sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
Walter Rosa
Walter Rosa
5/4/1925 Rio de Janeiro RJ
24/1/2002 Rio de Janeiro, RJ
Compositor. Cantor.
Em 1933, ainda criança, já freqüentava o Bloco Carnavalesco Filhos do Deserto, do bairro da Cachoeirinha, no Rio de Janeiro, entrando em contato com o samba.
No ano de 1942, transferiu-se para o Bloco Recreio de Inhaúma, onde conheceu Paulo da Portela e outros compositores.
Ingressou na Ala dos Compositores da Portela na década de 1950.
No ano de 1960 a Portela foi campeã com o samba enredo "Rio, capital eterna do samba".
No ano seguinte, bi-campeã com "Jóias das lendas brasileira" (c/ Antonio Alves).
Em 1963, tri-campeã com "Exaltação ao Barão de Mauá" (c/ Antonio Alves), todos sambas de enredo de sua autoria.
Em 1966, participou do show "A fina flor do samba", no Teatro Opinião do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, participou de várias apresentações em emissoras de televisão. No ano seguinte, Roberto Silva gravou pela Copacabana Discos a sua música "A timidez me devora", em parceria com Jorginho Pessanha.
Em 1968, compôs com Silas de Oliveira "Legado de Getúlio Vargas", música para a peça "Dr: Getúlio, sua Vida e sua Obra", de Ferreira Gullar e Dias Gomes, encenada no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, sob a direção de José Renato. A peça também foi montada pela Companhia do Teatro Opinião, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Participou da fundação da Academia do Engenho de Dentro. Mais tarde, transferiu-se para o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, passando a integrar a Ala dos Compositores, ao lado de Monarco, Noca da Portela, Picolino e Manacéia, entre outros.
Em 1973, ao lado de Martinho da Vila, Darcy da Mangueira, Noel Rosa de Oliveira e Silvinho da Portela, participou do disco "A voz do samba", no qual interpretou de sua autoria "É fracassar" (c/ Esly) e "1ª figura", em parceria com Pepe. Neste mesmo ano, sua música em parceria com Monarco,"Tudo menos amor", foi gravada por Martinho da Vila na RCA. No ano seguinte, Elizete Cardoso no LP "Feito em casa", incluiu de sua autoria "Peso dos anos", parceria com Candeia. Neste mesmo ano, Zuzuca gravou de sua autoria "Só Deus", em parceria com Jorginho Pessanha.
Em 1975, outras duas composições suas foram gravadas por cantoras de sucesso na época: "O Pior é saber", por Beth Carvalho no LP "Pandeiro e viola" (também gravada por Martinho da Vila) e "Vai, amor", por Clara Nunes.
Em 1976 gravou "Legado de Getúlio Vargas" em um LP editado pela Gravadora Abril Cultural.
No ano de 1983, o grupo Os Originais do Samba, no LP "Canta, meu povo, canta", gravou "Peito ferido" (c/ Noca da Portela).
Em 1997, Martinho da Vila interpretou de sua autoria "Nem ela, nem tu, nem eu", no CD "Coisa de Deus".
No ano 2000, Leci Brandão e Péricles interpretaram "Tudo menos amor" (c/ Monarco), no disco "Casa de samba 4", CD produzido por Rildo Hora para a gravadora Universal Music.
No dia 23 de janeiro de 2002 um grupo de amigos e sambistas, entre eles Velha Guarda da Portela, Monarco, Paulinho da Viola, Tantinho da Mangueira, Décio Carvalho e Darcy da Mangueira, se reuniu para prestar homenagem a Walter Rosa. O grupo montou um show beneficente no teatro João Caetano, no qual foram relambrados clássicos do compositor. Na manhã seguinte, o compositor veio a falecer, em decorrência de uma diabete e com a qual vinha travando uma luta, que já tinha lhe custado a visão. Entre seus vários intérpretes estão Roberto Ribeiro e Roberto Silva. Neste mesmo ano, foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj), Rio de Janeiro, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.
Em 2004 Martinália no CD "Pe do meu samba ao vivo" regravou "Tudo menos amor".
Obras:
1ª figura (c/ Pepe)
A timidez me devora (c/ Jorginho Pessanha)
É fracassar (c/ Esly)
Exaltação ao Barão de Mauá (c/ Antonio Alves)
Jóias das lendas brasileiras (c/ Antonio Alves)
Legado de Getúlio Vargas (c/ Silas de Oliveira)
Nem ela, nem tu, nem eu (c/ Picolino da Portela)
O Pior é saber
Peito ferido (c/ Noca da Portela)
Peso dos anos (c/ Candeia)
Rio, capital eterna do samba
Só Deus (c/ Jorginho Pessanha)
Tudo menos amor (c/ Monarco)
Vai, amor
Discrografia
(1973) A voz do samba • Selo Musicolor • LP
(1976) Walter Rosa • Gravadora Abril Cultural • LP
Show
A Fina Flor do Samba. Teatro Opinião, RJ.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Antônio Rufino
RUFINO
(03/03/1097 – 18/11/1982)
Nascido em 03 de março de 1907, Antônio Rufino dos Reis, filho de Rufino Esteves dos Reis e Teodomira Merenciana dos Reis, era o mais novo dos 3 amigos que tiveram a iniciativa de fundar o “Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz”.
Juntos, Antônio Rufino, Antônio Caetano e Paulo da Portela formaram o trio que decidiu os destinos da Portela em seus primeiros anos. Antônio Rufino foi fundador, compositor, dirigente, sócio número 1, durante os últimos anos de sua vida, e muito mais. Rufino foi fundamental para a história da Portela, tanto que costumava afirmar que ele e seus amigos Paulo e Caetano surgiram junto com a escola.
Na imensa galeria de grandes sambistas quase desconhecidos da história do nosso carnaval, Rufino é, com certeza, uma das figuras de maior expressão.
O Batuque Mineiro
Vindo de Juiz de Fora, Minas Gerais, Antônio Rufino chegou a Oswaldo Cruz no dia 20 de setembro de1920, indo morar na casa de uma tia, na Rua Pirapora. De Minas trouxe as lembranças da batucada e do samba rural, manifestações que iriam acompanhar o jovem rapaz pelo resto da vida. Sério e dedicado, Rufino sempre inspirou credibilidade e confiança, mesmo quando ainda era um menino. Seu primeiro emprego foi como servente de pedreiro numa obra em Jacarepaguá. Costumava fazer suas refeições na casa do amigo Paulo Benjamim de Oliveira, de forma que conseguia economizar alguns valiosos trocados.
A Fundação
A seriedade de Antônio Rufino era tanta que, aos 15 anos, já integrava e era um dos principais responsáveis pelo bloco “Baianinhas de Oswaldo Cruz”. Quando os desentendimentos com Galdino pareciam insuperáveis, e Caetano sugeriu que o grupo deveria fundar outro bloco, Rufino, assim como Paulo da Portela, apoiou e incentivou imediatamente a idéia. Mas os problemas não estavam na fundação, e sim em como superar as dificuldades que viriam nos primeiros anos. E é justamente na superação dessas dificuldades que está a maior contribuição de Rufino para o sucesso da Portela.
O “Procurador”
Fundado o bloco, a primeira grande dificuldade foi conseguir recursos para custear as despesas do grupo. Rufino, acostumado a “fazer milagre” e sobreviver com os parcos recursos que possuía, e cujo caráter todos conheciam e respeitavam, foi nomeado o primeiro tesoureiro da Portela, função chamada na época de “procurador”.
Para conseguir os recursos, Rufino cobrava pessoalmente uma mensalidade de quinhentos réis de cada portelense. O dinheiro obtido era investido na “caixinha”, responsável por empréstimos a juros baixos, e na venda de pequenos produtos, como cigarros, por exemplo.
Quando a Portela, na época ainda chamada “Vai Como Pode”, desfilava no Centro da cidade, Rufino era sempre o último a passar pela roleta, sendo o responsável pelo pagamento das passagens de todos os componentes. Certa vez, Rufino empenhou seu próprio terno para que a escola pudesse desfilar.
A Polêmica com Heitor dos Prazeres
A vitória no concurso de samba promovido por Zé Espinguela fez com que Heitor dos Prazeres ganhasse moral e assumisse a liderança do grupo. Trazido por Paulo, Heitor vinha de uma região onde a apropriação indevida da criação de outras pessoas era de certa forma comum. Ao contrário, Antônio Rufino pouco saía de Oswaldo Cruz, onde os laços de amizade ainda mantinham uma lealdade já distante das regiões centrais da cidade.
Foi se aproveitando dessa “ingenuidade” que Heitor apropriou-se indevidamente do samba “Vai Mesmo”, composto por Antônio Rufino.
“Vai mesmo,
Pra mim não causa pena
Pra fazer não tiveste remorso
Queres esconder
Mas culpa te condena
Quero me esquecer da ingratidão
Não posso”
O episódio, ocorrido em 1930, motivou o primeiro desentendimento entre Rufino, Caetano e Paulo, principalmente porque este último, amigo de Heitor, posicionou-se inicialmente contra os demais fundadores.
O Jongueiro
O jongo sempre fez parte da vida de Rufino. Seus primeiros contatos com essa manifestação rural foi ainda menino em Juiz de Fora. Mais tarde, Rufino passou a participar ativamente das várias rodas de jongo que se praticavam em Oswaldo Cruz.
O jongo e outras manifestações rurais tiveram fundamental importância na formação da Portela, e Antônio Rufino, sem dúvida alguma, foi um dos seus principais expoentes.
O Compositor
O batuque, trazido por Rufino da terra natal, se mistura em Oswaldo Cruz com as manifestações culturais que fervilhavam no período. Desenvolvendo a arte de compor letras, Antônio Rufino se torna um grande compositor, mais um dos vários poetas que a região gerou.
Foi de autoria de Rufino o segundo samba composto na Portela: “Favela tem o seu cruzeiro”, ainda sob a histórica árvore em cuja sombra foram realizadas as primeiras reuniões de nossa escola. Rufino integrou a primeira formação do conjunto da velha guarda da Portela, reunidos por iniciativa de Paulinho da Viola, em 1970.
A difícil tarefa de descrever o passado
No final dos anos 70, quando pesquisadores e professores começaram a se interessar pelo passado das escolas de samba, os velhos sambistas dos primeiros anos tiveram a difícil tarefa de descrever como tudo começou. Tarefa difícil, levando em consideração que precisavam lembrar de um passado distante e que não tinham a mínima idéia de que estavam vivendo um momento histórico que seria recontado anos mais tarde. É neste momento que Antônio Rufino é lembrado para contar o passado da Portela. Ninguém melhor do que ele, então sócio número 1 da Portela, protagonista de todo processo de formação da escola, para descrever como tudo aconteceu.
Muito da história da Portela que foi resgatada devemos à memória de Antônio Rufino, que sempre recebia a todos e contava a história de sua escola repleto de orgulho.
O reencontro com os amigos
Exatamente no dia 18 de novembro de 1982, aos 75 anos, Antônio Rufino partiu para o reencontro com os amigos Paulo e Caetano. Finalmente, após um longo período, o trio responsável pelo surgimento da Portela pôde se reunir novamente. Como Rufino orgulhosamente afirmava, ele, Caetano, Paulo e a Portela “surgiram juntos”. Agora, poderiam se reunir novamente, imortalizados na obra que deixaram para as gerações futuras. As dificuldades foram vencidas.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Romildo (Portelenses de Outrora)
Romildo Souza Bastos
Biografia
Compositor. Cantor. Nasceu na Ilha de Itamaracá. Pertenceu à Ala dos Compositores da Portela. Foi um dos compositores preferidos da cantora Clara Nunes, que gravou seus maiores sucessos. Faleceu vítima de um enfarto. Em 1990 foi produzido o documentário "Cheio de cantigas" sobre a vida e a obra do compositor. Filmado e dirigido por Valter Filé, com produção do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular) e TV Maxambomba, o autor de clássicos como "Conto de areia" (c/ Toninho Nascimento, gravado por Clara Nunes) e "A partilha" (c/ Sérgio Fonseca - gravado por Roberto Ribeiro) discorreu sobre sua obra e carreira, apresentando também diversas composições inéditas. Em 2009 o compositor foi homenageado pela Prefeitura de Mesquita (município da Baixada Fluminense) tendo seu nome sido dado a uma das ruas que dão acesso à praça Roque da Paraíba (outro compositor daquela região). Na ocasião da homenagem foi exibida na praça o documentário "Cheio de cantigas" e vários artistas locais participaram de uma roda de samba comandada pelo grupo Sambaixada.
Dados Artísticos
Em 1974, Elza Soares gravou "Primeiro eu" (com Toninho Nascimento), no LP "Quem é bom já nasce feito", pela gravadora Tapecar. Neste mesmo ano Clara Nunes interpretou "Conto de areia" (com Toninho Nascimento), que logo se tornou um grande sucesso em todo o país. Ainda neste ano, Elizete Cardoso gravou "Aroeira", "Cuíca e viola", "Flor misteriosa" e "Água de sereno", todas em parceria com Toninho Nascimento e incluídas no LP "Feito em casa", lançado pela gravadora Copacabana.
No ano de 1975, Clara Nunes no disco "Claridade" gravou com sucesso outra parceria da dupla Romildo e Toninho, "A deusa dos Orixás".
Em 1976 Elizete Cardoso gravou de sua autoria "Rio seco", parceria com Toninho Nascimento. Neste mesmo ano Clara Nunes interpretou "Fuzuê", parceria com Toninho Nascimento.
No ano de 1977, Clara Nunes, incluiu no LP "As forças da natureza" outra composição: "Senhora das Candeias" (c/ Toninho Nascimento).
Roberto Ribeiro gravou "Partilha" (c/ Sérgio Fonseca), em 1979, uma das músicas mais executadas no rádio naquele ano.
Em 1981, Clara Nunes interpretou "Congada" (c/ Toninho Nascimento). No ano seguinte, a mesma cantora incluiu em seu disco "Nação", duas composições suas em parceria com Toninho Nascimento: "Menino velho" e "Vapor de São Francisco", ambas com grande sucesso.
Em 1983, Jorginho do Império gravou "Casa de cômodo" (c/ Noca da Portela e Toninho Nascimento) no LP "Viva meu Samba". No ano posterior, foi lançado pela Coca-Cola um disco em homenagem ao natal. No LP "Pagode de Natal - A noite feliz dos bambas", o cantor Joel de Castro interpretou "Natal de fantasia", música de sua autoria em parceria com Ney Alberto e Edson Show.
Em parceria com Edson Show foi vencedor de um dos sambas-enredo mais cantados da Mocidade Independente de Padre Miguel, "Tem muamba, cordão de ouro, chapéu, anel de bamba...". Agepê gravou de sua autoria "Batuque de semba" (com Alex e Paulinho Rezende).
Em 1986, Agepê voltaria a gravar mais uma de suas composições, desta vez "A rainha Ginga" (com Sérgio Fonseca), que fez razoável sucesso.
No ano seguinte, o cantor gravou outra parceria da dupla Romildo/Sérgio Fonseca, "São Jorge da Costa da Mina". Ainda em 1987, Marquinhos Satã incluiu "Um samba sem dó" (com Paulinho Rezende), no LP lançado pela gravadora Ariola.
Em 1989, a gravadora EMI lançou o LP "Clara Nunes - O canto da guerreira", disco no qual foram compilados alguns sucessos da cantora, entre eles "Conto de areia" e "A Deusa dos Orixás". No ano seguinte, Noca da Portela e Mussum interpretaram "Cabeça-de-porco" (com Noca da Portela e Toninho Nascimento) no disco "Brasilidade", de Noca da Portela e Roberto Serrão, pela gravadora Fama.
No ano de 1994, a gravadora EMI lançou série "Dois em um - Clara Nunes", disco no qual foram incluídas as músicas "Menino velho" e "Vapor de São Francisco". No ano seguinte, no disco "Clara com vida", produzido por Paulo César Pinheiro em homenagem à cantora, foi acrescentada a voz de Milton Nascimento na música "Conto de areia".
Em 1997, Mart'nália no disco "Minha cara", regravou "Conto de areia".
Em 2002, foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.
No ano de 2003, Nilze Carvalho interpretou "A deusa dos Orixás" (com Romildo) no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".
Em dezembro de 2004 o Cecip (Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular) e o Museu da República, apresentaram o evento "Cheio de cantigas" dentro do "Projeto puxando conversa". O evento exibiu o vídeo que retrata a vida e a obra do compositor Romildo. Na ocasião, vários amigos e parceiros fizeram a tradicional roda de samba que acompanha as edições do projeto. O evento, em homenagem a Romildo falecido na década de 1990, reuniu diversos sambistas.
Em 2008 a gravadora EMI, em parceria com a Globo Marcas, lançou o DVD "Clara Nunes - Os musicais do Fantástico das década 70/80", no qual foram compilados os clipes produzidos pela emissora nas décadas de 1979 e 1980 para o programa "Fantástico", trabalho no qual foram incluídos os clipes "Conto de areia" e "A Deusa dos Orixás", sobre suas composições em parceria com Toninho Nascimento.
Entre seus vários parceiros destacam-se os poetas Sérgio Fonseca (em várias inéditas e gravadas) e Paulo César Pinheiro, com quem compôs “Cipriana", gravada em 1985 pela cantora Milena.
Obra
A Deusa dos Orixás (c/ Toninho Nascimento)
A rainha Ginga (c/ Sérgio Fonseca)
Água de sereno (c/ Toninho Nascimento)
Aroeira (c/ Toninho Nascimento)
Batuque de semba (c/ Alex e Paulinho Rezende)
Cabeça-de-porco (c/ Noca da Portela e Toninho Nascimento)
Casa de cômodo (c/ Noca da Portela e Toninho Nascimento)
Cipriana (c/ Paulo César Pinheiro)
Congada (c/ Toninho Nascimento)
Conto de areia (c/ Toninho Nascimento)
Cuíca e viola (c/ Toninho Nascimento)
Ela não vai gostar de mim (c/ Toninho Nascimento)
Flor misteriosa (c/ Toninho Nascimento)
Fuzuê (c/ Toninho Nascimento)
Menino velho (c/ Toninho Nascimento)
Meu improviso (c/ Sérgio Fonseca)Inédita
Natal de fantasia (c/ Edson Show e Ney Alberto)
Partilha (c/ Sérgio Fonseca)
Primeiro eu (c/ Toninho Nascimento)
Rio seco (c/ Toninho Nascimento)
São Jorge da Costa da Mina (c/ Sérgio Fonseca)
Senhora das Candeias (c/ Toninho Nascimento)
Tem muamba, cordão de ouro, chapéu, anel de bamba (c/ Edson Show)
Um samba sem dó (c/ Paulinho Rezende)
Vapor de São Francisco (c/ Toninho Nascimento)
Bibliografia Crítica
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
CAMPOS, Conceição. A letra brasileira de Paulo César Pinheiro: uma jornada musical. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, 2009.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
SEVERIANO, Jairo e MELO, Zuza Homem de. A canção no tempo. 2. v. São Paulo: Editora 34.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Jorge do Batuke (O Guerreiro Portelense)
BLOG: Acompanhamos, a muito, a sua trajetória dentro da PORTELA, seu batalhar para ter, definitivamente, seu nome gravado na história da Escola! Como foi todo esse trajeto?
BATUKE: Quando comecei a disputar samba, já desfilava na PORTELA a muito tempo! Desde pequeno, era meu sonho ser Compositor, até porque meu pai disputava samba. Cresci vendo isso! Em 2008, Darcy Maravilha, meu padrinho, me convidou para uma parceria com ele! Em 2009 fiz o samba em homenagem à Tabajara do Samba! No mesmo ano disputei samba, sendo logo eliminado, não sei o porque! Em 2012, mais uma vez, coloquei samba ainda como coadjuvante! Em 2013, foi a primeira parceria comandada por mim, alcançando a sexta colocação! Em 2014/2015, cheguei ao vice-campeonato! Em 20015/2016, participei com o Samba dos Crias! Em 2017/2018, voltei a comandar a parceria! E nesse ano tive a felicidade de vencer o Concurso! Ninguém nasce pronto, cada um tem um dom e tem que desenvolver!
BATUKE: Quando comecei a disputar samba, já desfilava na PORTELA a muito tempo! Desde pequeno, era meu sonho ser Compositor, até porque meu pai disputava samba. Cresci vendo isso! Em 2008, Darcy Maravilha, meu padrinho, me convidou para uma parceria com ele! Em 2009 fiz o samba em homenagem à Tabajara do Samba! No mesmo ano disputei samba, sendo logo eliminado, não sei o porque! Em 2012, mais uma vez, coloquei samba ainda como coadjuvante! Em 2013, foi a primeira parceria comandada por mim, alcançando a sexta colocação! Em 2014/2015, cheguei ao vice-campeonato! Em 20015/2016, participei com o Samba dos Crias! Em 2017/2018, voltei a comandar a parceria! E nesse ano tive a felicidade de vencer o Concurso! Ninguém nasce pronto, cada um tem um dom e tem que desenvolver!
BLOG: Sempre deixamos claro o segmento da Jovem Guarda Portelense! É importante essa renovação?
BATUKE: Lembro o samba de Mestre Alvaiade: ".... o dia se renova todo o dia, eu envelheço cada dia e cada mês..". É a lei natural das coisas, tudo se renova! Estou com 39 anos, e já tenho muito tempo na estrada do samba! Hoje tenho consciência que a renovação é saudável para a Escola de Samba, sem renovação, o samba vai morrer! A prova disso foi a final desse ano! A PORTELA dá essa oportunidade! Queira ou não queira é a Ala de Compositores mais respeitada em todas as escolas!
BATUKE: Lembro o samba de Mestre Alvaiade: ".... o dia se renova todo o dia, eu envelheço cada dia e cada mês..". É a lei natural das coisas, tudo se renova! Estou com 39 anos, e já tenho muito tempo na estrada do samba! Hoje tenho consciência que a renovação é saudável para a Escola de Samba, sem renovação, o samba vai morrer! A prova disso foi a final desse ano! A PORTELA dá essa oportunidade! Queira ou não queira é a Ala de Compositores mais respeitada em todas as escolas!
BLOG: Por todos os concursos que você participou dentro da PORTELA, o de Samba de Enredo é, realmente, o mais importante?
BATUKE: Todos os dois Concursos são importantes! O samba de terreiro faz aquilo que o coração manda, já o de Enredo tem que seguir a um cronograma, não pode arriscar muito! Os dois tem graus de dificuldades! E nos concursos, graças a Deus, estou entre os destaques, como nos últimos seis anos, o que me orgulha!
BATUKE: Todos os dois Concursos são importantes! O samba de terreiro faz aquilo que o coração manda, já o de Enredo tem que seguir a um cronograma, não pode arriscar muito! Os dois tem graus de dificuldades! E nos concursos, graças a Deus, estou entre os destaques, como nos últimos seis anos, o que me orgulha!
BLOG: Você é um exemplo do processo de evolução que surgiu dentro da Escola! Existe uma fórmula para tal?
BATUKE: A fórmula para o processo de evolução é o amor, respeito, dedicação, acreditar sempre e nunca desistir! Esse é o segredo do processo de evolução! A PORTELA é a extensão da minha casa!
BATUKE: A fórmula para o processo de evolução é o amor, respeito, dedicação, acreditar sempre e nunca desistir! Esse é o segredo do processo de evolução! A PORTELA é a extensão da minha casa!
BLOG: Nesse processo vitorioso você pode nos falar de nomes que te deram apoio para prosseguir a caminhada?
BATUKE: Não vou citar ninguém em especial, foram muitos que me ajudaram, me deram força e seria muito injusto citar! Só quero agradecer a todos e em especial a nossa parceria!
BATUKE: Não vou citar ninguém em especial, foram muitos que me ajudaram, me deram força e seria muito injusto citar! Só quero agradecer a todos e em especial a nossa parceria!
BLOG: Verificamos que você não recorre a personagens conhecidos dentro da PORTELA para disputar seus campeonatos! Porque a postura?
BATUKE: Não se precisa se aliar a nomes conhecidos mas sim fazer um bom samba! Procuro fazer samba para os amigos! A minha parceria é uma parceria de amigos, nos vemos o ano todo, esse é o segredo! A PORTELA para mim está acima do ganhar ou perder! Sempre busquei levar meu nome ao sol, muitas vezes criticado por isso, mas acreditei nos parceiros e, graças a Deus, fizemos um samba que as pessoas aprovaram!
BATUKE: Não se precisa se aliar a nomes conhecidos mas sim fazer um bom samba! Procuro fazer samba para os amigos! A minha parceria é uma parceria de amigos, nos vemos o ano todo, esse é o segredo! A PORTELA para mim está acima do ganhar ou perder! Sempre busquei levar meu nome ao sol, muitas vezes criticado por isso, mas acreditei nos parceiros e, graças a Deus, fizemos um samba que as pessoas aprovaram!
BLOG: Esse ano em que a PORTELA levará a homenagem à Clara Nunes, você e sua parceria triunfaram! O que é falar de Clara Nunes para você?
BATUKE: Falar de Clara Nunes é a coisa mais natural do mundo! Falo de Clara Nunes todos os dias da minha vida! Não há um dia que não passe pela placa em que está o nome dela! Ela faz parte da minha vida a trinta e um anos!
BATUKE: Falar de Clara Nunes é a coisa mais natural do mundo! Falo de Clara Nunes todos os dias da minha vida! Não há um dia que não passe pela placa em que está o nome dela! Ela faz parte da minha vida a trinta e um anos!
BLOG: Qual foi o segredo para se atingir a unanimidade, fator tão difícil, pelos portelenses?
BATUKE: A emoção foi o segredo para atingir a quase unanimidade! A unanimidade, nenhum samba atinge! Falar com o coração, esse foi o segredo! Falar em primeira pessoa, você construir um samba em primeira pessoa, esse foi o segredo!
BATUKE: A emoção foi o segredo para atingir a quase unanimidade! A unanimidade, nenhum samba atinge! Falar com o coração, esse foi o segredo! Falar em primeira pessoa, você construir um samba em primeira pessoa, esse foi o segredo!
BLOG: Para você, existe mais algum objetivo maior do que o já alcançado esse ano?
BATUKE: Trazer grandes nomes para a Escola, poder corresponder na avenida! Esse é o nosso maior objetivo! Fazer os portelenses cantarem com amor é o grande objetivo!
BATUKE: Trazer grandes nomes para a Escola, poder corresponder na avenida! Esse é o nosso maior objetivo! Fazer os portelenses cantarem com amor é o grande objetivo!
BLOG: Você, com sua garra e persistência, conseguiu o título máximo dentro de uma Escola de Samba, que é ser CAMPEÃO! O que você diria para aqueles que têm esse sonho a alcançar?
BATUKE: A ficha não caiu! Que as pessoas acreditem no seu sonho e que nas horas mais difíceis, em que ninguém acredita em você! Eu não desisti da busca do objetivo e Deus agraciou a nossa parceria em vencer essa disputa! Como compositor, todos os meus objetivos foram alcançados e posso dizer que sou muito privilegiado em ter conseguido tudo que tracei!
BATUKE: A ficha não caiu! Que as pessoas acreditem no seu sonho e que nas horas mais difíceis, em que ninguém acredita em você! Eu não desisti da busca do objetivo e Deus agraciou a nossa parceria em vencer essa disputa! Como compositor, todos os meus objetivos foram alcançados e posso dizer que sou muito privilegiado em ter conseguido tudo que tracei!
BLOG: A PORTELA levará para a avenida, além de um enredo sonhado a muito, um samba seu! Já imaginou a emoção na hora de ver sua obra ser cantada pela Escola?
BATUKE: Ainda não pensei como será a emoção! Estou centrado nos ensaios! Faltam alguns meses, e se ficar pensando muito, não vou conseguir nem dormir! (rs..)
BATUKE: Ainda não pensei como será a emoção! Estou centrado nos ensaios! Faltam alguns meses, e se ficar pensando muito, não vou conseguir nem dormir! (rs..)
BLOG: O que os portelenses podem esperar de JORGE DO BATUKE, daqui para frente?
BATUKE: Que continua sendo a mesma pessoa, com a mesma garra de antes, humilde, respeitando os adversários, apaixonado por aquilo que faz e mais temente a Deus do que antes! Isso é que o portelense pode esperar de mim!
BATUKE: Que continua sendo a mesma pessoa, com a mesma garra de antes, humilde, respeitando os adversários, apaixonado por aquilo que faz e mais temente a Deus do que antes! Isso é que o portelense pode esperar de mim!
O BLOG agradece e parabeniza você e parceiros pelo triunfo!
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Canário
Canário
Verner Raimundo de Macedo
* 17/9/1949 Cororipe do Sol, AL
Biografia
Compositor. Integrou a Ala de Compositores da Portela. Foi companheiro de trabalho de Agepê (Antônio Gilson Porfírio) na Companhia Telefônica Telerj.
Dados Artísticos
Em 1975, sua composição "Moro onde não mora ninguém" (c/ Agepê) foi gravada pelo parceiro em um compacto simples, fazendo enorme sucesso, lançando para o grande público o cantor e compositor Agepê, que passou a gravar as composições da dupla:
- Em 1985, "Alegria no ar" (c/ Agepê e Totonho) e "Na paz do congá" (Canário e Edil Pacheco);
- Em 1986, "Dançando forró" (c/ Agepê e Pery Cachoeira), "De todas as formas" (c/ Agepê e Zé Katimba) e "Inspiração" (c/ Chiquinho Fabiano e Agepê);
- Em 1987, no disco lançado pela gravadora Philips, incluiu "Dona do meu ser", "Louca", "À procura da flor" e "Primeiro beijo", todas em parceria com Beto Correa e Agepê.
- Em 1988, em seu LP "Canto pra gente cantar", interpretou "À mercê do teu amor", "Flor da minha paixão"e "Deusa do Gantóis", entre outras. Constam ainda como composições da dupla as músicas "Menina dos cabelos longos", "Moça criança", "Mundo bom".
Em 1995, seu samba-enredo "Essa gente bronzeada mostra seu valor" (c/ Agepê e Bira Caboclo), foi cantado na última apresentação do companheiro Agepê na Quadra da Portela.
Obra
À mercê do teu amor (c/ Agepê, Roberto da Lopes e Simões PQD)
À procura da flor (c/ Agepê e Beto Corrêa)
Alegria no ar (c/ Agepê e Totonho)
Dançando forró (c/ Agepê e Pery Cachoeira)
De todas as formas (c/ Agepê e Zé Katimba)
Deusa do Gantóis (c/ Agepê e Pery da Bahia)
Dona do meu ser (c/ Agepê e Beto Corrêa)
Essa gente bronzeada mostra seu valor (c/ Agepê e Bira Caboclo)
Flor da minha paixão (c/ Agepê e Roberto Lopes)
Infinito amor (c/ Agepê e Galhardo)
Inspiração (c/ Agepê e Chiquinho Fabiano)
Louca (c/ Agepê e Beto Corrêa)
Menina dos cabelos longos (c/ Agepê)
Moça criança (c/ Agepê)
Moro onde não mora ninguém (c/ Agepê)
Mundo bom (c/ Agepê)
Musa de Ordonho (c/ Agepê e Totonho)
Na paz do congá (c/ Edil Pacheco)
Ninguém faz amor como você (c/ Agepê e Léo da Vila)
Parece que o tempo não passou (c/ Carlito Cavalcanti e Agepê)
Primeiro beijo (c/ Agepê e Beto Corrêa)
Proeza no coração (c/ Agepê e Totonho)
Bibliografia Crítica
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed.Esteio Editora, 2010.
sábado, 23 de dezembro de 2017
Abraão Valério
Abraão Valério
Hélio Dias Valério
+ 22/12/2017 Rio de Janeiro, RJ
Biografia
Cantor. Compositor. Instrumentista. Passista. Percussionista, tocou em vários espetáculos surdo, pandeiro e tamborim.
O pai, Manoel Dias Valério, funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, era violonista amador, além de tocar pandeiro e berimbau. A mãe, Francisca Dias Valério, teve aulas de canto em Juiz de Fora e atuou em coros de igrejas no Rio de Janeiro.
Ainda menino na década de 1940, levado pelo pai, participava do Bloco Carnavalesco da Dona Belega, no subúrbio de Marechal Hermes.
Na década de 1960, ao lado de Candeia, Joãozinho da Pecadora, Jair do Cavaquinho, Jabolô, Mílton Cebola, Ary do Cavaco, Waldir 59 e Eloy do Bloco Carnavalesco Namorar Eu Sei, entre outros, participou várias vezes do "Pagode no trem", evento criado por Paulo da Portela.
Ainda menino na década de 1940, levado pelo pai, participava do Bloco Carnavalesco da Dona Belega, no subúrbio de Marechal Hermes.
Na década de 1960, ao lado de Candeia, Joãozinho da Pecadora, Jair do Cavaquinho, Jabolô, Mílton Cebola, Ary do Cavaco, Waldir 59 e Eloy do Bloco Carnavalesco Namorar Eu Sei, entre outros, participou várias vezes do "Pagode no trem", evento criado por Paulo da Portela.
Em várias ocasiões, em discos e shows, também assinou com o pseudônimo Abraão da Portela.
A partir do ano de 1976, com os sambas-de-quadra "Rosas vermelhas" e "Sonho de um portelense", passou a integrar a Ala dos Compositores da Portela, sempre conseguindo boas classificações com sambas-enredos de sua autoria nas disputas dentro da escola. No ano seguinte assumiu o cargo de Secretário Geral do Departamento Musical da Portela.
Entre os anos de 1992 e 1993 atuou na Riotur como jurado do quisito "Bateria, harmonia e samba-enredo" nos desfiles das escolas de samba dos grupos 3 e de Acesso apresentados na Avenida Rio Branco.
Ingressou no Serviço Público no SUS (Ministério da Saúde), onde formou-se em Técnico de Endemias, aposentando-se em 1996.
No ano de 1998 estudou artes dramáticas com o professor Paullo de Souza, no Sesc de Madureira, tendo participado da peça "Faz me rir".
Dados Artísticos
Em 1952 defilou como passista e mascote da Escola de Samba Unidos do Indaiá, de Marechal Hermes.
Nos anos 60 desfilou como passista da Escola de Samba Portela.
Em 1976 Jota Ramos interpretou de sua autoria em parceria com Zé Clóvis "Aqui se faz aqui se paga" no LP "Olé do partido alto Volume 4", lançado pela gravadora Tapecar. Neste mesmo ano foi campeão de samba-enredo no Bloco Carnavalesco Carinhoso de Bento Ribeiro, tendo sido o primeiro compositor de bloco a receber "Direito Autoral de Arena". No ano seguinte, também com o pseudônimo Abraão Valério, participou do disco "O plá dos partideiros", lançado pela gravadora EMI-Odeon, no qual interpretou de sua autoria "Quem comeu passou mal" (c/ Arthur Vilarinho) e "Olho no forasteiro", em parceria com Sílvio Cláudio.
No ano de 1980 Dicró gravou "A recepção", parceria de Dicró, Jota Ramos e Abraão da Portela, este último, também um de seus pseudônimos. No ano seguinte, também assinando Abraão da Portela, sua composição "O professor" (c/ Dicró e Jota Ramos) deu título ao disco de Dicró, lançado pela gravadora Continental.
Em 1985 participou ao lado de Baianinho, Gracia do Salgueiro, Anézio, Tião do Cavaco, Luiz Grande, Marinho da Muda e Crioulo Doido, entre outros, do LP "Partido alto já!", no qual interpretou de sua autoria as faixas "O rei da animação" (c/ Carlos Agrícola) e "Nega esperta", em parceria com João Albuquerque.
No ano de 2007 o cantor Ronaldo Pudim, no CD "Revivendo os bons tempos", lançado pela Casa do Compositor Musical, interepretou "Sonho portelense", de Abraão Valério.
Obra
Aqui se faz aqui se paga (c/ Zé Clóvis)
Nega esperta (c/ João Albuquerque)
O professor (c/ Dicró e Jota Ramos)
O rei da animação (c/ Carlos Agrícola)
Olho no forasteiro (c/ Sílvio Cláudio)
Quem comeu passou mal (c/ Arthur Vilarinho)
Sonho portelense
Discografia
(1977) O plá dos partideiros • EMI-Odeon • LP
Shows
Roda de samba do Bloco Carnavalesco Vem Como Pode. RJ.
Roda de samba na Portela. RJ.
Roda de Samba do Guanabarino. (Abraão Valério, Ary do Cavaco, Tião da Portela, entre outros). Clube Guanabarino, RJ.
Lançamento do CD "Revivendo os bons tempos" (vários). Clube Bola Preta, RJ.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Zeca Sereno (Entrevista)
CPB: Nome e idade?
Sereno: José Roberto Marciano dos Santos, 28/02/1954.
CPB: Desde quando você compõe?
Sereno: Comecei em 1982 na SERES Unidos do Cabuçu, passei por Lins Imperial, Caprichosos de Pilares, Santa Cruz e Unidos da Tijuca.
CPB: Além de ter concorrido na PORTELA 2018, nos fale do seu atual momento!
Sereno: Continuar compondo na PORTELA, sambas enredo, de quadra e de meio ano também.
CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você vê o retorno da PORTELA ao seu devido lugar?
Sereno: Merecido.
CPB: Quais os seus planos em relação ao futuro como compositor?
Sereno: Sempre compondo na minha Escola do coração.
CPB: Participar do Concurso de Samba Enredo na PORTELA já é uma honra, visto que se fala da Ala Ary do Cavaco. Diga-nos um pouco sobre tal responsabilidade!
Sereno: Responsabilidade muito grande e prazeirosa.
CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?
Sereno: João Nogueira, Almir Guineto, Clara Nunes, Jovelina e outros mais.
CPB: Na definição de uma obra, quanto a elaboração como você se define? Letra e/ou melodia?
Sereno: Letra.
CPB: Atualmente, o que você, como compositor experiente, falaria aos jovens compositores?
Sereno: Tanta coisas, até porque tenho 2 em casa que já estão compondo comigo.
CPB: Você tem algum sonho?
Sereno: Vários por exemplo ganhar outro, samba na PORTELA.
CPB: Como portelense, o que você espera da PORTELA em 2018?
Sereno: A vigésima terceira estrela!
Desde já, agradecemos a sua participação!
Desde já, agradecemos a sua participação!
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Franco Cava (Entrevista)
CPB: Nome e idade?
Franco: Franco Cava (Francisco Luciano Cava) 52 anos nasci em Madureira no Rio de Janeiro, no dia 1 de março de 1965, ano do Quarto Centenário da Cidade.
CPB: Desde quando você compõe?
Franco: Trabalho com música desde os 17 anos, apresentava e produzia um programa na Rádio Imprensa no Rio, mas acho que escrevi oficialmente a minha primeira música aos 28 anos. Era um samba e era dedicado ao bairro de Madureira.
CPB: Além de ter concorrido na PORTELA 2018, nos fale do seu atual momento!
Franco: Tenho 5 discos gravados dos quais 3 foram lançados na Europa, um deles pela gravadora Universal (Gravadora que abriga artistas como Zeca Pagodinho entre outros) e dois independentes. Gosto de experimentar todos os gêneros. Esse ano uma minha música chegou em primeiro lugar na Itália, somando mais de 5 milhões de visualizações. A música chama-se "Arca de noé" e foi gravada pelo cantor romano "Mannarino" que adaptou um samba enredo que eu perdi na disputa. Estou indo pra Itália colher os frutos desse milagre musical nesses tempos tão difíceis para nos artistas.
CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você vê o retorno da PORTELA ao seu devido lugar?
Franco: Eu sempre vi a Portela como uma Escola vitoriosa, mesmo não tendo bons resultados nos desfiles. Vitoriosa na sua contribuição artística e musical agregando grandes nomes e compositores em eventos musicais o ano inteiro. Zeca, Marisa Monte, Paulinho da Viola (só pra citar alguns nomes) vitoriosa em preservar a sua Velha Guarda. O último grande disco dos nossos baluartes, "Tudo azul", foi gravado em um dos nossos períodos mais nebulosos. Rodas como as da Tia Surica , como as da Tia Doca no passado, o resgate do Trem do Samba capitaneado pela Portela, a Feira das Yabás, o resgate da Portelinha, essas iniciativas fizeram da Portela a campeã do samba no Rio de Janeiro o ano inteiro e não apenas no carnaval, e agora junta-se a todo esse esforço os resultados também nos desfiles, tudo fruto de uma diretoria competente, uma revolução da qual eu fiz parte. Eu sempre digo que tem muitos talentos da minha geração responsáveis por essa Portela vitoriosa. "Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado".
CPB: Quais os seus planos em relação ao futuro como compositor?
Franco: Eu alimento uma grande paixão pela Portela, e as grandes paixões as vezes criam grandes expectativas. Abri mão de escrever para a Portela nos últimos anos justamente pra preservar a pureza dessa paixão pois sempre fica um gosto amargo na boca quando você é excluído de uma disputa. Mas decidi voltar e assumir todos os riscos e quero continuar de uma forma apaixonada e não profissional. Não tenho interesse em uma produção de samba enredo industrial colocando em vários outros lugares, prefiro um trabalho artesanal e daqui por diante apenas para a ala Ary do Cavaco.
CPB: Participar do Concurso de Samba Enredo na PORTELA já é uma honra, visto que se fala da Ala Ary do Cavaco. Diga-nos um pouco sobre tal responsabilidade!
Franco: É sempre muito emocionante pra mim ouvir o nome de uma pessoa que foi muito importante pra minha história dentro da Portela, Ary do Cavaco era um grande amigo e lutou muito por todos nos compositores. Juntos realizemos um disco lindo para a ala de compositores com o hino da Portela cantado por portelenses ilustres. Entrei para a ala graças a uma pessoa muito especial, a tia Dodô , que acreditou no meu talento. No ano seguinte eu já estava na final do concurso disputando com nomes que fazem parte da historia do samba, como Noca, David Correa. Concorrer na Portela é sempre uma responsabilidade, pois, sem desmerecer as outras escolas, é a maior seleção de poetas da cidade.
CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?
Franco: No samba enredo aprendi muito com a espontaneidade e o poder de comunicação dos sambas do David Corrêa, ninguém faz refrões como ele, e sempre me inspirei no lirismo das melodias e letras do Noca. Passagens como as da melodia da primeira do samba "Olhos da Noite" são dignas de Bach. Fora do universo do samba enredo, Paulinho da Viola e Candeia são imbatíveis. Mestres. Mas são tantos talentos que se for falar de todos hoje não vou terminar.
CPB: Na definição de uma obra, quanto a elaboração como você se define? Letra e/ou melodia?
Franco: Sou egoísta! Centralizador mesmo. Tenho problemas nas parcerias com muitos compositores. Gosto de fazer tudo. Mas tento sempre ser permeável, no samba enredo além de estar apaixonado pela Escola é importante estar apaixonado pelo enredo e entender as próprias limitações. Tenho sempre mais dificuldade na parte melódica e procuro parceiros que consigam complementar essa minha lacuna.
CPB: Atualmente, o que você, como compositor experiente, falaria aos jovens compositores?
Franco: É preciso escrever 100 sambas ruins para escrever a obra prima, não tenham vergonha dos sambas que não obtiveram sucesso, pois são esses que fazem a gente evoluir e aprender seguindo sempre em frente.
CPB: Você tem algum sonho?
Franco: Já tive a honra de ver três sambas meus desfilando no sambódromo, mas nunca com a minha escola do coração. Meu sonho é ter um samba meu para o desfile da Portela.
CPB: Como portelense, o que você espera da PORTELA em 2018?
Franco: Espero que vença um samba que traduza o enredo e que exale tolerância, igualdade, acolhimento. A humildade é sempre vencedora, e uma coisa eu aprendi em todos esses anos na Escola é que a Portela é vaidosa mas não é soberba, e que temos uma legião de portelenses apaixonados espalhados pelo mundo mas que temos também uma legião ainda maior de não portelenses que também são apaixonados pela Escola. Espero um desfile ousado, inovador, mas preservando e respeitando os fundamentos da escola.
Desde já, agradecemos sua participação!
Franco: Franco Cava (Francisco Luciano Cava) 52 anos nasci em Madureira no Rio de Janeiro, no dia 1 de março de 1965, ano do Quarto Centenário da Cidade.
CPB: Desde quando você compõe?
Franco: Trabalho com música desde os 17 anos, apresentava e produzia um programa na Rádio Imprensa no Rio, mas acho que escrevi oficialmente a minha primeira música aos 28 anos. Era um samba e era dedicado ao bairro de Madureira.
CPB: Além de ter concorrido na PORTELA 2018, nos fale do seu atual momento!
Franco: Tenho 5 discos gravados dos quais 3 foram lançados na Europa, um deles pela gravadora Universal (Gravadora que abriga artistas como Zeca Pagodinho entre outros) e dois independentes. Gosto de experimentar todos os gêneros. Esse ano uma minha música chegou em primeiro lugar na Itália, somando mais de 5 milhões de visualizações. A música chama-se "Arca de noé" e foi gravada pelo cantor romano "Mannarino" que adaptou um samba enredo que eu perdi na disputa. Estou indo pra Itália colher os frutos desse milagre musical nesses tempos tão difíceis para nos artistas.
CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você vê o retorno da PORTELA ao seu devido lugar?
Franco: Eu sempre vi a Portela como uma Escola vitoriosa, mesmo não tendo bons resultados nos desfiles. Vitoriosa na sua contribuição artística e musical agregando grandes nomes e compositores em eventos musicais o ano inteiro. Zeca, Marisa Monte, Paulinho da Viola (só pra citar alguns nomes) vitoriosa em preservar a sua Velha Guarda. O último grande disco dos nossos baluartes, "Tudo azul", foi gravado em um dos nossos períodos mais nebulosos. Rodas como as da Tia Surica , como as da Tia Doca no passado, o resgate do Trem do Samba capitaneado pela Portela, a Feira das Yabás, o resgate da Portelinha, essas iniciativas fizeram da Portela a campeã do samba no Rio de Janeiro o ano inteiro e não apenas no carnaval, e agora junta-se a todo esse esforço os resultados também nos desfiles, tudo fruto de uma diretoria competente, uma revolução da qual eu fiz parte. Eu sempre digo que tem muitos talentos da minha geração responsáveis por essa Portela vitoriosa. "Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado".
CPB: Quais os seus planos em relação ao futuro como compositor?
Franco: Eu alimento uma grande paixão pela Portela, e as grandes paixões as vezes criam grandes expectativas. Abri mão de escrever para a Portela nos últimos anos justamente pra preservar a pureza dessa paixão pois sempre fica um gosto amargo na boca quando você é excluído de uma disputa. Mas decidi voltar e assumir todos os riscos e quero continuar de uma forma apaixonada e não profissional. Não tenho interesse em uma produção de samba enredo industrial colocando em vários outros lugares, prefiro um trabalho artesanal e daqui por diante apenas para a ala Ary do Cavaco.
CPB: Participar do Concurso de Samba Enredo na PORTELA já é uma honra, visto que se fala da Ala Ary do Cavaco. Diga-nos um pouco sobre tal responsabilidade!
Franco: É sempre muito emocionante pra mim ouvir o nome de uma pessoa que foi muito importante pra minha história dentro da Portela, Ary do Cavaco era um grande amigo e lutou muito por todos nos compositores. Juntos realizemos um disco lindo para a ala de compositores com o hino da Portela cantado por portelenses ilustres. Entrei para a ala graças a uma pessoa muito especial, a tia Dodô , que acreditou no meu talento. No ano seguinte eu já estava na final do concurso disputando com nomes que fazem parte da historia do samba, como Noca, David Correa. Concorrer na Portela é sempre uma responsabilidade, pois, sem desmerecer as outras escolas, é a maior seleção de poetas da cidade.
CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?
Franco: No samba enredo aprendi muito com a espontaneidade e o poder de comunicação dos sambas do David Corrêa, ninguém faz refrões como ele, e sempre me inspirei no lirismo das melodias e letras do Noca. Passagens como as da melodia da primeira do samba "Olhos da Noite" são dignas de Bach. Fora do universo do samba enredo, Paulinho da Viola e Candeia são imbatíveis. Mestres. Mas são tantos talentos que se for falar de todos hoje não vou terminar.
CPB: Na definição de uma obra, quanto a elaboração como você se define? Letra e/ou melodia?
Franco: Sou egoísta! Centralizador mesmo. Tenho problemas nas parcerias com muitos compositores. Gosto de fazer tudo. Mas tento sempre ser permeável, no samba enredo além de estar apaixonado pela Escola é importante estar apaixonado pelo enredo e entender as próprias limitações. Tenho sempre mais dificuldade na parte melódica e procuro parceiros que consigam complementar essa minha lacuna.
CPB: Atualmente, o que você, como compositor experiente, falaria aos jovens compositores?
Franco: É preciso escrever 100 sambas ruins para escrever a obra prima, não tenham vergonha dos sambas que não obtiveram sucesso, pois são esses que fazem a gente evoluir e aprender seguindo sempre em frente.
CPB: Você tem algum sonho?
Franco: Já tive a honra de ver três sambas meus desfilando no sambódromo, mas nunca com a minha escola do coração. Meu sonho é ter um samba meu para o desfile da Portela.
CPB: Como portelense, o que você espera da PORTELA em 2018?
Franco: Espero que vença um samba que traduza o enredo e que exale tolerância, igualdade, acolhimento. A humildade é sempre vencedora, e uma coisa eu aprendi em todos esses anos na Escola é que a Portela é vaidosa mas não é soberba, e que temos uma legião de portelenses apaixonados espalhados pelo mundo mas que temos também uma legião ainda maior de não portelenses que também são apaixonados pela Escola. Espero um desfile ousado, inovador, mas preservando e respeitando os fundamentos da escola.
Desde já, agradecemos sua participação!
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Zé Kéti (Portelenses de Outrora)
Zé Kéti
José Flores de Jesus
Biografia
Compositor. Cantor.
Cantou o samba, as favelas, a malandragem e seus amores. Nasceu no bairro de Inhaúma, em 16 de setembro de 1921, embora tivesse sido registrado, em 6 de outubro.
Em 1924, foi morar em Bangu na casa do avô, o flautista e pianista de João Dionísio Santana, que costumava promover reuniões musicais em sua casa, das quais participavam nomes famosos da música popular brasileira como Pixinguinha, Cândido (Índio) das Neves, entre outros. Filho de Josué Vale da Cruz, um marinheiro que tocava cavaquinho, cresceu ouvindo as cantorias do avô e do pai. Após a morte do avô, em 1928, mudou-se para a Rua Dona Clara.
Mudou-se para Bento Ribeiro em 1937 e, logo depois, passou a freqüentar a Portela por intermédio do compositor Armando Santos, diretor da escola.
Em 1940, ingressou na Polícia Militar, onde serviu por três anos.
Em 1945, entrou para o grupo de compositores da Portela - que ainda não era estruturado como "ala" - escola que mais tarde assumiu como a sua de coração.
Em 1950, afastou-se da escola por problemas em relação à autoria de algumas composições e foi para a União de Vaz Lobo (1954), só retornando à Portela no início da década de 1960. Em 1960, abriu uma barraca de peixes na Praça Quinze, em sociedade com Luiz Paulo Nogueira, filho do senador udenista Hamilton Nogueira. Foi responsável pela revitalização do samba, na época em que surgiu a bossa nova. Zé Quietinho ou Zé Quieto eram os seus apelidos de infância. Quieto virou Kéti porque a inicial K do nome artístico era a letra que na época era vista como de sorte, nomeava estadistas como Kennedy, Krushev e Kubitscheck. O próprio sambista divulgou a versão numa de suas falas do Show Opinião, estrelado por ele de 1964 a 1965 ao lado de Nara Leão e João do Vale.
No início dos anos 1970, separou-se da segunda mulher - com a primeira teve cinco filhos - e foi para São Paulo.
Nesta época, tinha uma firma de reforma de prédios, a Ortensur. Além disso, acumulava os cargos de funcionário público e representante de um laboratório farmacêutico.
Em 1974, criou o serviço de transportes marítimos São Gonçalo - Paquetá, através da Marketti Transportes Marítimos LTDA. Em 1987, no início de julho, teve o primeiro derrame cerebral. Fixou residência em São Paulo, no bairro da Consolação, morando com o filho José Carlos. Em 1995, voltou para o Rio e foi morar com uma das filhas. Continuou compondo, cantando e lançou um disco. Em janeiro de 1999, recebeu a placa pelos 60 anos de carreira na roda de samba da Cobal do Humaitá. Em agosto, com a morte de sua ex-mulher, entrou em profunda depressão. Morreu a 14 de novembro, aos 78 anos, de falência múltipla dos órgãos.
Dados artísticos
Em 1939, foi pela primeira vez ao Café Nice, levado pelo compositor Luiz Soberano. O Nice era na época o ponto de reunião da vida artística carioca. Lá conheceu Lúcio Batista, Geraldo Pereira e Francisco Alves.
Entre 1940 e 1943, compôs sua primeira marcha carnavalesca: "Se o feio doesse". Em 1946, teve sua primeira composição gravada, o samba "Tio Sam no samba", parceria com Felisberto Martins, Vocalistas Tropicais na Odeon.
Em 1947, Cyro Monteiro gravou na RCA Victor o samba "Vivo bem", parceria com Ari Monteiro.
Em 1951, obteve seu primeiro grande sucesso com o samba "Amor passageiro", parceria com Jorge Abdala gravado por Linda Batista na RCA victor. No mesmo ano, seu samba "Amar é bom", parceria com Jorge Abdala foi gravado na Todamérica pelos Garotos da Lua.
Em 1952, Os Vocalistas Tropicais gravaram seu samba "Tra-la, la, lá", parceria com Felisberto Martins.
Em 1954, ainda trabalhando na construção civil como mestre de obras, sob as ordens do incorporador de prédio André Spitzman Jordan, construtor do célebre Edifício Chopin ao lado do Copacabana Palace, fez sucesso com "Leviana", samba em parceria com Amado Régis gravado por Jamelão na Continental.
Em 1955, sua carreira começou a deslanchar quando seu samba "A voz do morro", gravada por Jorge Goulart e com arranjo de Radamés Gnattali, fez enorme sucesso na trilha do filme "Rio 40 graus", de Nelson Pereira dos Santos. Neste filme, trabalhou também como segundo assistente de câmera e ator.
Em 1956, Marlene gravou seu samba "Samba rasgado", que fazia apologia ao samba. No mesmo ano, Hélio Chaves lançou um disco na Mocambo com duas composições suas: "A voz do morro", em uma de suas primeiras regravações e "Assim é o morro".
Em 1957, a mesma Marlene gravou outro samba, "Quero sambar", que também fazia exaltação ao samba. No mesmo ano, os sambas "Malvadeza Durão" e "Foi ela" foram incluídas no filme "Rio Zona Norte", do diretor Nelson Pereira dos Santos.
Em 1958, seu samba canção "Flor do lodo" foi gravado por Jorge Goulart na RCA Victor. O mesmo samba foi incluído na trilha sonora do filme "O Grande Momento", de Roberto Santos. Ainda em 1958, teve gravados os sambas "Desprêzo", parceria com Moreira da Silva, pelo próprio Moreira da Silva e "Carinho diferente", com Benil Santos, por Gazolina, ambos na Odeon.
Em 1959, o sambista paulista Germano Matias gravou o samba "Malvadeza Durão" na RGE, música que seria regravada com sucesso por Elizeth Cardoso na década de 1960 no LP "Elizeth sobe o morro".
Em 1960, seus sambas "Não sou feliz", parceria com Nelson Cavaquinho; "A voz do morro" e "Lamento de um sambista" foram gravados por Jorge Goulart no LP "Eu sou o samba" da RCA Victor.
Em 1962, teve músicas incluídas na trilha sonora do filme "O Boca de Ouro", de Nelson Pereira dos Santos. No mesmo ano, junto com Cartola, Nélson Cavaquinho, Joacir Santana, Armando Santos e Ventura, participou de um programa na TV Rio com Sérgio Cabral. Foi como um ensaio para o que seria o conjunto "A Voz do Morro". A formação definitiva do conjunto aconteceu em 1963, com Paulinho da Viola, Élton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescarzinho do Salgueiro, Nelson Sargento, Oscar Bigode e José da Cruz. No ano seguinte, o conjunto gravou o LP "Roda de Samba". Nessa época, participou das atividades musicais do Zicartola, restaurante de Cartola e Dona Zica, do qual foi diretor musical. O Zicartola atraía sambistas, artistas, intelectuais e a burguesia da Zona Sul carioca. Ali conheceu Carlos Lyra (na época diretor da UNE), com quem compôs "Samba da legalidade", apresentando estes a Nélson Cavaquinho, Élton Medeiros e outros bambas. Com este grupo participou também da luta pelos direitos autorais. Nara Leão, que o conheceu neste bar, gravou "Diz que fui por aí", em seu primeiro disco solo. Acabou se tornando uma ponte entre os sambistas e a intelectualidade.
Em 1964, Ao lado de Nara Leão e João do Vale apresentou-se no Show Opinião, um dos primeiros gritos artísticos de protesto contra o regime militar. Neste show, lançou os sucessos "O Favelado", "Nega Dina" e "Opinião". Este samba inspirou os nomes de um jornal, de um teatro, do grupo que encenou a peça e do segundo elepê de Nara, lançado no final de 1964. No ano seguinte, lançou "Acender as velas", considerada uma de suas melhores composições. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964; desmistificando a beleza do morro, a letra possui um impacto muito forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Além de Nara Leão, Elis Regina também obteve enorme sucesso com a gravação desta música. Também em 1964, gravou pelo selo Rozemblit um compacto simples que tinha a música "Nega Dina". Nessa mesma época, recebeu o troféu Euterpe como o melhor compositor carioca e, juntamente com Nelson cavaquinho, o troféu O Guarany, como melhor compositor brasileiro. Em 1965, teve músicas incluídas na trilha sonora do filme "A Falecida", de Leon Hirszman. No mesmo ano, foi lançado pela Musidisc o segundo LP do grupo "A voz do moro".
Em 1966, fez parte da trilha sonora do filme "A Grande Cidade", de Carlos Diégues. No mesmo ano, foi lançado "Os sambistas", pela RGE terceiro e último do grupo "A voz do morro".
Em 1967, a marcha "Máscara negra", gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira, foi a música vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional. Embora fosse vítima de processo judicial, promovido por Pereira Mattos em relação à autoria do samba, a música veio a ganhar o Carnaval, sendo a mais executada. Numa época em que a música carnavalesca tradicional saía de moda, o sucesso de "Máscara negra" pode ser considerado uma façanha. Tal sucesso gerou uma polêmica em torno da co-autoria da música, que seria de Deusdedith Pereira Matos e não de seu irmão Hildebrando. Em dezembro deste ano, venceu o 2º Concurso de Músicas de Carnaval, no Maracanãzinho, quando um grande juri de especialistas, presidido também por R. C. Albin, então diretor do MIS, escolheu sua música "Amor de Carnaval", que, contudo, não obteve a mesma repercussão da música anterior. Em 12 de fevereiro de 1968, foi eleito Cidadão Samba. Em maio do mesmo ano, "Foi ela" classificou-se na 1ª Bienal do Samba; mas, sob a alegação de não ser inédita, acabou desclassificada. Neste ano, o cantor Paulo Marquez gravou um disco que se chamou "Diz que fui por aí", em sua homenagem.
Em 1969, venceu o Carnaval como intérprete da marcha-rancho "Avenida iluminada". No início da década de 1970, fazia parte da Ala dos Compositores da Portela ao lado de Monarco, Candeia, Paulinho da Viola, João Nogueira, Wilson Moreira, entre outros. Ainda em 1970, Paulinho da Viola fez sucesso com seu samba "O meu pecado".
Em 1971, lançou o LP Os Grandes Sucessos de Zé Kéti com o conhecido samba "Drama Universal". Abandonou a Portela em 1973, por causa da classificação de seu samba, que então perdeu a disputa para o enredo "O Mundo Melhor de Pixinguinha", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. No mesmo ano, lançou o LP "Zé Kéti", com destaque paras as músicas "Antigamente era assim", "Mascarada"; "Meu pecado" e "Nega Dina".
Em 1975, participou com Bibi Ferreira da remontagem do show "Opinião" com as participações de João do Vale e Marília Medalha.
Em 1976, mudou-se para São Paulo onde freqüentemente apresentava-se em shows, entre os quais, o espetáculo "Eu sou o samba ", na Boate Jogral. No mesmo ano, ganhou da Riotur o premio de melhor compositor carnavalesco com o samba "Amor e fantasia".
Em 1979, lançou pela Continental o LP "Identificação", cuja capa reproduz um documento seu de identidade, com composições inéditas, com destaque para "Tamborim", com Mourão Filho; "Feijão malandrinho", com José Carlos Rego; "Eu vou para a Bahia", com Ramos e "Meus cabelos brancos", com Geraldo Gomes.
Em 1982, lançou novo disco, desta vez pelo selo Itamaraty, no qual relançou antigos sucesso como "Acender as velas", "Peço licença", "Malvadeza Durão" e "Drama universal". Em 1990, estreou o show "Estamos Vivos - Uma Questão de Opinião", em São Paulo.
Em 1993, escreveu e montou com a colaboração da poetisa Maria da Penha Varella o espetáculo "Opinião Pública", encenado em maio, no Centro Cultural Jabaquara. Voltou para o Rio em 1994. No ano seguinte, recebeu o troféu na Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro.
Em 1996, lançou o CD "75 Anos de Samba", com participação de Zeca Pagodinho, Monarco, Wilson Moreira e Cristina Buarque. Este CD foi produzido por Henrique Cazes, com quatro músicas inéditas e vários sucessos antigos. Nesse mesmo ano, subiu ao palco com Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela e interpretou com enorme sucesso alguns clássicos do samba, como "A voz do morro" e "O mundo é um moinho", de Cartola, entre outros. Recebeu, ainda, a medalha Pedro Ernesto nas comemorações dos 30 anos do Teatro Opinião.
Em 1997, o cantor Zé Renato lançou, com muito sucesso, o disco "Natural do Rio de Janeiro", com 14 músicas suas, gravadas com assistência de Élton Medeiros. Neste ano, completou 60 anos de carreira e foi homenageado com o show "Na Casa de Noca", na Gávea, Rio de Janeiro. Ainda em 1997, recebeu da Escola de Samba Portela um troféu em reconhecimento pelo seu trabalho e participou da gravação do disco Casa da Mãe Joana.
Em 1998, ganhou o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra: mais de 200 músicas. Nesta noite foi homenageado por muitos músicos da Portela, entre eles, Paulinho da Viola, Élton Medeiros, Monarco e a própria Velha Guarda, em show dirigido por Sérgio Cabral e encenado, em noite única, no Canecão do RJ.
Em 2001, em comemorações aos 80 anos de seu nascimento foi homenageado com o lançamento de uma minibiografia sua assinada por Nei Lopes para a coleção "Perfis do Rio". No mesmo ano, foi homenageado durante um mês pelo Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro com quatro shows revisitando sua obra: "Zé Kéti e o cinema", com Dona Ivone Lara e Zé Renato; "Zé Kéti: Um sambista de 4 opinião e Zicartola", com Noca da Portela e Marília Medalha; "Zé Kéti e a boemia", com Elton Medeiros e Tereza Cristina e "Zé Kéti: A voz domorro", com a Velha Guarda do Império Serrano. Foi apresentada ainda a exposição "Diz que fui por aí", com fotos de sua vida e carreira.
Em 2007, sua obra foi relembrada com o lançamento de um DVD do programa "Ensaio" apresentado por Fernando Faro na TVE. Foi também o grande homenageado pelo prêmio Tim de Música. Na ocasião foram interpretados clássicos de sua autoria. Milton Nascimento cantou "Opinião", Negra Lee e Elton Medeiros cantaram em dueto "Acender as velas" e "Leviana", e Gilberto Gil empolgou a platéia ao cantar "A voz do morro". No encerramento, Lenine e Roberta Sá cantaram a marcha "Máscara Negra".
Em 2011, foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras dentro do projeto "MPB na ABL" com o espetáculo "Opinião" apresentado pelo grupo Samba de Fato com a participação especial do cantor Zé Renato. Na ocasião foram interpretadas sua composições "Opinião"; "Acender as velas"; "Em tempo"; "Coisa com coisa"; "Leviana"; "Peço licença"; "Amor passageiro", com Jorge Abdala; "Diz que fui por aí"; "Meu pecado"; "Sorri", com Elton Medeiros; "Madrugada"; "Malvadeza Durão"; "Foi ela"; "Mascarada", com Elton Medeiros; "Nega Dina"; "Máscara negra" e "Voz do morro". Também em 2011, por ocasião das comemorações dos seus 90 anos de nascimento foi homenageado com o espetáculo musical "Zé Kéti - Eu sou o samba", com texto de Maria Helena Kuuhner e direção de Sergio Fonta. O espetáculo passou pela Sala Baden Powell, Academia Brasileira de Letras e Sesc-Tijuca, além de apresentações pelo interior do estado.
Em 2013, o espetáculo "Zé Kéti - Eu sou o samba" retornou ao cartaz para apresentação única no Teatro Rival BR. Em 2014, em comemoração aos seus 93 anos de nascimento foi homenageado com um show no Cordão do Bola Preta, que contou com a presença de, entre outros, o sambista Noca da Portela, interpretando sucessos como "Nega Dina" e "Diz que fui por aí".
Obra
A Felicidade vem depois
A Voz do morro
Acender as velas
Adeus à Velha
Amar é bom (c/ Jorge Abdala)
Amor de carnaval
Amor e fantasia
Amor passageiro
Antigamente era assim
As moças do meu tempo
Assim é o morro
Bálsamo da vida
Bloco do lá e cá
Bó-dó
Bola branca
Brincando com a bateria
Cabo José
Cai no samba
Caranguejo
Carinho diferente (c/ Benil Santos)
Carnaval, amor e fantasia
Choro sim
Churrasquinho
Chuva de prata
Cicatriz (c/ Hermínio Bello de Carvalho)
Clementina de Jesus
Coisa com coisa
Companheira (c/ Dabliu Namor)
Dama da noite
Dama de ouros
Decepção
Despedida de solteiro
Desprezo
Desquite
Diz que fui por aí (c/ Hortêncio Rocha)
Drama universal
Egoísmo
Em tempo
Esta favela que eu amo
Eu vou para a Bahia (c/ Ramos
Eu vou partir
Fantástico
Favela dos meus amores
Feijão malandrinho (c/ José Carlos Rego)
Flor do lodo
Foi ela
Força branca
Francês no samba
Garotos de rua
Gracinha
Injúria
Jaqueira da Portela
Justiça
Lamento de um sambista
Lei trabalhista
Leviana
Linhas cruzadas (c/ Carlos Santos)
Madrugada
Mágoa de sambista
Mais meia hora
Malvadeza Durão
Marcha da democracia
Marcha do Rio 40 Graus
Maria
Maria da Penha
Máscara negra (c/ Hildebrando Pereira Matos)
Mascarada (c/ Élton Medeiros)
Meus cabelos brancos (c/ Geraldo Gomes)
Mexi com ela
Motorista de praça
Mulato certo
Não sou feliz (c/ Nélson Cavaquinho)
Natalino José do Nascimento
Nega Dina
No meio da lua
Noite de amor
Nós vamos assim
Nosso carnaval
Novo amor
O Assalto
O Favelado
O Meu pecado
O samba não morreu
Onde o Rio é mais carioca
Opinião
Peço licença
Poema de botequim
Ponte aérea
Portela feliz
Praça 11, berço do samba
Prece de esperança
Psiquiatria (c/ Élton Medeiros)
Quatrocentos anos de favela
Quero sambar
Regenerado
Resignação
Romance proibido
Rugendas
Samba da coroa
Samba da legalidade (c/ Carlos Lyra)
Samba original (c/ Élton Medeiros)
Samba rasgado
Samba, samba, samba
Sambando em Paris
Se o feio doesse
Seresteiro
Sorri
Tamborim (c/ Mourão Filho)
Tarde demais (c/ Monarco)
Tempo perdido
Tio Sam no samba (c/ Felisberto Martins)
Todo ano é assim
Tra-la-la-lá
Tubinho
Turma do arrastão
Último momento
Venenos
Vigarista de terreiro
Viver
Vivo bem (c/ Ari Monteiro)
Você não está com nada (c/ David Raw)
Você não foi legal (c/ Celso Castro)
Volks verde
Vou dizer-te adeus
Zé da madrugada
Discografia
(1997) Zé Kéti
(1996) 75 Anos de Samba • Rio Arte Musical • CD
(1982) Zé Kéti • Itramaraty • LP
(1979) Identificação • Continental • LP
(1973) Zé Kéti • LP
(1971) Os Grandes Sucessos de Zé Kéti • CID • LP
(1964) A Voz do Morro • Musidisc • LP
(1964) Nega Dina • Rozemblit • Compacto simples
Shows
Estamos Vivos - Uma Questão de Opinião (c/ Deivy Rose). Direção de Luiz Carlos Bahia, SP.
Bibliografia Crítica
AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
LOPES, Nei: Zé Kéti. Coleção Perfis do Rio. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000.
MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.
SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 2. São Paulo: Editora: 34, 1999.
Crítica
Atento ao seu povo e ao seu tempo, o poeta Zé Kéti mostrou-se um verdadeiro cronista. Vistos principalmente de cima do morro, problemas do Rio e do Brasil foram registrados em seu canto. Não nasceu no morro, mas teve oportunidade de ali viver por um tempo, ou mesmo sempre frequentar.
Assim, passa a compreender aquele universo marginalizado. Em “Acender as velas”, por exemplo, denuncia a miséria que matava as crianças, em vista da desassistência e dificuldades.
“É mais um coração/ Que deixa de bater/
Um anjo vai pro céu (...) O doutor chegou tarde demais/ Porque no morro/
Não tem automóvel pra subir/ Não tem telefone pra chamar/ E não tem beleza
pra se ver/ A gente morre sem querer morrer”. É claro que hoje o morro não
é bem assim. Os problemas são outros. No samba “Os Tempos Mudaram”, samba
feito há mais de 15 anos, Zé Kéti denuncia a criminalidade, que, aliás,
persiste: “Já não se pode andar nas ruas da cidade/ Meu povo está com
medo/ Do Rio de Janeiro antigo só saudade/ (...) Meu samba está de luto/
Envergonhado com a criminalidade.” Mas não fica só no Rio: “Qualquer
cidade grande/ Sofre do mesmo mal/ Na Avenida São João/ No cruzamento da
Ipiranga/ Os trombadinhas vão correndo/ Do policial/ Até chegar a
marginal” E termina: “De norte a sul do meu país/ Não há mais coração
feliz/ O rico assalta por vaidade/ Na impunidade/ E o pobre por
necessidade.” Precisa dizer mais alguma coisa? São muitas a crônicas
deixadas por esse sambista, sensível e muito ligado ao mundo que o
cercava. Esses dois sambas aqui mostrados são parcos exemplos, mas que dão
bem a grandiosidade desse poeta-cidadão.
Pecê Ribeiro
Um anjo vai pro céu (...) O doutor chegou tarde demais/ Porque no morro/
Não tem automóvel pra subir/ Não tem telefone pra chamar/ E não tem beleza
pra se ver/ A gente morre sem querer morrer”. É claro que hoje o morro não
é bem assim. Os problemas são outros. No samba “Os Tempos Mudaram”, samba
feito há mais de 15 anos, Zé Kéti denuncia a criminalidade, que, aliás,
persiste: “Já não se pode andar nas ruas da cidade/ Meu povo está com
medo/ Do Rio de Janeiro antigo só saudade/ (...) Meu samba está de luto/
Envergonhado com a criminalidade.” Mas não fica só no Rio: “Qualquer
cidade grande/ Sofre do mesmo mal/ Na Avenida São João/ No cruzamento da
Ipiranga/ Os trombadinhas vão correndo/ Do policial/ Até chegar a
marginal” E termina: “De norte a sul do meu país/ Não há mais coração
feliz/ O rico assalta por vaidade/ Na impunidade/ E o pobre por
necessidade.” Precisa dizer mais alguma coisa? São muitas a crônicas
deixadas por esse sambista, sensível e muito ligado ao mundo que o
cercava. Esses dois sambas aqui mostrados são parcos exemplos, mas que dão
bem a grandiosidade desse poeta-cidadão.
Pecê Ribeiro
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