sábado, 22 de junho de 2013

Luis Carlos Magalhães

 


 
Entrevista com o Diretor Cultural da PORTELA
 
CPB: Nome e idade?
 
Luis Carlos Magalhães. Tenho mais de sessenta. E não fiz este ano, não...
 
CPB: Fale um pouco sobre você.
 
Sou carioca, advogado, 3 filhos (sendo um de 2 anos), tricolor, menino de zona norte (Lins de Vasconcelos), estudante do Pedro II, filho de mãe supercarnavalesca, influenciado pelos carnavais da Unidos do Cabuçu e do carnaval de rua de Vila Isabel onde morava a família de meu pai. Tenho o coração multifacetado em relação às escolas. A Unidos do Cabuçu, minha formação, meus amigos do morro e do futebol iam lá em minha casa mostrar a fantasia pra minha mãe. Os passistas fantásticos. A Mangueira era a escola grande mais próxima de minha casa. Podíamos até voltar a pé em uma época em que, por ali, todo mundo era Mangueira. E a Portela que foi me conquistando ao longo da vida, de minha maturidade como homem, por sua história, por seus líderes, seus compositores E ainda tinha a Vila, o Império e o Salgueiro, que frequentávamos muito. Mas nunca me interessei por fazer algo mais sério no universo do samba e do carnaval. Só mais tarde, já formado, fui procurador da Caixa Econômica Estadual de São Paulo, conhecendo profundamente o interior de São Paulo pude perceber e vivenciar a força que tinha o samba carioca. Mas foi o livro da Marília Barbosa e Ligia Santos sobre o Paulo da Portela e os discos gravados por Cristina Buarque e os sambas de Monarco falando do Paulo que me tornaram Portelense. Nunca pretendi e nem procurei ser diretor do Depto Cultural. Só aceitei quando soube que a PORTELAWEB e as torcidas aprovaram e indicaram meu nome e sabendo que Monarco abençoou meu nome.
 
CPB: Como portelense, como você está vendo este novo momento portelense?
 
Acho que é um dos momentos mais importantes em uma história repleta de momentos importantes. A escola vivia um momento tão negativo que se a situação perdurasse a crise, a ruptura seria inevitável. Era o confronto claro entre a Portela dos portelenses e a Portela aprisionada por um colégio eleitoral diminuto que em momento nenhum a representou. Do futuro nada sabemos, mas o que vemos é a atual direção fazer tudo certo, com a melhor das intenções. Uma diretoria com membros que amam a escola e dispostos a dar grande parte de suas energias para trazer de volta a Portela de seus melhores dias. O dia da vitória e a primeira feijoada podem ser inscritos entre os mais vibrantes dias de nossa escola.
 
CPB: Fale de sua experiência no mundo do samba.
 
Eu jogava futebol bem, quando criança. Morava em um lugar cercado de morros: Morro do Amor, Encontro, Barro Preto, Barro Vermelho, Árvore Seca, Cachoeirinha e Cachoeira Grande. Meu pai era funcionário público e morávamos em um conjunto de classe média. Eu tinha muito contato com meninos negros e tinha uma segunda família ali no local, também negra. Meu pai era do Partido Comunista e tinha também grande identidade social e cultural com negros. E uma mãe foliona do carnaval, aí foi um pulo. Desfilei algumas vezes pela Cabuçu também. Só consegui ser campeão uma vez com a Mangueira de Chico Buarque, acho que em 1998. Frequentei muitos ensaios, muitas disputas de sambas-enredo, me apaixonei algumas vezes por aquelas garotinhas de classe média que começavam a frequentar o Salgueiro no Clube Maxwell. Muitos, mas muitos mesmo, momentos de alegria no RENASCENÇA ao tempo em que morava fora do Rio. Ali era o único lugar em que podíamos em um único sábado ouvir todos os sambas vencedores, de todas as escolas. Hoje isto é comum, mas naquele tempo não era. Depois morei fora do Rio muito tempo. Quando voltei me meti em produção. Fiz um show no Centro Cultural Carioca com Camunguelo e Vó Maria, viúva do Donga; fiz um chamado “MULHERES CANTAM CANDEIA”, também no Centro Cultural, com Surica, Aurea Maria, ambas da nossa Velha Guarda, e a então iniciante Teresa Cristina. E o que mais gostei foi um espetáculo com os antigos casais de mestres-sala e porta-bandeiras, com narração de Haroldo Costa e sambas cantados por Rixa. Foi a única vez que Vilma dançou com Delegado. Delegado com Dodô; Delegado com Selminha ente outros casais.
 
Na época do centenário do Paulo da Portela fizemos um filme “SEU NOME NÃO CAIU NO ESQUECIMENTO” com Manoel Dionísio no papel principal. Participações de Tinhorão, Sergio Cabral, Paulinho da Viola, D. Neném do seu Manacéa, Monarco, seu Jair,Cristina Buarque,Marquinhos de O. Cruz, Teresa Cristina, Dorina, Velha Guarda, narrado por Haroldo Costa, direção de Dermeval Neto, produção minha e de João Baptista Vargens, com consultoria de Carlos Monte, Marília Barboza, Ligia Santos. Ali tem a última entrevista dada por seu Armando Santos e foi dada a mim pouco antes de sua morte. Refizemos o túmulo abandonado do Paulo no cemitério de Irajá, com mármore preto e a inscrição na lápide: “AQUI JAZ O MAIOR DE TODOS OS BAMBAS”. Toda a dignidade que merecia.
 
Participei intensamente como coordenador de um movimento pela revitalização dos blocos da Avenida Rio Branco. Fortalecimento do Cacique, do Bafo, Clube do Samba, Bola Preta e tantos outros, inclusive o renascimento do Bohêmios de Irajá que estava sem sair havia dez anos. Também nos primeiros carnavais do “Rancho Flor do Sereno” lá do BIP iniciativa do Alfredinho e do Elton Medeiros. Como folião participei do momento de renascimento dos blocos da cidade integrando o bloco MIS A MIS de Marília Barbosa. Participei da equipe de produção das rodas de samba do Museu Da Imagem e do Som, produzidas por Marília Barbosa. Participei por mais de dez anos da equipe de produção do Pagode do Trem de Marquinho de Osvaldo Cruz.
 
Comecei a ser convidado a participar de programas de rádio de Miro Ribeiro e João Estevan. Tive, e ainda tenho, um programa na rádio MEC exclusivamente sobre blocos de carnaval, pioneiríssimo, desde 2001. Faço discos-piratas-do-bem em casa reunindo obras desprezadas pela discografia oficial e pelo mercado. Coletâneas sobre as obras de Paulo da Portela e Walter Rosa, só para ficar com os Portelenses. Depois fui convidado para ser colunista no site de carnaval do jornal O DIA, com a coluna Memória da Folia, no ODIANAFOLIA. Dali fui para o SRZD e de lá para o www.carnavalesco.com.br onde estou até hoje. Participo como convidado de debates na rádio Globo e no Programa Madrugada na Globo como radialista Robson Aldir. Hoje integro o time da equipe de carnaval da Radio Tupi comandada por Eugênio Leal. Sou ainda colunista da revista ROTEIRO DOS DESFILES, com a coluna PETELECOTECOS DA FOLIA e da Revista do prêmio PLUMAS E PAETÊS. E ainda fui e sou professor de cursos voltados para o carnaval em nível de pós-graduação.
 
CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?
 
Acho que Cartola é o Pelé do samba. E o Nelson Cavaquinho o Garrincha. Mas meu ídolo maior é Paulo da Portela, o maior de todos os bambas. Monarco adora contar o que Cartola sempre lhe dizia: “Eu (Cartola) fiz muito pelo samba e pela Mangueira, mas Paulo fez por todos nós”. E como referência de intelectuais tenho Tinhorão, Sergio Cabral e Marília Barbosa.
 
Como lideranças são, além de Paulo, Natal, Lino Manoel dos Reis, (o mais injustiçado), Mano Elói, Hilário Jovino e Ciata, Heitor, Saturnino (pai da Neuma), Candeia. Toda a turma do Estácio e, fora do carnaval, o insuperável Noel Rosa. Dos que estão vivos são Monarco, Paulinho da Viola e Cristina Buarque.
 
CPB: Defina o que é ser Diretor Cultural, sua importância num todo para a Escola.
 
Esta resposta vale para esta e para a pergunta seguinte. Eu tenho a visão de que no universo do samba, de sua formação e desenvolvimento, a Portela é a Grécia, desenvolveu e desempenhou idêntico papel que a Grécia para a história da humanidade. A Mangueira é formidável, insuperável em alguns aspectos e seu papel é importantíssimo. Assim o Império e o Salgueiro, mas a Portela é a Grécia. Os Portelenses do passado sabem disso; os de minha geração muitos sabem. Nosso papel como depto cultural é mostrar isto aos novos Portelenses e aos sambistas em geral que não sabem. E não vai aí nenhuma arrogância, juro que não. Cada escola tem sua história que é a mais linda e a mais importante segundo a paixão de cada um. É isto que revigora os desfiles. Nosso papel, no entanto é outro, repito, sem nenhuma arrogância. Acho que a Portela está longe de ser uma escola que protagonize o carnaval hoje, este espaço do protagonismo é tarefa para o presente e para o futuro, e nossa diretoria já está cuidando disso. O Depto cultural tem que mostrar a Grécia que somos. Os projetos, todos serão nesse sentido, nessa direção.
 
CPB: A PORTELA completou 90 anos de existência, possui uma história de glórias! Existe algum projeto para mostrar tal importância?
 
...
 
CPB: Você pensa em parceria para poder desempenhar sua função na PORTELA?
 
Todas, nestes primeiros dias temos a parceria interna da PORTELAWEB, que já tem um enorme acervo de primeiríssima, temos já parceria com a UERJ, inclusive com um projeto já em curso, parceria com o Parque de Madureira, além de parcerias com pessoas como Rildo Hora que é hoje o produtor mais festejado do samba, parceria com Alfredo Galhões, músico da banda do Zeca Pagodinho, alem de Paulinho da Viola que mostrou grande entusiasmo na feijoada, Marília Barbosa, biógrafa de Paulo da Portela, e João Baptista Vargens, biógrafo de Candeia, de Monarco e da Velha Guarda.
 
CPB: Para você, o que é ser PORTELA?
 
Ser Portela é ter o orgulho maior de ser Portela. É desfilar, é passear nos ensaios técnicos, é receber amigos na feijoada com a autoestima tão alta como o alcance do voo da águia. Sem empáfia, sem arrogância...mas com a autoestima que muito Portelense estava perdendo de tanto que era zoado. Ser Portela é vestir seu filho de Portelense no desfile dos Timoneiros. É cantar os sambas do Chico Santana, do Manacéa, do Alvarenga, do Candeia, do seu Jair, do seu Argemiro e tantos outros orgulhosos de que nossa escola é muito maior que um desfile de carnaval. Mostrar que samba é uma coisa e carnaval é outra, e que somos bons em tudo. É ficar arrepiado quando lemos na quadra que (...) aqui deu frutos...), ouvir no esquenta que (...) A majestade do samba, chegou, chegou (...).
 
CPB: Dentro do Mundo do Samba, você tem algum sonho?
 
Muito maior que ver a Portela campeã, é ver a Portela exibir nos desfiles seus fundamentos, desfilar com cada um de seus componentes dizendo assim: “aqui é uma escola de samba; aqui estamos cantando e dançando o samba...a história de nossas próprias vidas, de nossos pais, nossos avós, nossos filhos e netos”. Ver a escola exibindo seus passistas, suas incomparáveis porta-bandeiras, sua bateria formidável sempre e, tão importante quanto: continuar sendo insuperável em cada uma das rodas de samba do Brasil afora, com seus sambas das novas e das antigas gerações.
 
CPB: O que você espera desta nova PORTELA para 2014?
 
Que ela seja absolutamente fiel às propostas que levou aos Portelenses. Que continue sempre a trilhar esse caminho que escolheu. Que cosiga sanear as finanças da escola, ganhar muitos carnavais e, o mais importante, mostrar que a Portela está além do carnaval, que é muito mais que uma escola-de- samba-que-só-desfila. Que é a majestade do samba.
 
O COMPOSITORES DA PORTELA BLOG agradece sua participação!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Paulinho do Ouro

 
Entrevista com o Diretor de Barracão da PORTELA

CPB: Nome e idade?
Pedro Paulo Martins, 65 anos.
CPB: Fale um pouco sobre você?
Uma pessoa que procura ser fiel e leal em seu trabalho.
CPB: Como portelense, como está sendo o seu retorno à PORTELA?
Sempre digo, que não posso morrer sem ver a Portela campeã de novo e agora tenho a certeza que nunca estive tão perto de realizar este sonho e ainda participar diretamente dele!
CPB: Fale de sua experiência no mundo do samba.
Não acredito muito em experiencia. Acho que a cada ano as coisas se renovam! Acredito muito em capacidade!
CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?
Romildo, Cartola, Candeia, Monarco, Jair do Cavaquinho, Paulinho da Viola e toda Velha Guarda da Portela.
CPB: Defina o que é ser Diretor de Barracão, sua importância num todo para a Escola.
Um diretor de Barracão nada mais é do que um administrador. Tem que ter uma boa agenda e credibilidade para chamar os bons profissionais para trabalhar no seu barracão.

CPB: O que você pode falar para um iniciante na sua função?

Acho de uma importância muito grande a minha função. Já tive experiência como empresário e procuro usar o que aprendi como tal.

CPB: Para você, o que é ser PORTELA?

Seita, religião ou coisa parecida.

CPB: Mesmo sendo veterano em sua função, você tem algum sonho?

Uma pessoa sem sonho é uma pessoa morta, portanto tenho sim... Portela Campeã!

CPB: O que você espera desta nova PORTELA 2014?

Levo muita fé na nova direção da escola, acho que tanto o Serginho como o Marcos Falcon têm muita credibilidade, e é o que mais precisamos no momento. Que Deus os ilumine!!!


Paulinho, o COMPOSITORES DA PORTELA BLOG agradece a sua participação!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Fernando Bom Cabelo



CPB: Nome e idade?

Pseudo: Fernando Bom Cabelo
Nome: Fernando Aparecido Chabes, 58 anos.

CPB: Fale um pouco sobre você!

Sou Paulista de nascimento e aprendiz do samba carioca, convivi com os grandes festivais de musica da segunda metade da década de 60, dentro de casa ouvia meus pais cantando sambas e acabei me apaixonando por esse estilo.

CPB: Como você chegou à Ala de Compositores mais importante do Mundo do Samba?

Em 1974 conheci a Portela, a quadra ainda era nova e na Vicentina tive o prazer de ouvir ao vivo Manacéia, Candeia, Clara Nunes, João Nogueira, Chico Santana, Mijinha e outros mais, voltei em 1975 para a missa de sétimo dia de seu Natal e nesse momento percebi que a Águia havia pousado em meu coração de tal maneira que não seria feliz enquanto não fizesse parte dessa família.

Passei a visitar a Portela de vez em quando até que em 2009 vim morar no Rio a trabalho e através de amigos compositores do Quintal do Pagodinho comecei a frequentar as feijoadas e rodas como Tributo a Candeia, fui convidado a participar do Tributo a João Nogueira em 2009 e apresentado ao Junior Scafura que me acolheu na ala de Compositores onde desfilo desde 2010.

Participei do concurso de sambas enredo para 2011 em parceria com Valdir 59 e cia., 2012 com Ari do Cavaco e cia. e agora para 2013 com Paulinho Rocha, Pece Ribeiro, Jorge Matias do Batuke e Walter Alverca.

Em 1985 num show no Ilha Porchat Clube no litoral Paulista, Balancê de Verão do Osmar Santos, dividi o Palco com João Nogueira que fez questão de me apresentar à escola, mas na época em virtude do trabalho não pude vir ao Rio de Janeiro.

CPB: Desde quando você compõe?

Compus minha primeira musica em 1969, por incrível que pareça não era um samba, em 1970 ganhei um festival estudantil de MPB com um samba falado do folclore brasileiro e depois não parei mais. meu primeiro samba enredo foi em 1976 para a Rubro Negro de Guarulhos em São Paulo e no ano seguinte participei do primeiro LP de sambas enredo de São Paulo com a Escola de samba Morro da Casa Verde "A Estrela mais brilhante, Cacilda Becker". Em 2011 vencemos a disputa na Caprichosos de Pilares e União Parque Curicica no Rio de Janeiro.

CPB: O que você falaria para um Compositor que está chegando agora à PORTELA?

Ame a nossa bandeira, respeite o nosso chão e crie com toda sua alma pois ser compositor na Portela é uma responsabilidade muito grande, representamos o maior celeiro cultural do samba brasileiro.

CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s) dentro do Mundo do Samba?

João Nogueira, Clara Nunes, Adoniram Barbosa, Geraldo Filme, Candeia, Manaceia, Casquinha, Monarco, João da Baiana, Silas de Oliveira, Candeia, Chico Santana, Argemiro, Catone, Cartola, e todos aqueles que abriram espaço para que hoje possamos mostrar o nosso trabalho.

CPB: Conte-nos um pouco de sua experiência no SAMBA!

Meu primeiro samba enredo foi em 1976 para a Rubro Negro de Guarulhos em São Paulo e no ano seguinte participei do primeiro LP de sambas enredo de São Paulo com a Escola de samba Morro da Casa Verde "A Estrela mais brilhante, Cacilda Becker".

Nessa escola tenho 2 estandartes de ouro (2005 e 2006) e mais ou menos 11 sambas ganhos ao longo da carreira.

Em 2011 vencemos a disputa na Caprichosos de Pilares e União Parque Curicica no Rio de Janeiro. Tenho algumas musicas gravadas pelo Grupo Samba Seis de São Paulo, Ilcéi Mirian de Campinas-SP, Velha Guarda da Unidos do Peruche-SP alem dos sambas enredo. 

CPB: O que é ser PORTELA?

Ser Portela é ser nobre, é ser herdeiro da maior herança cultural do samba, enfim é ser um componente com vontade de ser vencedor.

CPB: Você tem algum sonho como Compositor? Qual?

O meu sonho de consumo é ser campeão na e com a Portela, o meu sonho como compositor é só de em algum momento lá no futuro alguém cantar um verso que eu fiz e lembrar que tudo que escrevi foi feito com muito carinho e amor pelo samba.

CPB: Nos eventos de Sambas-Enredo da PORTELA, como você vê o Concurso?

Impressionante não só em 2013 como nos anos anteriores a qualidade das obras que disputam o concurso da Portela, é muito boa, em 2012 fui até a semifinal, mas o simples fato de subir ao palco da Portela e ter a oportunidade de mostrar meu trabalho já faz de mim um vencedor.

Desde já, o COMPOSITORES DA PORTELA BLOG agradece a sua participação!

sexta-feira, 1 de março de 2013

PORTELA VERDADE



SÉRGIO PROCÓPIO

 (CHAPA PORTELA VERDADE)


ENTREVISTA ao COMPOSITORES DA PORTELA BLOG

Realizada em 27 de fevereiro de 2013

 
CPB - Quem é Serginho Procópio?
 
Sérgio Procópio: Sérgio Procópio é músico, compositor e o caçula da Velha Guarda Show da Portela. Filho de Osmar do Cavaco que também era músico e o cavaquinhista da Portela e da VGP por vários anos, com o falecimento de meu pai fui convidado pelos mestres Monarco e Casquinha a integrar tal grupo, fato que até hoje exerço com o maior carinho. Entrei para este grupo de bambas em 1999, mas desde pequeno sempre convivi com os bambas da Escola através de meu pai. Como músico já acompanhei diversos artistas da música nacional, e como compositor tenho mais de 200 músicas gravadas por grandes intérpretes. Tenho 45 anos e sou candidato a presidência da GRES PORTELA através da chapa PORTELA VERDADE.
 
CPB - Você participa da Velha Guarda da PORTELA a muito tempo e o que o levou para a vida política da Escola?
 
Sérgio Procópio: A decadência em que nossa Escola está passando, e a vergonhosa administração da atual gestão que faz com que os valores pessoais sejam mais fortes que os morais e até mesmo se colocando acima da própria Escola.
 
CPB - Um bom relacionamento entre uma Escola e a LIESA é fundamental. Nessa perspectiva, qual o seu posicionamento?
 
Sérgio Procópio: Tentaremos ter um bom relacionamento com a Liesa, utilizando, os recursos que ela nos disponibiliza de forma certa, investindo no barracão para que possamos realmente mostrar um carnaval que esteja de acordo com o que nos foi dado, apresentando na avenida um verdadeiro espetáculo digno de uma grande Escola fazendo com que o carnaval do Rio de Janeiro seja um carnaval elogiado. Pagando os funcionários corretamente e fazendo com que toda proposta creditada ao carnaval da escola esteja pronta antecipadamente. Assim temos a certeza de estar no caminho correto para um bom relacionamento.
 
CPB – Existe no BLOG, uma enquete sobre que tipo de Enredo o Portelense gostaria de levar para a Avenida em 2013! Qual a visão da PORTELA VERDADE com relação a um futuro Enredo?
 
Sérgio Procópio: Temos algumas opções, mas nada definido até porque só podemos pronunciá-lo após o resultado das eleições, temos recebido inúmeras propostas e abertos a novas.
 
CPB - A PORTELA hoje tem o seu Quadro de Sócios fechado e os portelenses hoje não participam das decisões políticas (voto); O que você pretende fazer em relação a isso?
 
Sérgio Procópio: Pretendemos abrir o quadro social da Escola, para que seja uma fonte de receita e para que aqueles que desejam fazer parte do processo político da escola, sócio contribuinte, sócio proprietário e sócio torcedor (que não terá direito a voto), sendo este último apenas como uma questão de marketing.
 
CPB – Ainda com relação ao sócio, na gestão da PORTELA VERDADE, o portelense terá oportunidade de ser, efetivamente, sócio da Escola? Noutras palavras, o Quadro de Sócios estará sempre aberto, como é a vontade do torcedor Portelense?
 
Sérgio Procópio: Sim.
 
CPB – Nossa Escola Mirim, a Filhos da Águia, como você a vê hoje, já que a PORTELA necessita de renovação.
 
Sérgio Procópio: Vejo que ali está o futuro da Portela! Queremos estreitar relações com os "Filhos da Águia", reforçar, nos jovens, os valores da cultura afro-brasileira e, especialmente, do samba carioca. Promover o surgimento e o desenvolvimento de novos sambistas para a Portela e formar jovens para as atividades profissionais ligadas as artes carnavalescas.
 
CPB – A PORTELA possui a Ala de Compositores mais importante do Mundo do Samba, que não só participam de nossas concorridas Eliminatórias, mas em diversos eventos no ano todo! Você pretende reviver belos eventos como SAMBA DE TERREIRO e SAMBA DE QUADRA?
 
Sérgio Procópio: Com certeza, vemos que hoje em dia a nossa Ala de Compositores só se movimenta nas disputas de samba enredo, e depois fica praticamente parada durante todo o restante do ano. Queremos movimentar mais essa Ala com mais eventos até mesmo para a manutenção da mesma e realizar festivais.
 
CPB – Com toda a sua experiência no assunto, como você vê, hoje, o Concurso de Samba-Enredo na PORTELA? Você pretende mudar algum detalhe?
 
Sérgio Procópio: Não gosto desse processo de escolha, vou me reunir com os Compositores e assim achar um termo que seja bom para eles e para a Escola (tipo dia da semana e horário). Escolher realmente o melhor samba e não o de melhor torcida. Reconhecer o direito dos compositores à totalidade da arrecadação referente ao samba, apenas retirando uma pequena porcentagem ao segundo e terceiro lugar na disputa. Colocar apenas jurados que realmente entendam do assunto para o julgamento, pois muitas das vezes já saímos derrotados para o desfile desde o dia da escolha do samba.
 
CPB – Como sempre mencionamos, a PORTELA possui uma “VELHA” e JOVEM GUARDA de Compositores. O Portelense poderá contar novamente com belos sambas de Noca, Davi Correa, Darcy Maravilha e Monarco, por exemplos, e hoje afastados dos Concursos?
 
Sérgio Procópio: Queremos que todos aqueles que se sentirem a vontade e estiverem de coração aberto voltem e escrevam samba na Portela, pois faço questão de frisar O MAIS IMPORTANTE SERÁ A OBRA, que irá nos guiar ao título na Sapucaí.
 
CPB - Como você analisa hoje em dia, alguns segmentos importantes da nossa Escola, como a harmonia, alegoria e adereços, puxador, casal de mestre-sala e porta-bandeira e que perspectivas sobre eles a PORTELA VERDADE apresenta?
 
Sérgio Procópio: Vejo que alguns segmentos precisam ser reorganizados, vide as notas do ultimo carnaval, os fatos valem mais que os argumentos, o que precisar de substituição será substituído.
 
CPB - Como a PORTELA VERDADE irá conduzir a preparação do Carnaval - Comissão de Carnaval ou Carnavalesco?
 
Sérgio Procópio: Para se chegar a vencer o carnaval hoje em dia é preciso humildade e saber trabalhar em grupo e todo profissional que tiver esse pensamento será bem vindo a Portela, uma Comissão não sei se é o nome certo, mas uma equipe me soa melhor, juntamente ao carnavalesco.
 
CPB - Com as eleições na Portela ocorrendo em Maio, teremos um tempo mínimo para organizar todo o carnaval como, a disputa de samba de enredo, elaboração da sinopse para os compositores e mais todo o trabalho de barracão. Como a chapa PORTELA VERDADE pretende lidar com o tempo de que irá dispor?
 
Sérgio Procópio: Teremos que ser rápidos, mas sempre tentando os melhores profissionais, temos nossas diretrizes para o carnaval e devemos aproveitar o tempo de forma ordeira.
 
CPB – Barracão tem sido, ultimamente, nosso grande problema. Existe algum planejamento quanto a uma nova estrutura? Que mudanças iniciais a PORTELA VERDADE pretende realizar?
 
Sérgio Procópio: A plástica do desfile tem sido nosso pior pesadelo nos últimos anos, pretendemos buscar os melhores profissionais disponíveis no mercado garantindo a formação de uma equipe de carnaval reconhecida, garantir investimentos para os quesitos "plásticos", garantir o cumprimento do cronograma de trabalho, evitando os constantes atrasos que atrapalham a qualidade de execução do carnaval e aumentam os custos e honrar os compromissos trabalhistas e melhorar as condições de trabalho dos funcionários do barracão. 
 
CPB - Sérgio, parceias são vitais para qualquer empreendimento. A PORTELA VERDADE pretende realizar um trabalho com novos parceiros e trazer novos empreendimentos para a Escola?
 
Sérgio Procópio: Claro isso é primordial para realização do nosso carnaval e para gestão da marca PORTELA.
 
CPB - O nome PORTELA é muito forte. A nossa Escola partirá, definitivamente, para um trabalho com marketing ostensivo, contratando para isso alguma empresa especializada ou a PORTELA VERDADE tem outra alternativa nesse assunto?
 
Sérgio Procópio: Queremos um trabalho com marketing ostensivo com profissionais especializados para alavancar a marca PORTELA, o licenciamento e gestão da marca PORTELA, o Programa sócio-torcedor com abrangência nacional, a rentabilização da quadra de ensaios, estreitar o relacionamento com a comunidade (empresas do bairro/região,moradores e etc) e estreitar e fortalecer parcerias com as instituições públicas e privadas. Isso faz parte do nosso projeto de marketing!
 
CPB - Para terminar, qual a sua mensagem para os portelenses? O que podem esperar da PORTELA VERDADE? Podem renovar esperanças numa PORTELA vitoriosa?
 
Sérgio Procópio:
 
A TODO PORTELENSE QUERIA PEDIR QUE ACREDITE EM NÓS E EM QUE ESTAMOS FOCADOS A REALIZAR, POIS ESTAMOS CANSADOS DE JÁ CHEGAR NA AVENIDA PARA O DESFILE DERROTADOS E DESACREDITADOS.
 
ESSA ATUAL ADMINISTRAÇÃO TEVE 9 ANOS DE OPORTUNIDADES E NADA FIZERAM DE CONCRETO, A NÃO SER NOS PROPICIAR AS PÉSSIMAS COLOCAÇÕES NOS DESFILES, É HORA DE NOS REERGUERMOS E DE RENOVARMOS AS ESPERANÇAS!  
 
NÃO DESCANSAREMOS ENQUANTO NÃO APRESENTARMOS UM CARNAVAL QUE NOS CREDITE A VOLTAR A DIZER "É CAMPEÃO" OU BEM PRÓXIMO DISSO. 
 
SOMOS PORTELENSES, LUTADORES E GUERREIROS E A BATALHA TÁ SÓ COMEÇANDO. 
 
ABRAÇOS A TODOS E QUE DEUS NOS ABENÇOE.
SERGINHO PROCÓPIO 
 
CPB - O COMPOSITORES DA PORTELA BLOG agradece a você, Sérgio, pela gentileza em participar de mais uma Entrevista!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Alvaiade

 

Desde quando você está metido em samba?

Alvaiade: Desde 1928. Naquela época, o Paulo da Portela morava na Estrada da Portela, 276, que era um correr de casas que tinha o apelido de barra preta. Eu morava na Rua B, em Oswaldo Cruz, e tinha um bloco carnavalesco por lá. E o Paulo me convidou para a Portela.

O seu bloco era grande?

Alvaiade: Pequeno. Éramos eu, o falecido Brasileiro, o Zé Cachacinha, o Alvarenga, um grupo pequeno. O Alvarenga já pertencia à Portela antes de mim.

Como é o seu nome, Alvaiade?

Alvaiade: Oswaldo dos Santos. Nasci a 21 de novembro de 1913, aqui na Estrada da Portela.

Quando você entrou pra Portela já era compositor?

Alvaiade: Não, eu acompanhava o pessoal, fazia um centro no cavaquinho, cantava, etc. Depois é que eu comecei a fazer música.

Qual foi a primeira vez que você saiu na Portela já era pra desfilar na Praça Onze?

Alvaiade:  Não. A primeira vez foi para participar de uma roda de samba em Bento Ribeiro, na casa do Paulo de Bento Ribeiro. Aliás, a razão do Paulo da Portela ganhar esse nome foi por causa do Paulo de Bento Ribeiro, que também era do samba.

Como é que o Paulo da Portela tratava os mais novos como você?

Alvaiade: O Paulo era uma figura humana fora de série. E muito observador. Eu era muito garoto naquela época e ele chegava até a me entregar certas responsabilidades dentro da escola, como a de substituí-lo de vez em quando, na sua ausência. Quando ele ia pra Sào Paulo, mais tarde, com o Cartola e o Heitor dos Prazeres, quem preparava a escola era eu, como chefe interino, além do Ventura e o Alcides, que eram os diretores de harmonia. Quando ele chegava era só pra comandar a escola.

Ele chegou até a apontar você como substituto dele, não foi?

Alvaiade: Foi. Ele sempre dizia aos visitantes que iam à Portela: “Esse é o pequeno que me substitui”. Aquilo me dava muito entusiasmo. Minha prova de fogo foi em 1934. Foi uma festa na Portela e recebemos a visita de uns doutores, coisa muito rara na época numa escola de samba. E fui eu quem recebeu o pessoal. Depois foi num batismo de uma escola de samba lá no Botija. Fui incluído na delegação da Portela, mas como um simples integrante. Quando saltamos do bonde, o Cláudio de Quintino me falou: “Olha Alvaiade, o Paulo disse pra você fazer a cerimônia”. Aí, tomei as medidas. Formei a rapaziada, tiramos um samba quando chegamos, houve aquela troca de gentilezas, aquela coisa toda. Eu sei que fui bem, pois o Cláudio de Quintino me deu os parabéns depois.

O Paulo era um boa praça, mas era muito exigente também, não é isso? Principalmente com a roupa.

Alvaiade: É verdade. Ninguém podia se apresentar com chinelo charlote porque o Paulo não gostava. O pessoal do Estácio, por exemplo – e isso não é querer falar mal, mas falar a verdade – apresentava-se muito bem, com ternos caríssimos. Mas de chinelo charlote e lenço no pescoço. O pessoal da Portela não. A gente tinha que andar de sapato e gravata. O Paulo dizia assim: “Quero todo mundo com o pé ocupado e pescoço também”. Quer dizer: sapato e gravata. Por sorte, a nossa rapaziada quase não bebia. A gente era diferente das outras escolas.

Como é que foi a briga do Paulo com a Portela?

Alvaiade: Nessa época – foi no carnaval de 1940 – eu estava chefiando a escola no lugar do Paulo, que estava em São Paulo, com o Cartola e o Heitor dos Prazeres. Ele chegou na hora em que a escola estava formada pra desfilar na Praça Onze e queria que os companheiros dele desfilassem também. Mas o problema é que eles estavam com uma fantasia preta e branca e o pessoal da diretoria achou que não era direito. Se o Paulo quisesse desfilar, tudo bem. Mas seus companheiros é que não podiam.

Toda a diretoria pensava assim?

Alvaiade: Toda. Ainda dissemos pra ele que os companheiros dele podiam entrar na escola, mas só depois que passassem pela comissão julgadora. Chamamos o Manoel Bam Bam Bam e ele repetiu para o Paulo a mesma coisa. Aí o Paulo disse: “Se eles não podem entrar, eu também não entro”. O Manoel Bam Bam Bam levantou a corda – naquela época as escolas desfilavam com corda - e falou: “Então você não desfila, pode sair”. O Paulo saiu e nunca mais desfilou pela Portela.

Mas ele nem visitava a escola?

Alvaiade: Oito dias depois, a gente estava comemorando a vitória da Portela lá na sede. E o Paulo apareceu com o Pessoal da Mangueira. Me lembro que ele estava com o Cartola e o Chico Porrão. Ele estava esquisito, de um jeito que eu nunca tinha visto assim. Acho que tinha tomado umas e outras, que ele não era de beber. Eu sei que chegou na Portela, trepou na mesa e começou a fazer um discurso: “Vocês crianças, vocês ursos”, não sei o que, falando coisas que não eram do feitio dele. Até os parentes dele ficaram revoltados com a situação. Eu ainda pedi a palavra tentando contornar o problema, mas havia uma grande revolta. Saímos Dalí e fomos para uma área, onde é hoje o botequim do Nozinho, irmão do Natal, e o Paulo puxou um samba da Mangueira: “Vou partir sem briga” e não sei o que mais. Eu aí, puxei um samba assim:

“Seja feliz com seu novo amor
Porque eu vou procurar o meu bem estar

Pode arranjar quem você quiser
Só peço pra de mim esquecer, mulher”

É um samba do Mijinha, o autor de “Sentimento”, que o Paulinho da Viola gravou. Mas o ambiente não estava bom não. E o pessoal da Mangueira percebeu isso. Me lembro até que o Chico Porrão falou assim pra mim: “Alvaiade, eu não tenho um alfinete pra me defender”. Eu falei pra ele assim: “Não tem nada não, aqui você está como se estivesse em sua própria casa”. Mandei um componente da Portela ir até Madureira buscar um carro, mas naquela altura tinha gente afim de pegar alguém, não sei se o Paulo ou o pessoal da Mangueira. Quando o carro chegou, botei a rapaziada lá dentro e fui em pé, no estribo, até lá fora protegendo eles. Na volta, veio uma porção de gente em cima de mim me espinafrar porque eu protegi o pessoal. O Paulo saiu e a Portela passou sete anos ganhando os desfiles na Praça Onze. Ele nunca se esqueceu da Portela. Muitas vezes, a gente ficava conversando em cima da ponte de Oswaldo Cruz e ele perguntando como é que ia o negócio, aquelas coisas. Ele estava na escola de samba Lira do Amor, mas não esquecia a nossa escola. No ano que ele ia voltar, morreu.

Você chamava o Paulo de você ou de senhor?

Alvaiade: Você mesmo. Era o Mano Paulo.

Havia muita gente na Portela no início da escola?

Alvaiade: Não. Houve um ano - não sei se 1931 ou 32, não me lembro - que aconteceu um negócio que nunca mais esqueci. Nós íamos descer pra desfilar na Praça Onze e fomos pegar o trem na estação de Dona Clara. O Rufino, que era o tesoureiro, pagou 90 passagens. E se queixou: “Meu Deus, isso não é mais uma escola de samba, é um rancho. Nunca vi tanta gente numa escola de samba”.

É verdade que no início eram homens que desfilavam de baianas?

Alvaiade: É. Nós não tínhamos baianas no início. Quem saía de baiana era o Caludionor, o Boaventura, o Manoel Bam Bam Bam, o Antônio Mestre Sala e outros. Era um grupo de homens que saía de baiana.

Não tinha mulher na Portela?

Alvaiade: Tinha. Não saíam de baiana. Quando a gente ia, por exemplo, a uma batalha de confete, o próprio Paulo ia de casa em casa pedir consentimento às famílias para levar suas moças com a escola. Depois entregava todas elas em suas casa. Éramos uma família.

Mas havia aquele negócio de que sambista era sinônimo de marginal.

Alvaiade: Havia. Inclusive falavam isso da Portela, que é uma escola da Planície. Mas conosco não havia problema.

Você se lembra dos seus primeiros sambas para a Portela? 

Alvaiade: Mais ou menos, acho que era um assim:

"Meu amor
Não me maltrate assim
Meu bem
Não sei que mal eu fiz
Agora sei que me odeias
Mas algum dia
Ainda espero ser feliz"

Me lembro de outro também que fiz baseado nos vendedores que corriam os trens vendendo tudo. Bala, Jornal, etc. Conhecia até alguns pelo nome, como o Cheiroso. Era assim:

"Baleiro Balas a dez, um tostão
Queijeiro Queijo de Minas é bom
Jornaleiro
Meu Deus do Céu que moçada
Ele vem gritando
Diário da noite Olha o Globo e Vanguarda
Chegou o Cheiroso
Tem a descrição encerrada"

Além de dirigente da escola, o Manoel Bam Bam Bam também foi mestre sala, não é isso?

Alvaiade: Ele foi o primeiro mestre sala da escola. Foi mestre sala por 24 anos. A primeira porta bandeira foi a falecida Braulina.

Qual foi a primeira vez que a Portela desfilou na Praça Onze cantando um samba seu?

Alvaiade: Foi em 1934, mais ou menos.

"Eu só queria saber
Porque és tão fingida assim

Deves bem compreender
Ora meu bem

Eu só amo você
A mais ninguém"

Aí o pessoal fazia o improviso. Naquele tempo não havia segunda parte feita. Havia os versantes, como o João da Gente, que até foi apelidado de Gogó de Ouro. O Claudiono, o Ventura também eram grandes improvisadores e geralmente era o pessoal da direção de harmonia quem fazia isso. O Caludionor e o Ventura eram da Harmonia.

Você também foi diretor de harmonia?

Alvaiade: Eu fui chefe de conjunto quase vinte anos. E dentro dessa função eu fazia tudo. O chefe de conjunto era responsável pelos ensaios de um modo geral. Era uma espécie de diretor de harmonia. Tinha que ter noção de bateria, examinar vozes, isso tudo. Eu era o homem de sete instrumentos na Portela. Recebia visitas em nome da escola, visitava as co-irmãs, tudo isso eu fazia. E fazia discursos também.

O Paulo fazia discursos. Ele era bom orador?

Alvaiade: Puxa, ele tinha o dom da palavra. E era de uma gentileza de deixar todo mundo pasmado.

Naquele tempo que a Portela iniciava você já era um camarada conhecido no meio do samba?

Alvaiade: Bem, o que me fez mais conhecido foi o futebol. Aliás, foi no futebol que ganhei esse apelido de Alvaiade. Joguei no infantil da Portela, depois passei para o segundo quadro e acabei no primeiro. Em 1935 eu estava jogando no primeiro time da Associação Atlética Portuguesa. Em samba eu aparecí mais por causa da minha função de organizador. Minha maior preocupação era lançar os novos compositores. Esses novos compositores são os velhos de hoje: o Manacéia, Walter Rosa, Candeia, Chico Santana e muitos outros.

Houve uma época que combinei com os compositores que cada um só podia lançar duas músicas por ano. Todo mundo cumpriu. Mas houve um ano que o Chico Santana encontrou comigo na padaria e me trouxe um problema. Ele já tinha apresentado os seus dois sambas, mas tinha um terceiro que não queria deixar de lado. Me cantou o samba e eu gostei. Fiquei em dúvida e acabei quebrando o protocolo. Afinal, ele podia morrer, ou eu, e o samba ficaria esquecido. Hoje o samba é considerado, oficialmente, o hino oficial da Portela.

"Portela Suas cores tem

Na bandeira do Brasil
E no céu também

Avante portelense

Para a vitória

Não vê que seu passado

É cheio de glória

Eu tenho saudade

Desperta, oh grande mocidade
"

Nos primeiros tempos, onde era mesmo a sede da Portela?

Alvaiade: Ora, a sede. A sede? Bem, às vezes a Portela ensaiava na casa do Benício. No carnaval saia da casa do Caetano ou da casa do Rufino. Mais tarde é que alugamos uma casa na Estrada da Portela, onde é hoje o bar do Nozinho. Tinha uns 20 metros quadrados e era ali que a gente ensaiava.

E a famosa jaqueira da Portela?

Alvaiade: Era num terreiro na esquina da Estrada da Portela com a Rua Joaquim Teixeira. De fato, o pessoal ia pra ali, agora eu me lembro, ali onde é o bar do Nozinho tinha uma jaqueira sim.

Depois do Manoel Bam Bam Bam, quem ficou de mestre sala na Portela?

Alvaiade: O Antônio, que também ficou muito tempo. Aliás, tanto o Antônio quanto o Manoel já são falecidos. Depois dos dois, apareceram outros, mas não ficaram muito tempo não.

Entrevista concedida quando do encarte do Disco "História das Escolas de Samba - Vol. 2)