domingo, 18 de dezembro de 2016

Catoni (Portelenses de Outrora)

Catoni

Sebastião Vitorino Teixeira dos Santos
* 13/5/1930 Ouro Preto, MG 
+  8/8/1999 Rio de Janeiro, RJ


Biografia  

Compositor. Cantor. Instrumentista. Sanfoneiro.  A família transferiu-se para o subúrbio de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, quando completou 13 anos.  O pseudônimo Catoni lhe foi dado por ter morado com uma família italiana.  Trabalhou como serralheiro de ferro e alumínio. Falava nagô fluentemente, língua que aprendeu com a avó, ex-escrava, que viveu 100 anos.  Pertenceu à Ala dos Compositores da Escola Vai Se Quiser, que mais tarde se uniu à Escola Corações Unidos de Jacarepaguá formando o Grêmio Recreativo União de Jacarepaguá, conhecida na época como Vai Se Quiser. Totalizou 12 sambas-enredos compostos para essas escolas. Mais tarde, em 1966, levado por Natal da Portela, ingressou na Ala dos Compositores da Escola de Samba Portela.  Faleceu em 1999, sendo sepultado no cemitério da Pechincha, Zona Oeste do Rio de Janeiro.  No ano de 2013 foi citado em verbete no livro "Frutos da Terra: Sambas e Compositores Iguaçuanos", organizado por Otair Fernandes e Edna Inácio da Silva e Silva, publicado pelo Núcleo LEAFRO (Laboratório de Estudos Afro-brasileiro e Indígenas", da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).  

Dados Artísticos  

Ainda menino, aos 13 anos, tocava sanfona de oito baixos e cantava calangos em Ouro Preto. Por essa época, compôs o seu primeiro samba "Vai, meu amor".  Fez parte da ala de compositores de várias escolas, mas obteve algum sucesso quando ingressou na Ala de Compositores da Portela.

No ano de 1967 a Portela desfilou com o samba-enredo de sua autoria: "Tal dia é o batizado" (c/ Jabolô e Valtenir), com o qual a escola classificou-se em sexto lugar. Neste mesmo ano, Elizete Cardoso, no disco "Viva o samba!", lançado pela gravadora Copacabana, interpretou de sua autoria "Perdi a namorada", em parceria com Jabolô e Waltenir.  

Em 1970 compôs com Jabolô e Valtemir o samba-enredo "Lendas e mistérios da Amazônia", com o qual a Portela desfilou naquele ano, classificando-se em 1° lugar com o samba puxado por Silvinho do Pandeiro e com enredo do museólogo Clóvis Bornay. Dois anos depois, em 1972, Elizeth Cardoso gravou de sua autoria, também em parceria com Jabolô e Valtemir, o samba "Perdi a namorada".  

No ano de 1974 dois sambas seus foram gravados por outros artistas: "Se eu perdi, você me dá" e "Bom-dia, Salgueiro", tendo sido este último inscrito em um concurso de samba no Salgueiro e conseguido uma boa colocação. Neste mesmo ano, ao lado de Wilson Moreira, Edson Menezes, Gracia do Salgueiro e Ary do Cavaco, entre outros, participou do LP "Olé do partido alto", no qual interpretou de sua autoria "Quero ver você negar", em parceria com Bira. No ano seguinte, em 1976, Eliana Pittman interpretou "No meio do povo", parceria com o poeta e letrista Sérgio Fonseca e Joel Menezes. Neste mesmo ano, Sônia Lemos gravou "Berimbau amarelo" (c/ Bira) e Agepê interpretou de sua autoria "Jeito de tatuagem", também em parceria com Bira.  

Em 1977 compôs "A festa da aclamação" (c/ Jabolô, Dedé da Portela e Valtemir), samba-enredo com o qual a Portela classificou-se em segundo lugar no campeonato daquele ano. No ano seguinte, Roberto Ribeiro gravou "Isso não são horas" (c/ Xangô da Mangueira e Chiquinho) e Paulinho da Viola interpretou "Cenários", parceria com Jorge Mexeu.  

No ano de 1979 Clementina de Jesus gravou o disco "Clementina e convidados". No LP, produzido pela EMI, incluiu "Laçador", parceria de Clementina e Catoni.  

Apresentou-se várias vezes em clubes tocando instrumentos de percussão e sanfona, como o Clube Renascença.  

No ano de 1997 Roberto Lara o convidou a fazer uma participação especial em seu CD "Tomando de assalto". Neste disco, Catoni interpretou "Vertigem", parceria com o poeta e professor de literatura Sérgio Fonseca. No ano seguinte, em 1998, gravou o documentário "Um Preto Velho Chamado Catoni", média-metragem de 43 minutos dirigido por Valter Filé para a série "Puxando Conversa", da TV Maxambomba.  

No ano de 2000 Marquinhos de Oswaldo Cruz, no disco "Uma geografia popular", interpretou "Tem zoeira", de Catoni em parceria com Jabolô.  

Em 2001 Roberto Lara, no disco "Em casa", regravou "Vertigem", de Catoni e Sérgio Fonseca.  

No ano de 2003 a Portela, ao lado da Tradição, Império Serrano e Viradouro, foi uma das Escolas de Samba que optaram em comemorar o 20º aniversário do Sambódromo, quando foi construída a "Passarela do Samba", levando para a avenida sambas-enredo anteriores a 1984. A Portela escolheu o samba-enredo que lhe deu o título de 1970: "Lendas e mistérios da Amazônia", de Catoni, Jabolô e Waltenir. Com este samba-enredo de sua autoria, a Águia desfilou no carnaval de 2004, classificando-se em 7º lugar no Grupo Especial. 

No ano de 2009 Clarice Magalhães regravou "Vertigem" (Catoni e Sérgio Fonseca) no disco "Meu saravá", lançado pelo selo Cedro Rosa.  

Em 2010 suas composições "Redenção" (c/ João da Paz) e "Os arcos", em parceria com Evandro Lima e Sérgio Fonseca, esta última com a participação especial de Adelzon Alves, foram incluídas no CD "O Canto da Baixada", de Bira da Vila.  

Entre seus diversos parceiros estão Carlito Cavalcanti; Sérgio Fonseca, com quem tem dezenas de composições inéditas; além de Candeia em "Meu dinheiro não dá", "Isso não são horas" (c/ Xangô da Mangueira e Chiquinho), gravada por Xangô e com participação especial de Catoni e Zagaia; "Cenários", composta em parceria com Jorge Mexeu e gravada por por Paulinho da Viola; "Zambelê" (c/ Rosa Maria Silva), interpretada por por Clara Nunes; "Jeito de tatuagem" (em parceria com Bira), registrada por Agepê; "Festa da aclamação" (c/ Jabolô, Waltenir e Dedé da Portela), gravada por Silvinho e coro, samba-enredo com o qual a Portela tornou-se vice-campeã no ano de 1977 e o seu maior sucesso "Lendas e mistérios da Amazônia", em parceria com Jabolô e Waltenir), com várias gravações, inclusive Chico Buarque.

Obra

A festa da aclamação (c/ Dedé da Portela, Jabolô e Waltenir)
Berimbau amarelo (c/ Bira)
Bom-dia Salgueiro
Cenários (c/ Jorge Mexeu)
Estranho suicida inédita
Ganga-Zumba
Isso não são horas (c/ Xangô da Mangueira e Chiquinho)
Jeito de tatuagem (c/ Bira)
Laçador (c/ Clementina de Jesus)
Lendas e mistérios da Amazônia (c/ Jabolô e Valtemir)
Marujada Inédita
Meu dinheiro não dá (c/ Candeia)
Missa profana Inédita
Nem (c/ Sérgio Fonseca) Inédita
No meio da roda (c/ Sérgio Fonseca) inédita
No meio do povo (c/ Sérgio Fonseca e Joel Menezes)
Os arcos (c/ Evandro Lima e Sérgio Fonseca)
Perdi a namorada (c/ Jabolô e Waltemir)
Quero ver você negar (c/ Bira)
Redenção (c/ João da Paz)
Se eu perdi, você me dá
Tal dia é o batizado (c/ Jabolô e Waltenir)
Tem zoeira (c/ Jabolô)
Vai, meu amor
Vertigem (c/ Sérgio Fonseca)

Discografia

(2001) Em casa • Selo Arrent Mermo Records • CD
(1997) Tomando de assalto • Independente • CD
(1974) Olé do partido alto • Tapecar • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
FERNANDES, Otair e SILVA, Inácio da Silva (Organizadores). Frutos da Terra: Sambas e Compositores Iguaçuanos. Rio de Janeiro: Núcleo LEAFRO (Laboratório de Estudos Afro-brasileiro e Indígenas), da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), 2013.
ISNARD, & CANDEIA. Escola de samba - árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Editora Lidador/Seec, 1978.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Cabana (Portelenses de Outrora)

  

Cabana

Silvestre Davi da Silva
* 22/7/1924 Rio de Janeiro, RJ 
+ 18/12/1986 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor.  Foi integrante da Ala de Compositores de várias escolas de samba: Portela, Deixa Malhar, União Entre Nós e Unidos do Barão de Petrópolis, entre outras.  Em 1953 inscreveu o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor na Confederação das Escolas de Samba para o desfile do ano seguinte, passando a se chamar Grêmio Recreativo e Escola de Samba Beija-Flor.  

Dados Artísticos 

Em 1954, em seu primeiro desfile no Grupo 2, a Beija-Flor desfilou com o samba-enredo de sua autoria: "O caçador de esmeraldas", classificando-se em primeiro lugar e passando para o Grupo 1.

No ano de 1967 compôs "Tal dia é o batizado", samba-enredo com o qual a Portela desfilou nesse mesmo ano, classificando-se em 6º lugar do Grupo 1. Essa música foi gravada por Francinete, na Copacabana Discos. No ano seguinte a Portela voltou a desfilar com samba de sua autoria: "Tronco do Ipê", ficando em 4º lugar do Grupo 1.

Em 1972, em parceria com Norival Reis (Vavá da Portela), compôs "Ilú Aiê (Terra da Vida)", samba-enredo com o qual a Portela classificou-se em 3º lugar do Grupo 1.

Em 1973, voltou a integrar a ala de compositores da Beija-Flor. Neste mesmo ano Martinho da Vila gravou "Nhem, nhem, nhem", parceria de ambos, no LP "A voz do samba".

Em 1985 Beth Carvalho gravou "Não dá pra guardar" (Martinho da Vila e Cabana) no LP "Das bençãos que virão com os novos amanhãs", pela RCA Victor. Sua composição mais conhecida é "Ilú Ayê", considerado um dos mais belos sambas-enredos de todos os tempos gravado por Clara Nunes. Outros intérpretes de sua obra foram Elza Soares, que gravou "Ilu Ayê", composição também interpretada por Mônica Salmaso no CD "Voadeira", lançado em 2001.
 
No ano de 2002, Eliane Faria regravou "Ilu Ayê" no CD "Clássicos do samba", no qual também participaram D. Ivone Lara , Martinho da Vila, Jamelão e Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília. O CD foi gravado no espetáculo de igual título, estreado no Teatro Nacional de Brasília para a comemoração do Dia da Cultura (6 de dezembro), tendo sido apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista e ainda, em turnê, no ano de 2002, pela Europa, especialmente na Dinamarca. O lançamento do disco foi no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e contou com as presenças das velhas-guardas da Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro e Vila Isabel, Além de Rildo Hora, Francisco Weffort (Ministro da Cultura), intelectuais e artistas. 
 
Em 2004 Carmem Queiroz regravou "Ilú Ayê". 
 
No ano de 2010 sua composição "Você morava lá no morro", foi gravada por Bira da Vila no CD "O Canto da Baixada". 
 
Obra 
 
Balaio do gato e do rato (c/ Martinho da Vila) Ilú Aiê (c/ Norival Reis)
Não dá pra guardar (c/ Martinho da Vila)
Nhem, nhem, nhem (c/ Martinho da Vila)
O caçador de esmeraldas
Tal dia é o batizado
Você morava lá no Morro
 
Bibliografia Crítica
 
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.
CARISE, Iracy. A arte negra na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Editora Artenova, S/D.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ary do Cavaco (Portelenses de Outrora)

 

Ary do Cavaco

Ari Alves de Souza
 * 17/2/1942 Rio de Janeiro, RJ 
+ 22/9/2011 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Compositor. Cantor. Instrumentista. Passou a infância no bairro de Coelho da Rocha, em São João de Meriti, cidade da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Trabalhou como torneiro mecânico, engraxate e vendedor de pão. Ingressou na Ala de Compositores da Portela em 1962. Autodidata, aprendeu a tocar cavaquinho. Começou a compor com 27 anos. Seu irmão Rubens Alves de Souza também foi um de seus parceiros mais constantes. No ano 2000, como presidente da Ala de Compositores da Portela, foi um dos organizadores do disco "Ala de Compositores da Portela". Hoje, em sua homenagem, a Ala de Compositores leva o seu nome.

Dados Artísticos

Em 1969 compôs o partido-alto "Cotidiano", com Silvinho do Pandeiro. Neste mesmo ano, compôs com Ari Guarda "Pra onde eu vou".

No ano de 1971 o samba-enredo "Lapa em três tempos" (c/ Rubens Alves de Souza) classificou a Portela em 2º lugar do Grupo 1. Neste mesmo ano, Paulinho da Viola gravou com grande sucesso essa composição. No ano seguinte o compositor fez sucesso com "Nó na cana", em parceria com César Augusto. A música foi apresentada no "VII Festival Internacional da Canção", da TV Globo do Rio de Janeiro.

No ano de 1974 Elizete Cardoso no LP "Feito em casa" incluiu de sua autoria "Chico Lambança" e "Batido na palma da mão", ambas em parceria com Otacílio de Souza.

Em 1976 fez sucesso com o samba "Na Beira do Mangue", parceria com Otacílio da Mangueira.

Em 1981 participou do "MPB Shell", da TV Globo com a música "Reunião de bacana", em parceria com Bebeto Di São João. A música foi interpretada pelo conjunto Exporta Samba, alcançando grande repercussão na época. No ano seguinte, participou outra vez do "MPB Shell", desta vez com a música "Mordomia" (c/ Gracinha), obtendo o 3º lugar com a interpretação de Almir Guineto. Como músico participou de shows e gravações com Zeca Pagodinho, Jair Rodrigues e Originais do Samba, entre outros. Atuou em shows no Cordão do Bola Preta, na Casa de Bamba, na Casa do Partideiro, no Clube do Renascença e em outros clubes e boates.

Em 1996 no disco "Deixa clarear", pela gravadora PolyGram, Zeca Pagodinho interpretou "Nega do patrão" (c/ Octacílio da Mangueira).

No ano 2000 organizou e participou do disco "Ala de Compositores da Portela", no qual declamou versos de seu samba-enredo "Lapa em três tempos" (c/ Rubens Alves de Souza). Deste mesmo disco participaram Eliane Faria, Paulinho da Viola, Monarco, João Nogueira, Cristina Buarque, Simone Moreno, Wilson Moreira, Dorina, Norival Reis, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Fraco Cava, Anderson da Portela e Waldir 59.

Em 2002, seriamente enfermo, foi objeto de um movimento público para arrecadar recursos para seu tratamento, liderado por Darcy da Mangueira, Lair e Ricardo Cravo Albin, seus amigos de início de carreira. Neste mesmo ano, foi lançado o livro "Velhas histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.

No ano de 2005 com a composição "Praça Mauá", classificou-se em quinto lugar no "Festival de Samba de Terreiro da Portela". Compôs em parceria com Octacílio da Mangueira (Otacílio de Souza) "Na beira do mangue", gravada por Jair Rodrigues.

No ano de 2011 participou do projeto "Terapia Popular", do cantor e compositor Roberto Serrão, no bar Severyna, no bairro de Larajeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. Na ocasião foi acompanhado pelo grupo Cara da Gente, integrado por Maurício Verde (cavaquinho), Vinicius (percussão), Zé Carlos (percussão) e Diogo Cunha (violão 7 cordas).

Obra

Batido na palma da mão (c/ Otacílio de Souza)
Chico lambança (c/ Otacílio de Souza)
Cotidiano (c/ Silvinho do Pandeiro)
Êh! Praça Mauá
Lapa em três tempos (c/ Rubens Alves de Sousa)
Mordomia (c/ Gracinha)
Na beira do mangue (c/ Octacílio da Mangueira)
Nega do patrão (c/ Octacílio da Mangueira)
Nó na cana (c/ César Augusto)
Pra onde eu vou (c/ Ari Guarda)
Praça Mauá
Reunião de bacana (c/ Bebeto Di São João)
Todo azul que o azul tem (c/ Café e Carlinhos Madureira)
Vai, meu samba (c/ Otacílio de Souza)

Discografia

(2000) Ala de Compositores da Portela • CD

Shows

Ary do Cavaco (2010) Bar Vaca Atolada, RJ
Festival de Samba de Terreiro da Portela. RJ. (2005)

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
ISNARD, & CANDEIA. Escola de samba - árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Editora. Lidador/Seec, 1978.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Argemiro (Portelenses de Outrora)

 

Argemiro da Portela

Argemiro do Patrocínio
* 1923 Rio de Janeiro, RJ 
+ 21/5/2003 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor. Cantor. Pandeirista.  Nasceu no bairro da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. Trabalhou como técnico em refrigeração.  Na década de 1950, foi levado por Paulo da Portela (então diretor) e Betinho (diretor de bateria) para a Escola de Samba Portela, passando a integrar a Ala dos Pandeiros. Pai do Mestre Sala Jerônimo (da Portela). Integrou a Ala dos Compositores da Portela e também a velha-guarda da escola.  Começou a compor aos 56 anos de idade.  Faleceu em sua casa em São João de Meriti, no Rio de Janeiro, durante a madrugada, em decorrência de um ataque cardíaco aos 80 anos. Sua esposa, Walkíria, a Dona Lina, havia falecido duas semanas antes. O corpo foi velado na Quadra da Portela e sepultado no Jardim da Saudade, cemitério da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Dados Artísticos

No ano de 1980, Beth Carvalho, no disco "Sentimento brasileiro", interpretou um de seus maiores sucessos: "A chuva cai lá fora", em parceria com Casquinha. No ano seguinte, em 1981, a mesma cantora incluiu "Gorjear das passarada" (c/ Casquinha) no LP "Na fonte", lançado pela RCA Victor.

No ano de 1986, com produção de Katsunori Tanaka, foi lançado somente para o mercado japonês o disco "Doce recordação - Velha-Guarda da Portela". No disco foram gravadas várias composições de autores portelenses e ainda, de sua autoria, "Nuvem que passou", em sua própria interpretação. 

Dois anos depois, em 1988, o japonês Katsonuri Tanaka produziu o disco "Velha-Guarda da Portela: Homenagem a Paulo da Portela", no qual Argemiro interpretou "Cocorocó", que havia sido gravada anteriomente por Clementina de Jesus em dueto com Roberto Ribeiro. 

No ano seguinte, em 1989, fez uma participação especial no disco "Boêmio feliz", de Zeca Pagodinho, no qual interpretou "Volta, meu amor" (Manacéia e Áurea Maria). 

Em 1990, no LP "Simplesmente Mauro Diniz", foi incluída "Que lugar!", parceria de Argemiro com Maia e Bira do Cavaco. No ano seguinte, Zeca Pagodinho gravou "Mafuá de Iaiá" (c/ Zeca Pagodinho e Serginho) no LP "Pixote", pela gravadora RCA. 

Em setembro de 2000, foi convidado por Teresa Cristina e Grupo Semente para participar da Roda de Samba na Sala Funarte Sidney Miller. Neste mesmo ano, participou, integrando a Velha-Guarda da Portela, do CD "Tudo azul", produzido por Marisa Monte para o selo Phonomotor. Nesse mesmo ano, o selo Nikita Music relançou o disco "Doce recordação".

Em 2001, Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabur começaram a filmagem do documentário sobre a Velha-Guarda da Portela. O filme, iniciado na temporada no Canecão, na ocasião de lançamento do CD "Tudo azul", contou com depoimentos de vários integrantes do grupo. Nesse mesmo ano, Carlos Monte e João Baptista M. Vargens lançaram o livro "A Velha-Guarda da Portela", no qual entrevistaram vários de seus componentes. O livro foi lançado no MIS (Museu da Imagem e do Som), no Rio de Janeiro e contou com a participação da Velha-Guarda da Portela e outros sambistas importantes de várias escolas de samba. Ainda em 2001, Casquinha, também integrante da Velha-Guarda da Portela, convidou o grupo a participar de seu primeiro disco solo, no qual interpretaram "O sol", de autoria de Argemiro da Portela e Casquinha. 

No ano seguinte, em 2002, participou do disco de Jair do Cavaquinho, lançado pelo selo Phonomotor, de Marisa Monte. Por este mesmo selo lançou o CD "Argemiro Patrocínio". Este disco contou com as participações de Marisa Monte na faixa "Dizem que o amor" (c/ Chico Santana) e de Teresa Cristina na faixa "Amém", parceria de Teresa Cristina e Argemiro, além de Zeca Pagodinho na música "A saudade me traz". O disco foi lançado neste mesmo ano, em maio, em show no teatro Clara Nunes, no qual dividiu o palco com Jair do Cavaquinho e ainda contou com as participações especiais de Marisa Monte e Teresa Cristina.

Em 2003, ao lado de Teresa Cristina, Seu Jair do Cavaquinho e Grupo Semente, apresentou-se no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Pouco depois viria a falecer. No ano posterior, em 2004, Monarco e a Velha-Guarda da Portela, juntamente com Beth Carvalho, interpretaram "A chuva cai", em parceria com Casquinha, no DVD "Beth Carvalho - a madrinha do samba".

Entre seus principais parceiros está Casquinha, seu amigo desde a década de 1940, e da nova geração, a cantora e compositora Teresa Cristina (RJ 28/2/1968), com quem tem algumas composições ainda inéditas.

Sobre Seu Argemiro, como era conhecido em Madureira e Oswaldo Cruz, contam muitas histórias e causos, dentre eles:

"Certa vez, levado por Paulinho da Viola e apresentado como um grande sambista a Vinicius de Moraes e Chico Buarque em uma mesa de um bar na Zona Sul, foi lhe pedido por uma pessoa presente que fizesse um samba de improviso sobre uma garrafa que estava na mesa. E Seu Argemiro respondeu: 'Eu não vou fazer porque eu não tô sentido nada por ela'".

Obra

A chuva cai lá fora (c/ Casquinha)
A saudade me traz
Amém (c/ Teresa Cristina)
Dancei
Deslize da vida (c/ Francisco Santana)
Dizem que o amor (c/ Chico Santana)
Gorjear das passarada (c/ Casquinha)
Lágrimas e tormentos
Lamento portelense
Mafuá de Iaiá (c/ Zeca Pagodinho e Serginho)
Meu sofrimento
Nuvem que passou
O samba
O sol (c/ Casquinha)
Que lugar! (c/ Maia e Bira do Cavaco)
Saia da casa dos outros (c/ Darcy Maravilha)
Solidão
Vou me embora pra bem longe

Discografia

(2002) Jair do Cavaquinho • Selo Phonomotor/EMI • CD
(2002) Argemiro do Patrocínio • Selo Phonomotor/EMI • CD
(2001) Casquinha da Portela • Lua Discos • CD
(2000) Tudo azul • Selo Phonomotor/EMI • CD
(2000) Doce recordação • Nikita Music • CD
(2000) Casa de samba 4 • Universal Music • CD
(1999) Velhas companheiras • Selo Sambinha • CD
(1995) Cilico + amigos = parceria • Niterói Discos • CD
(1994) Resgate • Cristina Buarque • CD
(1990) Homenagem a Paulo da Portela • Selo Tanaka • CD
(1988) Homenagem a Paulo da Portela • Selo Idéia Livre • LP
(1986) Doce recordação • Selo Sambinha • LP
(1981) Cristina • LP
(1981) Clara • EMI-Odeon • LP
(1980) Monarco e Velha-Guarda da Portela • Gravadora Eldorado • LP
(1974) Portela • Selo Marcus Pereira • LP
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP

Shows 

Marisa Monte e Teresa Cristina). Teatro Clara Nunes, RJ, (2002)
Show com a Velha-Guarda da Portela, Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Canhoto da Paraíba no Festival Heineken Concerts. Palace de São Paulo, SP,
Tudo azul. Show com a Velha-Guarda da Portela e convidados (Paulinho da Viola, Cristina Buarque, Zeca Pagodinho e Marisa Monte. Canecão. RJ,
Tudo azul. Show com a Velha-Guarda da Portela e Marisa Monte, no Palace de São Paulo, SP,
Roda de Samba. (c/ Teresa Cristina e Grupo Semente). Sala Funarte Sidney Miller. RJ,
Homenagem a Walter Rosa. (c/ Paulinho da Viola, Monarco, Velha-Guarda da Portela, Délcio Carvalho, entre outros). Teatro João Caetano. RJ,
Teresa Cristina, Seu Jair do Cavaquinho, Argemiro Patrocínio e Grupo Semente. Centro Cultural Carioca, RJ.

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Aniceto (Portelenses de Outrora)


 

Aniceto da Portela

Aniceto José de Andrade
   * 12/8/1912 Rio de Janeiro, RJ 
+  7/7/1982 Rio de Janeiro, RJ

 Biografia

Cantor. Compositor. Nasceu em Pedra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Irmão dos também compositores da Portela Mijinha (Bonifácio Andrade) e Manacéa (Manacéa José de Andrade). Trabalhou como fundidor pela CEDAE (Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), por onde se aposentou. Ingressou na Ala de Compositores da Portela levado pelo amigo compositor Cláudio Bernardo, que integrava a ala.

Dados Artísticos

Começou a compor aos 16 anos de idade. Gravitando sempre em ambiente musical e da escola de samba Portela, em Madureira, fazendo parte da Ala de Compositores, teve seu samba "Desengano", gravado no LP "Portela, passado de glória", produzido por Paulinho da Viola em 1970 e lançado pela gravadora RGE, participando da gravação. Quase sempre esta composição é atribuída erradamente a Aniceto do Império. Seu samba "Sofre por errar" foi gravado pelo grupo Copacabana, integrado por Moacir Silva, entre outros.

No ano de 1988 "Desengano" foi regravada por Beth Carvalho no LP "Alma brasileira". 
Em 1994 Cristina Buarque lançou o CD "Resgate", originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês, no qual interpretou de sua autoria "Eu perdi você".

No ano de 1997 o LP "Portela, passado de glória" foi relançado em CD pela gravadora RGE.

Em 2004 uma das principais pastoras da Portela, Surica, produzida por Paulão Sete Cordas, lançou o CD "Surica", seu primeiro disco solo. No CD foram incluídas de sua autoria as composições "Quem me ouvir cantar" e "Madrugada".

No ano de 2010 o grupo paulista Tuco & Batalhão de Sambistas gravou no CD "Peso é peso - Ao vivo" sua composição inédita "Ela chorou", incluída no pout-pourri "Homenagem aos irmão Andrade - Manacéa, Mijinha e Aniceto da Portela". A faixa contou com a participação especial da cantora Cristina Buarque.

No ano de 2012, foi montado o show "Homenagem Centenário - Aniceto José de Andrade, o Aniceto da Portela", no Núcleo dos Ferroviários, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo, evento no qual suas composições mais conhecidas são "Desengano", "Eu perdi você", "Madrugada", "Quem me ouvir cantar" e "Sofre por errar" (Não há mais amor) foram lembradas, assim como outros menos conhecidos do grande público.

Obra

Desengano
Ela chorou
Eu perdi você
Louca
Madrugada
Quem me ouvir cantar
Sofre por errar (Não há mais amor) 
Discografia 
(1970) Portela, passado de glória • Gravadora RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
VARGENS, João Batista M., MONTE, Carlos. A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Ed Manati, 2004.

domingo, 13 de novembro de 2016

Alvarenga (Portelenses de Outrora)

Alvarenga

Ernâni Alvarenga
* 10/6/1914 São Paulo, SP 
+ 1/1/1992 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Instrumentista. Nasceu no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos. Inicalmente aprendeu cavaquinho e aos 13 anos já atuava em regional. Compôs sua primeira música aos 14 anos de idade. Ao lado de Paulo Benjamim de Oliveira (Paulo da Portela) foi um dos fundadores do Grêmio Recreatico e Escola de Samba Portela., que unificou os blocos Baianinhas, Quem nos faz é o capricho, Vai como pode e Bloco Conjunto de Oswaldo Cruz, sendo este último, o qual fazia parte. Tocava cavaquinho e quatro e cinco cordas. Aperfeiçoou-se em cavaquinho tendo aulas com Luperce Miranda. Pertenceu à Ala de Compositores da Portela. Atuou como integrante da Velha da Guarda da Portela tocando cavaquinho e cantando. Algum tempo depois, afastou-se da vida artística em decorrência de uma doença nas cordas vocais. Até falecer residia no subúbio de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Dados Artísticos

Em 1931, o bloco Vai Como Pode desfilou na Praça Onze com um samba de sua autoria: "Dinheiro não há". Este samba, mais tarde, ganhou uma segunda parte composta por Benedito Lacerda e posteriormente foi gravado por Leonel Faria com o nome de "Lá vem ela chorando (dinheiro não há)". 

No ano de 1937, convidado pelo diretor Paulo Leblon, transferiu-se para São Paulo indo se apresentar como cantor no programa Big Show América, da Rádio América. Voltou ao Rio de Janeiro e ingressou na Rádio Mayrink Veiga e posteriormente trabalhou na Rádio Guanabara. 

Em 1977 Beth Carvalho gravou "Lá vem ela chorando (dinheiro não há)" (Alvarenga e Benedito Lacerda). A mesma cantora interpretou também outra composição de sua autoria: "Salário mínimo". 

Em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual há várias referências ao compositor. 

Em 2003 Vanessa da Mata incluiu no repertório de seu show no Espaço Arpoador uma composição de sua autoria: "Derramando lágrimas", em parceria com Délcio Carvalho. 

Obra 

Aumento de salário (c/ Paquito) 
Chegues a granel (c/ Paquito) 
Derramando lágrimas (c/ Délcio Carvalho) 
Dinheiro não há 
Lá vem ela chorando (c/ Benedito Lacerda) 
Salário mínimo 
Seu Aristeu (c/ Paquito) 

Bibliografia Crítica 

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000. 
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002. 
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.

domingo, 6 de novembro de 2016

Alvaiade (Portelenses de Outrora)

Alvaiade

Oswaldo dos Santos
 * 21/12/1913 Rio de Janeiro, RJ 
 + 23/6/1981 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Compositor. Cantor. Nasceu na Estrada do Portela, no bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro. Ficou órfão ao cinco anos. Começou a trabalhar como tipógrafo aos 13 anos. O apelido Alvaiade lhe foi dado por companheiros de futebol, atividade a que esteve ligado durante muito tempo, inclusive jogando pelo time da Portela. Atuou também na Associação Atlética Portuguesa. Um dos fundadores da UBC (União Brasileira de Compositores), tocava diversos instrumentos de percussão e cavaquinho. Em 1928, Paulo da Portela o convidou a integrar a Escola de Samba Vai Como Pode, que mais tarde se chamaria Portela. Integrou a Ala de Compositores da Portela. Desempenhava na escola de samba da Portela diversas funções, inclusive administrativas. Faleceu em 1981, sendo enterrado no Cemitério de Irajá.


Dados Artísticos

Em 1926 compôs seu primeiro choro, "O que vier eu traço", em parceria com Zé Maria, gravado posteriormente por Ademilde Fonseca. Naquela época, revelou suas qualidades de sambista e de orador habilidoso, sendo designado, na ausência de Paulo da Portela, a receber os convidados ilustres ou a representar a escola nas visitas a outros redutos.

Inicialmente, apresentava-se acompanhando outros compositores, tocando cavaquinho de centro. Mais tarde, passou a compor para a escola.

Em 1942, em parceria com Bibi, seu samba-enredo "A vida do samba" classificou a escola em 1º lugar. No ano seguinte, em parceria com Nílson, compôs o samba-enredo "Brasil, terra da liberdade", com o qual a Portela venceu o desfile daquele ano.

No ano de 1947, outra vez a Portela foi campeã com um samba de sua autoria, "Honra ao mérito" (c/ Ventura).

Participou de vários espetáculos no teatro Opinião do Rio de Janeiro na década de 1960, sempre tocando cavaquinho e cantando suas composições.

Foi o responsável pelo lançamento de diversos compositores, entre eles Manacéia, Walter Rosa, Candeia e Chico Santana.

Entre suas músicas mais conhecidas, destacam-se "Marinheiro de primeira viagem", lançada pela dupla Zé e Zilda, e gravada também por Jorge Veiga em 1961, "Embrulho que eu carrego" e "Banco de réu", as duas em parceria com Djalma Mafra.

Compôs com Chico Santana "Vida fidalga", samba incluído no LP da "Portela, passado de glória", de 1970.

Em 1981, Cristina Buarque o homenageou ao incluir em seu LP "Cristina", pela Ariola, a música "Vida de rainha" (c/ Monarco), gravada com a Velha-Guarda da Portela.

No ano de 1986, Katsunori Tanaka produziu para o mercado japonês o LP "Doce recordação - Velha-Guarda da Portela", disco no qual foi incluída de sua autoria a composição "Para o bem do nosso bem".

Em 2000 o disco "Doce recordação" foi relançado para o mercado brasiliero pela gravadora Nikita Music.

No ano de 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.

Entre suas intérpretes está Baby Consuelo, que regravou "O que vier eu taço" (c/ Zé Maria) fazendo sucesso no ano de 1981.

Obra

A vida do samba (c/ Bibi)
Baleiro
Banco de réu (c/ Djalma Mafra)
Brasil, terra da liberdade (c/ Nílson)
Deus me ajude (c/ Estandilau Silva e Humberto de Carvalho)
É mato (c/ Wilson Batista e Ary Monteriro)
Embrulho que eu carrego (c/ Djalma Mafra)
Eu chorei (c/ Alcides Loque)
Honra ao mérito (c/ Ventura)
Marinheiro de primeira viagem
O que vier eu traço (c/ Zé Maria)
Para o bem do nosso bem
Vida de rainha (c/ Monarco)
Vida fidalga (c/ Chico Santana)

Discografia

(1997) Portela, passado de glória • CD
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CABRAL, Sérgio. ABC de Sérgio Cabral - um desfile de craques da MPB. Rio de Janeiro: Editora Pasquim/Codecri, 1979.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
ISNARD & Candeia. Escola de Samba - árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro: Ed. Lidador/Seec-RJ, 1978.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.