terça-feira, 22 de novembro de 2016

Aniceto (Portelenses de Outrora)


 

Aniceto da Portela

Aniceto José de Andrade
   * 12/8/1912 Rio de Janeiro, RJ 
+  7/7/1982 Rio de Janeiro, RJ

 Biografia

Cantor. Compositor. Nasceu em Pedra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Irmão dos também compositores da Portela Mijinha (Bonifácio Andrade) e Manacéa (Manacéa José de Andrade). Trabalhou como fundidor pela CEDAE (Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), por onde se aposentou. Ingressou na Ala de Compositores da Portela levado pelo amigo compositor Cláudio Bernardo, que integrava a ala.

Dados Artísticos

Começou a compor aos 16 anos de idade. Gravitando sempre em ambiente musical e da escola de samba Portela, em Madureira, fazendo parte da Ala de Compositores, teve seu samba "Desengano", gravado no LP "Portela, passado de glória", produzido por Paulinho da Viola em 1970 e lançado pela gravadora RGE, participando da gravação. Quase sempre esta composição é atribuída erradamente a Aniceto do Império. Seu samba "Sofre por errar" foi gravado pelo grupo Copacabana, integrado por Moacir Silva, entre outros.

No ano de 1988 "Desengano" foi regravada por Beth Carvalho no LP "Alma brasileira". 
Em 1994 Cristina Buarque lançou o CD "Resgate", originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês, no qual interpretou de sua autoria "Eu perdi você".

No ano de 1997 o LP "Portela, passado de glória" foi relançado em CD pela gravadora RGE.

Em 2004 uma das principais pastoras da Portela, Surica, produzida por Paulão Sete Cordas, lançou o CD "Surica", seu primeiro disco solo. No CD foram incluídas de sua autoria as composições "Quem me ouvir cantar" e "Madrugada".

No ano de 2010 o grupo paulista Tuco & Batalhão de Sambistas gravou no CD "Peso é peso - Ao vivo" sua composição inédita "Ela chorou", incluída no pout-pourri "Homenagem aos irmão Andrade - Manacéa, Mijinha e Aniceto da Portela". A faixa contou com a participação especial da cantora Cristina Buarque.

No ano de 2012, foi montado o show "Homenagem Centenário - Aniceto José de Andrade, o Aniceto da Portela", no Núcleo dos Ferroviários, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo, evento no qual suas composições mais conhecidas são "Desengano", "Eu perdi você", "Madrugada", "Quem me ouvir cantar" e "Sofre por errar" (Não há mais amor) foram lembradas, assim como outros menos conhecidos do grande público.

Obra

Desengano
Ela chorou
Eu perdi você
Louca
Madrugada
Quem me ouvir cantar
Sofre por errar (Não há mais amor) 
Discografia 
(1970) Portela, passado de glória • Gravadora RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
VARGENS, João Batista M., MONTE, Carlos. A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Ed Manati, 2004.

domingo, 13 de novembro de 2016

Alvarenga (Portelenses de Outrora)

Alvarenga

Ernâni Alvarenga
* 10/6/1914 São Paulo, SP 
+ 1/1/1992 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Instrumentista. Nasceu no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos. Inicalmente aprendeu cavaquinho e aos 13 anos já atuava em regional. Compôs sua primeira música aos 14 anos de idade. Ao lado de Paulo Benjamim de Oliveira (Paulo da Portela) foi um dos fundadores do Grêmio Recreatico e Escola de Samba Portela., que unificou os blocos Baianinhas, Quem nos faz é o capricho, Vai como pode e Bloco Conjunto de Oswaldo Cruz, sendo este último, o qual fazia parte. Tocava cavaquinho e quatro e cinco cordas. Aperfeiçoou-se em cavaquinho tendo aulas com Luperce Miranda. Pertenceu à Ala de Compositores da Portela. Atuou como integrante da Velha da Guarda da Portela tocando cavaquinho e cantando. Algum tempo depois, afastou-se da vida artística em decorrência de uma doença nas cordas vocais. Até falecer residia no subúbio de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Dados Artísticos

Em 1931, o bloco Vai Como Pode desfilou na Praça Onze com um samba de sua autoria: "Dinheiro não há". Este samba, mais tarde, ganhou uma segunda parte composta por Benedito Lacerda e posteriormente foi gravado por Leonel Faria com o nome de "Lá vem ela chorando (dinheiro não há)". 

No ano de 1937, convidado pelo diretor Paulo Leblon, transferiu-se para São Paulo indo se apresentar como cantor no programa Big Show América, da Rádio América. Voltou ao Rio de Janeiro e ingressou na Rádio Mayrink Veiga e posteriormente trabalhou na Rádio Guanabara. 

Em 1977 Beth Carvalho gravou "Lá vem ela chorando (dinheiro não há)" (Alvarenga e Benedito Lacerda). A mesma cantora interpretou também outra composição de sua autoria: "Salário mínimo". 

Em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual há várias referências ao compositor. 

Em 2003 Vanessa da Mata incluiu no repertório de seu show no Espaço Arpoador uma composição de sua autoria: "Derramando lágrimas", em parceria com Délcio Carvalho. 

Obra 

Aumento de salário (c/ Paquito) 
Chegues a granel (c/ Paquito) 
Derramando lágrimas (c/ Délcio Carvalho) 
Dinheiro não há 
Lá vem ela chorando (c/ Benedito Lacerda) 
Salário mínimo 
Seu Aristeu (c/ Paquito) 

Bibliografia Crítica 

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000. 
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002. 
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.

domingo, 6 de novembro de 2016

Alvaiade (Portelenses de Outrora)

Alvaiade

Oswaldo dos Santos
 * 21/12/1913 Rio de Janeiro, RJ 
 + 23/6/1981 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Compositor. Cantor. Nasceu na Estrada do Portela, no bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro. Ficou órfão ao cinco anos. Começou a trabalhar como tipógrafo aos 13 anos. O apelido Alvaiade lhe foi dado por companheiros de futebol, atividade a que esteve ligado durante muito tempo, inclusive jogando pelo time da Portela. Atuou também na Associação Atlética Portuguesa. Um dos fundadores da UBC (União Brasileira de Compositores), tocava diversos instrumentos de percussão e cavaquinho. Em 1928, Paulo da Portela o convidou a integrar a Escola de Samba Vai Como Pode, que mais tarde se chamaria Portela. Integrou a Ala de Compositores da Portela. Desempenhava na escola de samba da Portela diversas funções, inclusive administrativas. Faleceu em 1981, sendo enterrado no Cemitério de Irajá.


Dados Artísticos

Em 1926 compôs seu primeiro choro, "O que vier eu traço", em parceria com Zé Maria, gravado posteriormente por Ademilde Fonseca. Naquela época, revelou suas qualidades de sambista e de orador habilidoso, sendo designado, na ausência de Paulo da Portela, a receber os convidados ilustres ou a representar a escola nas visitas a outros redutos.

Inicialmente, apresentava-se acompanhando outros compositores, tocando cavaquinho de centro. Mais tarde, passou a compor para a escola.

Em 1942, em parceria com Bibi, seu samba-enredo "A vida do samba" classificou a escola em 1º lugar. No ano seguinte, em parceria com Nílson, compôs o samba-enredo "Brasil, terra da liberdade", com o qual a Portela venceu o desfile daquele ano.

No ano de 1947, outra vez a Portela foi campeã com um samba de sua autoria, "Honra ao mérito" (c/ Ventura).

Participou de vários espetáculos no teatro Opinião do Rio de Janeiro na década de 1960, sempre tocando cavaquinho e cantando suas composições.

Foi o responsável pelo lançamento de diversos compositores, entre eles Manacéia, Walter Rosa, Candeia e Chico Santana.

Entre suas músicas mais conhecidas, destacam-se "Marinheiro de primeira viagem", lançada pela dupla Zé e Zilda, e gravada também por Jorge Veiga em 1961, "Embrulho que eu carrego" e "Banco de réu", as duas em parceria com Djalma Mafra.

Compôs com Chico Santana "Vida fidalga", samba incluído no LP da "Portela, passado de glória", de 1970.

Em 1981, Cristina Buarque o homenageou ao incluir em seu LP "Cristina", pela Ariola, a música "Vida de rainha" (c/ Monarco), gravada com a Velha-Guarda da Portela.

No ano de 1986, Katsunori Tanaka produziu para o mercado japonês o LP "Doce recordação - Velha-Guarda da Portela", disco no qual foi incluída de sua autoria a composição "Para o bem do nosso bem".

Em 2000 o disco "Doce recordação" foi relançado para o mercado brasiliero pela gravadora Nikita Music.

No ano de 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.

Entre suas intérpretes está Baby Consuelo, que regravou "O que vier eu taço" (c/ Zé Maria) fazendo sucesso no ano de 1981.

Obra

A vida do samba (c/ Bibi)
Baleiro
Banco de réu (c/ Djalma Mafra)
Brasil, terra da liberdade (c/ Nílson)
Deus me ajude (c/ Estandilau Silva e Humberto de Carvalho)
É mato (c/ Wilson Batista e Ary Monteriro)
Embrulho que eu carrego (c/ Djalma Mafra)
Eu chorei (c/ Alcides Loque)
Honra ao mérito (c/ Ventura)
Marinheiro de primeira viagem
O que vier eu traço (c/ Zé Maria)
Para o bem do nosso bem
Vida de rainha (c/ Monarco)
Vida fidalga (c/ Chico Santana)

Discografia

(1997) Portela, passado de glória • CD
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. ABC de Sérgio Cabral - um desfile de craques da MPB. Rio de Janeiro: Editora Pasquim/Codecri, 1979.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
ISNARD & Candeia. Escola de Samba - árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Ed. Lidador/Seec-RJ, 1978.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.
 



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Alcides Malandro Histórico (Portelenses de Outrora)

 

PORTELENSES DE OUTRORA


Alcides Malandro Histórico
Alcides Dias Lopes
* 17/12/1909 - Rio de Janeiro, RJ
+ 09/11/1987 - Rio de Janeiro, RJ


Biografia
 
Cantor. Compositor. Pandeirista. Integrante da Velha-Guarda da Portela. Por sua voz afinada chegou ao cargo de Mestre de Canto da Portela. O apelido "Malandro Histórico" lhe foi dado por Natal da Portela, graças a sua memória e a facilidade de guardar letras e melodias, mesmo ao ouvir pela primeira vez, além de datas e fatos relacionados à Portela. Foi o primeiro compositor da Ala dos Compositores da Portela a reconhecer e incentivar o jovem Monarco de 17 anos, que acabara de ser integrado à escola e de quem tornou-se um dos parceiros mais assíduo.
 
Dados Artísticos
 
Em 1975 no disco "Vem quem tem" João Nogueira gravou "Amor de malandro", primeira parceria de Alcides com Monarco.
 
Em 1978 Candeia no LP "Axé" gravou uma das mais conhecidas composições de Alcides "Vivo isolado do mundo". A música fez tanto sucesso na época, que muitas emissoras de rádio creditavam a composição a Candeia.
 
No ano de 1979, João Nogueira gravou "Enganadora", outra composição da dupla Alcides e Monarco, no LP "Clube do Samba". No ano seguinte Beth Carvalho, no LP "Sentimento brasileiro", interpretou "Você pensa que eu me apaixonei" (Alcides Malandro Histórico e Monarco). 
 
No ano de 1986, Katsunori Tanaka produziu o LP "Doce recordação", para o Selo Office Sambinha, lançado somente para o mercado japonês, no qual foi incluída de sua autoria "Você não é tal mulher". 
 
Em 1989, no disco "Boêmio feliz", Zeca Pagodinho interpretou em dueto com Argemiro um pot-pourri de compositores da Portela, no qual foi incluída "Dona do meu coração", de Alcides Malandro Histórico. 
 
Em 1996, em uma homenagem póstuma a Candeia, Zeca Pagodinho e a Velha-Guarda da Portela, no disco "Deixa clarear", de Zeca Pagodinho, interpretaram "Vivo isolado do mundo", transformada em um dos maiores sucessos da carreira de Zeca Pagodinho. 
 
No ano 2000 Marquinhos de Oswaldo Cruz, Franco Cava e Anderson da Portela, interpretaram "Vivo isolado do mundo" no disco "Ala de Compositores da Portela". 
 
Em 2001, com produção de Henrique Cazes e Katsunori Tanaka, o parceiro Monarco, seu amigo e permanente divulgador, lançou o CD "Uma história do samba", disco somente para o mercado japonês, no qual foi regravada "Amor de malandro". Dois anos depois o disco foi lançado no Brasil pela gravadora Rob Digital. 
 
Em 2004, produzido por Paulão Sete Cordas, a pastora da Portela Surica, também conhecida como Tia Surica, gravou "Eu ainda tenho uma cama pra dormir", de sua autoria. 
 
Obra 
 
Amor de malandro (c/ Monarco)
Deixa meu nome em paz (c/ Monarco)
Enganadora (c/ Monarco)
Eu ainda tenho uma cama pra dormir
Olinda (c/ Jair do Cavaquinho)
Se conforme com o desprezo (c/ Monarco)
Vivo isolado do mundo
Você não é tal mulher 
 
Bibliografia Crítica
 
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

sábado, 29 de outubro de 2016

Alberto Lonato (Portelenses de Outrora)

 

  Alberto Lonato 

Alberto Lonato da Silva
 8/11/1909 Rio de Janeiro, RJ 
 18/1/1998 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor. Instrumentista. Cantor. Criado na Rua Quintão nº 363, em Quintino Bocaiuva, subúrbio do Rio de Janeiro. A casa pertencia a Madalena Rica, conhecida como Madalena Xangô de Ouro, mãe-de-santo respeitada, que recebia diversos sambistas em sua casa. Nestas reuniões, compareciam Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Licurgo, Claudionor e Zé da Costa, entre outros que fundaram o bloco Vai Como Pode em 1928, antecessor da Portela. Mais tarde, nesta mesma casa, aconteceram as primeiras reuniões para a fundação da Portela, sendo frequentada por várias pessoas ligadas ao samba: os compositores do Estácio, da Mangueira e ainda Pixinguinha e Zé Espinguela. Neste ambiente cresceu Alberto Lonato, que mais tarde se mudou para o bairro do Sapê, depois com o nome alterado para Rocha Miranda, passando a frequentar as festas do seu Napoleão (pai de Natal da Portela).

Tendo como profissão Lustrador de móveis, aprendeu a tocar pandeiro observando outros ritmistas.

Dados Artísticos

Em 1941, entrou para a Portela, passando a fazer parte da Ala dos Compositores.

Sua composição de maior sucesso foi "Sofrimento de quem ama", gravada no disco "Portela, passado de glória", da Velha-Guarda da Portela. O disco foi produzido por Paulinho da Viola para a gravadora RGE em 1970. Anos mais tarde, Clara Nunes viria a regravar este samba.

Em 1971, compôs "Não pode ser verdade".

Clara Nunes gravou no LP "Brasil mestiço", uma composição de sua autoria, "Peixe com coco" (c/ Josias e Maceió do Cavaco), em 1980. A música foi um dos grandes sucessos da carreira da cantora.

No ano de 1986, fazendo parte da Velha Guarda da Portela, gravou o disco "Doce recordação" pelo selo Office Sambinha. O LP foi produzido por Katsunori Tanaka e somente lançado no mercado japonês. Neste LP tocou pandeiro e interpretou várias composições, inclusive de sua autoria "Esqueça". Dois anos mais tarde, Beth Carvalho regravou no LP "Alma do Brasil" , a composição "Esqueça".

No ano de 1989 a composição "Com lealdade", de sua autoria, foi gravada por Paulinho da Viola.

Em 1995, Paulo César Pinheiro produziu o CD "Clara Nunes com vida". Neste disco em homenagem à cantora, foram reunidos 14 sucessos da cantora, dentre eles "Peixe com coco", remasterizada e acrescida à voz de Martinho da Vila. Participou, ao lado de Mijinha, Chico Santana, Iara, Armando Santos, Manacéia, Monarco, Aniceto, Vicentina, Antônio Caetano, Alcides Lopes e Cláudio, da Velha-Guarda dos compositores da Portela.

No ano de 1994, após sofrer um derrame, teve que se afastar das apresentações do grupo, porém continuou desfilando pela escola até a sua morte, em 1998.

No ano 2000 a gravadora Nikita Music lançou para o mercado brasileiro o disco "Doce recordação" (Velha Guarda da Portela).

Em 2002, foi lançado o livro "Velhas histórias, memórias futuras" (Editora UERJ) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor. Em 2003, Monarco e Velha Guarda da Portela interpretaram seu maior sucesso: "Peixe com coco" (c/ Josias e Maceió do Cavaco), no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".

Obra

Com lealdade
Esqueça
Não pode ser verdade
Peixe com coco (c/ Josias e Maceió do Cavaco)
Sofrimento de quem ama

Discografia

(2000) Doce recordação • Nikita Music • CD
(1986) Doce recordação • Japão. Selo Office Sambinha • LP
(1974) Portela • Selo Marcus Pereira • LP
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

Fonte:  dicionariompb

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Agepê (Portelenses de Outrora)

 
PORTELENSES DE OUTRORA

Agepê

Antônio Gilson Porfírio

* 10/8/1942 Rio de Janeiro, RJ 
+ 30/8/1995 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor.  Técnico projetista da Telerj, abandonou a profissão para se dedicar à vida artística.  Foi integrante da Ala dos Compositores da Portela.  Além de sambas, incluía sempre em seus discos agerê, ijexá e baião, abrindo um leque de ritmos brasileiro.  Seu parceiro mais constante foi Canário, com quem compôs seus maiores sucessos.  Seu pseudônimo artístico segue a redução onomástica com a utilização dos fonemas das primeiras letras de seu nome e sobrenomes.

Dados Artísticos

Lançou-se no mundo artístico em 1975 com a música "Moro onde não mora ninguém", em parceria com Canário, gravada em compacto simples. Música que o tornou definitivamente conhecido do grande público devido ao sucesso que alcançou.

Em 1977, lançou o LP "Agepê" pela Continental Discos.

Em 1984 no LP "Mistura Brasileira", disco produzido por Aramis Barros, foi um dos pioneiros em colocar teclados no samba, mais especificamente na faixa "Deixa eu te amar" (Agepê, Vamilo e Mauro Silva). A faixa, carro chefe do LP, alcançou grande sucesso, fazendo com que vendesse mais de um milhão de cópias. Devido à popularidade deste samba, chegou a ser capa da revista Veja de 29 de janeiro de 1986, que trazia a reportagem "O samba romântico explode com Agepê".

Em 1985, gravou o LP "Agepê", pela Som Livre.
 
Em seus discos, sempre incluía músicas de Edil Pacheco e Paulo César Pinheiro, chegando a gravar "A lenda da estrela-do-mar" e "Ilê-aiyê" em 1986 e 1987, respectivamente.
 
No ano de 1988, gravou o disco "Canto pra gente cantar", pela Philips.

Uma de suas últimas apresentações foi na quadra da Portela em agosto de 1995, quando concorreu com o samba-enredo "Essa gente bronzeada mostra seu valor" em parceria com Canário e Bira Caboclo.

Obra

A luz do teu olhar (c/ Aílton e Edinho da Lapa)
À mercê do teu amor (c/ Canário, Roberto Lopes e Simões PQD)
À Procura da flor (c/ Canário e Beto Correa)
Alegria no ar (c/ Canarinho e Totonho)
Banho de amor (c/ Wilson Lee e Paulo Rocha)
Carnaval porreta (c/ Pery Cachoeira)
Dançando forró (c/ Canário e Pery Cachoeira)
De todas as formas (c/ Canário e Zé Catimba)
Deixa eu te amar (c/ Vamilo e Mauro Silva)
Deusa do Gantóis (c/ Canário e Pery da Bahia)
Dona do meu ser (c/ Canário e Beto Correa)
Errado fui eu (c/ Beto Correa)
Essa gente bronzeada mostra seu valor (c/ Canário e Bira Caboclo)
Flor da minha paixão (c/ Canário e Roberto Lopes)
Infinito amor (c/ Canário e Galhardo)
Inspiração (c/ Canário e Chiquinho Fabiano)
Louca (c/ Canário e Beto Correa)
Menina dos cabelos longos (c/ Canário)
Moça criança (c/ Canário)
Moro onde não mora ninguém (c/ Canário)
Mundo bom (c/ Canário)
Mundo de cimento (c/ Serafim Adriano)
Musa de Ordonho (c/ Totonho e Canarinho)
Ninguém faz amor como você (c/ Léo da Vila e Canário)
Parece que o tempo não passou (c/ Carlito Cavalcanti e Canarinho)
Primeiro beijo (c/ Canário e Beto Correa)
Proezas do coração (c/ Totonho e Canarinho)
Um grande amor nunca termina (c/ Chiquinho Fabiano e Beto Correa)

Discografia

(1994) Feliz da vida • Continental/Warner Music • CD
(1991) Me leva • PolyGram • CD
(1990) Agepê • PolyGram • CD
(1989) Cultura popular • PolyGram • CD
(1988) Canto pra gente cantar • Philips • LP
(1987) Agepê • Philips • LP
(1986) Agepê • Som Livre • LP
(1985) Agepê • Som Livre • LP
(1984) Mistura brasileira • Som Livre • LP
(1981) Agepê • CBS • LP
(1979) Agepê • CBS • LP
(1978) Canto de esperança • CBS • LP
(1977) Tipo exportação • Continental Discos • LP
(1975) Moro onde não mora ninguém • Continental Discos • Compacto simples
(1975) Moro onde não mora ninguém • Continental Discos • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.

Fonte: dicionariompb

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Waldir 59 (Portelenses de Outrora)

   

PORTELENSES DE OUTRORA

Waldir 59
Waldir de Souza 
* 3/3/1927 Rio de Janeiro, RJ
+ 25/11/2015 Rio de Janeiro. RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Integrante da Ala de Compositores da Portela a partir da década de 1950, tendo vencido vários carnavais na Portela nos anos de 1955, 1956, 1957, 1959 e 1965. Seu pseudônimo se originou devido a ter três pessoas com o mesmo nome "Waldir" na Ala de Compositores da Portela. Assim ficou conhecido como o Waldir que morava no número 59, em uma casa próxima à escola. Trabalhou como ferroviário. Também integrou a Ala de Compositores do Bloco Recreativo Embalo de Madureira a partir de 1963. Considerado o responsável por Clara Nunes e Paulinho da Viola terem integrado a Portela. Participou do filme "Orfeu do Carnaval" (sendo responsável por toda parte musical do samba). Integrante da Velha-Guarda da Portela desde sua fundação no ano de 1970. Atuou como Diretor de Harmonia da Portela a partir do ano de 1973, e em 1990 foi premiado com o "Troféu O Dia" por sua atuação como Diretor de Harmonia da Portela. Em 2000 foi acomedido por cataratas nos dois olhos, o que o deixou cego. No ano de 2008 foi um dos destaques no filme "O Mistério do Samba", de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor.

Dados Artísticos

No ano de 1955 a Portela desfilou com samba-enredo de sua autoria em parceria com Candeia "Festas juninas em fevereiro", com o qual a escola classificou-se em 3º lugar no Grupo 1. No ano posterior, em 1956, a Portela foi a Vice-campeã do Grupo 1 desfilando com o samba-enredo "Tesouros do Brasil, Riquezas do Brasil ou Gigante pela própria natureza", de Candeia e Waldir 59. Apesar do nome, um pouco grande, o samba-enredo, logo após o desfile, transformou-se em um clássico do gênero, e ficou mais conhecido (em diversas gravações) por apenas "Riquezas do meu Brasil" e também, em outras tantas gravações de vários intérpretes, "Riquezas do Brasil" e ainda por "Riquezas do nosso Brasil". Em 1956 compôs com Candeia o samba de terreiro "Vem amenizar", apresentado pela primeira vez na Portelinha - primeira sede da escola. No ano seguinte, em 1957, compôs com Candeia e Picolino o samba-enredo "Legados de D. João VI", com o qual a Portela foi campeã. Neste mesmo ano foi lançado o disco "A Vitoriosa Escola de Samba da Portela" (Gravadora Sinter), no qual foram incluídos os sambas "Legados de D. João VI" (Candeia, Picolino da Portela e Waldir 59); "Despertar de um gigante" (Candeia, Picolino da Portela e Waldir 59) e "Riquezas do Brasil", que foi editado no disco como "Brasil poderoso", aparecendo nas três composições, estranhamente, o nome de Picolino da Portela como parceiro de Candeia e Waldir 59, tendo como intérprete As Pastoras da Portela. Em 1959 compôs com Casquinha, Bubu, Candeia e Picolino o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias", com o qual a escola voltou a ser campeã. No ano de 1965, no aniversário dos 400 anos da cidade do Rio de Janeiro, compôs com Candeia "Histórias e tradições do Rio Quatrocentão", com o qual a Portela se classificou em terceiro lugar no desfile daquele ano. Em 1971 no LP "Quem samba fica... Adelzon Alves mete bronca e a rapaziada do samba dá o recado", da gravadora Odeon, produzido por Adelzon Alves, o cantor Nadinho da Ilha interpretou de sua autoria "Lapa", em parceria com Ari Guarda). No ano de 1974 no LP "História das Escolas de Samba - Portela", lançado pela gravadora Discos Marcus Pereira, foi incluído o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias" (c/ Candeia, Casquinha e Bubu da Portela - não aparecendo nesta gravação o nome de Picolino da Portela), sendo a faixa interpretada por Altair e Bubu da Portela. No ano de 1977 o parceiro Candeia, no LP "Luz da inspiração" (gravadora WEA), interpretou de ambos "Riquezas do nosso Brasil". No ano seguinte, em 1978, Candeia, no disco "Axé! Gente amiga do samba", incluiu "Vem amenizar", outra parceria de ambos, desta vez com participações especiais de Dona Ivone Lara e Chico Santana. Na década de 1980 afastou-se da Escola de Samba Portela e passou a integrar a Ala de Compositores da Unidos da Tijuca, onde permaneceu por menos de um ano. No ano de 1980 Martinho da Vila interpretou "Legados de D. João VI - Portela, 1957" (c/ Candeia e Picolino), no LP "Samba Enredo", lançado pela gravadora RCA. No ano de 1991 ganhou o prêmio "Estandarte de Ouro", do jornal O Globo, na categoria "Personalidade do Carnaval". No ano de 2002 Zeca Pagodinho, no disco "Deixa a vida me levar" (Universal Music), regravou "Riqueza do nosso Brasil" (c/ Candeia), faixa na qual contou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela. Em 2008 foi lançado o filme "Eu sou Povo", com direção de Bruno Barcellar, Regina Rocha e Luís Fernando Couto, documentário sobre a vida e obra de Candeia, no qual Waldir 59, ao lado de Carlos Monte, João Batista M. Vargens, Teresa Cristina, Tantinho da Mangueira e Sergio Cabral, prestou depoimento sobre o parceiro. Em 2010 Cristina Buarque e Grupo Terreiro Grande, no CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia", regravaram "Brasil, panteão de glórias" (c/ Candeia, Casquinha e Bubu da Portela - não aparecendo o nome de Picolino da Portela nesta gravação) e "Riquezas do Brasil" (c/ Candeia). Neste mesmo ano participou do show "Samba do Ouvidor visita as Escolas de Samba!", no Teatro Rival Petrobras, Rio de Janeiro, ao lado do também convidado especial Ledi Goulart (puxador oficial da Escola de samba Aprendizes de Lucas e da Unidos de Lucas, ambas na década de 1960). Ainda em 2010 concorreu com samba-enredo "Rio, azul da cor do mar" (c/ PQD e Fernando Cabelo) para o carnaval da Portela, não se classificando para o desfile da escola para o ano de 2011. No ano de 2012 os cineastas Anita Ekman e Alberto Bellezia deram início às filmagens do documentário "Waldir 59", contando sua vida e obra. No ano seguinte, em 2013, fez o show-palestra "Lapa em três tempos", acompanhado pela cantora Nina Wirtti, o bandolinista Luis Barcellos, o violonista Rafael Mallmith e o percussionista Sandro Carioca, em palco montado embaixo dos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, em projeto realizado com patrocínio do Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, idealizado pela artista plástica Anita Ekman Simões em parceria com o músico Sergio Krakowski. Neste mesmo ano de 2013 foi considerado o compositor mais antigo da Portela ainda vivo, quando o cantor e compositor Monarco o convidou para integrar a "Velha-Guarda Show" da escola. Ainda em 2013 fez show solo no Cordão da Bola Preta, também na Lapa. No ano de 2015, pouco ante de seu falecimento, foi considerado o integrante mais antigo da Ala de Compositores da escola, ano em que concorreu pela última vez à escolha do samba enredo da escola para desfile em 2016.

Obras

Brasil, panteão de glórias (c/ Candeia, Casquinha, Bubu da Portela e Picolino)
Data maravilhosa (c/ Casquinha e Candeia) inédita
Despertar de um gigante (c/ Candeia e Picolino da Portela)
Festas juninas em fevereiro (c/ Candeia)
Histórias e tradições do Rio Quatrocentão (c/ Candeia)
Lamento de uma raça (c/ Candeia) inédita
Lapa (c/ Ari Guarda)
Legados de D. João VI (c/ Candeia e Picolino da Portela)
Magna beleza (c/ Candeia)
Meu ser (c/ Candeia) inédita
Não é bem assim (c/ Candeia) inédita
O molho é samba
Por que não vens? (c/ Candeia) inédita
Rio, azul da cor do mar (c/ PQD e Fernando Cabelo) Inédita
Riquezas do Brasil (Brasil poderoso) (c/ Candeia)
Sem razão (c/ Candeia) inédita
Vem amenizar (c/ Candeia)

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Edição Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006. 
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014. 

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.