sábado, 29 de outubro de 2016

Alberto Lonato (Portelenses de Outrora)

 

  Alberto Lonato 

Alberto Lonato da Silva
 8/11/1909 Rio de Janeiro, RJ 
 18/1/1998 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Compositor. Instrumentista. Cantor. Criado na Rua Quintão nº 363, em Quintino Bocaiuva, subúrbio do Rio de Janeiro. A casa pertencia a Madalena Rica, conhecida como Madalena Xangô de Ouro, mãe-de-santo respeitada, que recebia diversos sambistas em sua casa. Nestas reuniões, compareciam Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Licurgo, Claudionor e Zé da Costa, entre outros que fundaram o bloco Vai Como Pode em 1928, antecessor da Portela. Mais tarde, nesta mesma casa, aconteceram as primeiras reuniões para a fundação da Portela, sendo frequentada por várias pessoas ligadas ao samba: os compositores do Estácio, da Mangueira e ainda Pixinguinha e Zé Espinguela. Neste ambiente cresceu Alberto Lonato, que mais tarde se mudou para o bairro do Sapê, depois com o nome alterado para Rocha Miranda, passando a frequentar as festas do seu Napoleão (pai de Natal da Portela).

Tendo como profissão Lustrador de móveis, aprendeu a tocar pandeiro observando outros ritmistas.

Dados Artísticos

Em 1941, entrou para a Portela, passando a fazer parte da Ala dos Compositores.

Sua composição de maior sucesso foi "Sofrimento de quem ama", gravada no disco "Portela, passado de glória", da Velha-Guarda da Portela. O disco foi produzido por Paulinho da Viola para a gravadora RGE em 1970. Anos mais tarde, Clara Nunes viria a regravar este samba.

Em 1971, compôs "Não pode ser verdade".

Clara Nunes gravou no LP "Brasil mestiço", uma composição de sua autoria, "Peixe com coco" (c/ Josias e Maceió do Cavaco), em 1980. A música foi um dos grandes sucessos da carreira da cantora.

No ano de 1986, fazendo parte da Velha Guarda da Portela, gravou o disco "Doce recordação" pelo selo Office Sambinha. O LP foi produzido por Katsunori Tanaka e somente lançado no mercado japonês. Neste LP tocou pandeiro e interpretou várias composições, inclusive de sua autoria "Esqueça". Dois anos mais tarde, Beth Carvalho regravou no LP "Alma do Brasil" , a composição "Esqueça".

No ano de 1989 a composição "Com lealdade", de sua autoria, foi gravada por Paulinho da Viola.

Em 1995, Paulo César Pinheiro produziu o CD "Clara Nunes com vida". Neste disco em homenagem à cantora, foram reunidos 14 sucessos da cantora, dentre eles "Peixe com coco", remasterizada e acrescida à voz de Martinho da Vila. Participou, ao lado de Mijinha, Chico Santana, Iara, Armando Santos, Manacéia, Monarco, Aniceto, Vicentina, Antônio Caetano, Alcides Lopes e Cláudio, da Velha-Guarda dos compositores da Portela.

No ano de 1994, após sofrer um derrame, teve que se afastar das apresentações do grupo, porém continuou desfilando pela escola até a sua morte, em 1998.

No ano 2000 a gravadora Nikita Music lançou para o mercado brasileiro o disco "Doce recordação" (Velha Guarda da Portela).

Em 2002, foi lançado o livro "Velhas histórias, memórias futuras" (Editora UERJ) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor. Em 2003, Monarco e Velha Guarda da Portela interpretaram seu maior sucesso: "Peixe com coco" (c/ Josias e Maceió do Cavaco), no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes".

Obra

Com lealdade
Esqueça
Não pode ser verdade
Peixe com coco (c/ Josias e Maceió do Cavaco)
Sofrimento de quem ama

Discografia

(2000) Doce recordação • Nikita Music • CD
(1986) Doce recordação • Japão. Selo Office Sambinha • LP
(1974) Portela • Selo Marcus Pereira • LP
(1970) Portela, passado de glória • RGE • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - Seis milênios de história. Rio de Janeiro: Editora Gryphus, 2000.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

Fonte:  dicionariompb

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Agepê (Portelenses de Outrora)

 
PORTELENSES DE OUTRORA

Agepê

Antônio Gilson Porfírio

* 10/8/1942 Rio de Janeiro, RJ 
+ 30/8/1995 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor.  Técnico projetista da Telerj, abandonou a profissão para se dedicar à vida artística.  Foi integrante da Ala dos Compositores da Portela.  Além de sambas, incluía sempre em seus discos agerê, ijexá e baião, abrindo um leque de ritmos brasileiro.  Seu parceiro mais constante foi Canário, com quem compôs seus maiores sucessos.  Seu pseudônimo artístico segue a redução onomástica com a utilização dos fonemas das primeiras letras de seu nome e sobrenomes.

Dados Artísticos

Lançou-se no mundo artístico em 1975 com a música "Moro onde não mora ninguém", em parceria com Canário, gravada em compacto simples. Música que o tornou definitivamente conhecido do grande público devido ao sucesso que alcançou.

Em 1977, lançou o LP "Agepê" pela Continental Discos.

Em 1984 no LP "Mistura Brasileira", disco produzido por Aramis Barros, foi um dos pioneiros em colocar teclados no samba, mais especificamente na faixa "Deixa eu te amar" (Agepê, Vamilo e Mauro Silva). A faixa, carro chefe do LP, alcançou grande sucesso, fazendo com que vendesse mais de um milhão de cópias. Devido à popularidade deste samba, chegou a ser capa da revista Veja de 29 de janeiro de 1986, que trazia a reportagem "O samba romântico explode com Agepê".

Em 1985, gravou o LP "Agepê", pela Som Livre.
 
Em seus discos, sempre incluía músicas de Edil Pacheco e Paulo César Pinheiro, chegando a gravar "A lenda da estrela-do-mar" e "Ilê-aiyê" em 1986 e 1987, respectivamente.
 
No ano de 1988, gravou o disco "Canto pra gente cantar", pela Philips.

Uma de suas últimas apresentações foi na quadra da Portela em agosto de 1995, quando concorreu com o samba-enredo "Essa gente bronzeada mostra seu valor" em parceria com Canário e Bira Caboclo.

Obra

A luz do teu olhar (c/ Aílton e Edinho da Lapa)
À mercê do teu amor (c/ Canário, Roberto Lopes e Simões PQD)
À Procura da flor (c/ Canário e Beto Correa)
Alegria no ar (c/ Canarinho e Totonho)
Banho de amor (c/ Wilson Lee e Paulo Rocha)
Carnaval porreta (c/ Pery Cachoeira)
Dançando forró (c/ Canário e Pery Cachoeira)
De todas as formas (c/ Canário e Zé Catimba)
Deixa eu te amar (c/ Vamilo e Mauro Silva)
Deusa do Gantóis (c/ Canário e Pery da Bahia)
Dona do meu ser (c/ Canário e Beto Correa)
Errado fui eu (c/ Beto Correa)
Essa gente bronzeada mostra seu valor (c/ Canário e Bira Caboclo)
Flor da minha paixão (c/ Canário e Roberto Lopes)
Infinito amor (c/ Canário e Galhardo)
Inspiração (c/ Canário e Chiquinho Fabiano)
Louca (c/ Canário e Beto Correa)
Menina dos cabelos longos (c/ Canário)
Moça criança (c/ Canário)
Moro onde não mora ninguém (c/ Canário)
Mundo bom (c/ Canário)
Mundo de cimento (c/ Serafim Adriano)
Musa de Ordonho (c/ Totonho e Canarinho)
Ninguém faz amor como você (c/ Léo da Vila e Canário)
Parece que o tempo não passou (c/ Carlito Cavalcanti e Canarinho)
Primeiro beijo (c/ Canário e Beto Correa)
Proezas do coração (c/ Totonho e Canarinho)
Um grande amor nunca termina (c/ Chiquinho Fabiano e Beto Correa)

Discografia

(1994) Feliz da vida • Continental/Warner Music • CD
(1991) Me leva • PolyGram • CD
(1990) Agepê • PolyGram • CD
(1989) Cultura popular • PolyGram • CD
(1988) Canto pra gente cantar • Philips • LP
(1987) Agepê • Philips • LP
(1986) Agepê • Som Livre • LP
(1985) Agepê • Som Livre • LP
(1984) Mistura brasileira • Som Livre • LP
(1981) Agepê • CBS • LP
(1979) Agepê • CBS • LP
(1978) Canto de esperança • CBS • LP
(1977) Tipo exportação • Continental Discos • LP
(1975) Moro onde não mora ninguém • Continental Discos • Compacto simples
(1975) Moro onde não mora ninguém • Continental Discos • LP

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, Folclórica e Popular. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.

Fonte: dicionariompb

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Waldir 59 (Portelenses de Outrora)

   

PORTELENSES DE OUTRORA

Waldir 59
Waldir de Souza 
* 3/3/1927 Rio de Janeiro, RJ
+ 25/11/2015 Rio de Janeiro. RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Integrante da Ala de Compositores da Portela a partir da década de 1950, tendo vencido vários carnavais na Portela nos anos de 1955, 1956, 1957, 1959 e 1965. Seu pseudônimo se originou devido a ter três pessoas com o mesmo nome "Waldir" na Ala de Compositores da Portela. Assim ficou conhecido como o Waldir que morava no número 59, em uma casa próxima à escola. Trabalhou como ferroviário. Também integrou a Ala de Compositores do Bloco Recreativo Embalo de Madureira a partir de 1963. Considerado o responsável por Clara Nunes e Paulinho da Viola terem integrado a Portela. Participou do filme "Orfeu do Carnaval" (sendo responsável por toda parte musical do samba). Integrante da Velha-Guarda da Portela desde sua fundação no ano de 1970. Atuou como Diretor de Harmonia da Portela a partir do ano de 1973, e em 1990 foi premiado com o "Troféu O Dia" por sua atuação como Diretor de Harmonia da Portela. Em 2000 foi acomedido por cataratas nos dois olhos, o que o deixou cego. No ano de 2008 foi um dos destaques no filme "O Mistério do Samba", de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor.

Dados Artísticos

No ano de 1955 a Portela desfilou com samba-enredo de sua autoria em parceria com Candeia "Festas juninas em fevereiro", com o qual a escola classificou-se em 3º lugar no Grupo 1. No ano posterior, em 1956, a Portela foi a Vice-campeã do Grupo 1 desfilando com o samba-enredo "Tesouros do Brasil, Riquezas do Brasil ou Gigante pela própria natureza", de Candeia e Waldir 59. Apesar do nome, um pouco grande, o samba-enredo, logo após o desfile, transformou-se em um clássico do gênero, e ficou mais conhecido (em diversas gravações) por apenas "Riquezas do meu Brasil" e também, em outras tantas gravações de vários intérpretes, "Riquezas do Brasil" e ainda por "Riquezas do nosso Brasil". Em 1956 compôs com Candeia o samba de terreiro "Vem amenizar", apresentado pela primeira vez na Portelinha - primeira sede da escola. No ano seguinte, em 1957, compôs com Candeia e Picolino o samba-enredo "Legados de D. João VI", com o qual a Portela foi campeã. Neste mesmo ano foi lançado o disco "A Vitoriosa Escola de Samba da Portela" (Gravadora Sinter), no qual foram incluídos os sambas "Legados de D. João VI" (Candeia, Picolino da Portela e Waldir 59); "Despertar de um gigante" (Candeia, Picolino da Portela e Waldir 59) e "Riquezas do Brasil", que foi editado no disco como "Brasil poderoso", aparecendo nas três composições, estranhamente, o nome de Picolino da Portela como parceiro de Candeia e Waldir 59, tendo como intérprete As Pastoras da Portela. Em 1959 compôs com Casquinha, Bubu, Candeia e Picolino o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias", com o qual a escola voltou a ser campeã. No ano de 1965, no aniversário dos 400 anos da cidade do Rio de Janeiro, compôs com Candeia "Histórias e tradições do Rio Quatrocentão", com o qual a Portela se classificou em terceiro lugar no desfile daquele ano. Em 1971 no LP "Quem samba fica... Adelzon Alves mete bronca e a rapaziada do samba dá o recado", da gravadora Odeon, produzido por Adelzon Alves, o cantor Nadinho da Ilha interpretou de sua autoria "Lapa", em parceria com Ari Guarda). No ano de 1974 no LP "História das Escolas de Samba - Portela", lançado pela gravadora Discos Marcus Pereira, foi incluído o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias" (c/ Candeia, Casquinha e Bubu da Portela - não aparecendo nesta gravação o nome de Picolino da Portela), sendo a faixa interpretada por Altair e Bubu da Portela. No ano de 1977 o parceiro Candeia, no LP "Luz da inspiração" (gravadora WEA), interpretou de ambos "Riquezas do nosso Brasil". No ano seguinte, em 1978, Candeia, no disco "Axé! Gente amiga do samba", incluiu "Vem amenizar", outra parceria de ambos, desta vez com participações especiais de Dona Ivone Lara e Chico Santana. Na década de 1980 afastou-se da Escola de Samba Portela e passou a integrar a Ala de Compositores da Unidos da Tijuca, onde permaneceu por menos de um ano. No ano de 1980 Martinho da Vila interpretou "Legados de D. João VI - Portela, 1957" (c/ Candeia e Picolino), no LP "Samba Enredo", lançado pela gravadora RCA. No ano de 1991 ganhou o prêmio "Estandarte de Ouro", do jornal O Globo, na categoria "Personalidade do Carnaval". No ano de 2002 Zeca Pagodinho, no disco "Deixa a vida me levar" (Universal Music), regravou "Riqueza do nosso Brasil" (c/ Candeia), faixa na qual contou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela. Em 2008 foi lançado o filme "Eu sou Povo", com direção de Bruno Barcellar, Regina Rocha e Luís Fernando Couto, documentário sobre a vida e obra de Candeia, no qual Waldir 59, ao lado de Carlos Monte, João Batista M. Vargens, Teresa Cristina, Tantinho da Mangueira e Sergio Cabral, prestou depoimento sobre o parceiro. Em 2010 Cristina Buarque e Grupo Terreiro Grande, no CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia", regravaram "Brasil, panteão de glórias" (c/ Candeia, Casquinha e Bubu da Portela - não aparecendo o nome de Picolino da Portela nesta gravação) e "Riquezas do Brasil" (c/ Candeia). Neste mesmo ano participou do show "Samba do Ouvidor visita as Escolas de Samba!", no Teatro Rival Petrobras, Rio de Janeiro, ao lado do também convidado especial Ledi Goulart (puxador oficial da Escola de samba Aprendizes de Lucas e da Unidos de Lucas, ambas na década de 1960). Ainda em 2010 concorreu com samba-enredo "Rio, azul da cor do mar" (c/ PQD e Fernando Cabelo) para o carnaval da Portela, não se classificando para o desfile da escola para o ano de 2011. No ano de 2012 os cineastas Anita Ekman e Alberto Bellezia deram início às filmagens do documentário "Waldir 59", contando sua vida e obra. No ano seguinte, em 2013, fez o show-palestra "Lapa em três tempos", acompanhado pela cantora Nina Wirtti, o bandolinista Luis Barcellos, o violonista Rafael Mallmith e o percussionista Sandro Carioca, em palco montado embaixo dos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, em projeto realizado com patrocínio do Governo do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura, idealizado pela artista plástica Anita Ekman Simões em parceria com o músico Sergio Krakowski. Neste mesmo ano de 2013 foi considerado o compositor mais antigo da Portela ainda vivo, quando o cantor e compositor Monarco o convidou para integrar a "Velha-Guarda Show" da escola. Ainda em 2013 fez show solo no Cordão da Bola Preta, também na Lapa. No ano de 2015, pouco ante de seu falecimento, foi considerado o integrante mais antigo da Ala de Compositores da escola, ano em que concorreu pela última vez à escolha do samba enredo da escola para desfile em 2016.

Obras

Brasil, panteão de glórias (c/ Candeia, Casquinha, Bubu da Portela e Picolino)
Data maravilhosa (c/ Casquinha e Candeia) inédita
Despertar de um gigante (c/ Candeia e Picolino da Portela)
Festas juninas em fevereiro (c/ Candeia)
Histórias e tradições do Rio Quatrocentão (c/ Candeia)
Lamento de uma raça (c/ Candeia) inédita
Lapa (c/ Ari Guarda)
Legados de D. João VI (c/ Candeia e Picolino da Portela)
Magna beleza (c/ Candeia)
Meu ser (c/ Candeia) inédita
Não é bem assim (c/ Candeia) inédita
O molho é samba
Por que não vens? (c/ Candeia) inédita
Rio, azul da cor do mar (c/ PQD e Fernando Cabelo) Inédita
Riquezas do Brasil (Brasil poderoso) (c/ Candeia)
Sem razão (c/ Candeia) inédita
Vem amenizar (c/ Candeia)

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Edição Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006. 
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014. 

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Felipe Quirino




CPB: Nome e idade?
 
Felipe: Felipe Quirino, 33 anos.

CPB: Fale um pouco sobre você!

Felipe: Poeta, compositor, sonhador, porém com os pés no chão... Trabalhador, lutando firme em busca dos meus objetivos e ideais, visando um mundo melhor e o bem da família, dos meus filhos...

CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você está vendo este novo momento?

Felipe: Vejo esse momento como um marco na Portela, com Marcos Falcon e a administração Portela Verdade a escola voltou a crescer e se destacar na avenida! Com certeza o campeonato está próximo, o caneco logo logo será nosso!

CPB: Fale de sua experiência no mundo do samba!

Felipe: Desde a infância gostei de fazer poesias e sambas, ficava tudo na gaveta, até que em 2012 participei pela primeira vez de uma disputa de Samba no Bloco "Os Cata Latas do Grajaú", não ganhei mas serviu de experiência... Em 2013 sagrei-me campeão nos blocos "Os Cata Latas do Grajaú" e "Bloco Seu Kuka"... Em 2014 sagrei-me campeão no bloco "Tamborim Sensação" e Bicampeão no "Bloco Seu Kuka"... Ainda em 2014 ingressei na Ala de Compositores da Portela, participando das disputas de Samba Enredo até os dias atuais... Em 2015 através do "Festival Velocidade da Música" tive o Partido Alto "Nascido no Samba" selecionado e gravado num CD com músicas de outros compositores selecionados, com a produção de Paulão 7 Cordas... Em 2016 pela primeira vez ganhei um samba enredo numa escola de samba, foi na Flor da Mina do Andaraí, a agremiação sagrou-se campeã do grupo D e subiu para o grupo C, e ganhamos 5 prêmios de Melhor Samba Enredo... Atualmente estou classificado pra final do Festival Samba de Terreiro da Portela, tenho consciência que tem muitos sambas bons na disputa e torço pra que vença o melhor, com certeza nossa agremiação será a grande vitoriosa!

Na parte literária em 2012 recebi o prêmio “Kairos Poiesis” no projeto “ALEPA” com um poema publicado no livro “Singular – O País dos Invisíveis”, após tive versos publicados nas três Antologias da “Confraria da Poesia Informal”, lançadas na Bienal do RJ (2013), SP(2014) e RJ (2015) respectivamente, e uma poesia publicada na Revista “Gente de Palavra – RS”.

CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?

Felipe: São muitos ídolos... Paulo da Portela, Cartola, Noel Rosa, Clara Nunes, Elis Regina, Chico Buarque, Tim Maia, Candeia, Paulinho da Viola, João Nogueira, Dona Ivone, Silas de Oliveira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Monarco, Noca e muitos outros... O Samba, a Música Popular Brasileira sempre teve e continua tendo uma boa safra de bambas!

CPB: Na elaboração de um samba, como você se define? É letrista, faz a música ou os dois?

Felipe: Não sei bem como explicar, pois como já disse o mestre João Nogueira, ninguém faz samba só porque prefere, e a composição é uma luz que chega de repente, com a rapidez de uma estrela cadente... Tem vezes que vem apenas a letra, outras vem só a melodia, e muitas das vezes a música completa!

CPB: Desde quando você compõe?

Felipe: Poesia eu faço desde os 10 anos, daí em diante eu fazia muitas paródias, por pura diversão, e aos 12 fiz pela primeira vez uma letra com uma melodia criada por mim... Até os dias de hoje tenho diversas composições guardadas na gaveta, e em breve irei aos poucos mostrá-las ao mundo!

CPB: Mesmo sendo da Jovem Guarda Portelense, o que você falaria aos jovens compositores iniciantes?

Felipe: Compor é um dom, então se Deus o concedeu pra alguém, o meu conselho é que essa pessoa vá fundo, escreva, grave, registre sempre que a inspiração bater em sua mente, e jamais desista dos seus sonhos, jamais deixe que ninguém o desencoraje! Ouse voar, sonhar, se entregar a essa arte, esse dom divino!

CPB: Para você, o que é ser PORTELA?

Felipe: Ser Portela é maravilhoso, não há uma definição única, ser Portela é ser Livre, ser Portela é um Sentimento Imensurável, é um Estado de Espírito, é Felicidade, Amizade, Cumplicidade, há muito Amor nisso tudo... Ser Portela é vislumbrar-se no Carnaval e roer as unhas na Apuração, ser Portela é sentir o corpo tremer, a pele arrepiar e acelerar o coração, ao som da marcação! Ser Portela é ter os pés no chão mas alçar vôos de Águia!

CPB: Dentro do Mundo do Samba, você tem algum sonho?

Felipe: Sonho ter minhas músicas gravadas, levando minha mensagem a milhares de pessoas, sonho ganhar um Samba na Portela, sonho ver minha Portela querida voltar a atingir o pódio máximo, e soltar da garganta o grito de "-É Campeão!"

CPB: Como portelense, o que você espera para a PORTELA em 2017?

Felipe: Pra 2017 espero, desejo, rezo pra que a Portela retorne ao Apogeu! Que nossa Águia Altaneira sobrevoe a Avenida e retorne com o caneco pra comunidade de Osvaldo Cruz e Madureira.

Desde já, agradecemos! 

Grato pela entrevista, que Deus ilumine e abençoe todos nós! Isso aqui é Portela!

Felipe Quirino. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Alexandre Velloso



CPB: Nome e idade?

Alexandre: Alexandre Velloso, 48 anos.

CPB: Fale um pouco sobre você!

Alexandre: Portelense desde sempre. Meus pais são portelenses. Com eles aprendi a história, a importância, as referências culturais, o respeito e o amor pela escola. Comecei a fazer os primeiros acordes no violão, por volta dos dezesseis anos. Algum tempo depois, estudei na Escola Villa-Lobos, e em outras escolas de música também. Paralelamente, me apresentei dando "canja" na noite, em alguns bares. Meu trabalho como compositor não se restringe ao samba, escrevo canções em outros estilos.

CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você está vendo este novo momento?

Alexandre:  O momento da Portela é de retomada de sua importância e de suas referências, tanto no contexto histórico e cultural que tem, como também no desempenho de seus desfiles.

CPB: Fale de sua experiência no mundo do samba!

Alexandre:  Comandei rodas de samba em Oswaldo Cruz, na Lapa (Bar Vaca Atolada) e em Laranjeiras (Severyna). Ganhei sambas em concursos de blocos, assim como o 1°concurso de samba de carnaval da Rádio BandNews FM, em 2013. Fui finalista do Concurso de Samba de Quadra do SESI/ REDE GLOBO/ RADICE PRODUÇÕES em suas duas últimas edições (7ª /2015 e 8ª /2016) e tive a honra, de ter um samba-enredo de minha autoria, levado à Avenida pelo G.R.C.E.S.M. Filhos da Águia, em 2007.

CPB: Qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?

Alexandre:  São vários! Mas poderia citar João Nogueira, Paulinho da Viola, Miltinho e Roberto Ribeiro.

CPB: Na elaboração de um samba, como você se define? É letrista, faz a música ou os dois?

Alexandre:  Faço música e letra. De toda a minha obra, tenho apenas algumas composições com parceiros. Quase que na totalidade dela, assino sozinho.

CPB: Desde quando você compõe?

Alexandre: Sempre muito ligado à música, já aos treze anos ensaiei as primeiras composições.

CPB: O que você, como compositor mais experiente, falaria aos jovens compositores?

Alexandre:  Que estudem música, se possível, porque esse conhecimento auxilia muito no processo de composição, ainda que não seja necessário. Que ouçam muita música. Que leiam muito, por que esse hábito, além de informar e de embasar culturalmente, ajuda no desenvolvimento da construção das letras nas canções. E trabalhem muito, escrevam muito. Quanto mais se compõe, mais se aprimora e se obtém qualidade, no trabalho de compositor.

CPB: Para você, o que é ser PORTELA?

Alexandre:  Ser Portela é um estado de espírito. E a consciência de que você participa de uma instituição, que tem relevância histórica na construção da cultura popular. Isso também aumenta a responsabilidade. Você se cobra, porque tem que estar à altura da grandeza da agremiação. E é um prazer, uma honra, fazer parte desse universo! Como eu sempre digo: É maravilhoso pisar nesse solo, banhado por aquele rio azul e branco que "passou em nossas vidas"!

CPB: Dentro do Mundo do Samba, você tem algum sonho?

Alexandre:  Sonhar é uma imposição da existência humana. Uma condição inerente à ela. Eu creio que o sonho de todo sambista é ver sua obra reconhecida publicamente.

CPB: Você participará do Concurso de Samba Enredo 2017? Já tem parceria certa?

Alexandre:  Pretendo participar, sim. Mas ainda não tratei de parcerias para esse ano. No momento, estou voltado para o Concurso de Samba de Terreiro. Após o término do concurso, naturalmente esse processo vai rolar.

CPB: Como portelense, o que você espera para a PORTELA?

Alexandre:  Aquilo que todo portelense espera: Título! Eu tive a oportunidade de ver a Portela ser campeã, mas existem muitos portelenses que nunca vivenciaram isso! Uma conquista lavaria a alma dos mais vividos e acalentaria o coração dos mais jovens. 

Muito obrigado pela oportunidade.
Forte abraço.
Alexandre Velloso

O BLOG agradece a sua participação!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Noca da PORTELA




CPB: Nome e idade?

Noca: Osvaldo Aves Pereira, Mineiro de Leopoldina, carioca por convicção, o mineiro mais carioca do Brasil, 83 anos.

CPB: Desde quando você compõe?

Noca: Meu primeiro samba composto foi aos 14, pra escola de samba “Irmãos Unidos do Catete”. Minha primeira nota 10.

CPB: Todos sabem de sua trajetória, então nos fale do seu atual momento!

Noca: Estou em um momento divino, lançamento do primeiro DVD da Velha Guarda da Portela, da qual eu faço parte. Escrevendo a minha biografia, gravando meu oitavo cd solo.

CPB: Como Compositor da Escola de Oswaldo Cruz, como você está vendo este renascer da PORTELA?

Noca: Com muito otimismo, fé e alegria. A nova direção da nossa querida Portela são de pessoas competentes e portelenses de verdade.

CPB: Fale de sua nova experiência, em se tratando da Velha Guarda da PORTELA! Quais os seus planos em relação a esta nova função?

Noca: Ser chamado para fazer parte da Velha Guarda da Portela, foi o maior premio que eu recebi nos meus 62 anos de samba, me tornei imortal, é só felicidade.

CPB: Você continuará nos presenteando com belas composições do nosso Concurso de Samba Enredo?

Noca: Não, chegou a hora de parar. Infelizmente sem realizar o meu maior sonho de 50 anos de escola, de ver a minha Portela querida campeã com um samba de minha assinatura.

CPB: Mesmo sendo um compositor veterano, qual(is) o(s) seu(s) ídolo(s), no Samba?

Noca: No passado, mestre Cartola, Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, Zé Ketti, Candeia. No presente, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, e toda a Velha Guarda da Portela.

CPB: Dentre belas e inúmeras composições que você possui, quando da elaboração de um samba, como você se define? 

Noca: Primeiramente muito amor ao samba na hora de compor, poesia e melodia perfeita.

CPB: Você hoje alcançou, a muito, seu espaço na mídia! O que você, como compositor experiente, falaria aos jovens compositores?

Noca: Primeiramente, amor ao samba, humildade e respeito aos companheiros.

CPB: Mesmo sendo um laureado compositor, dentro do Mundo do Samba, você tem algum sonho?

Noca: Tinha, de ver a minha querida Portela ser campeã com um samba de minha autoria.

CPB: Como portelense, o que você espera da PORTELA em 2016?

Noca: Voltar a ser campeã, para a alegria de milhões de portelenses que esperam por esse momento à 45 anos. Ganhar sozinha e pela primeira vez na Sapucaí. Portela é a única Escola grande que nunca ganhou na Sapucaí desde a sua inauguração em 1984.

Desde já, agradecemos sua participação!


Obs;  Entrevista concedida antes do desfile da PORTELA 2016!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Beto Fininho



CPB: Nome e idade?

Beto: Meu nome de batismo é José Roberto da Rocha Bernardo e eu tenho 57 anos. O apelido Beto Fininho eu ganhei ainda na infância por ser uma pessoa extremamente magra. Esse apelido acabou se propagando por toda a minha vida, inclusive no meio do samba, se transformando em nome artístico.
CPB: Fale um pouco sobre você!
Beto: Nasci na Rua Jauaperi, no bairro de Quintino Bocaiúva, no Rio de Janeiro, em 1958. Lá eu vivi até os 6 anos de idade em uma casa onde moravam a minha família, composta pela minha mãe (Ismenia), meu pai (José) e uma irmã (Nadia), além da família da minha tia Jurema (irmã da minha mãe) juntamente com o marido, tio Carlito, e a minha avó, Dona Izaura, além de 3 primos. Como o meu pai era bancário, fomos morar no bairro da Praça Seca em 1964, em um conjunto residencial localizado na Rua Barão e construído pelo antigo Instituto de Aposentadoria dos Bancários – IAPB. Motivado pela nossa saída, o tio Carlito, acabou levando a outra metade da família junto com a minha avó para Oswaldo Cruz, bairro onde havia residido depois de ter chegado da Bahia e antes de se casar com a minha tia. Em Oswaldo Cruz, a família residiu em 4 diferentes endereços: primeiro na Rua Frei Bento, próximo à Bica do Inglês, depois na Rua João Vicente, em seguida na Rua Fernandes Marinho, e hoje, a minha tia ainda vive, em outro endereço na Rua Frei Bento.  Ao longo da convivência entre as famílias havíamos construído laços afetivos muito fortes. Além disso, a minha avó exercia grande liderança no grupo. Com isso, eram comuns, e quase obrigatórias, as reuniões e almoços coletivos em Oswaldo Cruz nos finais de semana e feriados.  Desentendimentos acabaram provocando a separação dos meus pais. Essa separação associada às crises que se estabeleceram depois do Golpe Militar de 1964 ampliaram as dificuldades financeiras na minha casa, principalmente durante a década de 1970, o que me levou a intensificar a convivência com o lado de Oswaldo Cruz. Assim, eu passei a ter, definitivamente, dupla residência. Nesse cenário entrou em cena o meu tio Carlito, que passou a fazer o papel de pai e foi o grande responsável pela minha imersão no mundo do samba. Apaixonado pelo samba, e por mim, modéstia à parte, o cara andava comigo a tiracolo por todo canto onde ia. Foi assim que eu tive a oportunidade de frequentar, meramente como expectador, as maiores rodas de samba que vi na minha vida, como as rodas que aconteciam no quintal da casa da Dona Doca e no Botequim da Velha Guarda. Além disso, a vida em Oswaldo Cruz me possibilitou a convivência, mesmo que sem intimidade, com figuras como Seu Manacéa, Seu Argemiro, Seu Monarco, Seu Chico Santana, entre outros moradores e frequentadores assíduos do bairro. Nos casos de Argemiro e Chico Santana, cheguei mesmo a manter relações bastante próximas. Me lembro até hoje dos papos regados a limão com o Seu Chico no botequim da Fernandes Marinho. Na época morávamos ao lado desse botequim, e cá entre nós, o velho não tinha o menor pudor em oferecer bebida para um menor de idade. Em compensação, tive o privilégio de ouvi-lo cantar dezenas de sambas diretamente da fonte. Ainda bem que ele fez isso, como eu gosto de limão! E mais ainda dos sambas desse cara, por quem desenvolvi uma enorme admiração.  Bem, depois de toda essa iniciação, o envolvimento com o samba se deu de forma bastante natural. Acabei aprendendo a tocar violão e cavaquinho e me evolvendo com as rodas de samba. As primeiras composições começaram a acontecer a partir dos 16 anos.  Embora o meu casamento com o samba seja uma relação cristalizada, confesso que sempre tive receio de me entregar exclusivamente a ele como meio de vida. Talvez pela experiência de ter passado as dificuldades que passei e, principalmente, por conta das tantas histórias que ouvi dos mais velhos em Oswaldo Cruz sobre os problemas que envolvem viver de música no Brasil. Assim, paralelamente às minhas atividades no samba, hoje trabalho como professor na Universidade Federal Fluminense.  
CPB: Como compositor da Escola de Samba de Oswaldo Cruz, como você está vendo este novo momento? 
Beto: Penso que este é um momento, sobretudo, de recuperação da nossa autoestima. A nova administração da Portela tem se mostrado muito comprometida com as tradições e, ao mesmo tempo, preocupada com o futuro da Escola. São várias iniciativas que precisamos reconhecer. Dentre elas eu destacaria o Projeto Portela de Asas Abertas, a reorganização da Ala de Compositores com o apoio à formação do grupo musical dentro da Ala e o fortalecimento da Escola Mirim Filhos da Águia. Esses são alguns projetos que eu tenho acompanhado de perto e estou muito feliz por ver a Portela se colocar para a comunidade do samba mostrando a sua estatura.  Penso que só está faltando agora é um título, porque a História da Portela todos respeitam e até os nossos adversários reconhecem o nosso papel no cenário do Carnaval. Mas, realmente, como diz o Mestre Monarco: “o portelense quer vitória para alegrar seu coração”. Não podemos ser ingênuos e achar que isso se consegue da noite para o dia. Mas estamos amadurecendo. E quando chegar esse momento, o mundo vai ficar pequeno para tanta felicidade.
CPB: Fale de sua experiência no mundo do samba.  
Beto: Conforme eu já falei, as rodas de samba de Oswaldo Cruz foram o ponto de partida. Mas ali eu era mero expectador. Nem me atrevia a entrar com a feras. As minhas primeiras experiências significativas como compositor se deram na década de 1970, em blocos carnavalescos da Praça Seca: Tribo do Araruta e Mocidade de Maricá. A partir desta mesma época, tive oportunidade de tocar em vários grupos. Um deles fazia bailes de samba e se chamava Meninos de Ouro (década de 1970). Outro grupo de MPB em que eu toquei na década de 1980 foi o Massaranduba com Manjericão. Esse fazia shows onde eu apresentava algumas composições minhas, inclusive em teatros. Na década de 1990 eu destacaria o trabalho desenvolvido no grupo Saudades da Guanabara, onde atuei como organizador, cantor, músico e compositor desde o início da revitalização da Lapa. Além disso, na mesma década de 1990, fundamos na Praça Seca, junto com um grupo de amigos, o Bloco Carnavalesco Beija a Lua e Vem Pra Praça. A chegada à Ala de Compositores da Portela ocorreu no ano de 1994 a convite do compositor Chico Carlos que na época estava buscando parceiros. Aquilo para mim era inimaginável, mas o cara me ouviu cantando uns sambas meus em uma festa de família e me chamou. Fui apresentado ao saudoso Ary do Cavaco que na época era um ídolo. Ele me levou para um canto da quadra e me fez cantar quatro sambas meus. Do Ary me tornei amigo - coisa que não era muito difícil considerando a generosidade que caracterizava aquele cara -  e fui por ele convidado a participar do grupo musical do Departamento Musical da Portela. Com o grupo, e sempre liderado pelo Ary, tive oportunidade de fazer várias apresentações e shows. Essa foi a história da minha admissão na Ala. Para um cara que respirava Portela e amava essa Escola, aquilo tinha um significado enorme e tenho muito orgulho de pertencer a esta Ala. Por outro lado, eu nuca tive a sorte, ou a competência, de ser um campeão de samba de enredo na minha Escola. Certa vez (ano de 2000), a convite do colega de ala Jorge Poeta, fizemos um samba para a Acadêmicos do Engenho da Rainha que estava no grupo de acesso. Lá fomos finalistas, mas também não cheguei a ver o meu samba ser cantado na avenida porque ficamos em segundo lugar.   Mas nem sempre os resultados são negativos. Como compositor eu tenho, junto com parceiros diversos, vivenciado importantes experiências. No Bloco Carnavalesco Simpatia é Quase Amor (Ipanema), por exemplo, tive oportunidade de ser bicampeão nos carnavais de 2003 e 2004, e também campeão no Bloco Carnavalesco Meu bem Volto Já (Leme). Fui finalista no Festival de Samba de Quadra da Portela - edição 2005, finalista na segunda edição do Festival de Samba de Quadra da Light (2010), e finalista no Festival São Paulo Exposamba - edição 2012.  Hoje me considero em um momento de intenso envolvimento com vários projetos importantes. O primeiro deles é a organização do Movimento do Samba de Resistência do Morro do Pinto. O projeto faz um trabalho quase pedagógico que visa contribuir para a compreensão da definição do que é o gênero musical Samba. Considerando a grande confusão que se estabeleceu nas últimas duas décadas, depois que o guarda-chuva do samba passou a abarcar uma enorme quantidade de variantes, a ideia é discutir e trazer para o público um repertório de sambas de autores que são considerados as grandes referências e que ajudem a esclarecer o público interessado sobre a estética do samba. As rodas de samba são mensais e acontecem no Morro do Pinto. O grupo tem sido convidado pelo Departamento Cultural da Portela e já se apresentou no contexto do Projeto Portela de Asas Abertas nas edições de dezembro de 2014 e março de 2015. Além disso, recentemente, venho trabalhando, a convite da Comissão de Gestão da Ala de Compositores e junto com outros colegas – Luizinho do Cavaco e Marcelo Negrão –, na organização do Grupo Musical da Ala de Compositores da Portela. O objetivo é organizar um grupo formado por compositores para representar a Portela e a Ala em eventos musicais. Outras experiências que merecem ser citadas são as minhas participações na Escola de Samba Mirim Filhos da Águia, como diretor de cultura e no Bloco Carnavalesco Bagunça Meu Coreto (Praça São Salvador), onde atuo desde 2005 como compositor.  
CPB: Qual (is) o(s) seu(s) ídolo(s) no samba?
Beto: É muito difícil citar um, mas não por ser “o cara” da Portela, como também pelo seu trabalho de conscientização junto à comunidade negra de Oswaldo Cruz, por toda a sua contribuição em relação à organização e à conscientização do povo do samba, sem dúvida nenhuma o Paulo da Portela. Certa vez eu ouvi da boca de Dona Neuma, na casa dela: “Paulo foi o homem mais importante do samba. Se não fosse ele talvez as escolas de samba nem existissem”. Esse reconhecimento já foi feito, em outros termos, pelo próprio Cartola. Agora, existem outros dentro e fora da Portela. Uma vez pediram para o Zeca definir o Paulinho das Viola e ele disse mais ou menos assim: “Paulinho é o cara que todo sambista queria ser”. Acho que isso sintetiza bem, nem preciso falar. Na casa temos ainda o meu Grande Mestre Chico Santana, Monarco, Manacéa, Chatim, Mijinha, Aniceto, Alberto Lonato, Alvaiade, Alcides, Jair, Candeia (o mais completo), Wilson Moreira, Mauro Duarte, Paulo Cesar Pinheiro, João Nogueira, entre outros. Na Mangueira temos Cartola, Nelson Cavaquinho, Jorge Zagaia, Padeirinho, Xangô, Tantinho. Há uma trinca que eu gosto especialmente: Geraldo Pereira, Wilson Batista e Assis Valente. Tem Mano Décio e Silas de Oliveira, tem Noel Rosa, Geraldo Babão, Djalma Sabiá. Enfim, eu vou ter que parar de citar senão a lista não acaba e eu é que acabo cometendo injustiças, se não já cometi.  
CPB: Na elaboração de um samba, como você se define? É letrista, faz a música, ou os dois? 
Beto: Depende muito se estou construindo sozinho ou se estou junto com algum parceiro. Tenho feito as duas coisas. Quando encontro uma letra já bem elaborada atuo como melodista, quando recebo uma primeira construo a segunda, e quando estou sozinho faço tudo.  
CPB: Desde quando você compõe? 
Beto: Como já havia falado, desde os 16 anos de idade.  
CPB: Você hoje alcançou seu espaço na mídia! O que você, como compositor experiente, falaria aos jovens compositores? 
Beto: Eu até que me considero experiente, mas ter alcançado espaço na mídia, ainda não é o meu caso. Talvez por conta de não ter priorizado o samba como meio de vida, não fui tão pragmático em relação à busca pela visibilidade das minhas obras. A visibilidade que eu conquistei foi a partir das minhas participações em rodas, festivais, eventos e organização de grupos. Na verdade o que eu tenho é uma gaveta cheia de músicas, mas elas só são gravadas, geralmente, quando os intérpretes me descobrem. Tenho músicas gravadas por Ernesto Pires, Tania Malheiros e Nina Wirtti, por exemplo, mas todos me descobriram, sem que eu fizesse movimentos na direção desses artistas.  Não sei se estou autorizado a falar aos jovens compositores, mas penso que é importante que os jovens estejam atentos às referências. Nenhum historiador ou qualquer outro cientista dá seguimento às suas pesquisas sem ler as suas referências e tomar conhecimento daquilo que foi construído anteriormente. Assim deve ser com o samba. Não é possível que as pessoas se digam compositores de samba sem saber o que é isso. Sem ter uma noção razoável do que foi construído nesse campo do conhecimento. E uma boa forma de se adquirir essa bagagem é ouvindo os mestres. No outro dia eu fui apresentado pela minha amiga Vivi Fernandes a um samba bem antigo do Sidney Miller chamado Argumento. O samba tem um trecho que me parece explicar isso de forma definitiva. Diz a letra: “Ouça bem o que eu lhe digo, vá cantar um samba antigo, pra saber o que há de novo”. É isso que eu deixaria como mensagem.  
CPB: Para você, o que é ser Portela? 
Beto: Ser Portela é antes de tudo, motivo de muito orgulho. Sei que esse orgulho não é só meu, mas de todos os portelenses, e se constituiu a partir da História da Portela. Agora, essa mesma História nos coloca sobre os ombros uma enorme carga de responsabilidade, por tudo o que já foi dito anteriormente, desde o trabalho iniciado por Paulo Benjamin de Oliveira, nosso grande pioneiro e Professor.  
CPB: Dentro do mundo do Samba você tem algum sonho? 
Beto: Ver a minha Escola na avenida desfilando com um samba meu.  
CPB: Como portelense, o que você espera da PORTELA em 2016? 
Beto: Espero ver a minha Escola brilhando, com um samba digno da sua História e da sua importância, um desfile impecável, e campeã do Carnaval. De preferência cumprindo o seu papel pedagógico e dando aula de samba, inspirada pelo grande Professor Paulo, como sempre fez. 
Desde já, o COMPOSITORES DA PORTELA BLOG agradece a sua participação!