ratinho), faixa que deu título ao disco. 

No ano de 2001, Beth Carvalho e o grupo Fundo de Quintal interpretaram de sua autoria "Romance dos astros", parceria com Luiz Carlos da Vila e Cléber Augusto, no disco ao vivo "Os melhores do ano II", da gravadora Indie Records.

Em setembro de 2002 junto a vários artistas, entre eles, Almir Guinéto, Arlindo Cruz, Serginho Meriti, Deni de Lima, Ivan Milanez, Marquinhos China, Ircea Pagodinho e Maurição, fez o show-homenagem "Bum-bum-baticum-Beto", tributo ao compositor Beto Sem Braço no Bar Supimpa, na Lapa, Rio de Janeiro. Ainda em 2002, Marquinho Santanna (ex-Marquinhos Sathã) gravou de sua autoria "Negritude axé" (c/ Franco e Arlindo Cruz) no disco "Nosso show".

Em 2003 lançou o primeiro disco solo, "A cor do samba", no qual incluiu várias composições, entre elas, "Tamarineira" (c/ Zeca Pagodinho), na qual contou com a participação especial de Renatinho Partideiro, "Negritude axé" (Franco e Arlindo Cruz), "Nega dadivosa" (c/ Serginho Procópio e Picolé), "Romance dos astros" (c/ Luiz Carlos da Vila e Cléber Augusto), Zeca Pagodinho ('Nega dadivosa'), "Ópio" (c/ Cléber Augusto), "Motivo" (c/ Cléber Augusto), "Insônia" (c/ Nélson Cavaquinho e Neoci Dias), "Peixinho" (c/ Arlindo Cruz e Wilson Moreira) com a participação de Arlindo Cruz, "Homenagem" (c/ Marquinhos de Oswaldo Cruz) com participação de Monarco, "Dois namorados" (c/ Acyr Marques), "Amante de verdade" (c/ Nelson Cavaquinho e Ratinho), faixa que contou com a participação de Beth Carvalho, "Pivete", "Bom pra renovar" (c/ Wanderley Monteiro) e ainda um pot pourri com "Feira de São Cristóvão", "Samba curador", "Erê" e "A paisagem", todas em parceria com Beto Sem Braço, que participou da faixa "A paisagem", na qual o falecido parceiro teve a voz retirada de uma fita cassete gravada na casa de Martinho da Vila, em Duas Barras. No CD reuniu diversos artistas: Paulão Sete Cordas (direção musical), Cláudio Jorge (violão e arranjos), Mauro Diniz e Alceu Maia (cavaquinho).

Em 2004 fez o lançamento do CD no Espaço Cultural Memórias do Rio, no qual recebeu diversos convidados.

No ano de 2005, no CD "À vera", Zeca Pagodinho interpretou de sua autoria "À vera" (c/ Luizinho Toblow, Bidubi e Élcio do Pagode). Neste mesmo ano classificou a composição "Lágrimas de fogo" no "Festival de Samba de Terreiro da Portela".

Entre seus vários intérpretes detacam-se Beth Carvalho ('Romance dos astros'), Grupo Só Preto ('A tamarineira'), Marquinhos Satã ('Negritude axé'), Fundo de Quintal ('Romance dos astros') e Zeca Pagodinho em "A paisagem" e "Nega dadivosa".  Tem mais de 80 composições gravadas.

Entre seus parceiros está Nelson Cavaquinho, de quem se tornou amigo e parceiro em um dos pagodes em que ambos frequentavam em Botafogo, sua parceria com Nelson Cavaquinho e Neoci Dias "Insônia", foi gravada pela Velha-Guarda da Mangueira.

Obra

A paisagem (c/ Beto Sem Braço)
A tamarineira (c/ Zeca Pagodinho)
À vera (c/ Luizinho Toblow, Bidubi e Élcio do Pagode)
Amante de verdade (c/ Nelson Cavaquinho e Ratinho)
Bom pra renovar (c/ Wanderley Monteiro)
Casal perfeito (c/ Luiz Cláudio Picolé)
Cheio de amor pra dar (c/ Dudu Nobre)
É coisa do céu (c/ Beto Sem Braço)
Erê (c/ Beto Sem Braço)
Feira de São Cristóvão (c/ Beto Sem Braço)
Ginga da roda de Iaiá (c/ Luisinho SP)
Homenagem (c/ Marquinhos de Oswaldo Cruz)
Insônia (c/ Nelson Cavaquinho e Neoci Dias)
Lágrimas de fogo
Lotação (c/ Arlindo Cruz)
Nega dadivosa (c/ Serginho Procópio e Picolé)
Negritude axé (c/ Franco e Arlindo Cruz)
Nosso caso (c/ Luisinho SP)
Novos quilombos (c/ Ratinho)
Ópio (c/ Cléber Augusto)
Peixinho (Arlindo Cruz e Wilson Moreira)
Perfeita harmonia (Almir Guineto e Bidubi)
Pivete
Romance dos astros (c/ Cléber Augusto e Luiz Carlos da Vila)
Samba curador (c/ Beto Sem Braço)

Discografia

(2003) A cor do samba • independente • CD

Shows

Festival de Samba de Terreiro da Portela. RJ. (2005)
Show A cor do samba. Candongueiro, Niterói, RJ,
Show A cor do samba. Espaço Cultural Memórias do Rio - RJ.

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.