segunda-feira, 24 de abril de 2017

Silvinho da PORTELA (Portelenses de Outrora)

 

Silvinho da PORTELA

Sílvio Pereira da Silva
* 1935 Rio de Janeiro, RJ
+ 8/2/2001 Rio de Janeiro, RJ

Biografia
 
Cantor. Compositor.
 
Também assinou em alguns discos somente Silvinho, sendo conhecido ainda como Silvinho do Pandeiro. Com apenas 16 anos desfilava pela Portela. Durante 17 anos foi o puxador oficial da Portela, da qual foi integrante da Ala de Compositores.
 
Fez parte do Bloco Carnavalesco Boêmios de Irajá, no qual atuava como ritimista e compositor. Também integrou a Ala de Compositores da Unidos da Viradouro, em Niterói.
 
Faleceu às vésperas do carnaval de 2001, em decorrência de um câncer na próstata. Foi sepultado no Cemitério de Inhaúma, subúrbio do Rio de Janeiro.
 
Dados Artísticos
 
Ao lado dos ritmistas Elizeu e Jorginho Pessanha, fez parte da Delegação Brasileira que se apresentou no "1º Festival de Arte Negra", em Dakar, no Senegal, em 1966. Na ocasião, integrou o grupo de músicos que acompanhava Clementina de Jesus, Elton Medeiros, Ataulfo Alves, Heitor dos Prazeres e Paulinho da Viola, entre outros.
 
Em 1973, ao lado de Martinho da Vila, Darcy da Mangueira, Noel Rosa de Oliveira e Walter Rosa, participou do disco "A voz do samba", no qual interpretou de sua autoria "Amor de raiz" (c/ Jorge Barbosa) e "Escrevi" (c/ Jorge José), além de "Caso de amor", de autoria de Luiz Carlos e Miro.
 
Em 1975 "Macunaíma, herói da nossa gente" (Norival Reis e Davi Antônio Correia), com sua interpretação deu à escola o 5º lugar do Grupo 1.
 
No ano de 1978, gravou seu único disco solo, "Silvinho e suas cabrochas".
 
Em 1982, Neguinho da Beija-Flor, no disco "É melhor sorrir", pela gravadora Top Tape, interpretou de sua autoria "Um grande amor se acaba" (c/ Xavier e Onofre do Catete).
 
Como puxador da Portela, conquistou três estandartes de ouro, um deles em 1983, com o samba-enredo "A ressurreição da coroa, reisado, reino e reinado" e que conseguiu o 3º lugar do Grupo 1 para a Escola.
 
No ano de 1999, participou de um show coletivo na casa noturna Rio Sampa, em Nova Iguaçu. 
 
No ano de 2001, pouco antes de falecer, participou da escolha do samba-enredo para o carnaval daquele ano, concorrendo com um samba de sua autoria. 
 
Entre os sambas-enredos que interpretou, marcando época não só na Portela, mas na MPB como um todo, destacam-se "Lapa em três tempos" (Ary do Cavaco e Rubens Alves de Sousa), com o qual a escola se classificou em 2º lugar do Grupo 1, em 1971. No ano seguinte, a Portela classificou-se em 3º lugar do Grupo 1com o samba-enredo "Ilu Ayê" (Terra da vida) (Norival Reis e Cabana).
 
Obra

Amor de raiz (c/ Jorge Barbosa)
Escrevi (c/ Jorge José)
Um grande amor se acaba (c/ Xavier e Onofre do Catete)
 
Discografia
 
(1978) Silvinho e suas cabrochas • LP
(1973) A voz do samba • Selo Musicolor • LP
 
Shows

Show de samba (c/ vários). Rio Sampa, RJ.
 
Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.
CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Doca (Portelenses de Outrora)

Doca

Jilçária Cruz Costa

*  20/12/1932 Rio de Janeiro, RJ
 +  25/1/2009 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantora. Compositora e Pastora da Velha-Guarda da Portela. 

De família oriunda do Morro da Serrinha, sua mãe, Dona Albertinha, foi a primeira porta-bandeira da Escola Prazer da Serrinha. Prima de Dona Ivone Lara, em sua casa aconteceram as reuniões que deram início à fundação da Escola Império Serrano no na de 1947. 

Trabalhou como empregada doméstica e tecelã. Aos 14 anos já atuava como porta-bandeira da Unidos da Congonha, escola de samba do bairro de Vaz Lobo, subúrbio do Rio de Janeiro. Foi casada com Altair Costa, filho do compositor Alvarenga, um dos principais da Ala de Compositores da Portela. 

No ano de 1953 ingressou na Portela. Integrou a Ala das Baiana da Escola de Samba Portela. Sua roda de samba "Pagode da Tia Doca", em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, era sempre frequentada por artistas como Clara Nunes, Paulo César Pinheiro, Zeca Pagodinho, Monarco, Beth Carvalho e João Nogueira, entre muitos outros, além da nova geração como Teresa Cristina, Dorina, Dudu Nobre e Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Dados Artísticos

Em 1970 entrou para a Velha Guarda por sugestão de Alberto Lonato, tendo como examinadores Alvaiade e Armando Santos, vindo a substituir Tia Vicentina. Fazendo parte da Velha-Guarda da Portela gravou em vários disocs (LPs e CDs) entre os anos de 1970 e 2007, além de participar como pastora da Velha-Guarda da Portela de vários outros discos de artistas, principalmente do samba. 

Em 1980 interpretou, em dueto com Monarco, seu partido-alto "Temporal" no LP "Terreiro", de Monarco, lançado pela gravadora Eldorado. 

No ano de 1989 Jovelina Pérola Negra incluiu no CD "Amigos chegados" lançado pela gravadora RGE, sua composição "Orgulho negro", feita em parceria com o Jadilson Costa. 

No ano 2000 foi lançado o CD "Pagode da Tia Doca", com alguns dos artistas que se apresentaram ao longo dos mais de 30 anos na roda de samba. Gravou participações especiais nos discos de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Teresa Cristina e Marisa Monte, entre outros. 

Em 2008 foi lançado o documentário "O Mistério do Samba", produzido por Marisa Monte, com direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda. O documentário começou a ser produzido em 1998 e registrou várias fases da Velha-Guarda da Portela e apresentações por diversos estados e países. O filme foi lançado em show no Circo Voador, com a Velha-Guarda da Portela e convidados, entre os quais Diogo Nogueira, Teresa Cristina e Mauro Diniz. Sobre o filme destacamos o seguinte trecho de matérias dem Arnaldo Jabor - Segundo Caderno 26/08/2008 O Globo: "Não é um filme sobre o passado; é sobre um presente que nascia. Não é um filme de lamento sobre alguma coisa acabada, mas sobre a vitalidade que tem de continuar, que resiste nos subúrbios apear da violência da indústria cultural de massas e da boçalidade dos pagodes de jabás e de boquinhas de garrafa ou axés de multidões burras. No filme estão todos os grandes artistas: o espírito de Manacéa, Jair do Cavaquinho, Argemiro Patrocínio, Casquinha, Monarco, o filho mais moço Paulinho da Viola, protegido por Tia Surica e Tia Doca. Nele está Zeca Pagodinho, preservando em corpo e alma o espírito desse tempo, hoje. A Portela aparece nas pequenas coisas: sapatos brancos e pretos, as mãos gastas, os rostos comidos pelo tempo, mas vivos de alegria, os pés descalços, os retratos na parede, a comida, a cerveja, os cavaquinhos e pandeiros". 

Faleceu no dia 25 de janeiro do ano de 2009, tendo recebido várias homenagens em várias midias impressas e eletrônicas. Sobre sua importância para o samba carioca, declarou a compositora mangueirense Leci Brandão: "Uma das matriarcas do samba... Uma celebridade de verdade, simples e humilde". Seu corpo foi velado na quadra da Portela, em Madureira e o sepultamento ocorreu no Cemitério de Irajá.

Obra

Orgulho negro (c/ Jadilson Costa)
Temporal

Discografia
() 1970 Portela, passado de glória RGE LP
() 1974 Portela Selo Marcos Pereira LP() 1980 Monarco e Velha-Guarda da Portela Gravadora Eldorado LP
() 1980 Terreiro (participação) Gravadora Eldorado LP
() 1981 Cristina, de Cristina Buarque (participação) LP
() 1984 Histórias do céu e da terra infantil (participação) Philips/PolyGram LP
() 1986 Doce recordação - Velha-Guarda da Portela (Japão) Selo Office Sambinha LP
() 1990 Homenagem a Paulo da Portela Selo Tanaka CD
() 1994 Resgate, de Cristina Buarque (participação) Gravadora Saci CD
() 1995 Cilico Amigos = Parceria (participação) Niterói Discos CD
() 1999 Velhas companheiras. (com a Velha Guarda da Mangueira) Selo Sambinha CD
() 2000 Tudo azul Selo Phonomotor e EMI/Music CD
() 2000 Doce recordação. Velha-Guarda da Portela Nikita Music CD
() 2000 Casa de Samba 4 (vários) Universal Music CD
() 2001 Casquinha da Portela (participação) Lua Discos CD
() 2002 Deixa a vida me levar, de Zeca Pagodinho (participação) Universal Music CD
() 2002 A Música de Paulinho da Viola (participação) Deck Disc CD
() 2003 Um ser de luz - saudação à Clara Nunes (vários) Deckdisc CD
() 2005 À vera (participação) Universal CD
() 2007 Cidade do samba (vários) Selo ZecaPagodiscos/Universal Music CD/DVD


Bibliografia Crítica
 
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

ALBIN, Ricardo Cravo. MPB - A História de Um Século. 2ª ed. Revista e ampliada, Rio de Janeiro: MEC/Funarte/Instituto Cultural Cravo Albin, 2012.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
FERNANDES, Vagner. Clara Nunes: Guerreira da utopia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista. (Ilustrações Lan). A Velha-Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati, 2001.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Noite Ilustrada (Portelenses de Outrora)

NOITE ILUSTRADA

Mário de Souza Marques Filho


 10/4/1928 Pirapetinga, MG 
 28/7/2003 Atibaia, SP


Biografia



Cantor. Compositor. Violonista. 


Nascido no interior de Minas Gerais, transferiu-se para o Rio de Janeiro nos anos 1940. Na capital federal, passou dificuldades e chegou a dormir em abrigos para menores. Integrou a Escola de Samba Portela com a qual excursionou para São Paulo onde cabou por radicar-se em 1955. Entre os anos de 1984 e 1994, fixou residência na cidade de Recife em Pernambuco. Faleceu de câncer pulmonar e foi enterrado na cidade paulista de Atibaia, onde havia se radicado nos últimos anos de vida.

Dados Artísticos

Começou sua carreira como violonista em um "show" comandado por Zé Trindade na cidade de Além Paraíba (MG). Na noite de estréia, o comediante esqueceu seu nome na hora da apresentação e, pondo a mão no bolso, encontrou um exemplar da revista "Noite Ilustrada". Na mesma hora decidiu apresentá-lo: "E agora com vocês a grande revelação...Noite Ilustrada!" O apelido pegou, e até até sua esposa passou a chama-lo dessa maneira. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em meados dos anos 1950, ingressando na Escola de Samba Portela, atuando como sambista em "shows" na capital paulista. Em São Paulo trabalhou nas boates Captain's e Meninão. 

Em 1958, foi contratado pela Rádio Nacional e pela TV Paulista. No mesmo ano, estrou em disco, pela gravadora Mocambo, com os sambas "Cara de boboca", de Jaime Silva e Edmundo Andrade, e "Castiguei", de Venâncio e Jorge Costa. Ainda no mesmo ano gravou as primeiras composições de sua autoria, o samba "Quem faltava no samba" e a batucada "Sereno", esta em parceria com Ferreira Maia. 

Em 1960, ainda pela Mocambo, lançou seu primeiro LP "Cara de boboca" interpretando os sambas "Cara de boboca", de Jaime Silva e Edmundo Andrade; "Playboy", de José Henrique; "Diabo de saia"; "Escureceu" e "Danada Cegonha", as três de Edmundo Andrade; "Cadê Cidinha" e "Ai Lourinha", de sua autoria; "Compreensão", com Jeny Santos; "Castiguei", de Jorge Costa e Venâncio; "Nada me embaraça", de Rômulo Paes; "É doloroso", de H. Nogueira, e "Conselho", de Lupicínio Rodrigues. 

Em 1962, gravou a marcha "Maria Tereza", de Donga e Valfrido Silva, e o "Samba em Mangueira", de sua autoria e Jorge Costa. No mesmo ano, transferiu-se para a Philips e gravou seu primeiro grande sucesso, o samba "Volta por cima", de Paulo Vanzolini, que se tranformaria num clássico da MPB. Por essa época, atuou na boate Moleque, em São Paulo, onde costumava cantar "Volta por cima" acompanhado em coro pelos assistentes, antes mesmo de gravar a música. Ainda em 1962, gravou seu primeiro LP, "O ilustre". 

Em 1963, gravou "Dedo de luva", de Humberto Carvalho e Afonso Teixeira, e "Bolas de papel", de Valdemar Ressurreição. Gravou também os sambas "Volte pra casa", de Sérgio Malta, "Andorinha", de sua autoria e Antonio Mota, e "Toalha de mesa", de Carminha Mascarenhas, Dora Lopes e Wilson Chumbo. No mesmo ano, lançou o LP "Noite Ilustrada", registrando "Pra machucar meu coração", de Ary Barroso; "Botões de laranjeira", de Pedro Caetano; "Boneca de pano", de Ataulfo Alves, e "Louco", de Henrique de Almeida e Wilson Batista, além do sucesso "Volta por cima". 

No ano seguinte lançou o LP "Noite no Rio", com "A flor e o espinho", de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha. Também em 1964, gravou os sambas "Rei dos cabritos", de Popó, e "Não ataque de índio", de Alfredo Borba, incluídos no LP "Carnaval - VOL" coletânea carnavalesca da gravadora Philips. 

Em 1965, fez sucesso com o samba "O neguinho e a senhorita", do compositor do morro do Salgueiro Noel Rosa de Oliveira, lançado no LP "Caminhando". 

Em 1966, lançou o LP "Depois do carnaval", com a faixa título, de Jorge Costa e Paulo Roberto. 

Em 1969, estreou na Continental com o LP "Revivendo o mestre Ataulfo", no qual registrou composições do compositor Ataulfo Alves, entre as quais "Meus tempos de criança", "Vida da minha vida", "Vassalo do samba", "Fim de comédia", "Laranja madura" e "Pois é". 

Em 1970, lançou com Isaura Garcia o LP "Papo furado", com destaque para "Meu choro pra você", de Torquato Neto e Gilberto Gil, "Pra você", de Sílvio César, "Quem te viu quem te vê", de Chico Buarque, e "Nega manhosa", de Herivelto Martins. No mesmo ano, lançou o LP "Samba sem problemas", que trazia "Barracão", de Oldemar Magalhães e Luiz Antônio, "Crioulo sambista", de Sinval Silva e Nelson Trigueiro, "Terra seca", de Ary Barroso, e "Nervos de aço", de Lupicínio Rodrigues. 

Em 1971, gravou o LP "Noite Ilustrada", no qual se destacou a "Balada nº 7 - Mané Garrincha", de Alberto Luís. 

Em 1972, lançou o LP "Samba é comigo mesmo", no qual registrou "Preconceito", de Cartola, "Orgulho e agonia", de Fernando Mauro e Nelson Cavaquinho, e "Atraso em meu caminho", de Jair do Cavaquinho e Picolino. No mesmo ano, lançou o LP "Noite Ilustrada interpreta Marques Filho", cantando composições de sua autoria uma vez que Marques Filho vinha a ser ele mesmo, que utilizava parte de seu sobrenome como autor. Ainda em 1972, participou da coletânea "Carnaval - 73", da Musicolor/Continental, que contou com a participação de diferentes artistas, entre os quais, Gilberto Alves, Jamelão, Alcides Gerardi e Titulares do Ritmo. Nesse LP, interpretou a "A marcha do cara batuta" e o samba "Agonia", ambas em parceria com B. de Almeida. 

Em 1975, transferiu-se para a Tapecar e lançou o LP "Noite Ilustrada" que tinha em destaque "Eu nasci no morro", de Ary Barroso, "Laurindo", de Herivelto Martins, "Pra esquecer", de Noel Rosa, "Cravo vermelho", de Geraldo Filme, e "Chora viola", de Paulo Rogério e Adauto Santos. 

Em 1976, lançou o segundo LP pela Tapecar que incluía, entre outras, "Cadeira de bar", de sua autoria, "Não posso parar de cantar", de Zé Pretinho da Bahia, "Sambista apaixonado", de Gracia e Mano Décio da Viola, e "Copo da saudade", de Clayton e Dora Lopes. 

Em 1978, retornou para a Continental e lançou o LP "Não me deixe só" no qual gravou "Atalhos", de Everaldo Cruz e Nei Lopes, "Mensagem", de Aldo Cabral e Cícero Nunes, "Abri a porta", de Jorge Costa, e a música título de sua autoria e Antônio Motta. 

Em 1979, lançou pela Continetal o LP "À vontade" com as músicas "Chica", de Raimundo Prates; "Barraquinho", de João Roberto Kelly; "Velho amigo", de Armando Nunes e Paulo Gesta; "Estupidez de cupido", de Nicéas Drumont; "Companheiro de quarto", de Chico Xavier e Tito Mendes; "Casa antiga", de Raul Sampaio; "Cabeça fria", de Luis de França e Armando Nunes; "Eh pau-de-arara", de Armando Nunes e João de Oliveira; "Crise no morro", de Armando Nunes e Roberto Medeiros, e "Moldura", de Gerson Alves, além de "Ressentimento" e "Canto de despedida", de sua autoria. 

Em 1981, foi para o selo Cristal da WEA e lançou o LP "O fino do samba" no qual registrou clássicos do samba como "Antonico", de Ismael Silva, "Prece ao sol", de Candeira, "A flor e o espinho", de Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, "Pedro do Pedregulho", de Geraldo Pereira, e "Madrugada", de Zé Kéti. 

Em 1982, lançou o LP "Profecia", considerado um clássico do samba no qual interpretou "Juramento", de Zé Kéti, "Proteção", de Nelson Cavaquinho, e "Itamaracá", de sua autoria, uma homenagem ao Recife onde viveu por dez anos. 

Em 1986, gravou pela Polydisc o LP "Cada vez melhor", no qual apresentou um pot-pourri com seus grandes sucessos e um outro com composições de Nelson Cavaquinho. 

Em 1998, lançou pelo selo Camerati o CD "Eu sou o samba", que trazia "Perfil de um sambista" que o compositor Adauto Santos fez em sua homenagem, "Cadeira de bar", de sua autoria, "Sorriso antigo", de Aldecy e Candeia, "Pra machucar meu coração", de Ary Barroso, e "Aos pés da cruz", de Zé da Zilda e Marino Pinto. Este CD foi relançado três anos depois pelo selo Trama com o título de "Perfil de um sambista". Percorreu o Brasil com o show "Eu sou o samba". Manteve-se em atividade até o fim da vida tendo voltado aos estúdios dois meses antes de falecer. 

Em 2003, gravou o CD "Noite Ilustrada canta Lupicínio Rodrigues", pelo selo Atração Fonográfica, lançado após a sua morte, no qual interpretou os sambas canção "Nervos de aço"; "Ela disse-me assim"; "Paciência (Vou brigar com ela)"; "Nunca"; "Vingança"; "Volta" e "Sozinha", todas apenas de Lupicínio Rodrigues, além de "Meu barraco", com Leduvy de Pina; "Castigo"; "Quem há de dizer" e "Cadeira Vazia", com Alcides Gonçalves, e "Se acaso você chegasse" e "Brasa", com Felisberto Martins. Deixou o CDs inédito: "Noite Ilustrada canta Ataulfo Alves - Ao mestre com carinho".

Obras


A marcha do cara batuta - com B. de Almeida 
Agonia (com B. de Almeida)
Água bebida 
Andorinha (c/ Antonio Mota) 
Cadeira de bar 
Canto de despedida 
Encontro 
Itamaracá 
Não me deixe só (c/ Antônio Motta) 
Passista regra 3 
Quem faltava no samba 
Ressentimento 
Samba em Mangueira (c/ Jorge Costa) 
Sereno (c/ Ferreira Maia) 
Zombou de mim (c/ Jorge Costa)

Discografia

(2003) Noite Ilustrada canta Ataulfo Alves - Ao mestre com carinho • Atração • CD
(2003) Noite Ilustrada canta Lupicínio Rodrigues • Atração Fonográfica • CD
(2001) Perfil de um sambista • Trama • CD
(1998) Eu sou o samba • Camerati • CD
(1997) 20 Super sucessos • Polydisc • CD
(1986) Cada vez melhor • Polydisc • LP
(1982) A Profecia • Fermata • LP
(1981) O Fino do samba-vol. 2 • Cristal/WEA • LP
(1979) À Vontade • Continental • LP
(1978) Não me deixe só • Continental • LP
(1976) Noite Ilustrada • Tapecar • LP
(1975) Noite Ilustrada • Tapecar • LP
(1974) Samba sem hora marcada • Continental • LP
(1972) Noite Ilustrada interpreta Marques Filho • Continental • LP
(1972) Samba é comigo mesmo • Continental • LP
(1971) Noite Ilustrada • Continental • LP
(1970) Samba sem problemas • Continental • LP
(1970) Papo furado • Continental • LP
(1969) Noite Ilustrada • Continental • LP
(1969) Revivendo o mestre Ataulfo • Continental • LP
(1966) Depois do carnaval • Odeon • LP
(1965) Caminhando • Philips • LP
(1964) Noite no Rio • Philips • LP
(1963) Dedo de luva/Bolas de papel • Philips • 78
(1963) Volta por cima/Sim ou não • Philips • 78
(1963) Volte pra casa/Andorinha • Philips • 78
(1963) Pensei que não/Toalha de mesa • Philips • 78
(1963) Noite Ilustrada • Philips • LP
(1962) Maria Tereza/Samba em Mangueira • Mocambo • 78
(1962) Volta por cima/Lua triste • Philips • 78
(1960) Cara de boboca • Mocambo • LP
(1959) É doloroso/Danada cegonha • Mocambo • 78
(1958) Cara de boboca/Castiguei • Mocambo • 78
(1958) Sereno/Quem faltava no samba • Mocambo • 78 

Bibliografia Crítica


AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário Biográfico da música Popular. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1965.

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 2. São Paulo: Editora: 34, 1999.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Bandeira Brasil (Portelenses de Outrora)

 
BANDEIRA BRASIL
Alcemir Gomes Bastos

* Rio de Janeiro, RJ 
+ 30/5/2013 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Compositor. Violonista.

Filho de empregada doméstica e marcineiro nasceu em Marechal Hermes e criado em Pilares, subúrbios do Rio de Janeiro. O pai tocava cavaquinho.

Ainda criança desfilava na Escola Caprichosos de Pilares.

Cursou até o sexto período de Letras na UFRJ. Por essa época, como era aluno, fazia um pagode no campus da Universidade. 

Começou como compositor dos blocos Embalo do Morro do Urubu, Q70, e O Suspiro da Cobra, de Pilares.

Passou a frequentar o bloco Cacique de Ramos e mostrando seus sambas na roda embaixo da tamarineira, fundada por Bira Presidente, Jorge Aragão, Almir Guineto, Jelsereno, Ubirany (que formariam o grupo Fundo de Quintal).

Integrou a Ala de Compositores da Portela. Escola de Artes Negras Quilombo e da Caprichosos de Pilares.

Dados Artísticos

Uma de suas primeiras composições gravadas foi "Ópio", (c/ Cléber Augusto), interpretada pelo grupo Fundo de Quintal no disco "Divina luz", lançado em 1985 pela gravadora RGE.

Em 1987, Jovelina Pérola Negra, no disco "Luz do repente", incluiu de sua autoria "Feira de São Cristóvão" (c/ Beto Sem Braço). No ano seguinte, Elza Soares incluiu no disco "Voltei", "Erê" (c/ Beto Sem Braço). Nesse mesmo ano, sua composição "Lotação", parceria com Arlindo Cruz, foi gravada por Reinaldo em LP na Continental.

Em 1999 o grupo Revelação gravou de sua autoria "Casal perfeito" (c/ Luiz Cláudio Picolé). No ano seguinte, Zeca Pagodinho gravou "Perfeita harmonia" (c/ Almir Guineto e Bidubi), no CD "Água da minha sede". Neste mesmo ano, Ernesto Píres no CD "Novos quilombos", pela Rob Digital, gravou sua composição "Novos quilombos", parceria com Alcino Correa (Ratinho), faixa que deu título ao disco. 

No ano de 2001, Beth Carvalho e o grupo Fundo de Quintal interpretaram de sua autoria "Romance dos astros", parceria com Luiz Carlos da Vila e Cléber Augusto, no disco ao vivo "Os melhores do ano II", da gravadora Indie Records.

Em setembro de 2002 junto a vários artistas, entre eles, Almir Guinéto, Arlindo Cruz, Serginho Meriti, Deni de Lima, Ivan Milanez, Marquinhos China, Ircea Pagodinho e Maurição, fez o show-homenagem "Bum-bum-baticum-Beto", tributo ao compositor Beto Sem Braço no Bar Supimpa, na Lapa, Rio de Janeiro. Ainda em 2002, Marquinho Santanna (ex-Marquinhos Sathã) gravou de sua autoria "Negritude axé" (c/ Franco e Arlindo Cruz) no disco "Nosso show".

Em 2003 lançou o primeiro disco solo, "A cor do samba", no qual incluiu várias composições, entre elas, "Tamarineira" (c/ Zeca Pagodinho), na qual contou com a participação especial de Renatinho Partideiro, "Negritude axé" (Franco e Arlindo Cruz), "Nega dadivosa" (c/ Serginho Procópio e Picolé), "Romance dos astros" (c/ Luiz Carlos da Vila e Cléber Augusto), Zeca Pagodinho ('Nega dadivosa'), "Ópio" (c/ Cléber Augusto), "Motivo" (c/ Cléber Augusto), "Insônia" (c/ Nélson Cavaquinho e Neoci Dias), "Peixinho" (c/ Arlindo Cruz e Wilson Moreira) com a participação de Arlindo Cruz, "Homenagem" (c/ Marquinhos de Oswaldo Cruz) com participação de Monarco, "Dois namorados" (c/ Acyr Marques), "Amante de verdade" (c/ Nelson Cavaquinho e Ratinho), faixa que contou com a participação de Beth Carvalho, "Pivete", "Bom pra renovar" (c/ Wanderley Monteiro) e ainda um pot pourri com "Feira de São Cristóvão", "Samba curador", "Erê" e "A paisagem", todas em parceria com Beto Sem Braço, que participou da faixa "A paisagem", na qual o falecido parceiro teve a voz retirada de uma fita cassete gravada na casa de Martinho da Vila, em Duas Barras. No CD reuniu diversos artistas: Paulão Sete Cordas (direção musical), Cláudio Jorge (violão e arranjos), Mauro Diniz e Alceu Maia (cavaquinho).

Em 2004 fez o lançamento do CD no Espaço Cultural Memórias do Rio, no qual recebeu diversos convidados.

No ano de 2005, no CD "À vera", Zeca Pagodinho interpretou de sua autoria "À vera" (c/ Luizinho Toblow, Bidubi e Élcio do Pagode). Neste mesmo ano classificou a composição "Lágrimas de fogo" no "Festival de Samba de Terreiro da Portela".

Entre seus vários intérpretes detacam-se Beth Carvalho ('Romance dos astros'), Grupo Só Preto ('A tamarineira'), Marquinhos Satã ('Negritude axé'), Fundo de Quintal ('Romance dos astros') e Zeca Pagodinho em "A paisagem" e "Nega dadivosa".  Tem mais de 80 composições gravadas.

Entre seus parceiros está Nelson Cavaquinho, de quem se tornou amigo e parceiro em um dos pagodes em que ambos frequentavam em Botafogo, sua parceria com Nelson Cavaquinho e Neoci Dias "Insônia", foi gravada pela Velha-Guarda da Mangueira.

Obra

A paisagem (c/ Beto Sem Braço)
A tamarineira (c/ Zeca Pagodinho)
À vera (c/ Luizinho Toblow, Bidubi e Élcio do Pagode)
Amante de verdade (c/ Nelson Cavaquinho e Ratinho)
Bom pra renovar (c/ Wanderley Monteiro)
Casal perfeito (c/ Luiz Cláudio Picolé)
Cheio de amor pra dar (c/ Dudu Nobre)
É coisa do céu (c/ Beto Sem Braço)
Erê (c/ Beto Sem Braço)
Feira de São Cristóvão (c/ Beto Sem Braço)
Ginga da roda de Iaiá (c/ Luisinho SP)
Homenagem (c/ Marquinhos de Oswaldo Cruz)
Insônia (c/ Nelson Cavaquinho e Neoci Dias)
Lágrimas de fogo
Lotação (c/ Arlindo Cruz)
Nega dadivosa (c/ Serginho Procópio e Picolé)
Negritude axé (c/ Franco e Arlindo Cruz)
Nosso caso (c/ Luisinho SP)
Novos quilombos (c/ Ratinho)
Ópio (c/ Cléber Augusto)
Peixinho (Arlindo Cruz e Wilson Moreira)
Perfeita harmonia (Almir Guineto e Bidubi)
Pivete
Romance dos astros (c/ Cléber Augusto e Luiz Carlos da Vila)
Samba curador (c/ Beto Sem Braço)

Discografia

(2003) A cor do samba • independente • CD

Shows

Festival de Samba de Terreiro da Portela. RJ. (2005)
Show A cor do samba. Candongueiro, Niterói, RJ,
Show A cor do samba. Espaço Cultural Memórias do Rio - RJ.

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

terça-feira, 21 de março de 2017

Norival Reis (Portelenses de Outrora)

Norival Reis

Norival Torquato Reis
*  24/3/1924 Angra dos Reis, RJ 
+  2001 Rio de Janeiro, RJ

 Biografia
 
Compositor. Cavaquinista. Nasceu em Angra dos Reis (RJ), mas foi criado nos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, subúrbios carioca.
 
Desde menino freqüentava as escolas de samba Portela e Império Serrano.
 
Trabalhou para as gravadoras Continental e Columbia, nas quais exerceu a função de Engenheiro de Som.
 
É considerado um dos grandes especialistas em gravação, acústica e amplificação do som, ficando conhecido por ter personalizado o som do cavaquinho de Waldir Azevedo, para o qual inventou um sistema especial de câmaras de eco improvisadas, quando não havia esse recurso no Brasil. Chegou a gravar em banheiros da gravadora para conseguir efeitos que, na época, eram impossíveis.
 
Faleceu aos 77 anos de idade, de parada cardíaca proveniente de problemas decorrentes do diabetes.
 
Foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
 
Seu filho, Luiz Carlos T. Reis, é engenheiro de som conceituado no mercado fonográfico, preferido de vários produtores como Rildo Hora e intérpretes como Beth Carvalho e por várias vezes atuou como jurado de bateria da Liga das Escolas de Samba (LIESA).
 
Dados artísticos
 
Começou trabalhando na gravadora Continental na década de 1940, quando resolveu começar a compor, influenciado pelo convívio com outros compositores.

Em 1945, compôs sua primeira marcha, "Até vestida" e logo depois, "O barão".

No ano de 1951, a dupla Joel e Gaúcho lançou pela Todamérica seu samba "Hoje ou amanhã", parceria com Ruthinaldo Silva.

Em 1953 Elizeth Cardoso interpretou "Nem resta a saudade", parceria com Irani Oliveira. Dois anos depois, a mesma cantora gravou também de sua autoria "Amanhã será tarde" (c/ Dunga) e ainda, em seu primeiro LP pela Continental com o título de "Canção à meia-luz", a Divina interpretou "Pra que me iludir?", de Norival Reis e Radamés Gnatalli.

Outras músicas suas foram gravadas por Ruy Rey ('A lua se escondeu', parceria com Alcebíades Nogueira) e Ângela Maria ('A saudade não foi leal', coimposta com Jorge Duarte).

Em 1965, teve sua composição "Nunca mais" (c/ Bezerra da Silva) intrepretada por Marlene, pela Continental.

Venceu por três vezes o concurso de samba-enredo da Escola União de Jacarepaguá e uma vez na Escola Rosa de Ouro, de São Paulo.

A partir de 1969 passou a integrar a Ala dos Compositores da Portela.

Compôs sambas antológicos para a escola: "Ilu-ayê - Terra da vida", em 1972, parceria com Silvestre Davi da Silva, conhecido na Portela como Cabana, que classificou a escola em 3º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano, gravado por Clara Nunes com grande sucesso. Outro samba-enredo de sua autoria e importante para a Portela foi "Macunaíma, herói da nossa gente" (c/ David Antônio Correia) que classificou a escola em 5º lugar do Grupo 1 no ano de 1975.

Em 1976, Zedi gravou pela Tapecar o LP "Meu recado", no qual interpretou "Alegria" (Norival Reis e Vicente Mattos).

Compôs ainda para a Portela "Hoje tem marmelada", com Jorge Macedo e Davi Antônio Correia, em 1980, classificando a escola em 1º lugar do Grupo 1.

Em 1984, compôs com Dedé da Portela "Contos de areia", samba-enredo com o qual a Portela desfilou naquele ano classificando-se em 1º lugar do Grupo 1.

Conhecido também como Vavá da Portela, foi homenageado por Paulinho da Viola no samba "O pagode do Vavá". O samba remete ao famoso Pagode do Vavá, que acontecia aos domingos em sua casa, no subúrbio de Madureira.

Sua composição mais conhecida é "Ilú Ayê", considerado um dos mais belos sambas-enredos de todos os tempos e foi gravado por Elza Soares ainda na década de 1970.

No ano 2000 participou da gravação do CD "Ala de Compositores da Portela", disco produzido por Franco Cava e no qual declamou versos de seu samba-enredo "Contos de areia", composto em parceria com Dedé da Portela. Deste mesmo disco participaram Eliane Faria, Paulinho da Viola, Monarco, João Nogueira, Cristina Buarque, Simone Moreno, Wilson Moreira, Dorina, Ary do Cavaco, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Fraco Cava, Anderson da Portela e Waldir 59.

Em 2001, Mônica Salmaso no CD "Voadeira" incluiu "Ilú Ayê - terra da vida".

No ano de 2002, Eliane Faria, com arranjo de Jotinha Moraes, interpretou "Ilu Ayê" no disco "Clássicos do samba", lançado pela gravadora Eldorado e distribuído pela Sony Music. Neste mesmo ano, Elza Soares no disco "Do cóccix até o pescoço" interpretou de sua autoria "O samba é bom assim" (c/ Hélio Nascimento). Ainda em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor.

Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu "Conto de areia". Ainda em 2003, Bezerra da Silva, no disco "Meu bom juiz", incluiu de sua autoria "Em seu lar". Neste mesmo ano, a Tradição, ao lado da Portela, Império Serrano e Viradouro, foi uma das Escolas de Samba que optaram em comemorar o 20º aniversário do Sambódromo, quando foi construída a "Passarela do Samba", levando para a avenida sambas-enredo anteriores a 1984. A Tradição resolveu homenagear a Portela (de quem se separou em 1984) e escolheu o samba-enredo "Contos de areia", de Dedé da Portela e Norival Reis. Para a gravação do samba a escola convidou Alcione. O samba, de sua autoria, foi cantado na avenida no carnaval de 2004. Neste mesmo ano Carmem Queiroz regravou "Ilú Ayê".

Obra

A lua se escondeu (c/ Alcebíades Nogueira, marcha)
A saudade não foi leal (c/ Jorge Duarte, samba)
ABC dos orixás (c/ Dedé da Portela, samba)
Alegria (c/ Vicente Mattos)
Amanhã será tarde (c/ Dunga)
Amigo do rei (c/ Adalberto Rego, marcha)
Até vestida (marcha)
Barra da Tijuca (c/ Irani de Oliveira, samba)
Contos de areia (c/ Dedé da Portela)
Em seu lar
Hoje ou amanhã (c/ Rutthinaldo Silva, samba)
Hoje tem marmelada (c/ Jorge Macedo e Davi Antônio Correa)
Iaiá da Bahia (c/ José Batista, batucada)
Ilu-ayê (Terra da vida) (c/ Cabana, samba-enredo)
Império dos Aruãs (c/ David Correa e Joel Meneses)
Macunaíma, o herói das nossa gente (c/ Davi Antônio Correia, samba-enredo)
Nem resta a saudade (c/ Irani Oliveira)
O barão
O morro canta assim (c/ José Batista, samba)
O que esquenta é mulher (c/ João de Barro)
O samba é bom assim (c/ Hélio Nascimento, samba)
Pra que me iludir? (c/ Radamés Gnattali)
Salve a Brotolândia (c/ Jorge Duarte e Braguinha)
Sua mulher vai ao baile comigo (c/ João de Barro)

Discografia

(2000) Ala de Compositores da Portela • CD

Bibliografia crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.

CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso - Uma vida. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, S/D.

CARISE, Iracy. A arte negra na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Editora Artenova, S/D.ARAÚJO, Hiram. Carnaval - seis milênios de história. Rio de Janeiro. Editora Gryphus, 2000.

COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.

MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mijinha (Portelenses de Outrora)



Mijinha

Bonifácio José de Andrade
* Rio de Janeiro, RJ 

Biografia
Cantor. Compositor. Irmão dos compositores Aniceto da Portela e Manacéia. Integrou a Ala de Compositores da Portela.

A partir do ano de 1970 passou a integrar a Velha-Guarda da Portela, fundada por Paulinho da Viola, ao lado de seus irmãos Aniceto da Portela e Manacéia, e ainda por Alberto Lonato, Ventura, Alvaiade, Francisco Santana, Antônio Rufino dos Reis, Alcides Dias Lopes (mais conhecido por Alcides Malandro Histórico), Monarco, Surica, Tia Vicentina, Tia Doca, Armando Santos e Antônio Caetano. Neste mesmo ano de fundação da Velha-Guarda, Paulinho da Viola produziu o primeiro disco do grupo. O LP "Portela, passado de glória" foi lançado pela gravadora RGE, no qual foi incluída a sua composição "Chega de padecer". 

No ano de 1973, no LP "Nervos de aço", de Paulinho da Viola, foi incluído o samba de sua autoria "Sentimentos", um dos grandes sucessos da época. 

Em 1980 Monarco lançou o LP "Terreiro", no qual interpretou "Sofres porque queres liberdade", e "Falsa recompensa", as duas composições parcerias de ambos. 

No ano de 1986, produzido por Katsunori Tanaka para o mercado japonês, foi lançado o disco "Doce recordação", da Velha-Guarda da Portela, sendo incluído o samba "Fui condenado" (Monarco e Mijinha). 

Em 1994, Cristina Buarque lançou pela gravadora Saci o CD "Resgate". Este disco contou com a participação especial da Velha-Guarda da Portela nas faixas "Amor perdido" (Manacéia), "Eu perdi você" (Aniceto J. de Andrade, mais conhecido como Aniceto da Portela) e "Adeus, eu vou partir" (Mijinha e Chico Santana). 

No ano 2000 a gravadora Nikita Music, do japonês Katsunori Tanaka, relançou em CD "Doce recordação".

Obras

Adeus, eu vou partir (c/ Chico Santana)
Chega de padecer
Falsa recompensa (c/ Monarco)
Fui condenado (c/ Monarco)
Sentimentos
Sofres porque queres liberdade (c/ Monarco)

Discografia
Portela, passado de glória • RGE • LP (1970)

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
COUTINHO, Eduardo Granja. Velhas histórias, memórias futuras. Rio de Janeiro: Editora Uerj, 2002.
FERNANDES, Vagner. Clara Nunes: Guerreira da utopia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopedia da música Brasileira - erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MONTE, Carlos e VARGENS, João Baptista M. (Ilustrações Lan). A Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro: Editora Manati. 2001.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Marçal (Portelenses de Outrora)

Marçal

Nilton Delfino Marçal
* 1930 Rio de Janeiro, RJ 
+  9/4/1994 Rio de Janeiro, RJ


Biografia

Cantor. Instrumentista. Ritmista. Mestre de Bateria. Filho do compositor Armando Marçal. Pai do também percussionista Marçalzinho.

Dados Artísticos 
 
Iniciou a carreira artística aos nove anos de idade tocando tamborim na escola de Samba Recreio de Ramos, da qual seu pai, Armando Marçal, era presidente. Pouco depois, ingressou na Escola de Samba Unidos da Capela, e, posteriormente, no Império Serrano. Em seguida, foi para a Portela onde ficou por mais de 20 anos tendo assumido o posto de Mestre de Bateria daquela agremiação. Realizou gravações como instrumentista e também como cantor. 

Em 1971, integrou uma verdadeira seleção de instrumentistas brasileiros que incluiu, sob o título de Os Chorões, os instrumentistas Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, José Menezes, Juquinha, Luna, Netinho "Clarinete", Radamés Gnattali, Raul de Barros, Tião Marinho e Zé Bodega, que, sob o comando do maestro Nelsinho, gravaram, pela Odeon, o LP "Chorinhos da Pesada", no qual foram interpretados os choros " Pé na Tábua", de Altamiro Carrilho; "Bate Papo", de Radamés Gnattali; "Na Glória", de Raul de Barros e Ari dos Santos; "Doce Melodia", de Abel Ferreira; "Linda Érika", de Luiz Americano; "Peguei a Reta", de Porfírio Costa; "Bem-Te-Vi Atrevido", de Lina Pesce; "Teclas Pretas", de Pascoal Barros; "Chorinho de Gafieira", de Astor Silva; "Sonoroso", de K-Ximbinho e Del Loro; "Haroldo no Choro", de Abel Ferreira, e "Limoeiro do Norte", de Porfírio Costa. Em 1973, gravou seu primeiro trabalho solo, um compacto duplo, pela Odeon, interpretando os sambas "Meu Sofrer" e "Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal"; "Voltei", de Wilson Bombeiro e Anézio, e "Menino do Morro", de Guga, Cosme e Damião. 
 
Em 1974, participou do LP "A Música de Donga", lançado pelo selo Marcus Pereira, no qual, ao lado da cantora Leci Brandão interpretou o samba "Seu Mané Luiz", de Donga e Cícero De Almeida, o "Baiano". 
 
Em 1975, participou do LP da Portela, na série "História das Escolas de Samba", lançada pelo selo Marcus Pereira, interpretando com a bateria da Escola de Samba Portela o samba-enredo "Macunaíma (Heróis de Nossa Gente)", de David Correia e Norival Reis. 
 
Em 1976, juntamente com os instrumentistas Eliseu, Luna, Dotô, Marçalzinho e Toninho, integrou o Conjunto Os Baluartes, que gravou, pelo selo Okeh/CBS, o LP "Nira Gongo", com a interpretação das músicas "Por Favor", de J. Ananias de Marcelos e José Bispo, o ''Jamelão''; "Sai Encosto", de J. Canseira e Marimbondo; "Nira Gongo", composição coletiva do grupo Os Baluartes; "Quando Eu Me Lembro", de Hélio Nascimento; "Andarilho", de Padeirinho; "Não É Não É", de W. Rosa e Redvaldo; "Ausência de Paz", de Pequeno Tony e Gugu; "Tiradentes", de Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva; "Samba do Trabalhador" e "Chegou Mais Um", de Darcy da Mangueira; "Conflito", de Pedro Santos, e "A Nova Mangueira", de Padeirinho. 
 
Em 1978, gravou seu primeiro LP solo, "Marçal Interpreta Bide e Marçal", lançado pela EMI-Odeon, no qual interpretou os sambas "Agora É Cinza"; "Meu Primeiro Amor"; "A Primeira Vez"; "A Carta"; "Barão das Cabrochas"; "Que Bate Fundo É Esse", "Tua Beleza"; "Não Diga a Minha Residência"; "Foi Você"; "Tu Não Sabes Mais o Que Há de Querer"; "Velho Estácio"; "Sorrir"; "Louca Pela Boemia"; "Nunca Mais"; "Meu Sofrer"; "Violão Amigo"; "Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu"; "Madalena"; "Olha a Sua Vida" e "Você Foi Embora", todos da dupla Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal". Um detalhe deste disco é que ele contou com a participação especial no coro dos seguintes artistas: Chico Buarque, Clara Nunes, Cristina Buarque, Dona Ivone Lara, Élton Medeiros, Gisa Nogueira, Gonzaguinha, João Nogueira, Martinho da Vila, Milton Nascimento, Miúcha, Nosso Samba, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro e Roberto Ribeiro. 
 
Em 1979, participou do fascículo "Nova História da Música Popular Brasileira - Bide/ Marçal e o Estácio", lançado pela Abril Cultural, interpretando o samba "Barão das Cabrochas", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal". 
 
Em 1980, gravou o samba " Acabou a Sopa", de Geraldo Pereira e Augusto Garcez, para o LP "Geraldo Pereira - Evocação V", do selo Eldorado. Nesse ano, por desentendimentos com o presidente, deixou a Escola de Samba Portela. Passou alguns meses na Viradouro e desfilou pela Mangueira. Em 1982, foi escolhido como "Cidadão Samba". 
 
Em 1984, sua interpretação para o samba "Barão das Cabrochas", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal", foi incluída no fascículo "História da Música Popular Brasileira - Séria Grandes Compositores - Bide / Marçal / Paulo da Portela", da Abril Cultural. 
 
Em 1985, lançou pela Barclay/Ariola, seu segundo LP solo, intitulado "Recompensa" no qual interpretou os sambas "É Lá Que Moro", de Joel Silva e Sergio Fernandes, e "Como Era Verde o Meu Xingú", de Dico da Viola, Paulinho Mocidade, Tiãozinho da Mocidade e Adil, Samba-enredo de 1983 da Mocidade Independente, ambos com a participação da Bateria da Portela; "Outra Alegria", de Délcio Carvalho e Alceu Maia; "A Janela do Coração", de Dida e Dedé da Portela; "Ando na Orgia", de Alcebíades Barcelos "Bide" e Armando "Marçal"; "Samba do Avião", de Tom Jobim; "Peço A Deus", de Dida e Dedé da Portela, com participação especial de Caetano Veloso; "Recompensa", de Jorge Aragão e Jotabê, e "O Bicho Vai Pegar", faixa instrumental de sua autoria. 
 
Em 1986, gravou o LP "Senti Firmeza" interpretando os sambas "Contos de Areia", de Dedé da Portela e Norival Reis, samba-enredo da Portela de 1984; "Canto Sublime", de Adilson Bispo e Zé Roberto; "Aos Novos Compositores"; de Arlindo Cruz, Chiquinho e Acyr Marques; "Não Faz Assim", de Arlindo Cruz, Franco e Luiz Carlos da Vila; "Gamação", de Candeia; "Solidão Tem Cura", de Arlindo Cruz, Franco e Sombrinha; "Facho de Esperança", de Sereno, Julinho e Moysés Sant'Anna; "Nega Cascavel", de Arlindo Cruz e Franco; "Que Caia Sobre Mim (Juro)", de Nelson Cavaquinho e Amado Régis; "O Que Houve Entre Nós", de Arlindo Cruz e Sombrinha, e "Agora É Tarde", de Mauro do Cavaco, Cabelo Branco e Argemiro da Portela. No mesmo ano, sua interpretação para o samba "Facho de Esperança", de Sereno, Julinho e Moysés Sant'Anna, foi incluída na trilha sonora da novela "Roda de Fogo", da Rede Globo, lançada pela Som Livre. 
 
Transferiu-se em seguida para a gravadora Polydor, e lançou, em 1987, o LP "Sem Meu Tamborim Não Vou" com os sambas "Canto Forte", de Ronaldo Camargo, Vaguinho e Preto Jóia; "Sem Meu Tamborim Não Vou", de Armando "Marçal" e J. Portela; "Ouço Uma Voz", de Candeia e Nelson Amorim; "Inconsequência", de Franco e Paulinho Mocidade; "Só Você", de Arnô Canegal e Ari Monteiro; "Olha Amor", de Moysés Sant'Anna e Julinho; "Os Malês", de Adalto Magalha e Wilson Moreira; "Me Mata de Amor", de Franco e Paulinho Mocidade, faixa que contou com a participação do cantor e compositor Paulinho Mocidade; "Arte de Perdoar", de Almir Guineto, Adalto Magalha e Adilson Gavião, "Vaidade Pra Quê", de Arlindo Cruz e Franco, e "Palco", de Efson e Nei Lopes. 
 
Em 1988, lançou o LP "A Incrível Bateria do Mestre Marçal" no qual interpretou o samba "A Incrível Bateria", parceira sua com Durval Ferreira, e os sambas-enredo, todos eles clásicos, "Festa Para Um Rei Negro", de Zuzuca (Salgueiro - 1971); "O Mundo Melhor de Pixinguinha (Pizindin)", de Jair Amorim, Evaldo Gouveia e Velha (Portela - 1974); "Os Sertões", de Edeor de Paula (Em Cima da Hora - 1976); "Contos de Areia", de Dedé da Portela e Norival Reis (Portela - 1984); "Ilu Ayê Terra da Vida", de Cabana e Norival Reis (Portela - 1972); "No Reino da Mãe do Ouro", de Tolito e Rubens da Mangueira (Mangueira - 1976), e "Bum Bum Paticumbum Prugurundum" de Beto Sem Braço e Aloísio Machado (Império Serrano - 1982). No mesmo ano, participou do LP "15 Anos de Carreira", do cantor e compositor Carlinhos Vergueiro, lançado pelo selo Idéia Livre, com um retrospecto da carreira de Vergueiro em diferentes duetos. Neste LP, interpretou com Carlinhos Vergueiro o samba "Torresmo À Milanesa", parceria de Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro. 

Em 1989, pela BMG-Ariola, lançou o LP "Pela Sombra" no qual interpretou os sambas "Juntar as Mágoas", de Sereno e Mauro Diniz; "Desalento", de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, faixa que contou com a participação de Chico Buarque; "Pela Sombra", de Nei Lopes e Nelson Sargento; "Até de Avião", de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Luiz Carlos da Vila; "Mocotó Com Pimenta", de Geraldo Babão e Zardino; "Imagens Poéticas de Jorge Lima", samba-enredo da Mangueira, de 1975, de Tolito, Mosar e Delson; "Impossível Recomeçar", de Anézio, Vera Lúcia e Wilson Bombeiro, que contou com a participação de Alcione; "Quem Dera", de Zeca Pagodinho; "Povo de Aruanda", de Cezinha do Pagode, Maurição e Wagner Bastos; "Fiz o Que Pude", de Geraldo Babão, e "Não Diga a Minha Residência", de Alcebíades Barcelos, o "Bide" e Armando "Marçal", além do ''Pot-pourri de Pagodes'', com "Sofrimento", de Chimbica; "O Remorso Me Condena", de Monarco e Ratinho; "Menino do Morro", de Guga, Cosme e Damião, e "Saudade Colorida", de Silvinho do Pandeiro. No mesmo ano participou de duas coletâneas da gravadora Som Livre. A primeira foi o LP "Cais", com diferentes artistas, alguns em duetos, fizeram interpretações da obra do compositor Ronaldo Bôscoli, especialmente para este disco. Interpretou então, com Chico Buarque, "Circo Marimbondo", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. A outra participação foi no LP com a trilha sonora da novela "Pacto de Sangue", da Rede Globo, que incluiu sua interpretação para o samba "Desalento", de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, feita em dueto com Chico Buarque. Ainda em 1989, participou do "Projeto Brahma Extra - Grandes Músicos", uma produçaõ independente que reuniu diferentes artistas e no qual, cantando com Alceu Maia e Manoel da Conceição, gravou o samba "Vê Se Gostas". Nesse ano, tocou cuíca nas gravações do LP "Okolofé", de Wilson Moreira, com produção executiva do japonês Katsunori Tanaka, sendo lançado no Japão em 1991. No ano 2000 o mesmo disco foi lançado no Brasil. Também cantou o samba "Abrolhos Da Vida", de Wilson Moreira e Ratinho. 
 
Em 1990, participou de quatro LPs, com diferentes artistas e em diversificadas gravadoras. Foram eles: "Ao Vivo Paris - Le Zenith", que o cantor e compositor Chico Buarque lançou pela BMG-Ariola. Neste disco, além de tocar percussão, interpretou com Chico Buarque o samba " Sem Compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro. Na gravadora CID, participou do LP "Brasilidade - Noca Da Portela e Roberto Serrão", interpretando o samba "Dupla Genial", de Monarco e Délcio Carvalho. Na gravadora EMI-Odeon participou do LP "Tem Que Arrebentar!", gravado pelo cantor Júnior, interpretado o samba "Amigo É Pra Essas Coisas", de Silvio da Silva Júnior e Aldir Blanc. Finalmente, sua gravação para o samba "Dona Invocada", de Moacyr Luz e Aldir Blanc, incluída na trilha sonora da novela "Mico Preto", da TV Globo. Ainda em 1990, lançou pela BMG-Ariola o LP "Entre Amigos" cantando os sambas "Dona Invocada", de Moacyr Luz e Aldir Blanc; "Três Palavras", de Mauro Diniz e Mestre Marçal; "Perdão e Paz", de Sereno e Sérgio Fonseca; "Canto Pra Não Ver Você Chorar", de Mauro Diniz e Ratinho; "Leviana", de Zé Keti; "O Meu Amor Tem Preço", de Dona Ivone Lara; "Contentamento", de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro; "Olhando-me no Espelho", de Adilson Magrinho; "Doce Mistura", de Sereno e João do Cavaco; "Bainha de Punhal", de Romildo Bastos e Sérgio Fonseca; "Vara de Marmelo", de Romildo e Paulinho Resende; "Amor Não É Brinquedo", de Candeia e Martinho da Vila, e "Temporal", de Pinga e Pedro Butina. 
 
Em 1991, participou do LP "Nada Além", um tributo ao compositor Mário Lago, em gravações exclusivas. Lançado pela Som Livre, interpretou o samba "Atire A Primeira Pedra", de Ataulfo Alves e Mário Lago, e, em coro com Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Élton Medeiros, Mário Lago e Neguinho da Beija-Flor, a marcha carnavalesca "Aurora", de Roberto Roberti e Mário Lago. 
 
Em 1993, suas gravações para os sambas "Tua Beleza" e "Não Diga a Minha Residência", ambos de Alcebíades Barcelos, o "Bide", e Armando "Marçal", foram incluídos na coletânea "Rio By Night", da EMI-Odeon. No mesmo ano, cantando em coro com Alcione, Beth Carvalho e Pery Ribeiro, em montagem com a voz de Herivelto Martins, participou da gravação dos sambas "Mangueira, Não", de Herivelto Martins e Grande Otelo; "Saudosa Mangueira", de Herivelto Martins, e " Lá Em Mangueira", de Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres. Também em 1993, lançaria aquele que seria seu último trabalho, o LP "Sambas-Enredo de Todos os Tempos", pela gravadora Velas, no qual interpretou quinze sambas-enredo clássicos: "Lendas E Mistérios da Amazônia", de Catoni, Jabolô e Valtenir, (Portela - 1970); "Tiradentes",de Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva, (Império Serrano - 1949); "A Festa do Divino", de Tatu, Nezinho e Campo, (Mocidade Independente - 1974); "Os Sertões", de Edeor de Paula (Em Cima da Hora - 1976); "Heróis da Liberdade", de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira, (Império Serrano - 1969); "Seca do Nordeste", de Waldir de Oliveira e Gilberto de Andrade, (Tupi de Brás de Pina - 1961); "Iaiá do Cais Dourado", de Martinho da Vila e Rodolpho, (Unidos de Vila Isabel - 1969); "Os Cinco Bailes da História do Rio", de Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara e Bacalhau, (Império Serrano - 1965); "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato", de Darcy da Mangueira, Batista da Mangueira e Luis, (Mangueira - 1968); "Sublime Pergaminho", de Carlinhos Madrugada, Zeca Melodia e Nilton Russo, (Unidos de Lucas - 1968); "Ilu Ayê Terra da Vida", de Cabana e Norival Reis, (Portela - 1972); "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, (Império Serrano - 1964); "Chica da Silva", de Anescar do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira, (Salgueiro - 1963); "O Grande Presidente", de Padeirinho, (Mangueira - 1956), e "Liberdade Liberdade Abra as Asas Sobre Nós", de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir, (Imperatriz Leopoldinense - 1989). Atuou como comentarista dos desfiles de Escolas de Samba, pela Rede Manchete. Considerado um dos maiores mestres de bateria de todos os tempos, era quase uma unanimidade entre os músicos. Faleceu precocemente aos 64 anos de idade.

Obra

- A Incrível Bateria - com Durval Ferreira
- O Bicho Vai Pegar

Discografia

(1993) Sambas-Enredo de Todos os Tempos • Velas • LP
(1990) Entre Amigos • BMG • LP
(1989) Pela Sombra • BMG-Ariola • LP
(1988) A Incrível Bateria do Mestre Marçal • Polydor • LP
(1987) Sem Meu Tamborim Não Vou • Polydor • LP
(1986) Senti Firmeza • Barclay/Ariola • LP
(1985) Recompensa • Barclay/Ariola • LP
(1978) Marçal Interpreta Bide e Marçal • EMI-Odeon • LP
(1976) Conjunto Os Baluartes - Participação - • Okeh/CBS • LP
(1973) Meu Sofrer/Voltei/Menino do Morro/Se Ela Não Vai Chorar Nem Eu • Odeon • Compacto Duplo
(1971) Os Chorões - Chorinhos da Pesada - Participação - • Odeon • LP

Crítica

Mestre Marçal: Glória e Memória do Samba Na mesma década em que ainda era perseguido pela polícia, o samba, síntese, talvez, da musicalidade negra no Brasil, tornava-se música nacional. A contribuição do samba na construção do que hoje em dia se conceitua como "música popular brasileira" é inestimável. Apesar disso, ainda hoje, meados da segunda década do século XXI, a memória da música popular, em que pese seu avanço substancial nas últimas décadas, ainda não contempla devidamente aqueles pioneiros, em especial os artistas negros, que continuam, de modo geral, principalmente ao se observar sua contribuição musical, contemplados com notas de roda pé. Quantos mestres e bambas jazem na poeira do esquecimento? É o que acontece, incrivelmente, com o Mestre Marçal. Foi Diretor de bateria da Escola de Samba Portela durante vinte e cinco anos. Seu trabalho à frente da Escola de Samba azul e branco de Madureira foi uma síntese entre a tradição herdada de seu pai, Armando Marçal, um dos formatadores do samba, tal qual este seria reconhecido a partir dos anos 1930, e integrante do grupo de fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, para muitos, a primeira escola de samba a ser criada. Mestre Marçal deu seguimento a essa herança, atuando à frente da bateria da Portela. Multiinstrumentista, dominava os segredos de todos os instrumentos de percussão. Aos 9 anos de idade, começou a participar ativamente do mundo do samba, tocando tamborim na Escola de Samba Recreio de Ramos, da qual seu pai era vice- presidente. Em data imprecisa, possivelmente após a morte do pai, em 1945, passou pela Escola de Samba Unidos da Capela, e, posteriormente, pelo Império Serrano, até fixar-se na Portela. Seu instrumento preferido era o surdo centrador, elemento central da sessão rítmica.

Em 1987, gravou o LP "A Incrível Bateria de Mestre Marçal", no qual apresentou um por um e depois todos juntos, os instrumentos que compões a bateria de uma Escola de Samba, além de interpretar 7 sambas-enredo que se tornaram clássicos. Mestre Marçal fez também a difícil ponte entre o samba em suas mais profundas raízes e a chamada MPB, linha da música popular brasileira formada e consolidada na virada das décadas de 1960 e 1970. Tocou com quase todos os grandes astros: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e outros. Gravou diferentes discos nos quais cantava e estava à frente de sua "Incrível bateria"; também registrou diversos sambas-enredo clássicos, ao quais deu sua interpretação privilegiada, seja na força de sua voz, ou na cadência de sua bateria. Vinte e um anos depois de sua morte, já quase não se fala em Mestre Marçal e seus discos não foram reeditados. Para ter acesso a suas gravações é preciso uma atenta e dedicada pesquisa. Quando, na verdade, seus discos deveriam estar sendo tocados constantemente em emissoras de Rádio e Televisão, e seu nome reverenciado a cada carnaval, assim como os nomes de tantos outros sambistas relegados ao esquecimento. Mestre Marçal é uma lenda a ser contada e recontada por todos até o dia em que sua obra brilhe e seja cultuada na intensidade que merece. Paulo Luna - Pesquisador/Professor de História.